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domingo, 11 de janeiro de 2026

A Pilha na Boca: O Incomum Fenômeno Elétrico em Nossos Dentes

Em meio aos avanços da odontologia estética, com suas resinas e porcelanas, um fenômeno eletroquímico clássico ainda pode ocorrer em bocas que abrigam restaurações metálicas. É a formação de uma pilha galvânica bucal, que produz consequências diretas e perceptíveis para quem o vivencia.
Esse fenômeno reside na combinação de três elementos: dois ou mais metais com diferentes potenciais eletroquímicos (como uma antiga obturação de amálgama de prata e uma coroa de ouro), a saliva funcionando como um eficiente eletrólito condutor, e o contato entre esses metais, seja direto ou mediado pela própria umidade bucal. 


Quando essa tríade se completa, estabelece-se um fluxo de elétrons espontâneo. O metal menos nobre, como os componentes da amálgama (especialmente o estanho e a prata), assume o papel de ânodo, perdendo íons para a solução salina num processo de oxidação. Simultaneamente, o metal mais nobre, como o ouro, atua como cátodo, onde ocorre a redução de espécies presentes na saliva, como o oxigênio dissolvido. O resultado é uma corrente elétrica de baixa intensidade, mas capaz de percorrer os tecidos dentais e os receptores nervosos vizinhos.
As manifestações mais comuns incluem um sabor metálico ou salgado persistente, uma sensação desagradável e constante que altera o paladar. Em momentos de contato mais firme, como ao mastigar, pode-se experimentar uma sensação aguda e passageira de choque ou formigamento elétrico, frequente-mente descrita como um "curto-circuito" na boca. Em situações mais crônicas, alguns pacientes relatam uma dor difusa e de difícil localização na face, uma dor neuropática provocada pela estimulação elétrica contínua das terminações nervosas. Além do desconforto sensorial, há um dano material: a corrosão galvânica. A restauração que atua como ânodo sofre uma dissolução acelerada, liberando mais íons metálicos na boca e podendo levar ao escurecimento do dente, à falha nas margens da obturação e redução de sua durabilidade.
A intensidade desse fenômeno depende de vários fatores. A diferença de potencial entre os metais é primordial; amálgama e ouro formam uma dupla particularmente ativa. A acidez da saliva (pH) e sua composição iônica atuam como controladores da condutividade do meio. A proximidade e a frequência do contato entre as restaurações, como em dentes opostos que se tocam na mastigação, são o interruptor que liga e desliga a pilha momentaneamente.
Felizmente, o diagnóstico é relativamente simples para o dentista atento, baseado no relato característico do paciente. A solução, na maioria dos casos, é a substituição de pelo menos uma das restaurações metálicas por um material não condutor e biocompatível, como a resina composta ou a porcelana.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

RESPOSTA DA IA: A Norma Geral de Segurança e Saúde no Trabalho no Brasil - Atualização 2024/2025

Com algumas dúvidas sobre o tema, perguntei a várias IAs (Gemini, ChatGPT, Manus e Deepseek) sobre as mudanças na NR1 (A Norma Geral de Segurança e Saúde no Trabalho no Brasil). Confrontando uma com outra, chegaram na seguinte conclusão para mim:


O que é a NR-1?
A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) estabelece as disposições gerais, o campo de aplicação, os termos e definições comuns a todo o sistema de Normas Regulamentadoras de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) no Brasil. Ela serve como base e diretriz para a interpretação e aplicação das demais NRs, definindo responsabilidades, direitos e deveres de empregadores e empregados sob o regime CLT.

A Revolução da Atualização 2024/2025
A Portaria SEPRT Nº 6.734, de 14 de março de 2024, introduziu mudanças significativas na NR-1, com foco especial na obrigatoriedade do gerenciamento dos fatores psicossocais do trabalho.

Conceitos-Chave da NR-1 Atualizada:
  • Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO)
    • Definição: Processo sistemático, contínuo e estruturado de identificação, análise, avaliação e controle de perigos e riscos ocupacionais.
    • Característica: Não é um documento, mas uma atividade de gestão contínua.
  • Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR)
    • Definição: Documento que formaliza a implementação do GRO na empresa.
    • Conteúdo: Detalha as ações, responsabilidades, prazos e metodologias para controle dos riscos identificados.
  • Fatores Psicossocais do Trabalho (A Grande Inovação)
    • Definição: Elementos da organização, gestão e relações no trabalho que podem afetar a saúde psicológica do trabalhador.
    • Exemplos:
      • Organização do tempo (jornadas excessivas, ritmo acelerado)
      • Demandas emocionais e cognitivas
      • Relações interpessoais (assédio moral, violência)
      • Cultura organizacional
Diferenciação Importante: Os fatores (condições do trabalho) podem gerar riscos (potencial de causar danos como estresse, burnout, depressão).

O Que Mudou na Prática?

Obrigatoriedade Explicita: Todos os empregadores devem incluir os fatores psicossocais do trabalho em seu processo de GRO e documentá-los no PGR, passando pelas mesmas etapas:
Identificação dos fatores presentes: Avaliação de sua intensidade e potencial de dano
Estabelecimento de medidas de controle para mitigação
Prazos de Adequação (CRUCIAL): Os prazos são escalonados conforme o grau de risco da atividade (CNAE) e número de empregados:

Data Limite para implantação

Impacto Estratégico para as Empresas
  • Ampliação do Conceito de Saúde: A SST deixa de focar apenas na integridade física para abranger também o bem-estar psicológico do trabalhador.
  • Mudança de Paradigma Preventivo
    • Antes: Foco reativo em acidentes e doenças físicas
    • Agora: Abordagem proativa que previne também danos psicossociais
  •  Exigências Concretas: 
    • Revisão e atualização do PGR existente, Capacitação de profissionais de SST e gestores, Implementação de ferramentas de avaliação psicossocial, Desenvolvimento de indicadores de saúde mental.
Consequências do Não Cumprimento:
  • Multas administrativas (Lei nº 6.514/77)
  • Ações trabalhistas por danos morais e materiais
  • Aumento de afastamentos por transtornos mentais
  • Prejuízo à produtividade e clima organizacional
Conclusão: Um Novo Patamar para a SST Brasileira
A atualização da NR-1 representa um marco histórico na proteção do trabalhador brasileiro. Ao obrigar formalmente o gerenciamento dos fatores psicossocais, o Brasil alinha-se às melhores práticas internacionais da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e reconhece que saúde mental também é saúde ocupacional.
As empresas que se adequarem antecipadamente não apenas evitarão penalidades, mas construirão ambientes de trabalho mais saudáveis, produtivos e competitivos, transformando um requisito legal em uma vantagem estratégica.

Nota: Esta análise baseia-se na legislação vigente em 2025. Recomenda-se sempre consultar o texto oficial da NR-1 e orientações do Ministério do Trabalho para decisões específicas.


P.S.: Resolvi perguntar também sobre o caso específico das empresas em que trabalho (escolas), se há alguma coisa diferente. Segue a resposta:

1. Enquadramento e Prazo
        Classificação pelo CNAE: A maioria das escolas se enquadra em:
            CNAE 8512-1/00: Educação infantil (creches)
            CNAE 8513-9/00: Ensino fundamental
            CNAE 8520-1/00: Ensino médio
            CNAE 8531-7/00: Ensino superior

Essas atividades são classificadas como Grau de Risco 3 (risco alto) devido a:
        Exposição a agentes biológicos (crianças/doenças)
        Ruído (recreio, eventos)
        Riscos ergonômicos (postura dos professores)
        Agora: fatores psicossocais específicos da área educacional.

