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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

RESPOSTA DA IA: A Norma Geral de Segurança e Saúde no Trabalho no Brasil - Atualização 2024/2025

Com algumas dúvidas sobre o tema, perguntei a várias IAs (Gemini, ChatGPT, Manus e Deepseek) sobre as mudanças na NR1 (A Norma Geral de Segurança e Saúde no Trabalho no Brasil). Confrontando uma com outra, chegaram na seguinte conclusão para mim:


O que é a NR-1?
A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) estabelece as disposições gerais, o campo de aplicação, os termos e definições comuns a todo o sistema de Normas Regulamentadoras de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) no Brasil. Ela serve como base e diretriz para a interpretação e aplicação das demais NRs, definindo responsabilidades, direitos e deveres de empregadores e empregados sob o regime CLT.

A Revolução da Atualização 2024/2025
A Portaria SEPRT Nº 6.734, de 14 de março de 2024, introduziu mudanças significativas na NR-1, com foco especial na obrigatoriedade do gerenciamento dos fatores psicossocais do trabalho.

Conceitos-Chave da NR-1 Atualizada:
  • Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO)
    • Definição: Processo sistemático, contínuo e estruturado de identificação, análise, avaliação e controle de perigos e riscos ocupacionais.
    • Característica: Não é um documento, mas uma atividade de gestão contínua.
  • Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR)
    • Definição: Documento que formaliza a implementação do GRO na empresa.
    • Conteúdo: Detalha as ações, responsabilidades, prazos e metodologias para controle dos riscos identificados.
  • Fatores Psicossocais do Trabalho (A Grande Inovação)
    • Definição: Elementos da organização, gestão e relações no trabalho que podem afetar a saúde psicológica do trabalhador.
    • Exemplos:
      • Organização do tempo (jornadas excessivas, ritmo acelerado)
      • Demandas emocionais e cognitivas
      • Relações interpessoais (assédio moral, violência)
      • Cultura organizacional
Diferenciação Importante: Os fatores (condições do trabalho) podem gerar riscos (potencial de causar danos como estresse, burnout, depressão).

O Que Mudou na Prática?

Obrigatoriedade Explicita: Todos os empregadores devem incluir os fatores psicossocais do trabalho em seu processo de GRO e documentá-los no PGR, passando pelas mesmas etapas:
Identificação dos fatores presentes: Avaliação de sua intensidade e potencial de dano
Estabelecimento de medidas de controle para mitigação
Prazos de Adequação (CRUCIAL): Os prazos são escalonados conforme o grau de risco da atividade (CNAE) e número de empregados:

Data Limite para implantação

Impacto Estratégico para as Empresas
  • Ampliação do Conceito de Saúde: A SST deixa de focar apenas na integridade física para abranger também o bem-estar psicológico do trabalhador.
  • Mudança de Paradigma Preventivo
    • Antes: Foco reativo em acidentes e doenças físicas
    • Agora: Abordagem proativa que previne também danos psicossociais
  •  Exigências Concretas: 
    • Revisão e atualização do PGR existente, Capacitação de profissionais de SST e gestores, Implementação de ferramentas de avaliação psicossocial, Desenvolvimento de indicadores de saúde mental.
Consequências do Não Cumprimento:
  • Multas administrativas (Lei nº 6.514/77)
  • Ações trabalhistas por danos morais e materiais
  • Aumento de afastamentos por transtornos mentais
  • Prejuízo à produtividade e clima organizacional
Conclusão: Um Novo Patamar para a SST Brasileira
A atualização da NR-1 representa um marco histórico na proteção do trabalhador brasileiro. Ao obrigar formalmente o gerenciamento dos fatores psicossocais, o Brasil alinha-se às melhores práticas internacionais da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e reconhece que saúde mental também é saúde ocupacional.
As empresas que se adequarem antecipadamente não apenas evitarão penalidades, mas construirão ambientes de trabalho mais saudáveis, produtivos e competitivos, transformando um requisito legal em uma vantagem estratégica.

Nota: Esta análise baseia-se na legislação vigente em 2025. Recomenda-se sempre consultar o texto oficial da NR-1 e orientações do Ministério do Trabalho para decisões específicas.


P.S.: Resolvi perguntar também sobre o caso específico das empresas em que trabalho (escolas), se há alguma coisa diferente. Segue a resposta:

1. Enquadramento e Prazo
        Classificação pelo CNAE: A maioria das escolas se enquadra em:
            CNAE 8512-1/00: Educação infantil (creches)
            CNAE 8513-9/00: Ensino fundamental
            CNAE 8520-1/00: Ensino médio
            CNAE 8531-7/00: Ensino superior

Essas atividades são classificadas como Grau de Risco 3 (risco alto) devido a:
        Exposição a agentes biológicos (crianças/doenças)
        Ruído (recreio, eventos)
        Riscos ergonômicos (postura dos professores)
        Agora: fatores psicossocais específicos da área educacional.

Prazo Legal:
      Por ser Grau de Risco 3 e ter mais de 20 funcionários, o prazo para adequação é: 24 de maio de 2025

2. Como Implementar na Prática (Passo a Passo)

Etapa 1: Revisão/Elaboração do PGR
O Programa de Gerenciamento de Riscos da escola deve ser atualizado para incluir os fatores psicossocais:
        Riscos Tradicionais que já deveriam estar mapeados:
        Ergonômicos: mobiliário inadequado, longos períodos em pé
        Acidentes: quedas, escorregões nos corredores/pátios
        Biológicos: contato com secreções, surtos de doenças
        Químicos: produtos de limpeza, materiais de laboratório
        Fatores Psicossocais a serem ADICIONADOS (específicos de escolas):
        Sobrecarga emocional:
            Lidar com conflitos entre alunos
            Pressão por resultados educacionais
            Relação com pais/responsáveis
        Organização do trabalho:
            Jornada fragmentada (aulas em períodos diferentes)
            Trabalho em casa (preparar aulas, corrigir provas)
            Reuniões pedagógicas fora do horário
        Relações interpessoais:
            Assédio moral (de direção, colegas ou até pais)
            Violência verbal de alunos
            Cultura de cobrança excessiva
        Ambiente organizacional:
            Falta de autonomia pedagógica
            Comunicação verticalizada
            Falta de reconhecimento

Etapa 2: Identificação e Avaliação

Métodos sugeridos para escolas:
    Questionários anônimos sobre condições de trabalho
    Rodas de conversa mediadas por profissional qualificado
    Análise de indicadores: absenteísmo, rotatividade, afastamentos por saúde mental
    Observação direta do ambiente escolar

