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sábado, 18 de junho de 2011

Micrometeoritos

Encontrei o Alex em frente a Padaria Galdina. Como sempre, estava eu lá a comprar uns litros de leite. Conversamos um pouco sobre vários assuntos, entre eles o Fontana (ex-aluno gente finíssima que não vejo tem um tempão), astronomia e a possibilidade de recriar o Centro Setelagoano de Astronomia.
Na conversa, surgiu o assunto dos micrometeoritos. Tenho um amigo do mundo virtual, o Paulo Marcelo, moderador junto comigo da Comunidade de Professores de Química no Orkut. O Paulo tem alguns projetos interessantes feitos com seus alunos lá em Pernambuco. Abaixo um texto sobre micrometeoritos e algumas fotos e textos postados pelo Paulo Marcelo. Espero que aproveitem.


Coletando Micrometeoritos 
(Fonte: Jet Propulsion Laboratory, traduzido por Marcelo Galati, 

"Estrelas cadentes não são, naturalmente, estrelas realmente. Elas são realmente pequenos pedaços de rocha e metal que colidem com a atmosfera superior da Terra e, devido à fricção, queimam-se. Em raras ocasiões, satélites feitos pelo Homem e partes de espaçonaves caem na atmosfera e queimam-se da mesma forma.
O facho de luz desta queima é corretamente chamado de meteoro. Um meteoro é formado quando um objeto, usualmente do tamanho de uma bola de gude ou caroço de pipoca, atinge a atmosfera a altitudes de 80 a 100 quilômetros. O ar a esta altitude é muito fino mas os objetos estão movendo-se a dezenas de milhares de quilômetros por hora. Para ter-se uma ideia do que a fricção faz, junte suas mãos e esfregue-as para frente e para trás. Agora, esfregue-as mais rápido. O que está acontecendo? É isto o que acontece com as partículas na atmosfera superior.
Objetos maiores não se queimam por completo. Fragmentos sobreviventes atravessam a atmosfera e caem na Terra. Uma vez caídos na Terra, estes objetos são chamados meteoritos. Muitos meteoritos caem nos oceanos.
Meteoritos podem ser compostos por rocha, metal (níquel e ferro) ou uma mistura de ambos. Meteoritos rochosos são difíceis de identificar. Eles não brilham nem são radioativos. Os rochosos são mais numerosos que os metálicos.
Mas, os meteoritos metálicos são mais fáceis de achar. Raramente existem pedaços de metal encontrados em qualquer canto. Um detetor de metais pode ser usado para procurar por meteoritos metálicos. Áreas secas estéreis onde há pouca vegetação cobrindo o chão e penetrando o solo são as melhores. Leitos de lagos secos são bons locais para busca porque o vento pode soprar e retirar a poeira da superfície, deixando os meteoritos expostos. Muitos meteoritos são encontrados na camada de gelo da Antártida.
Existe um modo facil de coletar meteoritos, mas precisamos ficar satisfeitos em encontrar os metálicos pequenos. Eles são realmente microscópicos e são conhecidos como micrometeoritos. Toneladas deles caem na Terra a cada dia.
Para coletar micrometeoritos você precisa encontrar um local onde eles podem estar concentrados. Tubos de drenagem de casas ou prédios podem funcionar bem uma vez que a água das chuvas pode arrastar partículas de todo um telhado e coletá-las através das calhas de drenagem. Telhados de telhas são ótimos uma vez que eles drenam muito bem e não produzem muitos outros tipos de partículas ou detritos.
Mas sujeira, plantas, peças de anteparos de janelas e todos os outros tipos de material transportados pelo ar também são coletados. Para encontrar micrometeoritos metálicos, colete e seque o material de uma tina profunda na base da calha de drenagem. Após remover as folhas e outros detritos, coloque o material restante sobre uma folha de papel e coloque um imã sob o papel. Incline e sacuda o papel de forma que todas as partículas não-metálicas caiam para fora. Muitas das partículas metálicas restantes são pedaços de poeira espacial! Para examiná-las, coloque o papel em um microscópio. É necessário um grande aumento para vê-los claramente. A maioria das partículas não vem do espaço mas micrometeoritos irão exibir sinais de sua ardente viagem através da atmosfera. Eles serão arredondados e podem ter pequenos buracos em suas superfícies.
Muito do que você está observando são partículas que datam da formação do sistema solar, cerca de 4,6 bilhões de anos! Elas são detritos remanescentes da matéria-prima que constituiu os planetas conhecidos e os asteróides. Muitas partículas foram quebradas ou cairam de objetos maiores."

Abaixo, fotos obtidas pelo Paulo Marcelo e publicadas no Fotolog em 2007, com seus respectivos comentários:

Essa é uma foto especial. Ela foi tirada de nossa 1ª tentativa de coletar micrometeoritos na chuva do último fim de semana.
A foto foi obtida com auxílio de um microscópio (ampliação de 640 vezes) e apresenta dois possíveis micrometeoritos, que são os corpos esféricos de cor metálica apontados pelas setas.
A coleta dos micrometeoritos baseia-se no fato de que os micrometeoritos ferrosos são atraídos pelo campo magnético de um ímã (no caso, utilizamos ímãs de HDs de computador), que foram colocados em garrafas dispostas estrategicamente em calhas de água, no bairro de Jardim Atlântico, em Olinda, Pernambuco. Os coletores (foram seis ao todo) foram fixados na sexta-feira à tarde e recolhidos na manhã da segunda-feira.
A expectativa inicial é coletar aproximadamente uma dezena de micrometeoritos, separando-os das placas de ferrugem (os demais corpos que aparecem na foto), de origem terrestre. (Paulo Marcelo, Olinda, Pernambuco)
Micrometeorito ao lado de um fio de cabelo. Ampliação de 18 vezes.
Esse foi o maior micrometeorito que encontramos até agora, nas duas coletas. Inclusive dá para perceber o formato esférico a olho nu, o que não conseguimos na maioria dos casos.
Paulo Marcelo, Olinda, Pernambuco)

5 comentários:

  1. Bom dia, Ramon

    este post e' uma amostra de que como os amateurs podem contribuir as ciencias. Aqui em Granada, uns dias atras, um colegial descobriu um novo asteroide estudando as imagens CCD de um dos telescopios de S. Nevada.

    E' uma ideia excelente reativar o Centro Setelagoano de Astronmia. Se posso ajudar em algo, podem contar comigo. E acho que voce tambem, nao?

    Abs.

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  2. Claret,
    tenho um pequeno telescópio. Não é lá grandes coisas, mas permite algumas observações. Já falei com o Alex que ele está doado para que comecemos o projeto. Nas mãos de várias pessoas ele ficará bem mais cuidado do que nas minhas, pois tenho pouco tempo para dedicar-me a ele. Mas a ideia seria cotizar e comprar um aparelho bem melhor e fazer das observações uma constante. Claro que contamos com o seu apoio.
    E não vamos esquecer da praça da astronomia (se bem que eu acho que por meio da prefeitura atual vai ser difícil... estão chorando pitangas...).
    Um grande abraço.

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  3. Já usei esses telescópios para olhar as vizinhas incautas, e vi cada buraco negro e locais maravilhosos de origem da vida.kkkkkkkkkkk

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  4. E eu ainda aceito publicar esses comentários. Só espero que os "locais maravilhosos" vistos sejam os das vizinhas incautas, e não de vizinhos incautos!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  5. muito interessante, Ramon! por enquanto,vamos ainda sondando, mas tomara que venhamos a atingir a massa crítica para a reativação do centro de astronomia quanto antes.

    saudações

    alex

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