Prazo Legal:
      Por ser Grau de Risco 3 e ter mais de 20 funcionários, o prazo para adequação é: 24 de maio de 2025

2. Como Implementar na Prática (Passo a Passo)

Etapa 1: Revisão/Elaboração do PGR
O Programa de Gerenciamento de Riscos da escola deve ser atualizado para incluir os fatores psicossocais:
        Riscos Tradicionais que já deveriam estar mapeados:
        Ergonômicos: mobiliário inadequado, longos períodos em pé
        Acidentes: quedas, escorregões nos corredores/pátios
        Biológicos: contato com secreções, surtos de doenças
        Químicos: produtos de limpeza, materiais de laboratório
        Fatores Psicossocais a serem ADICIONADOS (específicos de escolas):
        Sobrecarga emocional:
            Lidar com conflitos entre alunos
            Pressão por resultados educacionais
            Relação com pais/responsáveis
        Organização do trabalho:
            Jornada fragmentada (aulas em períodos diferentes)
            Trabalho em casa (preparar aulas, corrigir provas)
            Reuniões pedagógicas fora do horário
        Relações interpessoais:
            Assédio moral (de direção, colegas ou até pais)
            Violência verbal de alunos
            Cultura de cobrança excessiva
        Ambiente organizacional:
            Falta de autonomia pedagógica
            Comunicação verticalizada
            Falta de reconhecimento

Etapa 2: Identificação e Avaliação

Métodos sugeridos para escolas:
    Questionários anônimos sobre condições de trabalho
    Rodas de conversa mediadas por profissional qualificado
    Análise de indicadores: absenteísmo, rotatividade, afastamentos por saúde mental
    Observação direta do ambiente escolar

Etapa 3: Medidas de Controle
Exemplos práticos para escolas:
    Fator Psicossocial Identificado: 
    Sobrecarga emocional
    Medidas de Controle Possíveis      
        • Programa de mentoria entre professores
        • Espaços para descompressão
        • Capacitação em gestão emocional
    Assédio de pais/responsáveis
    Medidas de Controle Possíveis       
        • Protocolos claros de comunicação
        • Mediação por coordenação
         Proteção ao professor em situações de conflito
    Jornada fragmentada/excessiva 
    Medidas de Controle Possíveis
        • Revisão da distribuição de aulas
        • Limite claro do trabalho em casa
        • Respeito aos intervalos
    Falta de reconhecimento 
    Medidas de Controle Possíveis
        • Programas de valorização
        • Feedback estruturado
        • Participação nas decisões pedagógicas

3. Responsabilidades da Escola
A) Direção/Matriz (se for rede):
        Fornecer recursos financeiros e humanos
        Designar um responsável técnico (pode ser terceirizado)
        Garantir que o PGR seja implementado
B) Gestor Escolar (Diretor/Coordenador):
        Aplicar as medidas definidas no PGR
        Promover ambiente de diálogo
        Encaminhar situações críticas ao responsável técnico
C) Serviço Especializado (SESMT) ou Engenheiro/Técnico de SST: 
        O SESMT só é obrigatório para escolas com mais de 100 funcionários, mas escolas menores têm                 que ter o Engenheiro/Técnico de SST responsável.
        Deve-se contratar profissional qualificado (engenheiro de segurança ou técnico de SST) para:
            Elaborar/atualizar o PGR
            Realizar as avaliações
            Emitir laudos técnicos
D) Comissão Interna (CIPA):
        Deve ser constituída (obrigatório a partir de 20 funcionários)
        Participará da identificação dos riscos
        Fará a ponte entre funcionários e gestão

4. Documentação Obrigatória
A escola deve manter em seu PGR atualizado:
    Metodologia usada para avaliar fatores psicossocais
    Resultados das avaliações (com confidencialidade)
    Plano de ação com prazos e responsáveis
    Registro das capacitações realizadas
    Evidências da implementação das medidas

5. Custos Estimados e Estratégias
    Custos Diretos:
        Honorários do profissional de SST
        Ferramentas de avaliação: questionários validados
        Capacitações: palestras sobre saúde mental
        Adequações físicas: sala dos professores mais acolhedora
    Estratégias para Redução de Custos:
        Consórcio escolar: várias escolas contratam juntas um profissional
        Parceria com universidades: estudantes de psicologia/engenharia de segurança
        Uso de materiais públicos: o Ministério do Trabalho disponibiliza guias

6. Consequências do Não Cumprimento
Para a escola que não se adequar até maio/2025:
    Multas em caso de fiscalização (podem ultrapassar R$ 8.000 por irregularidade)
    Processos trabalhistas por danos morais
    Afastamentos por saúde mental que poderiam ser evitados
    Dano à reputação da instituição

7. Benefícios além da Conformidade Legal
    Redução do absenteísmo: professores mais saudáveis faltam menos
    Melhoria do ensino: ambiente positivo reflete na qualidade pedagógica
    Retenção de talentos: professores permanecem mais tempo
    Prevenção de conflitos: canais abertos resolvem problemas antes de escalarem

Resumo Executivo para a Escola:
✅ Prazo: 24 de maio de 2025
✅ Primeiro passo: Contratar profissional de SST para atualizar o PGR
✅ Foco principal: Identificar fatores psicossocais específicos do ambiente escolar
✅ Diferencial: Envolver a comunidade escolar (professores, funcionários) no processo
✅ Resultado esperado: Ambiente de trabalho mais saudável e protegido legalmente

Recomendação final: A escola deve começar imediatamente esse processo, pois a adequação requer diagnóstico, planejamento e implementação gradual. A saúde mental dos educadores impacta diretamente a qualidade da educação oferecida.



Caso alguém tenha alguma contribuição, por favor, me envie nos comentários da postagem, seja ela reafirmando os pontos elencados acima ou em discordância.

terça-feira, 7 de outubro de 2025

Aranhas: Loxosceles (Aranha-marrom)

(Esta postagem foi feita em 05.03.2011, mas pela atualidade e pelo surgimento recentes de casos de acidentes no período, foi elevada momentaneamente para as primeiras posições do blog para facilitar acesso.)

