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sábado, 4 de junho de 2011

Os limites da ciência e uma questão do ENEM

Num post sobre a situação atual de Fukushima (que hoje fico sabendo que pode agravar mais ainda com a chegada de chuvas torrenciais), nosso amigo Claret escreveu nos comentários: "Os cientistas de carne e osso não podem resolver todos os problemas da humanidade em pouco tempo e menos aqueles que podiam ser evitados."
Na oportunidade, afirmei que gostaria de comentar sobre uma questão do ENEM-2009 que não concordo com o gabarito oficial. Vamos a ela:
Cerca de 1% do lixo urbano é constituído por resíduos sólidos contendo elementos tóxicos. Entre esses elementos estão metais pesados como o cádmio, o chumbo e o mercúrio, componentes de pilhas e baterias, que são perigosos à saúde humana e ao meio ambiente. Quando descartadas em lixos comuns, pilhas e baterias vão para aterros sanitários ou lixões a céu aberto, e o vazamento de seus componentes contamina o solo, os rios e o lençol freático, atingindo a flora e a fauna. Por serem bioacumulativos e não biodegradáveis, esses metais chegam de forma acumulada aos seres humanos, por meio da cadeia alimentar. A legislação vigente (Resolução CONAMA no 257/1999) regulamenta o destino de pilhas e baterias após seu esgotamento energético e determina aos fabricantes e/ou importadores a quantidade máxima permitida desses metais em cada tipo de pilha/bateria, porém o problema ainda persiste.
Disponível em: http://www.mma.gov.br. Acesso em: 11 jul. 2009 (adaptado).

Uma medida que poderia contribuir para acabar definitivamente com o problema da poluição ambiental por metais pesados relatado no texto seria

(A) deixar de consumir aparelhos elétricos que utilizem pilha ou bateria como fonte de energia.
(B) usar apenas pilhas ou baterias recarregáveis e de vida útil longa e evitar ingerir alimentos contaminados, especialmente peixes.
(C) devolver pilhas e baterias, após o esgotamento da energia armazenada, à rede de assistência técnica especializada para repasse a fabricantes e/ou importadores.
(D) criar nas cidades, especialmente naquelas com mais de 100 mil habitantes, pontos estratégicos de coleta de baterias e pilhas, para posterior repasse a fabricantes e/ou importadores.
(E) exigir que fabricantes invistam em pesquisa para a substituição desses metais tóxicos por substâncias menos nocivas ao homem e ao ambiente, e que não sejam bioacumulativas.
Além de obviamente afirmar que a Resolução do CONAMA não resolve o problema (e que a resolução deveria ser outra - engraçado isso, não?), a questão propõe ao aluno escolher a alternativa que poderia acabar DEFINITIVAMENTE com o problema (grifo no enunciado por minha conta). Aí o gabarito oficial (indicado em vermelho) assume que os pesquisadores TÊM QUE ENCONTRAR A SOLUÇÃO PARA O PROBLEMA, ou seja, DEFINITIVAMENTE a ciência tem como resolver o problema. Afinal de contas nós podemos EXIGIR que a ciência encontre resposta para tudo, não é mesmo?
E aí, Don Claret? Vocês têm obrigação de descobrir um novo planeta habitável e também desenvolver naves espaciais que possam nos levar rapidamente para lá quando as resoluções do CONAMA falharem, ok? Fácil, não?

Ramon Lamar de Oliveira Junior

PS.: Acho mais fácil executar o que ocorre na letra (A) do que a resposta oficial (E).

6 comentários:

  1. Ola Ramon,

    acho que ficou faltando uma alternativa: pedir a Deus que resolva o problema...

    Efetivamente, a ciencia nao tem soluçao para tudo em um curto espaço de tempo. O fato
    dela ter proporcionado varias soluçoes, que vao desde a criaçao das vacinas passando
    pelos computadores, nao significa que pode resolver qualquer "pepino" em um prazo
    pequeno de tempo. Exemplos claros disso sao o Aids e/ou a fusao nuclear. Se sabe muito
    mais destes temas que 20 anos atras mas os problemas principais ainda nao foram
    resolvidos. Alem do mais, a fabricaçao de novas pilhas/baterias e' um assunto
    mais tecnico que cientifico.

    A alternativa (A) nao corresponde a realidade do momento, na minha opiniao. Porque
    o problema nao e' so' o de eliminar o uso das baterias/pilhas; e' tambem manter o nivel
    de vida que os instrumentos portateis que fazem uso delas proporcionam. Se estamos dispostos a
    sacrificar este nivel, entao e' a solucao mais simples. Entretanto, vale lembrar
    que deixar de usar instrumentos portateis significaria, no nivel atual, uma verdadeira
    hecatombe no setor das comunicaçoes, informatica, etc, etc. A soluçao de um problema nao
    pode criar um outro problema ainda maior. Seria como um remedio que acabara com a
    enfermidade mas tambem com o paciente. A questao a resolver e' procurar novos materiais,
    reciclar o existente, fomentar o uso de baterias/pilhas recarregaveis, exigir dos
    fabricantes um controle rigido destes residuos - veja bem - aqui sim se pode exigir.
    Tudo isso simultaneamente.

    Como voce ve, nao acho que haja uma soluçao unica ao problema. Resumindo: atenuar os
    efeitos perniciosos enquanto se procura uma soluçao menos destrutiva.

    Quanto aos planetas extra-solares, as vezes brinco com meus colegas quando discutimos
    a composiçao quimica de suas atmosferas para verificar se estao em uma "zona
    habitavel": o que me preocupa nao e' sua atmosfera mas sim quem governa la'...

    Abraçao,

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  2. Claret,
    claro que concordo que a alternativa A é inviável... mas é a única que resolveria o problema proposto (se vai criar outros, é outra história).
    E adorei o "quem governa lá"!
    Abração.

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  3. Olha! Definitivamente não é um meio nem paliativo nem a se argumentar! Definitivamente é acabar de uma vez só! Concordo com Ramon, escolheria a letra 'A' 'definitivamente', iai? Aparenta que eu escolheria outra? Definitivamente não! O uso do definitivamente foi usado incorretamente.

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  4. Sinceramente, cheguei aqui pois estava a procurar o gabarito, porque não pude acreditar se tratar da alternativa "E". E fico satisfeito que não fui o único a ver como absurda! Sinceramente, não espanta a miséria educacional desse país se o próprio órgão FEDERAL de ensino não parece sequer ter uma ideia de REALIDADE DO MUNDO.

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    Respostas
    1. Gss, realmente a noção de mundo real parece estar bem distante daqueles que dirigem (sem carteira) a educação!

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