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quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Discurso de Formatura - 3o Ano - Colégio Impulso - 09/12/2025

Queridas formandas e formandos do Terceiro Ano do Colégio Impulso.
Queridos familiares, colegas professores, direção, funcionários e demais convidados.

Boa noite!

É com satisfação e alegria que me coloco na condição de paraninfo desta turma. Sei da responsabilidade de representar, em palavras, tudo aquilo que vocês construíram ao longo dos últimos três anos e, em especial, dos últimos dois anos em que lecionei para vocês.

Vocês são uma turma de excelência. Não apenas porque alcançaram notas altas, venceram etapas seguidas de provações, produziram projetos brilhantes ou conquistaram aprovações tão desejadas. Vocês são excelentes porque, mesmo diante dos desafios — e não foram poucos — mantiveram algo que não se ensina em livros: determinação, disciplina e coragem para seguir em frente. Bom, é claro que em certos momentos fiquei apreensivo com vocês, com receio de não conseguirem conduzir bem o barco em águas turbulentas. Mas no final tudo deu certo!

O Ensino Médio é um período intenso. É tempo de descobertas, de amadurecimento, de crises, de decisões que às vezes parecem enormes demais. É também um tempo de dúvidas, cansaço, pressão e incertezas. E, ainda assim, vocês conseguiram manter um desempenho acadêmico admirável, fruto do esforço e do compromisso diário.

Foram dias de provas difíceis, aulas longas, semanas que pareciam impossíveis — mas que vocês transformaram em realidade. E quando obstáculos surgiram — sejam eles pessoais, familiares, emocionais, sociais ou até mesmo aqueles que ninguém vê — vocês não desistiram. Vocês se reinventaram, buscaram ajuda, apoiaram uns aos outros e mostraram, com maturidade, que a inteligência vai muito além do conteúdo: ela vive na capacidade de persistir, cooperar e superar.

Hoje celebramos a conclusão de uma etapa, mas também comemoramos a afirmação de uma identidade: a identidade de uma turma forte e resiliente. Vocês provaram que excelência não é um rótulo, mas uma postura diante da vida.

A partir daqui, cada um seguirá seu caminho. Alguns buscarão a universidade, outros o mundo do trabalho, outros ainda descobrirão novos sonhos pelo caminho. “E tá tudo bem!”, como diz o grande filósofo, o Craque Neto! O importante é que levem consigo aquilo que demonstraram todos esses anos: a capacidade de enfrentar desafios com lucidez e coragem.

Lembrem-se: o conhecimento abre portas, mas é o caráter de cada um de vocês que mantém essas portas abertas.

Gostaria de aproveitar a oportunidade para reverenciar e agradecer aos colegas Cramer e Luciano, com quem divido as disciplinas de Química e Biologia. É uma honra trabalhar em harmonia com vocês, chegar ao final de mais um ano e ver que cumprimos com muita eficácia a tarefa que nos foi designada.

Aos meus caros formandos e formandas deixo um derradeiro pedido: que vocês continuem cultivando a curiosidade, a sensibilidade, a ética e a vontade de transformar o mundo. O mundo precisa — e muito — de jovens como vocês.

Parabéns, turma. Vocês honram esta escola, seus professores e suas famílias… e, mais do que tudo, honram a si mesmos. Sigam confiantes. O futuro não é algo que se espera: é algo que se constrói.

Muito obrigado!

Ramon Lamar de Oliveira Junior
09/dezembro/2025
Sete Lagoas - MG

sábado, 7 de dezembro de 2024

Discurso Paraninfo - Terceiro Ano - Colégio Impulso - 2024

Prezados diretores, coordenadores, professores e funcionários do Colégio Impulso.

Prezados familiares e amigos dos formandos do Terceiro e do Nono Anos.

Queridos formandos do Terceiro Ano, meus afilhados.


Terceirão-Padrão Impulso 2024 - Foto: Prof. Luciano de Deus

Hoje celebramos não apenas a conclusão de um ciclo, mas também o início de uma nova jornada repleta de possibilidades. Cada um de vocês é uma peça essencial no mosaico desta turma tão querida e diversa. Desde os mais dedicados, que construíram sua trajetória com esforço exemplar, até aqueles que ainda estão descobrindo seu caminho e desenvolvendo a confiança em seu potencial, todos têm algo único a oferecer ao mundo.

Ao longo do ano, dediquei longas intervenções a uma série de estudantes da turma, geralmente movido pela intenção de fazê-los participar mais e por senti-los mais à vontade para se manifestarem. Não são, de forma alguma, preferências ou privilégios. É realmente impossível não cumprimentar o Nery, com seu sorriso diário, ou a Luísa-Prefeita, com seus olhares que vasculham o fundo da nossa alma. Impossível não notar os que fecham provas rapidamente, os que se preocupam com etimologias, os que dão umas pescadinhas e ainda estão me devendo uns desenhos, e os que são tímidos, como a Ana Cecília.

Eu não queria citar nomes, mas foi inevitável. Queria apenas escolher uma pessoa como referência, alguém que embarcou nessa canoa apenas no terceiro ano e, no meu entendimento — e no de vários colegas —, teve um brutal amadurecimento.

Eu ia falar apenas de Jônatas.

Mas, ao pesquisar a história bíblica de Jônatas, percebi que não poderia ser diferente: a Bíblia nos conduz até ele. Então, encontrei uma série de coincidências que não podem ser mera casualidade.

A história de Jônatas e Davi, narrada no livro de 1 Samuel, nos ensina valiosas lições para a vida. Jônatas enxergou em Davi um futuro promissor, oferecendo-lhe sua amizade leal e seu apoio incondicional. Esse gesto de generosidade nos lembra que a verdadeira força não está em enfrentar desafios sozinhos, mas em encontrar no outro inspiração, coragem e apoio.

Nesta turma, temos um Jônatas que, como o personagem bíblico, tem em si o potencial de ser um amigo leal e um líder que inspira confiança.

