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domingo, 14 de agosto de 2011

A Origem das Espécies, leitura obrigatória para biólogos.

Em 1859 foi publicado o livro "A Origem das Espécies", tendo como subtítulo, "pelo mecanismo da seleção natural". Poucos livros deixaram a sua condição material e assumiram a condição de protagonistas, quase uma pessoa da qual se fala bem ou mal, mesmo sem conhecê-la direito. Nessa condição estão os grandes livros das grandes religiões e, disputando espaço na estante com eles, está o "A Origem".
Darwin relutou muito em apresentar suas ideias ao mundo. Os amigos já conheciam o pensamento de Darwin a partir de suas longas correspondências. Mas qual seria o impacto de um livro posto para todos lerem? Que pensariam de suas ideias? Seria visto como um herege pelas religiões (em especial a Igreja Anglicana)? E sua esposa, profundamente religiosa, como se sentiria? E as lacunas, entre elas a origem das variações entre os seres vivos e a explicação até então desconhecida sobre a hereditariedade?
Tantas dúvidas, mas também a certeza de que o trabalho de quase trinta anos de indagações e pesquisas não poderia ficar escondido. É digno para um naturalista falhar com a natureza, objeto de seus estudos?
Livro publicado e todas os seus temores se confirmaram. A violenta resposta veio por parte da igreja da época que leu, nas entrelinhas, que o "homem descendia do macaco". Ideia sordidamente plantada. Darwin jamais dedicou em seu "A Origem" sequer uma linha sobre a evolução do homem. Em seu livro seguinte "A Descendência do Homem", Darwin afirma aquilo que admitimos hoje: homens e macacos possuem um ancestral comum. Nesse ponto, a interpretação leiga confunde os termos macaco, primata, símio e tenta jogar tudo num mesmo balaio. Em um último esforço para desacreditar Darwin, alguns de seus algozes atuais ainda o chamam de "racista" deslocando suas afirmações de meados do século XIX para interpretá-las à luz do "politicamente correto" atual. Darwin, que nas sua célebre viagem a bordo do Beagle, veio às nossas terras e ficou terrificado ao ver escravos acorrentados e chicoteados. Usássemos os mesmos pesos e medidas de seus críticos e teríamos que condenar grande parte da Igreja que considerava os negros escravizados uma subraça sem direito a nada, inclusive sem alma.
Uma certeza fica: está aí um livro que nunca será apagado de nossa memória. Não há borracha e fogo que varram a colaboração de Charles Darwin para o entendimento da natureza.

A Origem das Espécies pelo mecanismo da seleção natural.
Abaixo alguns trechos do "A Origem das Espécies" que pode ser baixado clicando AQUI (os números das páginas correspondem a esse link).
"As leis que regulam a hereditariedade são pela maior parte desconhecidas. Qual a razão porque, por exemplo, uma mesma particularidade, aparecendo em diversos indivíduos da mesma espécie ou espécies diferentes, se transmite algumas vezes e outras se não transmite por hereditariedade? Porque é que certos caracteres do avô ou da avó, ou de antepassados mais distantes, reaparecem no indivíduo? Porque é que uma particularidade se transmite muitas vezes de um sexo, quer aos dois sexos, quer a um só, mas mais comumente a um só, ainda que não exclusivamente ao sexo semelhante?" (Página 26 - Darwin lamenta não conhecer as leis da hereditariedade, mas lança diversas dúvidas pertinentes que são hoje do conhecimento de qualquer estudante do ensino médio. O trecho em negrito mostra como Darwin já havia percebido a existência de caracteres recessivos e caracteres ligados aos cromossomos sexuais.)
"É interessante contemplar um riacho luxuriante, atapetado com numerosas plantas pertencentes a numerosas espécies, abrigando aves que cantam nos ramos, insetos variados que volitam aqui e ali, vermes que rastejam na terra úmida, se se pensar que estas formas tão admiravelmente construídas, tão diferentemente conformadas, e dependentes umas das outras de uma maneira tão complexa, têm sido todas produzidas por leis que atuam em volta de nós. Estas leis, tomadas no seu sentido mais lato, são: a lei do crescimento e reprodução; a lei da hereditariedade que implica quase a lei de reprodução; a lei de variabilidade, resultante da ação direta e indireta das condições de existência, do uso e não uso; a lei da multiplicação das espécies em razão bastante elevada para trazer a luta pela existência, que tem como conseqüência a seleção natural, que determina a divergência de caracteres, a extinção de formas menos aperfeiçoadas. O resultado direto desta guerra da natureza que se traduz pela fome e pela morte, é, pois, o fato mais admirável que podemos conceber, a saber: a produção de animais superiores. Não há uma verdadeira grandeza nesta forma de considerar a vida, com os seus poderes diversos atribuídos primitivamente pelo Criador a um pequeno número de formas, ou mesmo a uma só? Ora, enquanto que o nosso planeta, obedecendo à lei fixa da gravitação, continua a girar na sua órbita, uma quantidade infinita de belas e admiráveis formas, saídas de um começo tão simples, não têm cessado de se desenvolver e desenvolvem-se ainda!" (Página 554 - última página)
Darwin, num afago à Igreja, cita ao mesmo tempo o Criador e as leis da gravitação, lembrando que é possível a convivência de ideias díspares. Alguns alunos acharão estranha a citação à "lei do uso e não uso", mas convém lembrar que tal lei age realmente na natureza, diferentemente de sua parceira, a "lei da herança dos caracteres adquiridos" ambas de origem lamarquista.
 Texto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

PS.: Enquanto isso, em flagrante desrespeito à natureza, ao Criador, ou ao que mais for, assistimos as queimadas acontecendo e sendo patrocinadas em nossa cidade em função de interesses ou desinteresses inconfessáveis. (Clique aqui para um exemplo).

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