As opiniões emitidas neste blog, salvo aquelas que correspondem a citações, são de responsabilidade do autor do blog, em nada refletindo a opinião de instituições a que o autor do blog eventualmente pertença. Nossos links são verificados permanentemente e são considerados isentos de vírus. As imagens deste blog podem ser usadas livremente, desde que a fonte seja citada: http://ramonlamar.blogspot.com

terça-feira, 29 de março de 2011

Jockey Clube (SP) e Lagoa da Chácara (7L)

Leia trechos da notícia publicada pela Folha de S.Paulo em 19 de março de 2011. Sublinhados por minha conta.

Chácara do Jockey vai virar parque público

VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO

                Um terreno de 151 mil metros quadrados vai ser tomado do Jockey Club de São Paulo pela prefeitura para a criação de um parque voltado para o esporte, na Vila Sônia (zona oeste). A desapropriação decorre da dívida de IPTU avaliada em ao menos R$ 150 milhões, além de pendências fiscais como multas por realização de eventos sem alvará e publicidade irregular.
                “A decisão já está tomada. O terreno tem de virar um parque, é sua vocação”, diz o secretário municipal de Esportes, Walter Feldman. A proposta tem o aval do prefeito Gilberto Kassab (DEM) e um decreto de utilidade pública, que atesta o interesse da prefeitura no terreno, já foi publicado,
                Com um processo de desapropriação em andamento na Justiça, a prefeitura ainda não sabe como será fechado o negócio: se fará um pagamento em juízo ou se trocará a dívida pelo terreno. Procurado, o Jockey não quis falar sobre a decisão de desapropriar a chácara para a criação de um parque. 

                A ideia para transformar a área verde num parque surgiu depois de o Jockey anunciar, há dois anos, a construção de prédios com 648 apartamentos para angariar dinheiro e pagar a dívida. Contrários à obra, os moradores se mobilizaram e ganharam apoio de professores da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo), do Ministério Público e até da paróquia do bairro.
                Num sermão, o padre Darci Bortolini convocou os fiéis e criou um abaixo-assinado, que em dois tempos conseguiu 2.000 adesões. “Que construam prédios em outro lugar, não numa área verde. O trânsito não dá mais para andar, as avenidas estão saturadas. Com o metrô, o aluguel subiu muito e as casas estão todas à venda”, diz o padre Darci.
                “Adotei o tema do parque na disciplina de paisagismo na FAU. Os alunos estão criando projetos, que serão discutidos com os moradores e a prefeitura”, afirma Fábio Mariz Gonçalves, professor de urbanismo da USP. Segundo Gonçalves morador do bairro, o terreno é a última área verde da região e importante para absorção da chuva e conter enchentes.
                “Decidimos fazer uma mobilização na Vila Sônia. A discussão mais importante é a chácara. A questão é a especulação imobiliária que veio com o metrô e a operação urbana”, diz o morador e antropólogo Pedro Guasco, da associação Rede Butantã de Entidades e Forças Sociais. A intenção da prefeitura é criar uma escola técnica voltada para formação esportiva e instalar equipamentos urbanos para a prática de diversas atividades físicas. 
Puxa vida, vejam só quanta semelhança com a situação do nosso pretendido PARQUE NATURAL MUNICIPAL LAGOA DA CHÁCARA: vocação da área, a questão do trânsito de  um megaloteamento (que o local não suporta), o grande número de unidades habitacionais que se pretende construir (em proporção à área), última área verde da região, absorção da chuva, contenção de enchentes, especulação imobiliária do local. E vejam as diferenças: lá há apoio do prefeito, lá existe a possibilidade de pagar pela área sem discussão (depósito em juízo - discute-se depois), apoio do Ministério Público, apoio da Paróquia e apoio de um professor de urbanismo (aqui o "arquiteto renomado" quer o contrário).
Dá para pensar, não dá?

4 comentários:

  1. Saturada pelo trânsito, enchentes, ilhas de calor (devido ao excesso de asfalto, concreto, etc...), a metrópole São Paulo está de olhos abertos, e com essa reportagem, vejo que as pessoas estão se conscientizando...
    É satisfatório ver que o projeto tem apoio de diversas áreas da sociedade: a idéia é, todos juntos em prol de um benefício que também será pra todos. Causa nobre...

    Guardadas as proporções Sete Lagoas - São Paulo, podemos, evitar os problemas decorrentes do crescimento urbano acelerado, que Sete Lagoas já enfrenta.

    A escolha é toda nossa...

    ResponderExcluir
  2. Dá pra pensar e muito.
    E este exemplo é bem emblemático por alguns motivos:

    a. É dentro da cidade de São Paulo, onde a especulação imobiliária atingiu números inacreditáveis no último ano. Certamente, maiores que os de Sete Lagoas;
    b. É na zona leste da cidade, uma região onde, se sair do papel o famigerado estádio do Corínthians (perdoe-me, Ramon) e toda infraestrutura que deverá (ou não?) acompanhá-lo, vai ser ainda mais especulada. Está todo mundo de olho só esperando esta decisão;
    c. O dono do terreno não é um qualquer um, muito pelo contrário. O Jockey Clube é uma espécie de crème de la crème da elite paulistana. Não estão brigando contra cachorro morto;
    d. Não é umas das poucas áreas verdes da cidade, como nosso caso. Ainda que seja difícil comparar Sete Lagoas com São Paulo, eles já têm mais de 40 áreas deste tipo. Algumas, notáveis.

    ResponderExcluir
  3. Frederico,
    aquela área do Jockey é a última área verde da região (e não da cidade), agora convém lembrar que uma região de São Paulo costuma ser maior do que Sete Lagoas!
    Quanto ao estádio do Corinthians, apesar de corintiano, concordo com você. Não concordo muito com essa ideia de melhorar estádios, construir estádios e tal para 4 semanas de jogos. Na verdade acho uma palhaçada. Alguns dirão: mas traz benefícios para o trânsito e tal. Oras, gaste-se o dinheiro no trânsito e tal. Para quê construir esses elefantes brancos? O campeonato brasileiro, a Libertadores, as eliminatórias não acontecem nos estádios que temos? Então...

    ResponderExcluir
  4. Ramon.

    Escrevi uma bobagem no meu item b. Esta área fica na zona oeste da cidade e não na leste, onde poderá ser erguido o estádio. Mas muda pouco ou até piora. Fica nos arredores do Morumbi, uma das regiões mais caras da cidade.
    E pode até ser a última área verde da região, mas não é a única. A pouco mais de 1 km tem o Parque Raposo Tavares. A uns 4 km, o Parque Alfredo Volpi, menor, antigo bosque do Morumbi.
    Ou seja, mesmo com algumas áreas próximas a ideia de transformar o espaço em parque é importante.

    ResponderExcluir

Clique em "Participar deste site" e siga o blog para sempre receber informações sobre atualizações. O seu comentário será publicado após ser lido pelo administrador do blog.