Etapa 3: Medidas de Controle
Exemplos práticos para escolas:
    Fator Psicossocial Identificado: 
    Sobrecarga emocional
    Medidas de Controle Possíveis      
        • Programa de mentoria entre professores
        • Espaços para descompressão
        • Capacitação em gestão emocional
    Assédio de pais/responsáveis
    Medidas de Controle Possíveis       
        • Protocolos claros de comunicação
        • Mediação por coordenação
         Proteção ao professor em situações de conflito
    Jornada fragmentada/excessiva 
    Medidas de Controle Possíveis
        • Revisão da distribuição de aulas
        • Limite claro do trabalho em casa
        • Respeito aos intervalos
    Falta de reconhecimento 
    Medidas de Controle Possíveis
        • Programas de valorização
        • Feedback estruturado
        • Participação nas decisões pedagógicas

3. Responsabilidades da Escola
A) Direção/Matriz (se for rede):
        Fornecer recursos financeiros e humanos
        Designar um responsável técnico (pode ser terceirizado)
        Garantir que o PGR seja implementado
B) Gestor Escolar (Diretor/Coordenador):
        Aplicar as medidas definidas no PGR
        Promover ambiente de diálogo
        Encaminhar situações críticas ao responsável técnico
C) Serviço Especializado (SESMT) ou Engenheiro/Técnico de SST: 
        O SESMT só é obrigatório para escolas com mais de 100 funcionários, mas escolas menores têm                 que ter o Engenheiro/Técnico de SST responsável.
        Deve-se contratar profissional qualificado (engenheiro de segurança ou técnico de SST) para:
            Elaborar/atualizar o PGR
            Realizar as avaliações
            Emitir laudos técnicos
D) Comissão Interna (CIPA):
        Deve ser constituída (obrigatório a partir de 20 funcionários)
        Participará da identificação dos riscos
        Fará a ponte entre funcionários e gestão

4. Documentação Obrigatória
A escola deve manter em seu PGR atualizado:
    Metodologia usada para avaliar fatores psicossocais
    Resultados das avaliações (com confidencialidade)
    Plano de ação com prazos e responsáveis
    Registro das capacitações realizadas
    Evidências da implementação das medidas

5. Custos Estimados e Estratégias
    Custos Diretos:
        Honorários do profissional de SST
        Ferramentas de avaliação: questionários validados
        Capacitações: palestras sobre saúde mental
        Adequações físicas: sala dos professores mais acolhedora
    Estratégias para Redução de Custos:
        Consórcio escolar: várias escolas contratam juntas um profissional
        Parceria com universidades: estudantes de psicologia/engenharia de segurança
        Uso de materiais públicos: o Ministério do Trabalho disponibiliza guias

6. Consequências do Não Cumprimento
Para a escola que não se adequar até maio/2025:
    Multas em caso de fiscalização (podem ultrapassar R$ 8.000 por irregularidade)
    Processos trabalhistas por danos morais
    Afastamentos por saúde mental que poderiam ser evitados
    Dano à reputação da instituição

7. Benefícios além da Conformidade Legal
    Redução do absenteísmo: professores mais saudáveis faltam menos
    Melhoria do ensino: ambiente positivo reflete na qualidade pedagógica
    Retenção de talentos: professores permanecem mais tempo
    Prevenção de conflitos: canais abertos resolvem problemas antes de escalarem

Resumo Executivo para a Escola:
✅ Prazo: 24 de maio de 2025
✅ Primeiro passo: Contratar profissional de SST para atualizar o PGR
✅ Foco principal: Identificar fatores psicossocais específicos do ambiente escolar
✅ Diferencial: Envolver a comunidade escolar (professores, funcionários) no processo
✅ Resultado esperado: Ambiente de trabalho mais saudável e protegido legalmente

Recomendação final: A escola deve começar imediatamente esse processo, pois a adequação requer diagnóstico, planejamento e implementação gradual. A saúde mental dos educadores impacta diretamente a qualidade da educação oferecida.



Caso alguém tenha alguma contribuição, por favor, me envie nos comentários da postagem, seja ela reafirmando os pontos elencados acima ou em discordância.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

SERIADO UFMG 2025 - GABARITO COMENTADO - SUJEITO A ALTERAÇÕES

A COPEVE/UFMG divulgou as provas da primeira etapa do Seriado 2025 e a sugestão inicial de gabarito (sujeito a recursos). Seguem-se alguns comentários sobre as questões de Biologia e Química.

BIOLOGIA





Analisando o "conjunto da obra" fica a impressão que a prova foi feita por pessoas que não estão acostumadas a lecionar para o Primeiro Ano do Ensino Médio. A presença dos Domínios e a questão sobre conceituação de espécie e população não são típicas do ensino nessa etapa escolar.

Fica a impressão também que a prova foi feita mais para enganar os professores que prepararam seus alunos para essa prova (ou para favorecer os alunos de escolas públicas que têm poucas aulas por semana e não conseguem, às vezes, ver todo o programa). Agora... que falta de criatividade na questão dos polissacarídeos, hein?

A ausência de questões sobre Proteínas e Ácidos Nucléicos, Organelas Celulares, Metabolismo Energético e Divisão Celular - temas dos mais estudados e importantes dessa etapa do ensino - fez com que a prova não avaliasse realmente o aprendizado do Primeiro Ano do Ensino Médio. Mas quem assistiu, ou só teve, o primeiro mês de aulas... acertaria metade da prova.

Três questões classificadas como fáceis ou médias e uma questão (a do ligre) claramente fora dos objetivos do primeiro ano médio. 

QUÍMICA





Três questões entre fáceis e médias... e uma questão muito difícil. 
Contudo, a prova de química mostra-se mais bem elaborada que a prova de biologia.
Infelizmente, para o bem do ensino da química e da estequiometria, poderiam ter colocado uma questão mais acessível do tema. Passa a impressão que estequiometria é difícil mesmo... e que não adianta estudar que você vai errar. Lamentável só nesse aspecto. O resto, tranquilo e dentro do esperado.

Ramon Lamar de Oliveira Junior

PS.: Ainda estou procurando a tal INTERDISCIPLINARIDADE tão falada no Documento Norteador. Houve uma mistura de fermentação (biologia/química) na questão do bolo... mas nada muito criativo. A questão discursiva (ou seria melhor chamar de "Proposta de Redação") perdeu uma boa oportunidade de ser realmente interdisciplinar. Colocar a palavra ecossistema numa pergunta, não a transforma em interdisciplinar. Espero que as questões discursivas da Terceira Etapa realmente consigam medir o aprendizado necessário para o curso superior nas áreas específicas.

domingo, 14 de dezembro de 2025

O que dizer de Faculdades Particulares (principalmente de Medicina) que "escondem" ou não divulgam as provas de seus vestibulares. Uma reflexão crítica.

