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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A bomba no SAAE: 13 perguntas que não querem calar.

Algumas pessoas até já se esqueceram do ocorrido. A própria SIPAT que será realizada no SAAE não elencou, entre seus eventos, nenhuma palestra a ser proferida por policiais ou peritos sobre a necessidade da segurança e dos procedimentos ao se localizar objetos suspeitos. Lamentável. 
Entretanto, eu e o Pk. Marcão (blog No Prelo) não nos esquecemos do fato e ainda aguardamos explicações oficiais. Ele, por ser jornalista. Eu, por morar no mesmo quarteirão onde o artefato foi localizado e ter uma relação antiga com o SAAE, uma vez que meu pai foi um dos fundadores e diretores da autarquia em tempos mais tranquilos.
Reuni, nesta postagem alguns trechos e questionamentos a partir do que foi lido em jornais e blogs. Espero estar colaborando para o entendimento dos leitores do blog sobre o incidente e sobre as diversas versões divulgadas, além de alguns acontecimentos posteriores ao fato.

Ramon Lamar de Oliveira Junior


“Segundo declaração de funcionários do local, eles notaram alguns estalos vindos da parte de cima da laje. Então acionaram o setor responsável para verificar. Viram um objeto estranho e logo acionaram a polícia que identificou o objeto como sendo um material explosivo.” (Blog A Gota)

“Segundo o zelador do SAAE, que estava na casa de máquinas da empresa, ele teria ouvido três explosões. Pensando se tratar de problemas na instalação elétrica, o mesmo acionou os eletricistas da empresa.” (setelagoas.com.br)

“Segundo a Polícia Militar, o zelador do prédio estava perto da casa de máquinas quando ouviu três explosões em intervalos de 30 minutos.” (Estado de Minas)

(1) Havia um ou mais de um funcionário no local?
(2) Estalos ou explosões?


“O funcionário pensou que a instalação elétrica poderia estar com problemas e acionou os eletricistas, que localizaram um objeto semelhante a uma banana de dinamite no telhado.” (Estado de Minas)

“Do telhado da autarquia, os homens avistaram um “objeto estranho”, que posteriormente seria identificado como uma bomba. Os funcionários comunicaram o ocorrido ao Chefe da Segurança, que localizaram uma banana de dinamite.” (setelagoas.com.br)

“...a bomba foi colocada dentro da Casa de Máquinas entre a laje e a telha justamente onde fica a televisão, local onde o Operador fica a maior parte do tempo de sua jornada de trabalho.” (Blog Diário do SAAE)

“Um segurança do edifício ouviu barulhos na parte elétrica em um dos maquinários da empresa e chamou um eletricista. Quando ele examinava a fiação, um objeto parecido com uma banana de dinamite caiu. Pouco depois, o chefe de segurança acionou a polícia.” (Hoje Em Dia)

(3) Os eletricistas subiram no telhado (que é de frágeis telhas de amianto, algumas trincadas)?
(4) De cima do telhado eles viram uma banana de dinamite entre a laje e o telhado?
(5) A casa de máquinas tem laje? (Pela foto, com as telhas removidas após o incidente, parece que não tem.)
(5) A banana de dinamite estava no maquinário, no meio da fiação?
(6) A perícia técnica não foi chamada imediatamente?

Telhado da casa de máquinas no dia 19 de setembro. Felizmente tiro muitas fotos da minha janela em direção da feirinha (como na ocasião do "abraço rosa", postado aqui no blog). A resolução desta foto não é ideal, pois o foco era na feirinha. Casualmente o telhado da casa de máquinas aparece.
Dia seguinte ao do atentado. As telhas estão removidas. Não consigo perceber estrutura de laje no local.
Hoje. O telhado está recomposto com telhas novas.
“Durante a varredura nas dependências do prédio ainda foram localizados três detonadores. Os fragmentos foram recolhidos e entregues para a perícia técnica para futura análise.” (setelagoas.com.br)

“... repudiam o atentado provocado contra o patrimônio público e a comunidade sete-lagoana, quando da instalação de detonadores de tubo de choque (material explosivo) nas dependências do SAAE...” (Nota de Repúdio, Prefeitura Municipal)

(7) Depois de achar a bomba, encontraram ainda outros três detonadores?
(8) Os tais detonadores (citados no plural na nota oficial) estavam em outro local da casa de máquinas?


