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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Rio subterrâneo na Amazônia: Hamza

Depois dos rios voadores (clique AQUI), agora é a vez do rio subterrâneo. Veja matéria da Folha de S.Paulo (clique AQUI para ler a íntegra e ver a animação).

Geofísica acha rio subterrâneo de 6.000 km sob bacia do Amazonas

26/08/2011 - SABINE RIGHETTI

Uma aluna de doutorado do ON (Observatório Nacional) encontrou um rio de 6.000 km correndo embaixo da bacia do Amazonas. A geofísica Elizabeth Tavares Pimentel achou indícios do rio ao analisar dados térmicos de 241 poços perfurados pela Petrobras de 1970 a 1980, quando a empresa procurava petróleo na região.
O objetivo da pesquisa dela, orientada pelo coordenador de geofísica do ON, Valiya Hamza, foi identificar sinais de fluidos em meios porosos. Os resultados mostraram águas subterrâneas correndo entre sedimentos em profundidades de até 4.000 metros. A velocidade das águas, de dez a cem metros por ano, é lenta se comparada à do rio Amazonas, que corre de 0,1 a 2 metros por segundo. "Mas o ritmo se assemelha, por exemplo, ao rio do Sono, no Tocantins, que corre a céu aberto", destacou Hamza.
O rio encontrado, que levou o nome do geofísico, tem cerca de 400 km de largura, ou seja, quatro vezes mais que o Amazonas "Ele é largo porque ocupa praticamente toda a área da bacia sedimentar amazônica", diz o especialista. A vazão (volume de água) do Hamza é significativa. São de 3.095 m³/segundo - mais que a do São Francisco.
Ambos os rios, Amazonas e Hamza, correm na mesma direção (de oeste para leste). A diferença é que o fluxo do rio subterrâneo começa na vertical, de cima para baixo, em 2.000 metros de profundidade. Depois, fica quase horizontal e mais profundo.
De acordo com o coordenador do trabalho, a água do rio Hamza vem dos Andes, pelo Acre, e vai ganhando volume no caminho de oeste a leste. Depois de atravessar as várias bacias da região, o rio chega ao mar perto da foz do Amazonas - o que explicaria os bolsões de baixa salinidade do mar na região. Os pesquisadores devem agora complementar o trabalho de campo em parceria com a Ufam (Universidade Federal do Amazonas), onde Pimentel dá aulas. 

 Folha de S.Paulo

11 comentários:

  1. A noticia e' super-interessante mas traz tambem um absurdo, no meu modo de ver. Porque se colocou o nome do orientador ao rio subterraneo? POrque nao o nome da descobridora? Nao conheço os pormenores deste detalhe mas me parece, a primeira vista, uma discriminaçao dupla: 1) pela aluna ser ainda uma doutoranda e 2) por ser mulher.

    Espero que deem outro nome a este rio ja'!

    Olhei o curriculum deste geofisico (o orientador) na Web of Science (citation index) e e' bastante deficiente. Quase nao publica e tem um indice de citaçoes (tirando as auto-citaçoes) baixissimo.

    Que voces tirem suas proprias conclusoes...

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  2. Claret,
    não sei quem batizou. Não terá sido a própria orientanda? Se for, é bastante comum homenagear o orientador. Em biologia, ao se identificar espécies, é quase um padrão.

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  3. Ramon,

    Para mim, e' uma imposiçao a priori que envergonha toda a ciencia. Alem do mais, e' um crime quanto a propriedade intelectual. A historia da ciencia esta' cheia de "cachorradas" deste tipo. Alguns orientadores se aproveitam de sua posiçao para sacar partido de tudo. Boa parte deles vivem as custas dos trabalhos dos doutorandos.

    Porque homenajear os orientadores? Por puxa-saquismo? Para obter um contrato depois da tese? Sinto muito, Ramon, mas muito dos "homenajeados" nao o merecem dado o baixo nivel de sua produçao cientifica. Muito gente vive da lenda, nao de sua qualidade cientifica.

    Internet - alguns serviços especializados em ciencia - acabou com algumas "lendas" da ciencia, principalmente no Brasil e especialmente na UFMG. Agora, quando voce mata a cobra, as pessoas ja' sabem que e' o dono verdadeiro do pau que a matou. Tive varias decepçoes na Fisica da UFMG e seguramente voce tera' tambem com algumas pessoas emblematicas do ICB.