Vou começar esse post de uma forma diferente. Segue abaixo o relato do artista plástico Luciano Diniz (condensei algumas partes). Esse relato foi publicado na comunidade do Orkut sobre os “Causos de Sete Lagoas”:
Resolvi abrir um depósito que tenho na entrada do meu atelier para uma faxina de rotina, e eis que me deparo com o local infestado de aranhas. Matei muitas, ou quase todas pensei eu, mas no dia seguinte me apareceu uma mancha esbranquiçada na lateral externa do pé direito, bem na junta. Lembrei-me então de um vídeo que vi sobre o assunto, do sintoma aparente do efeito de uma aranha pica o ser humano, e me dirigi à uma farmácia para me medicar. Tomei comprimidos, passei pomadas, e fiquei tranquilo que em alguns dias aquilo estaria desaparecido.
Mas nada disso ocorreu, ao contrário, foi só piorando, passei por 8 médicos que não descobriam o que eu tinha, mesmo avisando estar desconfiado da aranha. Fiz todo tipo de exame possível, e tudo estava perfeito, glicose, triglicérides, colesterol, etc, tudo em ordem e o pé só piorando, o que era um mistério, pois tinha saúde excelente, frequentava há anos a academia, boa alimentação. E fui só piorando, veio uma bengala, depois as muletas, até que caí de cama, sem conseguir andar e a ferida só aumentando, até então já contornando por trás até quase o peito do pé, e uma dor insuportável.
Finalmente, descobri que havia sido realmente vítima de uma aranha. Graças eu ter uma saúde excelente devido à alimentação e a malhação, me salvei. Poderia ter morrido ou perdido o pé.
Fui então enviado imediatamente a um cirurgião que me operou e retirou todo o tecido necrosado e envenenado. Fiquei 32 dias imóvel sobre uma cama sentindo dores desesperantes, pois só sobraram os nervos sobre os ossos ao retirar toda a carne já dissolvendo e necrosando, mais 6 meses de cama em recuperação, e mais de um ano nas muletas. Hoje me sinto praticamente um deficiente físico, pois não tenho mais os movimentos do pé, ainda ando com dificuldade, mas pelo menos estou vivo e andando, graças à Deus.
Muito provavelmente o nosso amigo Luciano foi vítima da aranha-marrom (gênero Loxosceles). A aranha-marrom, pertencente à família Sicariidae, também é conhecida como aranha-violino (devido a uma mancha escura em forma de violino que geralmente está presente no dorso do animal). Essa aranha é originalmente de ambiente cavernícola, entretanto já se adaptou ao interior de nossas residências. É uma das poucas aranhas que se alimentam de insetos mortos (a maioria come insetos vivos) que ela encontra com facilidade em nossas casas. A lagartixa de parede é o predador dessa aranha no ambiente doméstico. A Loxosceles possui tamanho total (corpo e patas) entre 3 a 4 centímetros no máximo.

Loxosceles. Observe a mancha dorsal em forma de violino (nem sempre é bem visível). Crédito da foto: Ubirajara de Oliveira (Bira) - Laboratório de Aracnologia - ICB/UFMG.

Nas nossas casas ela habita normalmente os armários, guarda-roupas, atrás de quadros e entre as telhas (quando não há laje). Normalmente é dócil, não ataca. Porém, se comprimida contra o corpo ela inocula o veneno. A picada não dói, pois as quelíceras são muito pequenas e não provocam dor ao penetrar na pele.  O veneno também não é neurotóxico, como o da armadeira. Mas a picada deixa o veneno que é NECROSANTE. Assim, de 24 a 48 horas depois da picada seguem os sintomas iniciais descritos pelo Luciano, inicia-se com uma mancha parecendo mármore. Depois vai complicando e chega a necrosar toda a pele.
Médicos e farmacêuticos normalmente não têm informação sobre esse tipo de acidente. Geralmente confundem com furúnculo ou cabelo encravado e não dão muita importância. Na dúvida, recorra ao HPS João XXIII em BH e mostre a lesão. Eles conhecem bem esses casos pois são assessorados pelos biólogos da UFMG e são a referência para esse tipo de acidente. Acredite, biólogos conhecem mais esses casos do que os médicos, afinal de contas, se expõem mais a esses acidentes em cavernas e tal. Não há nos Cursos de Medicina, uma disciplina que trate com detalhes desses casos. O pessoal do Laboratório de Aracnologia da UFMG montou um curso excelente sobre o assunto. Fiz o curso e estive presente em algumas aulas em outras vezes que foi oferecido. Infelizmente, nas turmas que frequentei, nenhum matriculado era aluno do curso de medicina. Só biólogos mesmo e alguns curiosos interessados no assunto (inclusive meu aluno Saulo - que de vez em quando dá as caras aqui no blog).
A procura dessas aranhas em nossas casas é importante. Não as confunda com aquelas aranhas pernudas que ficam no canto das paredes, quase lá no teto. Aquelas - Pholcus phalangioides - não fazem nadinha, no máximo nos ajudam comendo pernilongos. Procure cuidadosamente (use luvas) atrás de quadros na parede. Nossos colegas biólogos do Laboratório de Aracnologia da UFMG coletaram mais de 300 numa casa de alto padrão no bairro Mangabeiras em BH, sem nenhum acidente na casa, pois as aranhas não atacam. Só picam, como já mencionei, se pressionadas contra nosso corpo (dentro de sapatos, roupas...).

Uma Loxosceles perto de sua teia onde deposita ovos. O corpo é pequeno, cerca de 8 a 10 milímetros. Mas as pernas são alongadas.
Crédito da foto: Ubirajara de Oliveira (Bira) - Laboratório de Aracnologia - ICB/UFMG.

O tratamento é a inoculação do soro anti-loxosceles até no máximo 48 horas do acidente. Pode usar o soro depois, mas o efeito será menor e algum grau de ferida vai se estabelecer. Ou seja, vá para o HPS João XXIII, rápido. Farmácias, remedinhos e pomadinhas não farão nenhum efeito. No máximo, poderão evitar a infecção por bactérias quando a ferida estiver gigante.




Ao lado, imagens chocantes de lesões tegumentares causadas pela Loxosceles. Eu não aconselho, mas se tiver estômago, clique na imagem para ampliar. Não consegui os créditos das duas primeiras imagens, quem souber, por favor me informe. As demais estão devidamente referenciadas. Febre, dor, edema local, mancha avermelhada, irritabilidade, taquicardia, náuseas e vômitos são sinais e sintomas que costumam acompanhar o desenvolvimento das lesões.



Felizmente (bom, melhor seria não ter acontecido, claro!), nosso amigo Luciano foi vítima da forma Tegumentar, ou seja, "apenas" lesões de pele (mas que foram muito graves). Em 2% dos casos pode se estabelecer a forma Visceral, ou seja, o veneno ataca os órgãos internos, em especial o fígado e os rins causando sintomas sérios e progressivos: febre alta e persistente, destruição das hemácias, com consequente anemia e icterícia, perda de proteínas na urina, acidose metabólica, desequilíbrio hidroeletrolítico e crise hipertensiva. Arritmia cardíaca completa e agrava o quadro. A urina fica escura como na Hepatite ("urina de coca-cola") e o prognóstico é grave, especialmente em crianças e idosos, muitas vezes culminando em óbito.

OBSERVAÇÃO

Recentemente tenho recebido várias fotos de aranhas para identificação. O pessoal realmente se preocupa muito com a aranha-marrom. Mas não é toda aranha de coloração marrom que é a perigosa Loxosceles. Entre as aranhas que são muito confundidas com a aranha-marrom está a aranha-cuspideira. 
A aranha-cuspideira também é uma aranha pequena, amarronzada, mas seu cefalotórax é mais alto do que o cefalotórax da aranha-marrom. É possível perceber isso em fotos "de perfil". Mas a cuspideira também tem 3 pares de olhos. E a cuspideira não tem a famosa mancha em forma de violino. 