“O esquadrão Antibomba do Grupo de Ações Táticas Especiais da PMMG – GATE isolou o local. Logo em seguida o explosivo foi destruído.” (setelagoas.com.br)

“O produto tinha potência suficiente para explodir em um raio de até 10 metros de distância.” (Hoje Em Dia)

(9) Se o produto era tão potente, como ele foi detonado no local? Não poderia ser removido, uma vez desarmado? Foi mesmo detonado no local?


Pelas informações que colhi no Colégio Caetano (Av. Villa Lobos), no dia seguinte ao atentado, uma funcionária do laboratório do SAAE teria ido ao colégio e solicitado à vice-diretora para mostrá-la uma fonte direta de água da rua para fazer análises e recolher amostras. A explicação que foi dada era que o suposto terrorista poderia de alguma forma ter contaminado a água de abastecimento e o SAAE estaria coletando amostras em locais públicos, de grande número de pessoas e que recebem água do local onde foi implantada a bomba, para verificar possíveis contaminações. (Informações colhidas no Colégio Caetano, com a vice-diretora Liliane A. C. Machado.)

(10) Testes de contaminação da água não deveriam ser feitos no dia do atentado, no local?
(11) Por que testar em locais de grande número de pessoas, no dia seguinte, se (a) qualquer substância já teria sido diluída a níveis imperceptíveis e (b) a água que chega nos locais públicos é a mesma que chega nas casas próximas?


“O Esquadrão Antibomba ressaltou que os explosivos se encontravam ativos e prontos para serem utilizados.” (setelagoas.com.br)

(12) O que se entende por “explosivos ativos e prontos para serem utilizados”?
(13) Como uma bomba desse tipo seria detonada? A partir de qual distância?


Agora, vamos aguardar algumas respostas...

5 comentários:

  1. Um abraço amigo. Felicidade e paz neste Natal.
    Prosperidade e saúde para o ano novo.

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  2. Bom dia Ramon,

    Quanto às providências administrativas, foi constituída comissão de sindicância, formada por servidores efetivos, que tem por objetivo apurar responsabilidades, no âmbito do desempenho das funções internas. Está prevista para a próxima semana a realização do Sipat ( Semana Interna de Prevenção de Acidentes), quando oportunamente abordaremos assuntos relacionados à segurança, com o apoio de profissionais da área.

    Os militares do Grupo de Ações Táticas (Gate) recolheram o artefato para análise e estamos aguardando os resultados das investigações para que possamos acompanhar o andamento dos trabalhos. Os responsáveis pelas investigações ainda não contataram o SAAE para apresentar a evolução, ou o resultado dos trabalhos.

    Conforme já declaramos, atentar contra vidas e o patrimônio público é demonstração de total falta de civilidade e cidadania.

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  3. Pk. Ramon, não sou detetive, tampouco policial investigador, mas creio que essa história está cheirando a esquecimento.
    Não, não falo que as pessoas esquecerão o ocorrido. Acredito que um servidor esqueceu da existência dessa bisnaga e, por coincidência, o "artefato", colocado ali em alguma época inespecífica, caiu - para espanto do(s) operador(es) e alegria dos jornalistas.

    Abraço,
    Pablo

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  4. Ilustríssimo Pk. Pablo,
    minha opinião aproxima-se da vossa conclusão. Contudo, espero o laudo da Polícia Civil que deverá apresentar elementos mais conclusivos. Infelizmente, a manipulação do artefato por parte dos funcionários, da PM e do GATE antes da ação dos peritos da Polícia Civil pode ter removido algumas obviedades (como o grau de empoeiramento do artefato e da falta de poeira no local onde o mesmo se encontrava). Também não sei se o detonador encontrava-se posicionado no Powergel na forma apropriada para a detonação.
    Episódios assim caminham para o esquecimento e vão fazer parte do imaginário popular: histórias para contar para os netos!
    Abração.

    PS.: Por falar em esquecimento, você sabe se a ADEMG respondeu aquele e-mail sobre a falta de água na Arena do Jacaré?

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  5. "Bom dia Sayonara Teixeira e Pablo Pacheco,

    A partida entre Cruzeiro e Palmeiras teve grande público - um dos cinco maiores da Arena do Jacaré, após a reinauguração - e muito calor. Com isso, o consumo de água foi acima do que se esperava, esgotando a reserva existente no local.

    Após a partida, foi feita troca da fonte de abastecimento para o reservatório de incêndio, exatamente para que as delegações pudessem utilizar os vestiários regularmente. Como havia vôo marcado, tanto a equipe do Palmeiras quanto os árbitros optaram por não esperar, para evitar transtornos no embarque.

    Atenciosamente,

    Rivelle Nunes

    Assessor de Comunicação Social - Ademg"

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