Temos também um Davi, que simboliza a coragem de superar desafios e a capacidade de acreditar em si mesmo, mesmo diante de adversidades que pareçam gigantescas. E, homenageando também o paraninfo Samuel, lembramos a figura do profeta que soube ouvir o chamado e orientar o povo com sabedoria e visão. Faltou só um Guilherme nessa passagem bíblica.

Esses nomes, hoje presentes entre vocês, são mais do que coincidências. Representam valores e lições que podemos levar para a vida: a lealdade de Jônatas, a coragem de Davi e a sabedoria de Samuel. Que essas inspirações os guiem em cada decisão, em cada passo, para que possam construir um futuro baseado em suas melhores virtudes.

Ao olhar para esta turma, vejo futuros advogados, professores, veterinários, médicos, biomédicos, artistas, cientistas e empreendedores. Mas, sobretudo, vejo cidadãos que levarão consigo o legado de uma convivência com suas calmarias, tensões e tempestades. Lembrem-se, queridos formandos, de que a vida é uma longa estrada, com curvas, subidas e descidas. E, mesmo que o caminho não seja sempre claro, vocês têm o que é necessário para percorrê-lo com determinação e graça.

É importante, também, que tenhamos respeito e admiração por aqueles que optam por caminhos que muitos consideram não convencionais. A coragem de escolher o inusitado é tão valiosa quanto a determinação de seguir os trilhos mais comuns. Afinal, quem de nós é 100% convencional? Cada um carrega suas singularidades, suas paixões, seus sonhos — e é isso que torna a vida fascinante. Que todos aqui se sintam encorajados a abraçar suas diferenças e transformá-las em forças.

Nunca subestimem o poder dos seus sonhos. Assim como Jônatas reconheceu o potencial em Davi, reconheçam o potencial em vocês mesmos e nos outros ao redor. Construam pontes, nutram amizades, enfrentem seus gigantes e sejam faróis de esperança em um mundo que precisa de luz.

Parabéns, formandos! Vocês já são vencedores, e o futuro os espera de braços abertos. Que venham novos desafios e conquistas. O mundo é de vocês.

 

Muito obrigado pela honra de ter sido professor e paraninfo de vocês!

 

Ramon Lamar de Oliveira Junior

domingo, 10 de dezembro de 2023

FECHANDO 2023 COMO PARANINFO EM DUAS TURMAS, DOIS DISCURSOS DE FORMATURA! OBRIGADO, QUERIDOS ALUNOS!!!

COLÉGIO RUTHERFORD - TERCEIRO ANO - 2023 (05/12/2023)

Direção do Colégio Rutherford
Colegas professores e funcionários
Formandos do Terceiro ano, seus pais, demais parentes e amigos.

    Não se passa um dia em nossa vida que não nos pegamos pensando no passado ou no futuro. Não se passa um dia em que nós não pensamos que “poderíamos ter feito de outro jeito” ou que “quando chegar a hora faremos de tal maneira”. Mas será que realmente não era daquela maneira que a gente tinha que fazer as coisas? Será que é possível mesmo planejar direitinho o que vai acontecer no futuro?
    De uma coisa podemos ter certeza. Chegamos até aqui! E apesar de todos os atropelos, chegamos bem. Aprendemos sobre muitas coisas. Tivemos muitas experiências. Certamente estamos bem preparados para o futuro. Como já foi dito no cinema, “Não há destino, se não o fizermos”.
    E mais uma vez, e momentos como este se repetirão outras vezes, estamos aqui para pensar no passado, observar o presente e construir um destino. Conhecimentos foram acumulados, exemplos do certo e do errado foram estudados e principalmente, laços que unem pessoas foram criados.
    Num piscar de olhos vocês estarão comemorando 25 anos de formados no Ensino Médio. Vão se lembrar de alguns casos engraçados, vão se lembrar que répteis conquistaram definitivamente o ambiente terrestre e que não existem árvores rasteiras ou raízes voadoras. Vão olhar para seus filhos e vão pensar... “essas crianças de hoje em dia vivem no comunicador transdimensional 24 horas por dia... um absurdo... a gente, na idade deles, só usava o telefone celular 20 horas por dia!”.
    Faço apenas alguns pedidos para vocês, que eu também tento seguir em minha vida: não se esqueçam desses colegas dos melhores anos das suas vidas, não se esqueçam dos seus velhos mestres, construam novas amizades ao longo da vida e não se esqueçam dos seus pais. O tempo todo, não se esqueçam dos seus pais, pois eles jamais deixam de pensar em vocês.

Parabéns, formandos. O futuro pertence a vocês.



COLÉGIO IMPULSO - TERCEIRO ANO - 2023 (07/12/2023)
Direção do Colégio Impulso
Colegas professores e funcionários
Formandos do Terceiro ano, seus pais, demais parentes e amigos.

    Para começar a escrever este breve discurso de paraninfo, precisei recorrer ao dicionário. É sempre bom recorrer a ele quando precisamos de uma inspiração na dose exata para transmitir o que o nosso coração fala. Pesquisei a origem da palavra amizade e encontrei:

     Do latim amicitia, que significa “amizade”.
    O termo latino amicitia, no entanto, teria se originado a partir do termo amicus, que significa "amigo", na tradução para o português.
    Alguns estudiosos acreditam que a raiz desta palavra tenha se desenvolvido a partir do verbo amare, que expressa atualmente o sentido de “amor” ou de “amar”.