Sendo assim: 
  • O cefalotórax da aranha-marrom (Loxosceles) é plano ou levemente achatado, com formato mais oval ou em violino, sem a elevação pronunciada que caracteriza a aranha-cuspidora.
  • Aranha-cuspidora (Scytodes) → cefalotórax abaulado e alto, lembrando uma “cúpula”.
  • Aranha-marrom (Loxosceles) → cefalotórax baixo e plano, com o desenho em forma de violino (na região dorsal anterior).
  • Essa diferença de formato é uma das características visuais mais úteis para distingui-las, especialmente quando observadas de perfil.
 Ramon Lamar de Oliveira Junior



OUTRAS IMAGENS COMPARATIVAS


sexta-feira, 18 de julho de 2025

Vacinas e Segurança: Compreendendo Riscos, Benefícios e a Realidade da CoronaVac (COVID-19)

Vacinas e Efeitos Adversos: O Que a Ciência Já Sabe

Vacinas são, desde o século XX, uma das ferramentas mais eficazes da medicina preventiva. Elas atuam ensinando o sistema imunológico a reconhecer e combater agentes infecciosos antes que causem doenças graves. No entanto, como qualquer intervenção médica, vacinas podem provocar efeitos adversos — geralmente leves e temporários, mas, em raros casos, podem ocorrer reações moderadas ou graves.

Entre os efeitos leves mais comuns após a vacinação (em qualquer idade e tipo), estão: dor no local da aplicação, febre baixa, mal-estar e dor de cabeça. Eventos adversos moderados podem incluir febre alta ou reações alérgicas, e os eventos graves são extremamente raros.

É importante destacar que até vacinas amplamente utilizadas e consolidadas, como as do sarampo, HPV, febre amarela e influenza, também estão associadas a eventos adversos raríssimos, como:
  • Miocardite: já relatada após vacina contra influenza e, mais recentemente, após vacinas de RNA mensageiro (Pfizer e Moderna).
  • Trombose com trombocitopenia (TTS): documentada em casos raros com vacinas de vetor viral, como a da AstraZeneca.
  • Síndrome de Guillain-Barré: associada, com baixa frequência, a vacinas como a contra gripe e raiva.
Esses dados são rigorosamente monitorados por sistemas de farmacovigilância como o VAERS (EUA) e a Anvisa (Brasil), e servem para garantir a máxima segurança na vacinação em larga escala.

Vacinas contra a Covid-19: Tecnologias Diferentes, Finalidade Comum

Durante a pandemia de Covid-19, quatro vacinas principais foram aplicadas em massa no Brasil:
  1. CoronaVac (Sinovac/Instituto Butantan) – baseada em vírus inativado.
  2. Oxford/AstraZeneca (Fiocruz) – vetor viral (adenovírus de chimpanzé).
  3. Pfizer/BioNTech – RNA mensageiro.
  4. Janssen (Johnson & Johnson) – vetor viral (adenovírus humano).
Cada uma utiliza tecnologias diferentes:
  • A CoronaVac é baseada em uma tecnologia clássica, já usada há décadas. O vírus é cultivado, inativado e usado para induzir resposta imune.
  • A AstraZeneca e a Janssen usam adenovírus modificados como vetor para introduzir o gene da proteína spike.
  • A Pfizer utiliza o RNA mensageiro da proteína spike para que o corpo a produza temporariamente e gere resposta imune.

Efeitos Adversos: Dados Comparativos

Estudos clínicos e dados de farmacovigilância mostraram diferenças claras entre os perfis de segurança:

* Fonte: Anvisa, OMS, EMA, CDC, estudos multicêntricos revisados por pares (2021–2023)


CoronaVac: A Mais Segura e a Mais Injustiçada

Apesar de ter apresentado o melhor perfil de segurança entre todas as vacinas aplicadas no Brasil, a CoronaVac foi, paradoxalmente, a mais questionada e rejeitada por parte da população durante o início da campanha de vacinação.

Muitos dos ataques vieram de discursos políticos e teorias da conspiração, sem fundamento científico. A origem chinesa da vacina, somada ao envolvimento do Instituto Butantan (governo paulista) em sua produção nacional, fez com que a CoronaVac fosse alvo de resistência em um cenário de polarização política intensa, ainda que seu uso fosse respaldado por órgãos regulatórios sérios como a Anvisa, a Organização Mundial da Saúde e agências internacionais.

Além disso:
  • Foi a primeira vacina aplicada no Brasil, permitindo que profissionais de saúde e idosos fossem protegidos ainda no pico da pandemia.
  • Demonstrou eficácia robusta contra hospitalizações e mortes, mesmo quando a eficácia contra infecção leve era menor em comparação com outras vacinas.
  • Os estudos de efetividade, como os realizados em Serrana (SP), mostraram queda drástica de internações e mortes com a imunização em massa pela CoronaVac.

Considerações Finais

Vacinas são uma conquista da ciência moderna. Nenhuma vacina é isenta de riscos, mas os benefícios superam imensamente os eventuais efeitos colaterais. Em pandemias, a velocidade com que se oferece proteção segura à população é decisiva. A CoronaVac cumpriu esse papel com eficácia e segurança, mesmo diante da desinformação.

Lições importantes ficaram:
  • A ciência precisa ser ouvida acima da ideologia.
  • A comunicação em saúde pública deve ser clara, ética e baseada em dados.
  • Vacinas salvam vidas, todas elas.

Referências

- Ministério da Saúde (Brasil) – Informes técnicos da Covid-19 (2020–2022)

- Organização Mundial da Saúde (WHO) – Safety surveillance manual for Covid-19 vaccines

- CDC (EUA) – Adverse events following mRNA Covid-19 vaccination

- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) – Relatórios de farmacovigilância

- Palacios R. et al. (2021). Effectiveness of CoronaVac in a mass vaccination campaign in Brazil. The Lancet Regional Health

domingo, 1 de junho de 2025

LDL e HDL: o que são e por que são importantes?

No nosso corpo, as gorduras (ou lipídios) não se dissolvem facilmente no sangue, que é um líquido. Por isso, o organismo usa lipoproteínas — partículas compostas de lipídios e proteínas — para transportar essas gorduras pelo sangue. Entre essas lipoproteínas, duas são muito conhecidas: a LDL e a HDL.

A LDL (lipoproteína de baixa densidade) é responsável por levar o colesterol do fígado até as células, onde ele é usado para construir membranas celulares, produzir hormônios e desempenhar outras funções importantes. No entanto, quando há colesterol demais circulando ou quando a LDL não é eficientemente retirada da corrente sanguínea, ela pode se acumular nas paredes internas das artérias. Esse acúmulo leva à formação de placas de gordura (ateromas), que podem estreitar ou obstruir as artérias — um processo chamado aterosclerose. Isso aumenta o risco de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). Por isso, a LDL é conhecida como "mau colesterol".

Já a HDL (lipoproteína de alta densidade) atua como uma espécie de "faxineira" do sistema circulatório. Ela capta o excesso de colesterol das células e das paredes das artérias e o transporta de volta para o fígado. No fígado, esse colesterol pode ser reutilizado ou eliminado na bile. Esse processo é chamado de transporte reverso do colesterol, e ajuda a limpar as artérias, reduzindo o risco de entupimentos e doenças cardiovasculares. Por isso, a HDL é conhecida como "bom colesterol".