A não divulgação das provas de vestibular por faculdades particulares, principalmente as de Medicina, é uma prática que merece crítica firme e reflexão pública. Em um contexto educacional que deveria prezar pela transparência, pelo compromisso acadêmico e pela responsabilidade social, esconder ou restringir o acesso a avaliações oficiais soa menos como estratégia e mais como contradição institucional.

Se uma faculdade afirma oferecer ensino de qualidade, com corpo docente qualificado e processos avaliativos bem construídos, não há motivo legítimo para temer a exposição de suas provas. Avaliações bem elaboradas resistem naturalmente ao escrutínio público. Pelo contrário, a divulgação das provas reforça a credibilidade da instituição, permitindo que a sociedade, os estudantes e os professores avaliem a coerência entre o discurso institucional e a prática pedagógica.

O argumento de “proteger o banco de questões” também se mostra frágil. Instituições sérias não baseiam seus vestibulares na repetição de itens, mas na constante renovação das questões, alinhadas às diretrizes curriculares e às competências esperadas dos ingressantes. Reutilizar provas ou esconder avaliações para evitar esse trabalho não é sinal de eficiência, mas de empobrecimento acadêmico.

Além disso, a ocultação das provas dificulta o acesso dos candidatos à informação, ampliando desigualdades. A divulgação de vestibulares anteriores permite que estudantes compreendam o perfil da avaliação, se preparem de forma mais justa e tomem decisões conscientes sobre onde e como prestar o processo seletivo. Negar esse acesso é limitar a autonomia do candidato e transformar o vestibular em um instrumento opaco, pouco democrático.

Do ponto de vista pedagógico, a transparência fortalece o processo educativo. Provas públicas permitem debate, correção de eventuais erros, aprimoramento contínuo e diálogo com a comunidade acadêmica. Quando uma instituição evita esse confronto, passa a impressão de que há algo a esconder — seja fragilidade conceitual, baixa exigência ou incoerência entre o projeto pedagógico e a avaliação aplicada.

Mesmo não sendo vestibulares e concursos públicos situações idênticas, o princípio que deve orientá-los é o mesmo: a transparência. Concursos públicos são obrigados a divulgar provas, gabaritos e critérios de correção justamente para garantir a lisura do processo seletivo (talvez o mau exemplo venha do próprio MEC/INEP em que a TRI aplicada na correção do ENEM torna impossível questionar a nota obtida). Quando uma instituição esconde suas avaliações, torna-se difícil — ou até impossível — questionar questões problemáticas, mal formuladas ou ambíguas. Isso fragiliza a justiça do processo e impede a correção de falhas que poderiam comprometer o desempenho dos candidatos.

Do ponto de vista pedagógico, a transparência fortalece o processo educativo. Provas públicas permitem debate, correção de eventuais erros, aprimoramento contínuo e diálogo com a comunidade acadêmica. Quando uma instituição evita esse confronto, passa a impressão de que há algo a esconder — seja fragilidade conceitual, baixa exigência ou incoerência entre o projeto pedagógico e a avaliação aplicada.

Em síntese, quem não divulga suas provas não protege qualidade: compromete confiança. Faculdades que realmente acreditam na solidez de seu ensino não precisam se blindar da crítica, pois sabem que boas avaliações falam por si. Em um sistema educacional que forma cidadãos e profissionais, a transparência não é uma concessão — é um dever.

Ramon Lamar de Oliveira Junior
Biólogo - Professor de Biologia e Química

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

GRATUITO: TODAS AS PROVAS DO ENEM E NOVO ENEM EM PDF PARA BAIXAR - DOWNLOAD - DE 1998 A 2025 - E SIMULADOS DO MEC

JÁ COM TODAS AS ÚLTIMAS PROVAS!

Inclusive a Segunda Aplicação 2025 para as cidades onde se realizou a COP30.

ABSOLUTAMENTE DE GRAÇA, SEM ENROLAÇÃO OU ARQUIVOS FALSOS. Agora basta clicar nos links para baixar as provas do nosso website. É para você que já passou raiva tentando baixar as provas do ENEM do site do MEC ou de outros sites. Aqui você poderá baixar todas, mas todas mesmo, sem desconfiança e amolação. Todos os links foram testados e os arquivos encontram-se isentos de vírus. Qualquer defeito na hora de abrir os links, por favor nos avisem.

ATENÇÃO: PROGRAMA DAS PROVAS DO ENEM (Não é a matriz de habilidades e competências!). Clique  AQUI

A DÚVIDA DE SEMPRE: A NOTA DE CORTE DO ENEM (SiSU) vai aumentar ou vai diminuir? Leia uma explicação simples sobre o assunto clicando AQUI.

ATENÇÃO: Meu Canal do Youtube tem vários cursos gratuitos e completos e Biologia e Química para o ENEM. Pesquise nas Playlists. Para acessar, clique AQUI. Inscreva-se!!!

SIMULADOS PARA O ENEM
ATENÇÃO: Nós, da SALINHA DNA (www.salinhadna.blogspot.com), postamos alguns simulados rápidos com questões de Matemática (6), Química (6), Biologia (6) e Física (2). Você resolve pelo Google Forms e recebe o gabarito assim que termina. Nesse blog você pode conferir também nossos cursos online. Confira os links:



GUIA  OFICIAL DE REDAÇÃO DO ENEM 2022 - Elaborado pelo INEP/MEC - Clique AQUI

Confira nossa lista de possíveis temas de redação clicando AQUI.

Estou disponibilizando as provas LEDOR e LIBRAS divulgadas pelo INEP/MEC. Algumas questões dessas provas são diferentes das aplicadas para os demais alunos.