    Pronto! Está aí a explicação mais simples sobre a amizade que senti brotar por vocês em nosso convívio. Não é nada mais e nem nada menos que uma forma de amor.
    Acredito que a amizade que sinto por vocês é um vívido reflexo do carinho que transborda nas relações que existem entre vocês mesmos... e que de alguma forma me contaminou. De certo modo vocês construíram laços bastante vigorosos entre suas almas e a minha, que vocês sabem que ainda é alma de criança, e que ficou presa no meio dessa teia feita de puro sentimento.
    Para muitos eu diria: vocês são simplesmente colegas. Mas ao ver tantos exemplos maravilhosos de alegrias celebradas com emoção ou mesmo de dores amargamente compartilhadas num abraço silencioso, sei que vocês já deixaram para trás o conceito de colegas e que são amigos que serão lembrados para sempre. Parafraseando uma frase que ficou muito famosa nos cinemas, “o que vocês já fizeram até o momento, ecoará na eternidade”.
    Só resta agradecer que tenham me recebido no... falta aqui um coletivo... cardume(?), na alcateia(?) ou seria no enxame(?). Sei lá... não interessa agora. A única coisa que importa é que terão sempre o meu coração vibrando pelo sucesso de cada um ou cada uma de vocês, pela alegria de suas famílias de agora e de suas famílias que ainda serão construídas.
    Mas nunca se esqueçam dessa fase da vida, desses meses de correria e loucas tempestades hormonais que serão lembrados para sempre. Desses dias que sempre estarão vivos na memória afetiva de cada um de nós.
    Meus parabéns pelo sucesso alcançado até agora e mais ainda por tantas realizações que ainda farão. Senhores pais, senhoras mães, tios e tias, padrinhos e madrinhas, amigos e amigas, irmãos e irmãs, professores, professoras, funcionários da escola, diretores do Colégio Impulso... tenho o prazer e o orgulho de apresentar para vocês aquele coletivo que eu estava procurando. Eis aqui uma constelação de amigos que irão construir muito mais que todos nós!

    Parabéns, formandos do Terceiro Ano Integrado do Colégio Impulso!!!

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

DOIS DISCURSOS DE FORMATURA APRESENTADOS AOS MEUS EX-ALUNOS DO COLÉGIO CAETANO

TURMA DE 2008

Prezados colegas professores, diretores e funcionários.
Prezados pais, amigos e familiares.
Prezados ex-alunos. 

Felizmente temos esse encontro hoje. Eu já estava preocupado. Porque ficaram faltando 10 coisas para ensinar ou reforçar com vocês. Peço desculpas aos seus pais e aos seus amigos. Mas não posso aprová-los sem falar dessas coisas. Espero que aprendam direitinho, pois a prova não será elaborada por mim. Nem sei o dia que ela será aplicada. Sei que vale muitos pontos. Estejam sempre preparados. 

• As moléculas de água unem-se fortemente por ligações de hidrogênio. Essa ligação é forte. Separar as moléculas é difícil. Sigam o exemplo e sejam unidos, sejam fortes. 
• Átomos são coisas miseravelmente pequenas. Não despreze as coisas mais simples. As coisas que você julga insignificantes podem ter muito mais força do que você. 
• Vivemos numa relação harmônica intraespecífica chamada sociedade. Nenhum de nós consegue viver em isolamento. Cultive amizades sólidas. 
• A vida continua e segue seu ciclo. Todos nós vamos voltar a precisar de cuidados. 
• Diga não às drogas, drogas nos corroem. Existem coisas muito melhores do que isso. 
• Respeito é uma coisa meio genética. Mas dá para aprender e transmitir aos filhos. Se for uma característica recessiva, você pode ao menos ter o respeito dos netos. 
• Certas coisas são delicadas, instáveis. Um pequeno ato pode desmanchá-las. Isso pode ser bonito algumas vezes. Em outras pode ser desastroso. 
• “Olhai os lírios do campo.” A natureza sempre tem uma lição a nos ensinar. Aprenda a contemplá-la. 
• Você tem um cérebro, use-o. 
• A vida é o nosso bem mais precioso. Agarre-se à vida. Valorize a vida. Procure a vida. Sempre. 

Agora sim, a classe está dispensada. 
Boa prova! 
Ramon Lamar de Oliveira Junior - dezembro/2008


TURMA DE 2009

Sr. Rômulo Caetano Silva, Diretor Geral do Colégio Caetano; 
Sr. Moisés Gomes de Souza, Diretor Pedagógico; 
Colegas professores e demais funcionários do Colégio Caetano; 
Amigos e familiares de nossos alunos, que nos ajudam a compor a família dessa escola 
Prezados formandos do Terceiro Ano do Ensino Médio, 

Hoje vocês cumprem uma etapa importante dentro da nossa cultura ocidental no caminho da formação do cidadão. Daqui para frente vocês não serão simplesmente “estudantes”, e sim “estudantes de direito”, “estudantes de farmácia”, “estudantes de engenharia” ou outro “estudantes de...”. Passarão a ser vistos como a nova geração. Em breve perderão o título de estudantes e serão doutores e doutoras nas mais diversas áreas, irão constituir famílias, ter responsabilidades com filhos e responsabilidades com os pais e mães que cada vez precisarão mais da atenção de vocês. 
Este é o momento de entregarmos a vocês o mundo que a nossa geração preparou. Infelizmente, não temos todos os presentes que gostaríamos de oferecer. As preocupações com o futuro do planeta são do conhecimento de todos, fomos um tanto negligentes com o meio ambiente e com muitas outras questões. 
Ainda há muito o que fazer para resolver a ética na política, a violência urbana, a má distribuição de rendas, a saúde pública, a educação em todos os níveis, os radicalismos de todos os tipos, o destino das armas nucleares, a soberania dos povos e a fome no mundo, dentre outros problemas. São problemas que, de dentro desse auditório, parecem distantes, mas que de uma hora para outra podem deflagrar situações de dimensões preocupantes.
Mas temos alguns presentinhos para vocês que podem ajudar um pouco na construção do futuro. 
Tentamos ao máximo transmitir conceitos complexos de engajamento social, de responsabilidade social, de liberdade de expressão, de amizade, de gentileza, de solidariedade, de compreensão nos momentos difíceis e de perdão. 
Parece que ao menos vocês não precisarão pegar em armas para defender a liberdade contra ditaduras insanas. Outros já fizeram isso por nós. Mas vocês saberão juntar forças e idéias para agir nos momentos em que for necessário, se for necessário. 
Iniciem esse caminho com bastante confiança. Encham o peito de coragem e contem com os conselhos desses antigos mestres e agora amigos que vocês conquistaram. 
Façam com que esse orgulho que hoje sentimos seja multiplicado por mil. Façam com que as gerações que vocês vão preparar sejam ainda melhores. 
Construam bons relacionamentos e fortaleçam os que já existem irrigando-os com o amor que sei que possuem de sobra. 
Agradeçam muito aos seus pais e a todos aqueles que foram suporte nessa caminhada. 
Parabéns pela conquista e antecipadamente pelas suas realizações. 