FONTE: https://cienciadotreinamento.com.br/saiba-mais-sobre-o-colesterol-ldl-e-hdl/

Além da LDL e da HDL, existem outras lipoproteínas importantes, mas menos conhecidas, como:

  • VLDL (lipoproteína de muito baixa densidade): transporta principalmente triglicerídeos (um tipo de gordura) do fígado para os tecidos. Após perder os triglicerídeos, transforma-se em LDL.

  • IDL (lipoproteína de densidade intermediária): é uma forma de transição entre a VLDL e a LDL, e também pode contribuir para o acúmulo de colesterol.

  • Quilomícrons: são formados no intestino após a digestão de gorduras e transportam os lipídios da alimentação para os tecidos do corpo.

Manter níveis equilibrados dessas lipoproteínas é essencial para a saúde do coração e da circulação sanguínea. Uma alimentação equilibrada, rica em fibras e pobre em gorduras saturadas e trans, a prática regular de exercícios físicos, e evitar o tabagismo são atitudes fundamentais para manter níveis saudáveis de HDL e LDL no sangue.

sexta-feira, 30 de maio de 2025

Algumas proteínas importantes mas pouco conhecidas da maioria dos estudantes

As proteínas são moléculas essenciais para a vida, responsáveis por quase todas as funções celulares. Para funcionar corretamente, uma proteína precisa se dobrar em uma forma tridimensional específica, chamada estrutura nativa. Esse processo de dobramento é complexo e delicado, pois até pequenas falhas podem impedir a proteína de desempenhar seu papel ou até torná-la prejudicial.

Ilustração mostra coronavírus (SarsCov-2) atacando células humanas.

É aí que entram as chaperonas — proteínas especiais que ajudam outras proteínas a se dobrarem corretamente. Elas agem como “ajudantes” dentro da célula, garantindo que as proteínas recém-sintetizadas ou desnaturadas não se enrolem de maneira errada ou não se agreguem umas às outras, formando “bolas” que não funcionam.

As chaperonas não fazem parte da estrutura final da proteína; elas apenas acompanham o processo de dobramento, fornecendo um ambiente seguro para que a proteína alcance sua forma correta. Além disso, em alguns casos, as chaperonas também podem ajudar proteínas que foram desnaturadas (perderam sua forma original por calor, químicos ou outras causas) a voltar a se dobrar corretamente, um processo chamado renaturação. (Convém lembrar que, nesse caso, a renaturação é possível se o efeito sobre as proteínas for moderado, um leve aquecimento por exemplo. Fora das células, com ações extremas sobre as proteínas - como a fervura - e sem a presença das chaperonas, não há como ocorrer renaturação.)

Sem a ação das chaperonas, muitas proteínas importantes simplesmente não conseguiriam atingir sua forma funcional, o que afetaria o funcionamento das células e, consequentemente, do organismo como um todo. As chaperonas são fundamentais para a qualidade e estabilidade das proteínas, garantindo que elas se formem da maneira certa para manter a vida funcionando perfeitamente.


Proteínas de Choque Térmico: Protetoras das Células em Situações Extremas

As proteínas de choque térmico (ou HSPs, do inglês Heat Shock Proteins) são um tipo especial de proteínas que ajudam as células a sobreviver em condições de estresse, como calor excessivo, frio extremo, falta de oxigênio, exposição a substâncias tóxicas e outros tipos de agressão.

Quando uma célula é submetida a um estresse forte, muitas proteínas dentro dela podem se desnaturar — ou seja, perder sua forma correta — e se tornar incapazes de funcionar. As proteínas de choque térmico entram em ação justamente nessas situações para proteger outras proteínas.

Elas atuam como chaperonas, ajudando as proteínas desnaturadas a se dobrarem novamente em sua forma funcional, prevenindo a formação de aglomerados de proteínas que poderiam ser tóxicos para a célula. Além disso, as HSPs podem ajudar a eliminar proteínas danificadas que não podem ser reparadas.

Essas proteínas são essenciais para a sobrevivência celular, porque permitem que a célula resista a condições adversas que, de outra forma, seriam letais. Por isso, as proteínas de choque térmico são encontradas em praticamente todos os organismos, desde bactérias até humanos.

Além do papel protetor, as HSPs têm importância em diversas áreas da medicina, como no estudo do câncer e doenças neurodegenerativas, onde o controle do dobramento das proteínas é fundamental.

Febre e vírus

É comum ouvir que a febre ajuda a combater vírus porque eles não possuem chaperonas do tipo "proteínas de choque térmico" e, portanto, não conseguem se recuperar do calor, mas essa explicação é simplista e incorreta. Na verdade, vírus não são organismos vivos independentes; eles dependem da célula hospedeira para produzir suas proteínas e se replicar. Assim, mesmo que o vírus não tenha chaperonas próprias, as proteínas da célula infectada — que sim, possuem chaperonas — são utilizadas para montar as estruturas virais. Portanto, a ausência de chaperonas nos vírus não é a razão pela qual a febre ajuda a combater infecções. O verdadeiro papel da febre está em ativar o sistema imunológico, dificultar a replicação viral e criar um ambiente menos favorável ao avanço do patógeno.

Apesar disso, não controlar a febre pode ser perigoso. Embora febres leves (até cerca de 38°C) geralmente não precisem de medicação e possam até ser benéficas (por ativarem o sistema imunológico), valores mais altos já exigem atenção, pois podem causar desconforto, desidratação e, em alguns casos, convulsões — especialmente em crianças pequenas, idosos ou pessoas com doenças crônicas. Aliás, febres nesse público citado, sempre merecem ser acompanhadas de perto, mesmo febres baixas. Febres altas (acima de 39°C) são motivo de alerta e requerem avaliação médica imediata. Assim, embora a febre possa ser um aliado do corpo, ela precisa ser monitorada cuidadosamente para garantir que seus benefícios não sejam superados por riscos à saúde.

Texto produzido por ChatGPT, revisado e ampliado por Ramon L. O. Junior

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Botulismo: o que é, causas e prevenção.

O botulismo é uma doença rara, porém grave, causada pela toxina botulínica, produzida pela bactéria Clostridium botulinum. Essa toxina é uma das substâncias mais potentes conhecidas e atua no sistema nervoso, bloqueando a liberação de neurotransmissores, o que pode levar à paralisia muscular, inclusive dos músculos respiratórios.

A contaminação ocorre principalmente pela ingestão de alimentos mal conservados ou mal processados que permitam o desenvolvimento da bactéria e a liberação da toxina. Alimentos frequentemente associados a casos de botulismo incluem conservas caseiras de vegetais (como pimentões, cenouras, vagens, beterrabas), palmito em conserva, embutidos, carnes curadas ou defumadas artesanalmente e produtos enlatados com sinais de deterioração (como latas estufadas).

A toxina botulínica é extremamente perigosa mesmo em quantidades muito pequenas. No entanto, ela não é termo-resistente: pode ser inativada por aquecimento. A toxina é destruída quando exposta a temperaturas superiores a 80 °C por pelo menos 10 minutos ou 100 °C por pelo menos 5 minutos. Já os esporos da bactéria C. botulinum, por outro lado, são altamente resistentes ao calor e podem sobreviver a processos de cozimento comuns, sendo necessárias medidas específicas (como a acidificação e o uso de pressão elevada em autoclaves ou panelas de pressão) para garantir a segurança de conservas caseiras.