PROVAS
ENEM ANTIGO - 63 QUESTÕES INTERDISCIPLINARES + REDAÇÃO
1998 - CLIQUE AQUI
1999 - CLIQUE AQUI
2000 - CLIQUE AQUI
2001 - CLIQUE AQUI
2002 - CLIQUE AQUI
2003 - CLIQUE AQUI
2004 - CLIQUE AQUI
2005 - CLIQUE AQUI
2006 - CLIQUE AQUI
2007 - CLIQUE AQUI
2008 - CLIQUE AQUI

SIMULADOS DE 2009 (Feitos pelo MEC para apresentar o modelo das questões)
Ciências da Natureza: AQUI
Ciências Humanas: AQUI
Códigos de Linguagem: AQUI
Matemática: AQUI

PROVAS DE 2009 (3 provas: anulada, válida e sistema prisional)

PROVAS DE 2010
PROVAS DE 2011

PROVAS DE 2012

PROVAS DE 2013
2014 21 PROVA 2014 SEGUNDA APLICAÇÃO PRIMEIRO DIA (PPL)
2014 22 PROVA 2014 SEGUNDA APLICAÇÃO SEGUNDO DIA (PPL)
2014 31 PROVA 2014 TERCEIRA APLICAÇÃO PRIMEIRO DIA
2014 32 PROVA 2014 TERCEIRA APLICAÇÃO SEGUNDO DIA

PROVAS DE 2015 
2015 11 PROVA 2015 PRIMEIRA APLICAÇÃO PRIMEIRO DIA
2015 12 PROVA 2015 PRIMEIRA APLICAÇÃO SEGUNDO DIA
2015 21 PROVA 2015 SEGUNDA APLICAÇÃO PRIMEIRO DIA (PPL)
2015 22 PROVA 2015 SEGUNDA APLICAÇÃO SEGUNDO DIA (PPL)

PROVAS DE 2016
2016 11 PROVA 2016 PRIMEIRA APLICAÇÃO PRIMEIRO DIA
2016 12 PROVA 2016 PRIMEIRA APLICAÇÃO SEGUNDO DIA
2016 12 PROVA 2016 PRIMEIRA APLICAÇÃO SEGUNDO DIA (redação mais legível)
2016 21 PROVA 2016 SEGUNDA APLICAÇÃO PRIMEIRO DIA
2016 22 PROVA 2016 SEGUNDA APLICAÇÃO SEGUNDO DIA
2016 31 PROVA 2016 TERCEIRA APLICAÇÃO PRIMEIRO DIA (PPL)
2016 32 PROVA 2016 TERCEIRA APLICAÇÃO SEGUNDO DIA (PPL)

PROVAS DE 2017
2017 11 PROVA 2017 PRIMEIRA APLICAÇÃO PRIMEIRO DIA (RED/COD/CHU)
2017 12 PROVA 2017 PRIMEIRA APLICAÇÃO SEGUNDO DIA (CNA/MAT)
2017 21 PROVA 2017 SEGUNDA APLICAÇÃO E PPL PRIMEIRO DIA (RED/COD/CHU)
2017 22 PROVA 2017 SEGUNDA APLICAÇÃO E PPL SEGUNDO DIA (CNA/MAT)
2017 31 PROVA 2017 TERCEIRA APLICAÇÃO LIBRAS PRIMEIRO DIA (RED/COD/CHU)
2017 32 PROVA 2017 TERCEIRA APLICAÇÃO LIBRAS SEGUNDO DIA (CNA/MAT)

PROVAS DE 2018
2018 11 PROVA 2018 PRIMEIRA APLICAÇÃO PRIMEIRO DIA (RED/COD/CHU)
2018 12 PROVA 2018 PRIMEIRA APLICAÇÃO SEGUNDO DIA (CNA/MAT)
2018 21 PROVA 2018 SEGUNDA APLICAÇÃO E PPL PRIMEIRO DIA (RED/COD/CHU)
2018 22 PROVA 2018 SEGUNDA APLICAÇÃO E PPL SEGUNDO DIA (CNA/MAT)

PROVAS DE 2019
2019 11 2019 11 PROVA 2019 PRIMEIRA APLICAÇÃO PRIMEIRO DIA (RED/COD/CHU)
2019 12 2019 12 PROVA 2019 PRIMEIRA APLICAÇÃO SEGUNDO DIA (CNA/MAT)
2019 21 2019 21 PROVA 2019 SEGUNDA APLICAÇÃO E PPL PRIMEIRO DIA (RED/COD/CHU)
2019 22 2019 22 PROVA 2019 SEGUNDA APLICAÇÃO E PPL SEGUNDO DIA (CNA/MAT)

PROVAS DE 2020
2020 12 2020 12 PROVA 2020 PRIMEIRA APLICAÇÃO SEGUNDO DIA (CNA/MAT) LEDOR (Esta prova é lida para os candidatos que têm déficit de visão, por exemplo. Há questões de Biologia que são diferentes da prova aplicada para os demais candidatos. Inclusive uma questão sobre o Coronavírus que provocou a Epidemia da SARS em 2002/2003.)

PROVAS DE 2021


2023 12 2023 12 PROVA 2023 PRIMEIRA APLICAÇÃO SEGUNDO DIA - LEDOR - COM QUESTÃO DIFERENTE!

Para o sucesso dessa coletânea de provas, contamos com a pesquisa em vários sites e com as colaborações dos professores e amigos Luís Fernando Pereira e Emiliano Chemello (coautores da Coleção Química da Editora Moderna) e Sérgio Ferreira. Agradecimentos super-especiais ao Mateus Botelho por várias colaborações e principalmente pela terceira aplicação do Enem 2014 (tarefa que já julgávamos impossível de conseguir) e ao site www.ebc.com.br. Agradecimentos ao Vinícius por informar sobre a divulgação da Segunda Aplicação do ENEM 2015 no site do INEP. Agradecimentos ao Elawan Saraiva por informar sobre a divulgação da Segunda Aplicação do ENEM 2016 no site do INEP. Agradecimentos muito especiais ao Edcley de Souza Teixeira por nos auxiliar junto ao INEP a conseguir as provas do PPL 2016. Agradecimentos à Sra. Maria Inês Fani, ex-presidente do INEP. Agradecimentos ao ex-aluno e colega Marcelo, pela indicação das provas de Libras 2017.

Confiram também o aplicativo http://app.vc/ramonbiologia (com dicas de biologia).

Ramon Lamar de Oliveira Junior

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Prepare-se para o Vestibular Seriado da UFMG: Provas Anteriores da UFMG!

ATENÇÃO: AULÃO NESTA QUINTA-FEIRA!!!


Olá, pessoal! 

Para quem está se preparando para o Vestibular Seriado da UFMG, tenho uma ótima notícia! 
Clique no link abaixo para baixar um arquivo compactado recheado com muitas provas antigas da UFMG, com foco especial nas disciplinas de Biologia, Química e Matemática. 


Esse material é perfeito para você conhecer o estilo das provas, os tipos de questões cobradas e praticar bastante antes da sua prova.
Além disso:
  • É gratuito;
  • Testado e seguro, sem vírus;
  • E sem enrolação, só conteúdo de qualidade para turbinar sua preparação.