Obrigado. 

Ramon Lamar de Oliveira Junior - dezembro/2009

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

PARA LER, GUARDAR, COBRAR E ANALISAR: DISCURSOS DE LULA NA POSSE 2023 - ÍNTEGRA DOS DISCURSOS NO CONGRESSO E NO PARLATÓRIO

NO CONGRESSO

Se estamos aqui é graças à consciência política da sociedade brasileira e à frente democrática que formamos. Foi a democracia a grande vitoriosa, superando a maior mobilização de recursos públicos e privados que já se viu; as mais violentas ameaças à liberdade do voto.

Ao retornar a este plenário da Câmara dos Deputados, onde participei da Assembleia Constituinte de 1988, recordo com emoção os embates que travamos aqui, democraticamente, para inscrever na Constituição o mais amplo conjunto de direitos sociais, individuais e coletivos.

Quando fui eleito presidente pela 1ª vez, ao lado do José Alencar, iniciei o discurso de posse com a palavra “mudança”. A mudança que pretendíamos era simplesmente concretizar os preceitos constitucionais. O direito à vida digna, sem fome, com acesso ao emprego, saúde e educação.

Disse, naquela ocasião, que a missão de minha vida estaria cumprida quando cada brasileiro e brasileira pudesse fazer 3 refeições por dia. Ter de repetir este compromisso no dia de hoje é o mais grave sintoma da devastação que se impôs ao país nos anos recentes.

Nossa mensagem ao Brasil é de esperança e reconstrução. O grande edifício de direitos, de soberania e de desenvolvimento que esta Nação levantou vinha sendo sistematicamente demolido nos anos recentes. É para reerguer este edifício que vamos dirigir todos os nossos esforços.

Em 2002, dizíamos que a esperança tinha vencido o medo, no sentido de superar os temores diante da inédita eleição de um representante da classe trabalhadora. Em oito anos de governo deixamos claro que os temores eram infundados. Do contrário, não estaríamos aqui novamente.

Ficou demonstrado que um representante da classe trabalhadora podia, sim, dialogar com a sociedade para promover o crescimento econômico de forma sustentável e em benefício de todos, especialmente dos mais necessitados.

Ficou demonstrado que era possível, sim, governar este país com a mais ampla participação social, incluindo os trabalhadores e os mais pobres no orçamento e nas decisões de governo.

Ao longo desta campanha eleitoral vi a esperança brilhar nos olhos de um povo sofrido, em decorrência da destruição de políticas públicas que promoviam a cidadania, os direitos essenciais, a saúde e a educação.

O diagnóstico que recebemos do Gabinete de Transição é estarrecedor. Esvaziaram os recursos da Saúde. Desmontaram a Educação, a Cultura, Ciência e Tecnologia. Destruíram a proteção ao Meio Ambiente. Não deixaram recursos para a merenda escolar, a vacinação, a segurança pública.

É sobre estas terríveis ruínas que assumo o compromisso de, junto com o povo brasileiro, reconstruir o país e fazer novamente um Brasil de todos e para todos.

Diante do desastre orçamentário que recebemos, apresentei ao Congresso Nacional propostas que nos permitam apoiar a imensa camada da população que necessita do estado para sobreviver. Agradeço à Câmara e ao Senado pela sensibilidade frente às urgências do povo brasileiro.

Nenhuma nação se ergueu nem poderá se erguer sobre a miséria de seu povo. Este compromisso começa pela garantia de um Programa Bolsa Família renovado, mais forte e mais justo, para atender a quem mais necessita.

Nossas primeiras ações visam a resgatar da fome 33 milhões de pessoas e resgatar da pobreza mais de 100 milhões de brasileiras e brasileiros, que suportaram a mais dura carga do projeto de destruição nacional que hoje se encerra.

A liberdade que sempre defendemos é a de viver com dignidade, com pleno direito de expressão, manifestação e organização. A liberdade que eles pregam é a de oprimir o vulnerável, massacrar o oponente e impor a lei do mais forte acima das leis. O nome disso é barbárie.

A partir de hoje, a Lei de Acesso à Informação voltará a ser cumprida, o Portal da Transparência voltará a cumprir seu papel, os controles republicanos voltarão a ser exercidos para defender o interesse público.

Não carregamos nenhum ânimo de revanche contra os que tentaram subjugar a Nação a seus desígnios pessoais e ideológicos, mas vamos garantir o primado da lei. Quem errou responderá por seus erros, com direito amplo de defesa, dentro do devido processo legal.

O mandato que recebemos, frente a adversários inspirados no fascismo, será defendido com os poderes que a Constituição confere à democracia. Ao ódio, responderemos com amor. À mentira, com verdade. Ao terror e à violência, responderemos com a Lei e suas mais duras consequências.

Sob os ventos da redemocratização, dizíamos: ditadura nunca mais! Hoje, depois do terrível desafio que superamos, devemos dizer: democracia para sempre!

Em diálogo com os 27 governadores, vamos definir prioridades para retomar obras irresponsavelmente paralisadas, que são mais de 14 mil no país. Vamos retomar o Minha Casa Minha Vida e estruturar um novo PAC para gerar empregos na velocidade que o Brasil requer.