A prevenção do botulismo passa por cuidados rigorosos na manipulação e conservação de alimentos, especialmente na preparação de conservas caseiras. É essencial seguir técnicas adequadas de higiene, processamento e esterilização, e evitar o consumo de alimentos com aspecto ou cheiro alterado, ou armazenados por longos períodos em condições inadequadas.

O tratamento do botulismo exige atendimento médico imediato, geralmente com administração de antitoxina e suporte hospitalar. Casos mais graves podem necessitar de ventilação mecânica.

Botox

Curiosamente, a mesma toxina botulínica que pode causar o botulismo também é utilizada, em doses extremamente baixas e controladas, em procedimentos estéticos e terapêuticos — sendo popularmente conhecida como Botox. Nessas aplicações, a toxina é empregada para bloquear temporariamente a contração dos músculos, suavizando rugas de expressão e tratando condições como espasmos musculares, suor excessivo (hiperidrose) e enxaquecas crônicas. A quantidade utilizada em procedimentos médicos é milhares de vezes menor do que a necessária para causar efeitos tóxicos sistêmicos, sendo considerada segura quando aplicada por profissionais qualificados.

Houve registros recentes no Brasil de casos de botulismo associados à aplicação de toxina botulínica, popularmente conhecida como botox. Em março de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta após receber duas notificações de casos suspeitos de botulismo relacionados à administração da toxina. Esses casos estão sob investigação e, até o momento, não foram confirmados como botulismo iatrogênico.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Desmentindo FAKENEWS (MENTIRAS) sobre vacinas!!!

É, pessoal, precisamos ser diretos e usar a palavra certa: MENTIRAS!!!

Primeiramente, vamos falar das vacinas contra COVID-19

Desde o início da pandemia de COVID-19, diversas desinformações sobre as vacinas surgiram e se espalharam rapidamente. Essas fake news podem comprometer a confiança da população na imunização, colocando vidas em risco. A seguir, desmentimos algumas das principais informações falsas sobre as vacinas contra a COVID-19.

1. As vacinas alteram o DNA humano Mito! Nenhuma vacina contra a COVID-19 altera o material genético das pessoas. As vacinas de RNA mensageiro (como as da Pfizer e da Moderna) fornecem instruções temporárias para que as células do corpo produzam uma resposta imunológica contra o vírus. Esse material é rapidamente degradado e não se incorpora ao DNA humano, pois permanece no citoplasma da célula e não entra no núcleo, onde está o DNA.

2. As vacinas contêm microchips para rastreamento Falso! Essa teoria conspiratória não tem qualquer base científica. Nenhuma vacina possui microchips ou qualquer outro dispositivo de monitoramento. O mito surgiu a partir de uma interpretação errada de declarações sobre rastreamento de dados de vacinação e da digitalização dos registros de saúde. As vacinas contêm apenas componentes que estimulam o sistema imunológico e são rigorosamente testadas e aprovadas.

3. Quem toma a vacina continua transmitindo o vírus, então não adianta se vacinar Mito! As vacinas reduzem significativamente o risco de infecção, casos graves e mortes. Embora nenhuma vacina seja 100% eficaz, pessoas vacinadas têm menor probabilidade de transmitir o vírus do que aquelas não vacinadas, pois apresentam menor carga viral caso contraiam a doença. Além disso, a vacina impede complicações severas e ajuda a evitar a sobrecarga dos sistemas de saúde.

4. As vacinas foram desenvolvidas muito rápido e não são seguras Falso! As vacinas contra a COVID-19 passaram por todas as etapas rigorosas de testes exigidas para qualquer imunizante. A rapidez no desenvolvimento se deu pelo investimento massivo de recursos, pela colaboração entre cientistas e pelo aproveitamento de tecnologias já estudadas, como a de RNA mensageiro, que vinha sendo pesquisada há anos. Além disso, os órgãos de saúde monitoram continuamente a segurança dessas vacinas para garantir que são eficazes e seguras. Interessante que, enquanto divulgam dados errôneos sobre a velocidade dos testes de vacina, os mesmo indivíduos se calam sobre a completa inexistência de protocolos científicos com as mesmas etapas rigorosas para a adoção de medicamentos como cloroquina e ivermectina em doses altas.

5. As vacinas causam infertilidade Mito! Não há evidências científicas de que as vacinas contra a COVID-19 causem infertilidade em homens ou mulheres. Essa desinformação surgiu de uma interpretação errada sobre uma proteína do vírus chamada spike, que não tem relação com a fertilidade humana. Estudos mostram que não há diferença na taxa de fertilidade entre vacinados e não vacinados.

6. Pessoas jovens e saudáveis não precisam se vacinar Errado! Mesmo jovens e saudáveis podem desenvolver formas graves da doença, sofrer complicações a longo prazo (como a COVID longa) e transmitir o vírus para grupos vulneráveis. Além disso, o número de casos graves em jovens não é negligenciável, e a vacinação é fundamental para reduzir a circulação do vírus e proteger toda a sociedade.

7. Quem já teve COVID-19 não precisa se vacinar Falso! A imunidade adquirida após a infecção é limitada e pode diminuir com o tempo. Estudos mostram que pessoas vacinadas têm uma proteção mais robusta e duradoura contra novas infecções e variantes do vírus. Além disso, pessoas que tiveram COVID-19 e se vacinaram posteriormente desenvolvem uma resposta imunológica ainda mais forte.

8. As vacinas fazem parte de um projeto para diminuir a população mundial Teoria da conspiração! Não há qualquer evidência de que as vacinas foram criadas com o objetivo de reduzir a população. Essa desinformação surgiu de interpretações erradas sobre discursos de especialistas em crescimento populacional. As vacinas são uma ferramenta de saúde pública que salva milhões de vidas e ajudam a prevenir pandemias.


Um pouquinho mais sobre mitos que sempre retornam:

AS VACINAS DE mRNA

As vacinas de mRNA representam uma tecnologia inovadora no combate a doenças infecciosas, e uma das principais dúvidas a respeito é se elas poderiam interferir no nosso material genético. Vamos explorar como essas vacinas funcionam e por que elas não afetam o nosso genoma.

Como Funcionam as Vacinas de mRNA? Essas vacinas utilizam uma molécula de mRNA que contém a informação genética necessária para que as nossas células produzam a proteína spike, uma proteína encontrada na superfície do vírus da COVID-19. Após a administração da vacina, as células absorvem o mRNA e, utilizando sua maquinaria celular, sintetizam a proteína. Essa proteína é então exibida na superfície celular, o que estimula o sistema imunológico a reconhecer e responder ao vírus, preparando o organismo para uma possível exposição futura.

Por Que o mRNA Não Afeta o Genoma? Existem dois pontos fundamentais que garantem que o mRNA da vacina não interfira no nosso DNA:

  1. Localização Celular:
    O mRNA atua no citoplasma das células, onde ocorre a síntese proteica. O DNA, por sua vez, está confinado ao núcleo. Como o mRNA não entra no núcleo, ele não tem acesso ao nosso material genético, impossibilitando qualquer interação direta com o DNA.