Pegue também o edital da primeira fase 2025:

Ah... e você pode assistir gratuitamente aulas de teoria e resolução de exercícios no canal: 


Não perca essa oportunidade de estudar com material original e aumentar suas chances de sucesso! Bons estudos e boa sorte no Vestibular Seriado!

Ramon L. O. Junior

Seriado UFMG
Provas Antigas UFMG
Provas Anteriores UFMG
Biologia e Química UFMG
Medicina UFMG
Provas Anteriores da UFMG!
Provas Anteriores da UFMG!
Provas Anteriores da UFMG!
Provas Anteriores da UFMG!
Provas Anteriores da UFMG!
Provas Anteriores da UFMG!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Discurso de Formatura - 3o Ano - Colégio Impulso - 09/12/2025

Queridas formandas e formandos do Terceiro Ano do Colégio Impulso.
Queridos familiares, colegas professores, direção, funcionários e demais convidados.

Boa noite!

É com satisfação e alegria que me coloco na condição de paraninfo desta turma. Sei da responsabilidade de representar, em palavras, tudo aquilo que vocês construíram ao longo dos últimos três anos e, em especial, dos últimos dois anos em que lecionei para vocês.

Vocês são uma turma de excelência. Não apenas porque alcançaram notas altas, venceram etapas seguidas de provações, produziram projetos brilhantes ou conquistaram aprovações tão desejadas. Vocês são excelentes porque, mesmo diante dos desafios — e não foram poucos — mantiveram algo que não se ensina em livros: determinação, disciplina e coragem para seguir em frente. Bom, é claro que em certos momentos fiquei apreensivo com vocês, com receio de não conseguirem conduzir bem o barco em águas turbulentas. Mas no final tudo deu certo!

O Ensino Médio é um período intenso. É tempo de descobertas, de amadurecimento, de crises, de decisões que às vezes parecem enormes demais. É também um tempo de dúvidas, cansaço, pressão e incertezas. E, ainda assim, vocês conseguiram manter um desempenho acadêmico admirável, fruto do esforço e do compromisso diário.

Foram dias de provas difíceis, aulas longas, semanas que pareciam impossíveis — mas que vocês transformaram em realidade. E quando obstáculos surgiram — sejam eles pessoais, familiares, emocionais, sociais ou até mesmo aqueles que ninguém vê — vocês não desistiram. Vocês se reinventaram, buscaram ajuda, apoiaram uns aos outros e mostraram, com maturidade, que a inteligência vai muito além do conteúdo: ela vive na capacidade de persistir, cooperar e superar.

Hoje celebramos a conclusão de uma etapa, mas também comemoramos a afirmação de uma identidade: a identidade de uma turma forte e resiliente. Vocês provaram que excelência não é um rótulo, mas uma postura diante da vida.

A partir daqui, cada um seguirá seu caminho. Alguns buscarão a universidade, outros o mundo do trabalho, outros ainda descobrirão novos sonhos pelo caminho. “E tá tudo bem!”, como diz o grande filósofo, o Craque Neto! O importante é que levem consigo aquilo que demonstraram todos esses anos: a capacidade de enfrentar desafios com lucidez e coragem.

Lembrem-se: o conhecimento abre portas, mas é o caráter de cada um de vocês que mantém essas portas abertas.

Gostaria de aproveitar a oportunidade para reverenciar e agradecer aos colegas Cramer e Luciano, com quem divido as disciplinas de Química e Biologia. É uma honra trabalhar em harmonia com vocês, chegar ao final de mais um ano e ver que cumprimos com muita eficácia a tarefa que nos foi designada.

Aos meus caros formandos e formandas deixo um derradeiro pedido: que vocês continuem cultivando a curiosidade, a sensibilidade, a ética e a vontade de transformar o mundo. O mundo precisa — e muito — de jovens como vocês.

Parabéns, turma. Vocês honram esta escola, seus professores e suas famílias… e, mais do que tudo, honram a si mesmos. Sigam confiantes. O futuro não é algo que se espera: é algo que se constrói.

Muito obrigado!

Ramon Lamar de Oliveira Junior
09/dezembro/2025
Sete Lagoas - MG

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Por que o adolescente estudante do século XXI está cansado? ...

... e como equilibrar esforço pessoal, sistema educacional e apoio social para aprender de verdade

No século XXI,  muitos estudantes se queixam ou deixam transparecer sinais e sintomas de cansaço constante, dificuldade de concentração, baixo rendimento e problemas na interpretação de questões, mesmo - em princípio - dedicando horas aos estudos na escola e em casa. O mais preocupante é que essa exaustão não resulta apenas da estrutura educacional ou da sociedade moderna: parte significativa decorre da gestão inadequada do tempo, hábitos de sono irregulares, dispersões frequentes, déficit no treino de atenção e reflexão, bem como de fatores emocionais e sociais que influenciam diretamente a aprendizagem. A realidade é complexa: tanto o ambiente quanto as escolhas individuais determinam a qualidade do aprendizado e o nível de fadiga.

Segundo a National Sleep Foundation (2019), adolescentes precisam de  ao menos 8 horas de sono por noite para manter a função cognitiva ideal. Estudos recentes da Universidade de São Paulo - USP (2021) mostraram que mais de 70% dos estudantes paulistas dormem menos de 6 horas por noite durante a semana, muitas vezes priorizando redes sociais, vídeos e outras atividades ao invés de descanso adequado. Nesse cenário, a responsabilidade do aluno em organizar sua rotina se torna crucial. Estratégias simples, como planejamento eficiente, intervalos programados e priorização de tarefas essenciais, podem reduzir significativamente a sobrecarga mental. No entanto, é importante reconhecer que barreiras socioeconômicas — como falta de acesso a materiais de estudo, ambientes silenciosos, alimentação adequada ou suporte familiar — limitam a capacidade de autogestão de muitos estudantes, tornando algumas estratégias mais difíceis de implementar (HAN, 2017).

Como em uma marcha mecânica e sem identidade, estudantes seguem um caminho confuso e complexo ao enfrentar a realidade do aprendizado no mundo atual — inspiração na cena icônica de The Wall (Pink Floyd, 1982).

A neurociência do equilíbrio entre esforço, atenção e interpretação

Aprender exige energia, atenção sustentada e memória de trabalho ativa. A Universidade de Stanford (2018) demonstrou que a exaustão prolongada diminui a neuroplasticidade, dificultando a consolidação de memórias. Mesmo estudantes disciplinados que estudam por muitas horas, se o fizerem sem pausas adequadas podem não consolidar o conhecimento. Além disso, é comum observar que alunos têm dificuldade para interpretar enunciados longos ou responder de forma reflexiva a perguntas diretas: muitas vezes leem superficialmente, retêm apenas palavras-chave e tentam “chutar” a resposta rapidamente, sem refletir. Essa impulsividade é reforçada pela fadiga mental, excesso de estímulos digitais, ansiedade de desempenho, saúde mental fragilizada e falta de treino metacognitivo (LEVIN, 2014; WALKER, 2017).