Vamos impulsionar as pequenas e médias empresas, potencialmente as maiores geradoras de emprego e renda, o empreendedorismo, o cooperativismo e a economia criativa. A roda da economia vai voltar a girar e o consumo popular terá papel central neste processo.

O Brasil pode e deve figurar na primeira linha da economia global. Caberá ao estado articular a transição digital e trazer a indústria brasileira para o Século XXI, com uma política industrial que apoie a inovação, estimule a cooperação público-privada e fortaleça a ciência.

Nenhum outro país tem as condições do Brasil para se tornar uma grande potência ambiental. Vamos iniciar a transição energética e ecológica para uma agropecuária e uma mineração sustentáveis, uma agricultura familiar mais forte, uma indústria mais verde.

Nossa meta é alcançar desmatamento zero na Amazônia e emissão zero de gases do efeito estufa na matriz elétrica, além de estimular o reaproveitamento de pastagens degradadas. O Brasil não precisa desmatar para manter e ampliar sua estratégica fronteira agrícola.

Incentivaremos, sim, a prosperidade na terra. Liberdade e oportunidade de criar, plantar e colher continuará sendo nosso objetivo. O que não podemos admitir é que seja uma terra sem lei. Não vamos tolerar a violência contra os pequenos, o desmatamento e a degradação do ambiente.

Esta é uma das razões, não a única, da criação do Ministério dos Povos Indígenas. Ninguém conhece melhor nossas florestas nem é mais eficaz de defendê-las do que os que estavam aqui desde tempos imemoriais. Vamos revogar todas as injustiças cometidas contra os povos indígenas.

Não é admissível que negros e pardos continuem sendo a maioria pobre e oprimida. Criamos o Ministério da Promoção da Igualdade Racial para ampliar a política de cotas, além de retomar as políticas voltadas para o povo negro e pardo na saúde, educação e cultura.

Estamos refundando o Ministério da Cultura, com a ambição de retomar mais intensamente as políticas de incentivo e de acesso aos bens culturais, interrompidas pelo obscurantismo nos últimos anos. Uma política cultural democrática não pode temer a crítica nem eleger favoritos.

Que brotem todas as flores e sejam colhidos todos os frutos da nossa criatividade, Que todos possam dela usufruir, sem censura nem discriminações.

É inadmissível que as mulheres recebam menos que os homens, realizando a mesma função. Que não sejam reconhecidas em um mundo político machista. Que sejam assediadas impunemente nas ruas e no trabalho. Que sejam vítimas da violência dentro e fora de casa.Estamos refundando também o Ministério das Mulheres para demolir este castelo secular de desigualdade e preconceito.

Sob a proteção de Deus, inauguro este mandato reafirmando que no Brasil a fé pode estar presente em todas as moradas, nos diversos templos, igrejas e cultos. Neste país todos poderão exercer livremente sua religiosidade.

O período que se encerra foi marcado por uma das maiores tragédias: a Covid-19. Em nenhum outro país a quantidade de vítimas fatais foi tão alta proporcionalmente à população quanto no Brasil, um dos países mais preparados para enfrentar emergências sanitárias, graças ao SUS.

O Ministério da Justiça e da Segurança Pública atuará para harmonizar os Poderes e entes federados no objetivo de promover a paz onde ela é mais urgente: nas comunidades pobres, no seio das famílias vulneráveis ao crime organizado, às milícias e à violência, venha de onde vier.

Este paradoxo só se explica pela atitude criminosa de um governo negacionista e insensível à vida. As responsabilidades por este genocídio hão de ser apuradas e não devem ficar impunes. O que nos cabe, no momento, é prestar solidariedade aos familiares de quase 700 mil vítimas.

Estamos revogando os criminosos decretos de ampliação do acesso a armas e munições, que tanta insegurança e tanto mal causaram às famílias brasileiras. O Brasil não quer mais armas; quer paz e segurança para seu povo.

O modelo que propomos, aprovado nas urnas, exige, sim, compromisso com a responsabilidade, a credibilidade e a previsibilidade. Não podemos fazer diferente. Teremos de fazer melhor.

Os olhos do mundo estiveram voltados para o Brasil nestas eleições. O mundo espera que o Brasil volte a ser um líder no enfrentamento à crise climática e um exemplo de país social e ambientalmente responsável, capaz de promover o crescimento econômico com distribuição de renda.

O Brasil tem de ser dono de si mesmo, dono de seu destino. Tem de voltar a ser um país soberano. Com soberania e responsabilidade seremos respeitados para compartilhar essa grandeza com a humanidade – solidariamente, jamais com subordinação.

A relevância da eleição no Brasil refere-se, por fim, às ameaças que o modelo democrático vem enfrentando. Ao redor do planeta, articula-se uma onda de extremismo autoritário que dissemina o ódio e a mentira por meios tecnológicos que não se submetem a controles transparentes.

Reafirmo, para o Brasil e para o mundo, a convicção de que a Política, em seu mais elevado sentido – e apesar de todas as suas limitações – é o melhor caminho para o diálogo entre interesses divergentes. Negar a política, desvalorizá-la e criminalizá-la é o caminho das tiranias.

Minha mais importante missão será honrar a confiança recebida e corresponder às esperanças de um povo sofrido, que jamais perdeu a fé no futuro nem em sua capacidade de superar os desafios. Com a força do povo e as bênçãos de Deus, haveremos der reconstruir este país.


NO PARLATÓRIO

Quero começar fazendo uma saudação especial a cada um e a cada uma de vocês. Uma forma de lembrar e retribuir o carinho e a força que recebia todos os dias do povo brasileiro —representado pela Vigília Lula Livre—, num dos momentos mais difíceis da minha vida.