  2. Degradação Rápida:
    O mRNA é uma molécula instável que é rapidamente degradada após cumprir sua função. Esse processo natural garante que o mRNA não permaneça por tempo suficiente na célula para provocar qualquer efeito a longo prazo. Além disso, as vacinas não incluem nenhum mecanismo ou enzima, como a transcriptase reversa, que poderia converter o mRNA em DNA.


OS ADJUVANTES CONTENDO ALUMÍNIO OU GRAFENO

As notícias que afirmam que as vacinas contêm adjuvantes perigosos, como alumínio, ou que incorporam grafeno, não têm respaldo na evidência científica e são fruto de desinformação. Veja abaixo por que essas alegações são infundadas:

Adjuvantes com Alumínio

  • Função e Segurança:
    O alumínio é utilizado em diversas vacinas há mais de setenta anos como adjuvante, ou seja, um componente que potencializa a resposta imunológica do organismo à vacina. As quantidades de alumínio presentes são extremamente pequenas e cuidadosamente calculadas para serem seguras. Órgãos como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência de Alimentos e Medicamentos (FDA) monitoram e aprovam seu uso, garantindo que os níveis administrados não representem risco à saúde.

  • Eliminação pelo Organismo:
    Após a administração da vacina, o alumínio não se acumula no corpo. Ele é gradualmente eliminado pelo organismo, principalmente pelos rins, o que assegura que não cause efeitos tóxicos quando utilizado nas doses aprovadas.

  • Evidência Científica:
    Inúmeros estudos e a experiência prática em milhões de doses aplicadas ao longo dos anos confirmam que os adjuvantes contendo alumínio são seguros e eficazes para melhorar a resposta imunológica sem causar danos.

A Alegação do Grafeno

  • Ausência na Composição das Vacinas:
    Não existe qualquer evidência de que o grafeno seja utilizado na formulação de vacinas. As vacinas passam por rigorosos processos de desenvolvimento e aprovação, onde todos os componentes devem ser comprovadamente seguros e eficazes. Nenhum órgão regulador aprovou o uso de grafeno em vacinas.

  • Origem da Desinformação:
    As alegações envolvendo grafeno geralmente emergem de teorias conspiratórias que interpretam erroneamente pesquisas sobre materiais nanoscópicos ou sobre tecnologias emergentes. No contexto das vacinas, essas afirmações não possuem qualquer suporte em estudos científicos revisados por pares.

  • Fiscalização e Transparência:
    Todas as vacinas comercializadas passam por uma série de testes e avaliações de segurança antes de serem aprovadas para uso. A composição de cada vacina é divulgada e monitorada por autoridades de saúde, o que torna impossível a inclusão de ingredientes como o grafeno sem que haja ampla divulgação e comprovação dos seus efeitos.


NOTÍCIAS ALARMANTES SOBRE MORTES, MIOCARDITES E ATÉ ALTERAÇÕES DO LEITE MATERNO

A disseminação de notícias alarmantes sobre eventos adversos relacionados às vacinas muitas vezes baseia-se em dados isolados ou em interpretações distorcidas das evidências científicas. A seguir, explico por que as alegações sobre mortes, miocardites e alterações no leite materno precisam ser entendidas com cautela e dentro do contexto dos estudos realizados:

Mortes após a Vacinação: Eventos adversos, inclusive mortes, são rigorosamente investigados pelas autoridades de saúde. Quando uma morte ocorre após a vacinação, são avaliados diversos fatores, como condições pré-existentes e coincidências temporais. Estudos em larga escala e dados de vigilância demonstram que, para pessoas sem fatores de risco significativos, não há evidência de uma relação causal entre a vacina e o óbito. Os benefícios da vacinação na prevenção de casos graves de COVID-19 e na redução da mortalidade superam em muito os riscos potenciais.

Miocardite: Casos de miocardite, principalmente entre jovens do sexo masculino, foram relatados após a aplicação de vacinas de mRNA. Contudo, esses episódios são extremamente raros e, na maioria das vezes, apresentam evolução leve e com recuperação completa. É importante notar que a própria infecção por COVID-19 apresenta um risco consideravelmente maior de miocardite e outras complicações cardíacas. Assim, o risco-benefício das vacinas permanece amplamente favorável, com os eventos adversos sendo monitorados continuamente pelas agências de saúde.

Alterações no Leite Materno: Não há evidências científicas robustas que indiquem que a vacinação contra a COVID-19 cause alterações prejudiciais na composição ou na qualidade do leite materno. Pelo contrário, estudos sugerem que a imunização da mãe pode levar à transferência de anticorpos protetores para o bebê, oferecendo uma camada adicional de proteção. As principais instituições de saúde recomendam que mulheres lactantes se vacinem, considerando que a segurança e os benefícios da vacina são amplamente comprovados.


Agora vamos falar um pouco sobre MENTIRAS relacionadas a outras vacinas e que têm diminuido a procura da população por imunizantes.

Diversas mentiras e teorias da conspiração sobre vacinas, não só as contra a COVID-19, têm circulado e afetado a confiança do público em imunizantes de forma geral. Essas desinformações geram insegurança e podem levar à diminuição da cobertura vacinal, com riscos reais para a saúde coletiva. Confira alguns dos mitos mais comuns e o que a ciência diz sobre eles:

1. Vacina MMR (Sarampo, Caxumba e Rubéola) e o Mito do Autismo
Há alguns anos, surgiu uma teoria infundada de que a vacina MMR estaria ligada ao desenvolvimento do autismo. Essa alegação teve origem em um estudo que posteriormente foi desmascarado por sua má metodologia e fraudes, tendo o artigo sido totalmente retratado. Estudos realizados com milhares de crianças em diversos países não encontraram qualquer relação entre a vacina e o autismo, confirmando a segurança e a eficácia deste imunizante.

2. Vacina contra o HPV e Alegações Infundadas
Outras notícias falsas afirmam que a vacina contra o HPV causaria problemas reprodutivos, alterações comportamentais ou até infertilidade. No entanto, diversas pesquisas mostram que a vacina é segura e desempenha um papel crucial na prevenção de infecções pelo HPV, que podem levar a cânceres do colo do útero, ânus, boca e garganta. Não há evidências científicas de que a vacina interfira na fertilidade ou altere comportamentos.

3. Vacina Contra a Gripe e Mitos Diversos
Também é comum encontrar informações erradas sobre a vacina da gripe, como a ideia de que ela pode causar a própria gripe ou provocar reações graves. Na verdade, as vacinas contra a gripe são formuladas com vírus inativados ou fragmentos do vírus, impossibilitando que causem a doença. Os efeitos colaterais, quando ocorrem, costumam ser leves e de curta duração, como dor no local da aplicação e febrinho.

4. Falsas Alegações sobre Componentes Perigosos
Algumas teorias sugerem que vacinas contêm substâncias tóxicas em quantidades perigosas – como adjuvantes (alumínio em doses muito superiores às utilizadas) ou formaldeído –, ou até elementos inexistentes em sua composição, como o grafeno. Todos os componentes presentes nas vacinas passam por rigorosos testes de segurança e são aprovados por órgãos de saúde nacionais e internacionais. As doses empregadas são calculadas para estimular o sistema imunológico sem representar qualquer risco à saúde.