    Outra coisa: e' realmente um rio subterraneo (ou seja, flue com uma velocidade destacavel) ou e' apenas um deposito de agua que sofre pequenos deslocamentos espaciais?

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  4. Em biologia não vejo problema, já que o nome de quem descreve a espécie acompanha a mesma em qualquer trabalho sobre a mesma: Trypanosoma cruzi Chagas, 1909
    E homenagem é um critério pessoal. Assim não fosse e 90% das descobertas em biologia seriam "darwini".
    Quanto ao "rio", dizem que há um fluxo que permite tal denominação. Aguardemos mais estudos. Aí vem a parte boa da ciência, a revisão por pares.
    Abraços

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  5. No caso do Trypanosoma eu concordo mas em outros nao. Preferiria que quase todas as especies se chamassem darwini, cruzi ou whitei que homenagear a pessoas mediocres por imposiçao ou por criterios inconfessaveis. Sei de alguns que inclusive se auto-homenageiam... Enfim, cada um roe a rapadura do jeito que melhor lhe vem.

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  6. Mas você é contra ou a favor da auto-homenagem? Reveja seu primeiro comentário...

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  7. Ramon,

    Contra, em se tratando de especies
    animais/vegetais.

    Por outro lado, um acidente geografico, como no caso aqui descrito, nao deve ser privilegio de uma pessoa nomear-lo e menos ainda se se trata de uma auto-homenagem. Assim que eu penso que Sociedade Geografica Brasileira (ou uma entidade analoga) e' mais autorizada para fazer isso que uma pessoa e deveria dar o nome da descobridora ao "rio" subterraneo.

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  8. Pelo que li em outros sites o nome é provisório. Vamos esperar para ver se caminhará dentro do que você propõe, que é muito lógico.

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  9. Prezado Lamar,
    Sou Suze, doutoranda tambem do ON do mesmo grupo de Elizabeth, alias com mesmo orientador o querido professor Valiya M Hamza.
    Quando Elizabeth resolveu dar o nome do "rio" de Hamza, realmente foi uma homenagem a um grande pesquisador, que muito trabalha (ate hoje aos 70 anos) para contribuir com a ciencia, em particular, com a geotermia mundial. Este trabalho, de Beth, no entanto, é um trabalho preliminar, mas se tratando de Amazonas, vc bem sabe a repercursão tamanha de um estudo desses. Já lemos cada comentários que vc nem tem noção... Portanto discussões que não resultem em beneficios ao nosso trabalho nem precisamos dar importancia. Qualquer duvida maior ou contribuição cientifica para nosso trabalho, podem procurar o proprio blog da geotermia para comunicação geral.
    Um abraço,
    Suze Guimarães

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  10. Suze,
    muito obrigado pelos esclarecimentos. Realmente, imaginei se tratar de homenagem feito pela própria doutoranda (veja meu primeiro comentário). Peço-lhe que envie meus parabéns à Elizabeth e ao professor Hamza.
    Abraços.
    Ramon L. O. Junior

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  11. Não entendi vcs... Ficaram falando sobre quem merecia o nome, e esqueceram de falar sobre a matéria... Não dá para acreditar! Acharam um rio subterrâneo, quase um irmão do amazonas, localizados a 4 mil metros de profundidade, e o que importa, é nome de quem descobriu?

    Creio que a vaidade permeia o meio acadêmico, de uma forma muito mais forte do que eu imaginava...

    Quando vi essa notícia, não pude deixar de lembrar do grande Júlio Verne... O que ele diria, caso lê-se, em um jornal parisiense do século 19, a magnitude dessa descoberta.

    Creio que ele já disse... Viagem ao Centro da Terra, clássico fabuloso da literatura mundial, conta a viagem do aventureiro-explorador Lindenbrock, as profundezas do interior do planeta, onde encontra resquícios de civilizações do passado, e uma flora e fauna, já extinta na superfície do planeta.

    Creio, que era sobre essa descoberta fantástica, para não dizer mágica, de um mundo novo, com possibilidades de vida sem paralelo na botânica, que tratava esse comentário.

    Mas parece que, quem tem o direito de colocar o nome, é mais interassante para vocês...

    Viva a Dra. Elizabeth e o professor Hamza, ao qual fazem seu trabalho com coração e nos proporcionam descobertas desta magnitude.

    Viva também Julio Verne, que mais uma vez acertou!

    Ficarei de olho sobre os próximos acontecimentos...

    Abraço

    Igor B. Gomes

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