Hoje, neste que é um dos dias mais felizes da minha vida, a saudação que eu faço a vocês não poderia ser outra, tão singela e ao mesmo tempo tão cheia de significado:

Boa tarde, povo brasileiro!

Minha gratidão a vocês, que enfrentaram a violência política antes, durante e depois da campanha eleitoral. Que ocuparam as redes sociais, e que tomaram as ruas, debaixo de sol e chuva, nem que fosse para conquistar um único e precioso voto.

Que tiveram a coragem de vestir a nossa camisa e, ao mesmo tempo, agitar a bandeira do Brasil —quando uma minoria violenta e antidemocrática tentava censurar nossas cores e se apropriar do verde e amarelo, que pertence a todo o povo brasileiro.

A vocês, que vieram de todos os cantos deste país —de perto ou de muito longe, de avião, de ônibus, de carro ou na boleia de caminhão. De moto, bicicleta e até mesmo a pé, numa verdadeira caravana da esperança, para esta festa da democracia.

Mas quero me dirigir também aos que optaram por outros candidatos. Vou governar para os 215 milhões de brasileiros e brasileiras, e não apenas para quem votou em mim.

Vou governar para todas e todos, olhando para o nosso luminoso futuro em comum, e não pelo retrovisor de um passado de divisão e intolerância.

A ninguém interessa um país em permanente pé de guerra, ou uma família vivendo em desarmonia. É hora de reatarmos os laços com amigos e familiares, rompidos pelo discurso de ódio e pela disseminação de tantas mentiras.

O povo brasileiro rejeita a violência de uma pequena minoria radicalizada que se recusa a viver num regime democrático.

Chega de ódio, fake news, armas e bombas. Nosso povo quer paz para trabalhar, estudar, cuidar da família e ser feliz.

A disputa eleitoral acabou. Repito o que disse no meu pronunciamento após a vitória em 30 de outubro, sobre a necessidade de unir o nosso país.

"Não existem dois Brasis. Somos um único país, um único povo, uma grande nação."

Somos todos brasileiros e brasileiras, e compartilhamos uma mesma virtude: nós não desistimos nunca.

Ainda que nos arranquem todas as flores, uma por uma, pétala por pétala, nós sabemos que é sempre tempo de replantio, e que a primavera há de chegar. E a primavera chegou.

Hoje, a alegria toma posse do Brasil, de braços dados com a esperança.

Minhas queridas amigas e meus amigos.

Recentemente, reli o discurso da minha primeira posse na Presidência, em 2003. E o que li tornou ainda mais evidente o quanto o Brasil andou para trás.

Naquele 1º de janeiro de 2003, aqui nesta mesma praça, eu e meu querido vice José Alencar assumimos o compromisso de recuperar a dignidade e a autoestima do povo brasileiro —e recuperamos. De investir para melhorar as condições de vida de quem mais necessita —e investimos. De cuidar com muito carinho da saúde e da educação —e cuidamos.

Mas o principal compromisso que assumimos em 2003 foi o de lutar contra a desigualdade e a extrema pobreza, e garantir a cada pessoa deste país o direito de tomar café da manhã, almoçar e jantar todo santo dia —e nós cumprimos esse compromisso: acabamos com a fome e a miséria, e reduzimos fortemente a desigualdade.

Infelizmente hoje, 20 anos depois, voltamos a um passado que julgávamos enterrado. Muito do que fizemos foi desfeito de forma irresponsável e criminosa.

A desigualdade e a extrema pobreza voltaram a crescer. A fome está de volta —e não por força do destino, não por obra da natureza, nem por vontade divina.

A volta da fome é um crime, o mais grave de todos, cometido contra o povo brasileiro.

A fome é filha da desigualdade, que é mãe dos grandes males que atrasam o desenvolvimento do Brasil. A desigualdade apequena este nosso país de dimensões continentais, ao dividi-lo em partes que não se reconhecem.

De um lado, uma pequena parcela da população que tudo tem. Do outro lado, uma multidão a quem tudo falta, e uma classe média que vem empobrecendo ano após ano.

Juntos, somos fortes. Divididos, seremos sempre o país do futuro que nunca chega, e que vive em dívida permanente com o seu povo.

Se queremos construir hoje o nosso futuro, se queremos viver num país plenamente desenvolvido para todos e todas, não pode haver lugar para tanta desigualdade.

O Brasil é grande, mas a real grandeza de um país reside na felicidade de seu povo. E ninguém é feliz de fato em meio a tanta desigualdade.

Minhas amigas e meus amigos,

Quando digo "governar", eu quero dizer "cuidar". Mais do que governar, vou cuidar com muito carinho deste país e do povo brasileiro.

Nestes últimos anos, o Brasil voltou a ser um dos países mais desiguais do mundo. Há muito tempo não víamos tamanho abandono e desalento nas ruas.

Mães garimpando lixo, em busca do alimento para seus filhos.

Famílias inteiras dormindo ao relento, enfrentando o frio, a chuva e o medo.

Crianças vendendo bala ou pedindo esmola, quando deveriam estar na escola, vivendo plenamente a infância a que têm direito.

Trabalhadoras e trabalhadores desempregados exibindo, nos semáforos, cartazes de papelão com a frase que nos envergonha a todos: "Por favor, me ajuda".

Fila na porta dos açougues, em busca de ossos para aliviar a fome. E, ao mesmo tempo, filas de espera para a compra de automóveis importados e jatinhos particulares.

Tamanho abismo social é um obstáculo à construção de uma sociedade verdadeiramente justa e democrática, e de uma economia próspera e moderna.

Por isso, eu e meu vice Geraldo Alckmin assumimos hoje, diante de vocês e de todo o povo brasileiro, o compromisso de combater dia e noite todas as formas de desigualdade.

Desigualdade de renda, de gênero e de raça. Desigualdade no mercado de trabalho, na representação política, nas carreiras do Estado. Desigualdade no acesso a saúde, educação e demais serviços públicos.