5. Impacto da Desinformação
A circulação dessas mentiras tem levado muitas pessoas a postergarem ou evitarem a vacinação, o que aumenta o risco de surtos de doenças preveníveis. A desinformação não só coloca a saúde individual em risco, mas também compromete a proteção de comunidades inteiras, especialmente daqueles que não podem se vacinar por razões médicas.


E finalmente, quem tem o interesse de divulgar MENTIRAS sobre vacinas? Com qual intenção? 

A disseminação de desinformação sobre vacinas não se restringe apenas a minar a confiança na ciência e nas instituições de saúde, mas também envolve interesses financeiros que se aproveitam do medo e da incerteza das pessoas. Diversos grupos e indivíduos, ao espalhar informações distorcidas, buscam lucrar de maneiras variadas, seja com a venda de produtos e "drogas milagrosas" que prometem benefícios infundados, seja com tratamentos que alegam “retirar as vacinas do corpo”. Essa prática não tem respaldo na evidência científica e pode representar riscos significativos à saúde pública.

Interesses Financeiros e Comerciais
Muitos dos envolvidos na disseminação de teorias conspiratórias e fake news sobre vacinas se beneficiam financeiramente por meio de:

  • Venda de Produtos Milagrosos:
    Esses grupos promovem medicamentos ou suplementos que, segundo eles, podem "curar" os supostos efeitos negativos das vacinas. Esses produtos, sem comprovação científica, se apresentam como soluções milagrosas para os problemas que nem existem ou são exagerados. Muitas pessoas acabam acreditando e aderindo a essas práticas, depois de bombardeadas por MENTIRAS nas redes sociais, ou seja, na sua própria "bolha informacional".

Mesmo sem ter ganhos financeiros, pessoas acabam apoiando estratégicas erradas que 
estão favorecendo financeiramente outros indivíduos. (Foto: Eduardo Matysiak)
  • Tratamentos para "Retirar as Vacinas do Corpo":
    Além dos chamados remédios milagrosos, há também a promoção de tratamentos que afirmam, de forma infundada, ser capazes de eliminar ou neutralizar os efeitos das vacinas no organismo. Essas propostas não possuem respaldo em pesquisas científicas e podem induzir as pessoas a adotarem medidas desnecessárias e potencialmente prejudiciais à saúde.

Motivações Ideológicas e Políticas
Além dos interesses financeiros, há uma componente ideológica na disseminação de desinformação:

  • Liberdade Individual, Desconfiança em Relação ao Estado e Compromisso Coletivo

    Embora a defesa da liberdade individual seja um valor importante, é fundamental reconhecer que vivemos em sociedade. As vacinas fazem parte de um pacto social pelo qual todos se comprometem a eliminar doenças e proteger a saúde coletiva. Vacinas e algumas outras recomendações (como isolamento social, uso de máscaras, higiene das mãos...) não são apenas uma ferramenta para a proteção do indivíduo, mas sim para a criação de uma imunidade de grupo que beneficia toda a comunidade. É uma medida de SAÚDE PÚBLICA e não de SAÚDE INDIVIDUAL. Isso significa que, mesmo que uma pessoa se sinta bem protegida por outras razões discutíveis ("minha saúde é de ferro", "nunca fico doente", "minha imunidade está no máximo"...), ela deve contribuir para diminuir a propagação da doença; e se faz isso ajudando a criar um percentual elevado de pessoas vacinadas.

    Algumas pessoas, por razões raras como condições médicas específicas, não podem se vacinar e dependem da imunidade coletiva para sua proteção. Quando um grande percentual da população é vacinado, o risco de transmissão diminui consideravelmente, rompendo a cadeia de contágio e assegurando que a doença não se espalhe. Assim, a defesa da liberdade individual deve ser equilibrada com a responsabilidade social, reconhecendo que a saúde de cada um está intrinsecamente ligada à saúde de todos.

  • Certos grupos defendem a ideia de liberdade individual e se opõem à interferência governamental em questões pessoais, usando a desinformação para mobilizar apoio e fomentar uma cultura de desconfiança em relação às políticas de saúde pública. 

  • Fragilização da Credibilidade das Instituições:
    Ao questionar a segurança e a eficácia dos imunizantes, esses grupos tentam enfraquecer a confiança nas instituições de saúde e na ciência, criando um ambiente propício para a adoção de tratamentos alternativos sem respaldo científico. Ao mesmo tempo se fragiliza a própria educação da população e a importância das carreiras acadêmicas de pesquisa, sem as quais o progresso e verdadeira independência do país não pode acontecer. Opiniões de "influenciadores" sem o menor embasamento científico e opiniões isoladas de médicos que não têm experiência e nem formação em trabalhar com pesquisa científica, debocham das informações que os desmentem e supervalorizam casos isolados que são tomados como "uma verdade que tentam esconder de você".

Consequências para a Saúde Pública
A propagação dessas mentiras tem um impacto negativo na cobertura vacinal e na proteção coletiva, pois:

  • Reduz a Adesão à Vacinação: Informações alarmantes e distorcidas podem levar pessoas a adiarem ou mesmo evitarem a vacinação, aumentando o risco de surtos de doenças que podem ser prevenidas por imunizações eficazes e seguras. Cria-se um volume de indivíduos que já estão predispostos a desacreditar em qualquer situação futura que guarde semelhança com as questões já passadas.

  • Risco de intoxicações e outros problemas: A utilização em doses altas e não corretamente estudadas de fármacos pode desencadear uma série de problemas no organismo, especialmente devido à toxicidade das drogas para alguns órgãos específicos como fígado e rins.

  • Promove o Uso de Tratamentos Inadequados: A busca por soluções alternativas, como os tratamentos para “retirar as vacinas do corpo”, pode expor indivíduos a intervenções desnecessárias e potencialmente perigosas, além de desviar o foco das medidas preventivas comprovadas.


Conclusões:

É fundamental que a população se informe por meio de fontes confiáveis e embasadas em evidências científicas para compreender os reais benefícios da vacinação. A desinformação, ao promover lucros através de produtos e tratamentos infundados, coloca em risco não só a saúde individual, mas também a saúde coletiva, dificultando o controle de doenças preveníveis e comprometendo a segurança da comunidade como um todo. Manter um olhar crítico e buscar sempre informações verificadas são passos essenciais para combater a desinformação e proteger a saúde pública.

As mentiras sobre vacinas não se sustentam diante do extenso corpo de evidências científicas acumuladas ao longo de décadas. A imunização é uma ferramenta fundamental na prevenção de doenças e na proteção da saúde pública. Buscar informações em fontes confiáveis — como órgãos oficiais de saúde, publicações científicas e instituições reconhecidas — é essencial para combater a desinformação e garantir a segurança e o bem-estar de todos.


Ramon Lamar de Oliveira Junior

com participação do CHATGPT para fazer o encadeamento do texto.



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quinta-feira, 23 de maio de 2024

ATUALIZADO: Número de Casos de Dengue, Chikungunya e Zika no Brasil

O Ministério da Saúde não publica - sei lá por qual motivo - um gráfico mostrando os casos de Dengue ao longo dos anos. Deveria publicar, atualizado ano a ano, para se ter uma ideia real da situação de endemia-epidemia que vivemos. A localização dos dados nos sites do Ministério da Saúde está cada vez mais confusa. Segue a informação mais atualizada (Semana Epidemiológica 20 de 2024).