A saúde mental e emocional tem papel central nesse cenário. Ansiedade, depressão e burnout (estado de exaustão física, emocional e mental causado por estresse crônico, geralmente relacionado ao trabalho ou a atividades que demandam alto nível de dedicação e pressão) reduzem concentração, memória e motivação, tornando o estudo mais exaustivo mesmo quando há disposição física. Apoio psicológico, estratégias de autocuidado e acompanhamento profissional são essenciais para manter o equilíbrio e potencializar o aprendizado.

Por outro lado, o domínio de hábitos eficazes — estudo concentrado em blocos de tempo, pausas estratégicas, sono regular, treino de atenção ativa e prática metacognitiva — aumenta a eficiência do aprendizado e melhora a capacidade de interpretação de questões e respostas fundamentadas, mostrando que a responsabilidade pessoal é tão relevante quanto fatores externos.

Prática metacognitiva: aprender a pensar sobre o próprio pensamento

A prática metacognitiva consiste em refletir sobre como se aprende, resolve problemas e toma decisões. Uma analogia útil é imaginar o cérebro como um navegador de GPS: você pode seguir um caminho sem perceber se está correto, ou parar, verificar o mapa e ajustar a rota. Na prática, o aluno deve se questionar e responder sinceramente: “Estou respondendo com base no que acabei de estudar ou estou apenas chutando?”, “Que informações do enunciado estou usando para chegar à resposta?”, “Existe outra maneira de interpretar essa pergunta?”.

Exemplos de aplicação da metacognição incluem:

  • Ler um enunciado longo sublinhando palavras-chave, reescrevendo a pergunta em suas próprias palavras e identificando exatamente o que se pede.

  • Pausar antes de responder perguntas diretas, refletindo sobre o raciocínio.

  • Explicar passo a passo como chegou a uma resposta, detectando falhas de compreensão e consolidando o aprendizado.

  • Revisar conteúdos questionando: “O que já entendi sobre este tema?”, “Onde ainda sinto dúvida?” e “Que estratégia posso usar para lembrar ou aplicar essa informação?”.

Tecnologia, família e comunidade

Embora muitas vezes associada à dispersão, a tecnologia também pode ser uma poderosa aliada do aprendizado. Plataformas de ensino adaptativo, aplicativos de memorização, podcasts educativos e vídeos de reforço ajudam a organizar informações, consolidar conteúdos e treinar interpretação de textos. A chave é gerenciar o uso digital, estabelecendo períodos de foco sem distrações e aproveitando recursos que reforçam o aprendizado. 

O apoio familiar e comunitário, contudo, é decisivo para o sucesso estudantil. Ambientes domésticos organizados, incentivo à rotina equilibrada e envolvimento da comunidade escolar criam condições favoráveis ao desenvolvimento cognitivo e emocional. Famílias e professores que acompanham hábitos de estudo, promovem diálogo e valorizam pausas saudáveis contribuem significativamente para reduzir o cansaço e aumentar a eficácia do aprendizado. 

Nunca esquecendo que, para além do mundo virtual tecnológico, os professores estão atentos aos seus erros, à sua participação nas aulas e às suas dificuldades, muitas vezes podendo ser bastante assertivos em detectar suas limitações. 

Exemplos internacionais e políticas educacionais

Sistemas educacionais bem-sucedidos demonstram que estruturas escolares equilibradas podem reduzir sobrecarga e melhorar aprendizado. Na Finlândia, os alunos têm horários mais curtos, intervalos frequentes, menor carga de tarefas de casa e foco no bem-estar, resultando em alto desempenho acadêmico e motivação (MEDINA, 2008). No Japão, práticas de cuidado social e atenção à saúde mental complementam o ensino formal, contribuindo para maior engajamento e disciplina. Esses exemplos indicam que políticas públicas e mudanças estruturais são fundamentais, pois nem todos os alunos conseguem alcançar autonomia plena em contextos desfavoráveis.

Aprender é responsabilidade compartilhada

O sistema educacional frequentemente ignora ritmos biológicos, limitações humanas, diversidade socioeconômica e saúde mental. Como alerta Matthew Walker (2017), a privação de sono crônica e o estresse contínuo comprometem atenção, memória e controle emocional. Cabe à escola oferecer condições de aprendizado saudáveis — horários razoáveis, avaliação equilibrada, estímulos pedagógicos, apoio psicológico e promoção de cidadania digital — mas cabe ao aluno também gerir seu tempo, usar a tecnologia de forma estratégica, cultivar hábitos de concentração e treinar interpretação de enunciados de forma metacognitiva.

A exaustão estudantil resulta da interação entre pressões externas, saúde mental, contexto socioeconômico e escolhas individuais. Alunos que não planejam horários, procrastinam ou priorizam distrações digitais sobre o descanso e o estudo de qualidade amplificam efeitos negativos. Ao mesmo tempo, escolas, famílias e políticas públicas que não oferecem suporte adequado contribuem para esse cenário. Estudos da OMS (2022) mostram que programas combinando orientação sobre sono, gestão de tempo, suporte psicológico, metodologias ativas e educação digital reduzem ansiedade, fadiga e melhoram desempenho cognitivo.

Em última análise, o aprendizado eficiente depende de autogestão consciente dentro de condições estruturais favoráveis, apoio familiar e comunitário, saúde mental equilibrada e políticas educacionais adequadas. Reconhecer responsabilidades pessoais e coletivas permite ao aluno aprender com energia, foco, reflexão e equilíbrio emocional, evitando que cansaço, ansiedade ou impulsividade se tornem barreiras intransponíveis.

Referências

HAN, Byung-Chul. A sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2017.

LEVIN, Daniel. The Organized Mind: Thinking Straight in the Age of Information Overload. New York: Dutton, 2014.

MEDINA, John. Brain Rules: 12 Principles for Surviving and Thriving at Work, Home, and School. Seattle: Pear Press, 2008.

NATIONAL SLEEP FOUNDATION. Teens and Sleep. 2019. Disponível em: https://www.sleepfoundation.org. Acesso em: 15 ago. 2025.

STANFORD UNIVERSITY. Neuroplasticity and Cognitive Fatigue. 2018. Disponível em: https://www.stanford.edu/research. Acesso em: 15 ago. 2025.