Desigualdade entre a criança que frequenta a melhor escola particular, e a criança que engraxa sapato na rodoviária, sem escola e sem futuro. Entre a criança feliz com o brinquedo que acabou de ganhar de presente, e a criança que chora de fome na noite de Natal.

Desigualdade entre quem joga comida fora, e quem só se alimenta das sobras.

É inadmissível que os 5% mais ricos deste país detenham a mesma fatia de renda que os demais 95%.

Que seis bilionários brasileiros tenham uma riqueza equivalente ao patrimônio dos 100 milhões mais pobres do país.

Que um trabalhador ou trabalhadora que ganha um salário mínimo mensal leve 19 anos para receber o equivalente ao que um super-rico recebe em um único mês.

E não adianta subir o vidro do automóvel de luxo, para não ver nossos irmãos que se amontoam debaixo dos viadutos, carentes de tudo —a realidade salta aos olhos em cada esquina.

Minhas amigas e meus amigos.

É inaceitável que continuemos a conviver com o preconceito, a discriminação e o racismo. Somos um povo de muitas cores, e todas devem ter os mesmos direitos e oportunidades.

Ninguém será cidadão ou cidadã de segunda classe, ninguém terá mais ou menos amparo do Estado, ninguém será obrigado a enfrentar mais ou menos obstáculos apenas pela cor de sua pele.

Por isso estamos recriando o Ministério da Igualdade Racial, para enterrar a trágica herança do nosso passado escravista.

Os povos indígenas precisam ter suas terras demarcadas e livres das ameaças das atividades econômicas ilegais e predatórias. Precisam ter sua cultura preservada, sua dignidade respeitada e sua sustentabilidade garantida.

Eles não são obstáculos ao desenvolvimento —são guardiões de nossos rios e florestas, e parte fundamental da nossa grandeza enquanto nação. Por isso estamos criando o Ministério dos Povos Indígenas, para combater 500 anos de desigualdade.

Não podemos continuar a conviver com a odiosa opressão imposta às mulheres, submetidas diariamente à violência nas ruas e dentro de suas próprias casas.

É inadmissível que continuem a receber salários inferiores ao dos homens, quando no exercício de uma mesma função. Elas precisam conquistar cada vez mais espaço nas instâncias decisórias deste país —na política, na economia, em todas as áreas estratégicas.

As mulheres devem ser o que elas quiserem ser, devem estar onde quiserem estar. Por isso, estamos trazendo de volta o Ministério das Mulheres.

Foi para combater a desigualdade e suas sequelas que nós vencemos a eleição. E esta será a grande marca do nosso governo.

Dessa luta fundamental surgirá um país transformado. Um país grande, próspero, forte e justo. Um país de todos, por todos e para todos. Um país generoso e solidário, que não deixará ninguém para trás.

Minhas queridas companheiras e meus queridos companheiros.

Reassumo o compromisso de cuidar de todos os brasileiros e brasileiras, sobretudo daqueles que mais necessitam. De acabar outra vez com a fome neste país. De tirar o pobre da fila do osso para colocá-lo novamente no Orçamento.

Temos um imenso legado, ainda vivo na memória de cada brasileiro e cada brasileira, beneficiário ou não das políticas públicas que fizeram uma revolução neste país.

Mas não nos interessa viver do passado. Por isso, longe de qualquer saudosismo, nosso legado será sempre o espelho do futuro que vamos construir para este país.

Em nossos governos, o Brasil conciliou crescimento econômico recorde com a maior inclusão social da história. E se tornou a sexta maior economia do mundo, ao mesmo tempo em que 36 milhões de brasileiras e brasileiros saíram da extrema pobreza.

Geramos mais de 20 milhões de empregos com carteira assinada e todos os direitos assegurados. Reajustamos o salário mínimo sempre acima de inflação.

Batemos recorde de investimentos em educação —da creche à universidade—, para fazer do Brasil um exportador também de inteligência e conhecimento, e não apenas de commodities e matéria-prima.

Nós mais que dobramos o número de estudantes no ensino superior, e abrimos as portas das universidades para a juventude pobre deste país. Jovens brancos, negros e indígenas, para quem o diploma universitário era um sonho inalcançável, tornaram-se doutores.

Combatemos um dos grandes focos de desigualdade —o acesso à saúde. Porque o direito à vida não pode ser refém da quantidade de dinheiro que se tem no banco.

Fizermos o Farmácia Popular, que forneceu medicamentos a quem mais precisava, e o Mais Médicos, que levou atendimento a cerca de 60 milhões de brasileiros e brasileiras, nas periferias das grandes cidades e nos pontos mais remotos do Brasil.

Criamos o Brasil Sorridente, para cuidar da saúde bucal de todos os brasileiros e brasileiras.

Fortalecemos o nosso Sistema Único de Saúde. E quero aproveitar para fazer um agradecimento especial aos profissionais do SUS, pela grandiosidade do trabalho durante a pandemia. Enfrentaram bravamente, ao mesmo tempo, um vírus letal e um governo irresponsável e desumano.

Nos nossos governos, investimos na agricultura familiar e nos pequenos e médios agricultores, responsáveis por 70% dos alimentos que chegam à nossa mesa. E fizemos isso sem descuidar do agronegócio, que obteve investimentos e safras recordes, ano após ano.

Tomamos medidas concretas para conter as mudanças climáticas, e reduzimos o desmatamento da Amazônia em mais de 80%.

O Brasil consolidou-se como referência mundial no combate à desigualdade e à fome, e passou a ser internacionalmente respeitado, pela sua política externa ativa e altiva.

Fomos capazes de realizar tudo isso cuidando com total responsabilidade das finanças do país. Nunca fomos irresponsáveis com o dinheiro público.

Fizemos superávit fiscal todos os anos, eliminamos a dívida externa, acumulamos reservas de cerca de 370 bilhões de dólares e reduzimos a dívida interna a quase metade do que era anteriormente.

Nos nossos governos, nunca houve nem haverá gastança alguma. Sempre investimos, e voltaremos a investir, em nosso bem mais precioso: o povo brasileiro.

Infelizmente, muito do que construímos em 13 anos foi destruído em menos da metade desse tempo. Primeiro, pelo golpe de 2016 contra a presidenta Dilma. E na sequência, pelos quatro anos de um governo de destruição nacional cujo legado a História jamais perdoará:

700 mil brasileiros e brasileiras mortos pela Covid.

125 milhões sofrendo algum grau de insegurança alimentar, de moderada a muito grave. 33 milhões passando fome.

Estes são apenas alguns números. Que na verdade não são apenas números, estatísticas, indicadores —são pessoas. Homens, mulheres e crianças, vítimas de um desgoverno afinal derrotado pelo povo, no histórico 30 de outubro de 2022.

Os grupos técnicos do Gabinete de Transição, que por dois meses mergulharam nas entranhas do governo anterior, trouxeram a público a real dimensão da tragédia.

O que o povo brasileiro sofreu nestes últimos anos foi a lenta e progressiva construção de um genocídio.

Quero citar, a título de exemplo, um pequeno trecho das 100 páginas desse verdadeiro relatório do caos produzido pelo Gabinete de Transição. Diz o relatório:

"O Brasil bateu recordes de feminicídios, as políticas de igualdade racial sofreram severos retrocessos, produziu-se um desmonte das políticas de juventude, e os direitos indígenas nunca foram tão ultrajados na história recente do país.

Os livros didáticos que deverão ser usados no ano letivo de 2023 ainda não começaram a ser editados; faltam remédios no Farmácia Popular; não há estoques de vacinas para o enfrentamento das novas variantes da Covid-19.

Faltam recursos para a compra de merenda escolar; as universidades corriam o risco de não concluir o ano letivo; não existem recursos para a Defesa Civil e a prevenção de acidentes e desastres. Quem está pagando a conta deste apagão é o povo brasileiro".

Meus amigos e minhas amigas.

Nesses últimos anos, vivemos, sem dúvida, um dos piores períodos da nossa história. Uma era de sombras, de incertezas e de muito sofrimento. Mas esse pesadelo chegou ao fim, pelo voto soberano, na eleição mais importante desde a redemocratização do país.

Uma eleição que demonstrou o compromisso do povo brasileiro com a democracia e suas instituições.

Essa extraordinária vitória da democracia nos obriga a olhar para a frente e a esquecer nossas diferenças, que são muito menores que aquilo que nos une para sempre: o amor pelo Brasil e a fé inquebrantável em nosso povo.

Agora, é hora de reacendermos a chama da esperança, da solidariedade e do amor ao próximo.

Agora é hora de voltar a cuidar do Brasil e do povo brasileiro. Gerar empregos, reajustar o salário mínimo acima da inflação, baratear o preço dos alimentos.

Criar ainda mais vagas nas universidades, investir fortemente na saúde, na educação, na ciência e na cultura.

Retomar as obras de infraestrutura e do Minha Casa, Minha Vida, abandonadas pelo descaso do governo que se foi.

É hora de trazer investimentos e reindustrializar o Brasil. Combater outra vez as mudanças climáticas e acabar de uma vez por todas com a devastação de nossos biomas, sobretudo a Amazônia.

Romper com o isolamento internacional e voltar a se relacionar com todos os países do mundo.

Não é hora para ressentimentos estéreis. Agora é hora de o Brasil olhar para a frente e voltar a sorrir.

Vamos virar essa página e escrever, em conjunto, um novo e decisivo capítulo da nossa história.

Nosso desafio comum é o da criação de um país justo, inclusivo, sustentável, criativo, democrático e soberano, para todos os brasileiros e brasileiras.

Fiz questão de dizer ao longo de toda a campanha: o Brasil tem jeito. E volto a dizer com toda convicção, mesmo diante do quadro de destruição revelado pelo Gabinete de Transição: o Brasil tem jeito. Depende de nós, de todos nós.

Em meus quatro anos de mandato, vamos trabalhar todos os dias para o Brasil vencer o atraso de mais de 350 anos de escravidão. Para recuperar o tempo e as oportunidades perdidas nesses últimos anos. Para reconquistar seu lugar de destaque no mundo. E para que cada brasileiro e cada brasileira tenha o direito de voltar a sonhar, e as oportunidades para realizar aquilo que sonha.

Precisamos, todos juntos, reconstruir e transformar o Brasil. Mas só reconstruiremos e transformaremos de fato este país se lutarmos com todas as forças contra tudo aquilo que o torna tão desigual.

Essa tarefa não pode ser de apenas um presidente ou mesmo de um governo. É urgente e necessária a formação de uma frente ampla contra a desigualdade, que envolva a sociedade como um todo: trabalhadores, empresários, artistas, intelectuais, governadores, prefeitos, deputados, senadores, sindicatos, movimentos sociais, associações de classe, servidores públicos, profissionais liberais, líderes religiosos, cidadãos e cidadãs comuns.

É tempo de união e reconstrução.

Por isso, faço este chamamento a todos os brasileiros e brasileiras que desejam um Brasil mais justo, solidário e democrático: juntem-se a nós num grande mutirão contra a desigualdade.

Quero terminar pedindo a cada um e a cada uma de vocês: que a alegria de hoje seja a matéria-prima da luta de amanhã e de todos os dias que virão. Que a esperança de hoje fermente o pão que há de ser repartido entre todos.

E que estejamos sempre prontos a reagir, em paz e em ordem, a quaisquer ataques de extremistas que queiram sabotar e destruir a nossa democracia.

Na luta pelo bem do Brasil, usaremos as armas que nossos adversários mais temem: a verdade, que se sobrepôs à mentira; a esperança, que venceu o medo; e o amor, que derrotou o ódio.

Viva o Brasil. E viva o povo brasileiro.