USP – UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Pesquisa sobre sono de estudantes adolescentes. São Paulo, 2021.

WALKER, Matthew. Why We Sleep: Unlocking the Power of Sleep and Dreams. New York: Scribner, 2017.

WORLD HEALTH ORGANIZATION (OMS). Adolescent Mental Health and Sleep Patterns. 2022. Disponível em: https://www.who.int. Acesso em: 15 ago. 2025.

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Ciência nas redes sociais: Será que você está realmente aprendendo ciência com esses vídeos?

Hoje, milhares de estudantes do ensino médio passam horas consumindo vídeos curtos no Instagram, TikTok e YouTube sobre ciência ou suposta ciência. Aulas estão sendo inundadas e atrapalhadas com perguntas fora de hora sobre "o vídeo que vi no Tik Tok". Muitos acreditam que estão "aproveitando o tempo" e aprendendo mais, pois o conteúdo parece impressionante: física quântica, dobras do espaço-tempo, espécies raríssimas, doenças exóticas e fenômenos astronômicos que sequer aparecem no currículo escolar. No entanto, é preciso questionar seriamente: Isso está realmente ajudando no seu desenvolvimento intelectual ou apenas preenchendo a mente com curiosidades soltas? Está realmente na hora de você aprofundar nesses conhecimentos? Você não está apenas ajudando um algoritmo a reforçar a divulgação de informações com o objetivo de caça-likes?

1. Uma sensação falsa de aprendizado

Um dos maiores riscos desses vídeos é gerar a ilusão de conhecimento. O aluno sente que está avançado porque viu algo complexo. Ele acha que entende porque um divulgador (às vezes até bem intencionado) simplificou o tema com analogias bonitas. Porém, na prática, ele ainda não domina temas muito mais básicos, como fotossíntese e funcionamento do DNA, regra de três composta, funções matemáticas, conceitos elementares de química ou a classificação dos animais e das plantas. Ou seja, o aluno pode estar substituindo temas que realmente precisa se dedicar, reforçar, praticar e dominar... por outros que simplesmente foram enfeitados para atrair sua atenção.

2. Inversão de prioridades e foco

Ser bombardeado diariamente com conteúdos de física quântica, doenças raríssimas ou animais de regiões isoladas da Terra dá uma sensação enganosa de progresso intelectual. Mas isso pode desviar completamente o foco daquilo que realmente importa naquela fase escolar: o domínio sólido dos conceitos fundamentais que serão a base para qualquer conhecimento científico futuro.

3. Sobrecarga cognitiva e poluição mental

Essas curiosidades chegam sem contexto, sem sequência didática e sem conexão entre si. O resultado: informações aleatórias se acumulam na memória de trabalho do estudante, gerando confusão, saturação e até ansiedade. O cérebro gasta energia com aquilo que não faz parte da construção lógica do aprendizado, poluindo o processo de formação intelectual.

4. Comparação injusta: o conteúdo relevante da sala de aula parece chato

Quando o aluno se acostuma com vídeos extremamente estimulantes, coloridos e rápidos, o conteúdo das aulas parece mais lento e "chato". Isso acaba diminuindo a motivação para estudar aquilo que realmente vai desenvolvê-lo e que ele precisa dominar para provas, vestibulares e para entender o mundo de forma crítica. Ou para, quando realmente for necessário, aprofundar-se nesses temas complexos no mundo acadêmico, pautado em livros, programas de estudo, modelos matemáticos etc.

5. Um exemplo claro: física quântica no ensino médio

A maioria dos fenômenos da física quântica exige matemática avançada (cálculo diferencial, matrizes, funções probabilísticas etc.). Explicações superficiais em vídeos de 30 segundos podem gerar mais confusão do que aprendizado real. Além disso, o fato de o aluno achar que “entendeu” algo tão complexo pode gerar um bloqueio inconsciente para estudar aquilo que ele julga básico demais.

6. Consequências práticas observadas

- Estudantes sabendo o que é um buraco negro primordial, mas não sabem converter unidades de medida (especialmente se estiverem em potências de 10).
- Sabem nomes de doenças raras, mas erram questões simples de biologia celular, botânica, verminoses comuns... ou vacilam na hora de explicar como uma vacina funciona.
- Decoram curiosidades sobre tubarão-duende e fungos bioluminescentes, mas não conseguem explicar o ciclo do nitrogênio, o efeito estufa ou o funcionamento de uma pilha.

7. Um contraponto necessário

Nem todo conteúdo de redes sociais é ruim. Há divulgadores sérios que motivam o interesse dos jovens de forma excelente. Quando o conteúdo é contextualizado, guiado por um professor ou usado como complemento, pode ser inspirador. O problema é quando esse tipo de conteúdo começa a substituir o estudo estruturado ou consumir tempo precioso de estudo consciente. O aluno deve se policiar para não substituir o conteúdo necessário ao seu aprendizado em formação por uma coletânea de informações desconectadas.

8. Conclusão: fascínio não é conhecimento

É preciso compreender que curiosidades científicas não substituem conhecimento científico real. Estudos em neurociência educacional, como os de Daniel Willingham (2010), mostram que aprendizado duradouro depende de repetição, esforço intencional e organização lógica do conteúdo — exatamente o oposto de consumir pílulas aleatórias de curiosidades.

Pesquisas sobre efeito de ilusão de profundidade demonstram que estudantes que assistem vídeos com linguagem sofisticada têm a falsa impressão de domínio, mas não conseguem aplicar o conteúdo em situações práticas. Esse fenômeno foi observado por Rozenblit & Keil (2002) no chamado efeito da ilusão de explicação, em que as pessoas acreditam que entendem conceitos complexos, mas falham ao tentar explicá-los com precisão (precisão, aliás, que até com anos de estudo acadêmico pode ser difícil).

Portanto, aprender exige esforço contínuo, organização e, muitas vezes, enfrentar conteúdos que não têm tanta dopamina imediata. O verdadeiro estudante é aquele que separa o momento de entretenimento do momento de estudo e não confunde fascínio com progresso. Que não deixa de lado as informações organizadas do ambiente e programa escolar para montar em sua cabeça uma "enciclopédia aleatória de conhecimentos fragmentados". Que confia na condução dos seus professores para atingir um objetivo que está logo à sua frente.

A pergunta que fica é: será que você está realmente aprendendo, ou está apenas acumulando curiosidades brilhantes que te afastam do conhecimento verdadeiro? Pensar nisso pode ser um passo importante para recuperar a autonomia do seu aprendizado e retomar o controle do que realmente importa para o seu crescimento acadêmico e intelectual.


quinta-feira, 1 de maio de 2025

Vestibular seriado da UFMG - Primeiras Informações

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) implementará, a partir de 2025, um novo modelo de ingresso: o Processo Seletivo de Avaliação Seriada (PSAS). Esse sistema permitirá que estudantes realizem provas ao final de cada ano do Ensino Médio, avaliando conteúdos específicos de cada série. A primeira etapa está programada para 14 de dezembro de 2025, destinada aos alunos do 1º ano. ​


O PSAS será responsável por 30% das vagas de cada curso de graduação, enquanto os 70% restantes continuarão sendo preenchidos pelo Sistema de Seleção Unificada (SiSU) e por processos seletivos específicos, como os de habilidades para cursos como Música e Artes Visuais. 

A UFMG divulgará, em maio de 2025, um documento orientador contendo os conteúdos cobrados em cada etapa, a estrutura das provas e orientações pedagógicas para professores e alunos. As inscrições para a primeira etapa estão previstas para a segunda quinzena de agosto de 2025, com detalhes sobre taxas e critérios de isenção a serem definidos no edital oficial.

Atenção: O PSAS é aberto a estudantes que estejam cursando o Ensino Médio ou a Educação de Jovens e Adultos (EJA), bem como a qualquer pessoa que tenha concluído, a qualquer tempo, esse segmento ou modalidade de ensino da educação básica. A legislação que rege a reserva de vagas pelo sistema de cotas será aplicada também nesse caso, da mesma forma como ocorre com o SiSU/UFMG. 

Para mais informações e atualizações, estaremos acompanhando o site oficial da UFMG e a página da Pró-Reitoria de Graduação.

PS.: Em breve divulgaremos aqui no Blog, várias provas antigas do Vestibular da UFMG.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Proibição de celulares na sala de aula. Vai funcionar???

Recentemente, foi sancionada a lei que proíbe o uso de celulares nas escolas, tanto durante as aulas quanto nos intervalos.

Quem é professor sabe que celulares, fones de ouvido, smartwatches e outras tecnologias podem prejudicar o aprendizado. No entanto, essa questão tem múltiplas facetas que merecem uma análise mais aprofundada. Aqui estão alguns pontos a considerar:

  1. A dificuldade de fiscalização
    De acordo com a lei, os alunos ainda poderão portar seus celulares (havia rumores de que os aparelhos seriam recolhidos na entrada e devolvidos na saída). Isso significa que os professores terão que dividir sua atenção entre ministrar aulas e fiscalizar o uso indevido dos dispositivos – algo que já acontece. Inclusive durante as provas! Há alunos que levam dois celulares: um para deixar sobre a mesa do professor e outro para usar escondido na hora da prova. E não é fake news – já presenciei e registrei casos assim.

  2. A ausência de penalidades claras
    Se há uma lei, deve haver punição para quem a descumpre. Mas qual será essa penalidade? O celular será recolhido e devolvido apenas aos responsáveis? O aluno vai perder pontos (risos)? Haverá multa? O estudante perderá o direito ao Pé-de-Meia? Prisão em flagrante (risos)? A maioria das escolas já possui regras que restringem o uso de celulares em sala de aula, mas sem uma forma clara de aplicação, a nova lei pode ter pouca eficácia. "Tomar" um celular de aluno não será também uma maneira de estimular casos de violência contra o professor ou funcionário da escola, no momento ou em outra situação?

  3. O impacto na saúde mental e no comportamento dos alunos
    As escolas e os professores estão preparados para lidar com a "síndrome de abstinência" que pode surgir? A família está preparada? A redução do uso do celular por cinco horas diárias pode levar a um consumo ainda mais exagerado em casa, estendendo-se pela madrugada. Muitos alunos que dormem em sala de aula ou apresentam extrema desatenção provavelmente passaram a noite interagindo no celular. O problema do vício digital precisa ser abordado de forma mais ampla, não apenas com a proibição no ambiente escolar.

  4. A polêmica sobre "doutrinação"
    Algumas pessoas defendem o uso do celular em sala de aula para que alunos gravem professores que supostamente fazem "doutrinação política". No entanto, esse argumento ignora a complexidade do ensino de temas históricos, científicos e sociais. Como um professor de História deve abordar o que aconteceu no Brasil em 1964 sem mencionar o AI-5 e as restrições às liberdades civis? Como um professor de Biologia pode explicar o funcionamento correto das vacinas contra a Covid-19 sem falar sobre avanços científicos e sem desmentir desinformações? Questões como sexo biológico, identidade de gênero e evolução também podem ser distorcidas fora de contexto para sustentar a narrativa de "doutrinação". Além disso, se há doutrinação de esquerda, há também de direita – basta observar escolas cívico-militares onde o 31 de março é "comemorado" e certas disciplinas são ensinadas sob uma ótica específica. A maioria dos professores, no entanto, só quer ensinar bem e ver o progresso dos alunos.

  5. A infraestrutura das escolas e o impacto pedagógico
    Nem todas as escolas oferecem alternativas adequadas ao uso do celular. Muitas carecem de laboratórios de informática e bibliotecas atualizadas. Além disso, algumas metodologias pedagógicas modernas utilizam a tecnologia para enriquecer o aprendizado. Como conciliar essa proibição com práticas educacionais que fazem uso de recursos digitais?

  6. O papel dos pais e responsáveis
    A restrição do uso de celulares na escola não significa que o problema do excesso de tela será resolvido. O que acontece em casa tem um peso ainda maior. Como garantir que a proibição escolar não leve a um consumo descontrolado fora dela? Como conscientizar as famílias sobre o uso equilibrado da tecnologia?

  7. A comunicação em casos de emergência
    Muitos pais se preocupam com a impossibilidade de contato direto com seus filhos durante o período escolar. Como será feita a comunicação em situações emergenciais? As escolas terão um canal eficiente para suprir essa necessidade? Não haverá um uso excessivo e mais interrupções durante as aulas?

  8. O celular como ferramenta de segurança
    Além de distrair, o celular também pode ser um instrumento de proteção. Em algumas regiões, alunos usam o aparelho para registrar casos de violência, bullying, assédio ou abuso dentro da escola. A lei permite o uso nesses casos, mas quais mecanismos práticos serão oferecidos para garantir que essas situações sejam denunciadas de forma segura?

Em resumo, a questão do uso de celulares nas escolas é complexa e exige uma abordagem que vá além da simples proibição. Para ser realmente eficaz, essa medida precisa vir acompanhada de soluções pedagógicas, apoio psicológico e infraestrutura adequada.

Ramon Lamar de Oliveira Junior