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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Audiência Pública sobre o Parque Estadual da Serra de Santa Helena

A Audiência Pública sobre o Parque Estadual da Serra de Santa Helena pecou pela não apresentação do projeto e de suas prováveis delimitações. Alguns dos presentes (e acho que não eram poucos) mal sabiam do projeto e do alcance em termos de área ou mesmo do local onde poderia ser posicionado (alguns tiveram a impressão que o Parque Estadual era o Boulevard Santa Helena). Outro pecado foi a não explanação inicial sobre a diferença de APA e de Parque Estadual, que já expliquei AQUI no blog. Na verdade, senti que o deputado André Quintão (autor do projeto) estava um pouco acanhado ou constrangido com a condição que havia sido montada para a audiência pública. Instituída a mesa dos trabalhos, percebi que o tema central da audiência logo passaria para o segundo plano, infelizmente.

Deputado Duílio de Castro, deputado André Quintão (autor do projeto do Parque Estadual da Serra de Santa Helena), deputado Célio Moreira (presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa) e vereador Antônio Rogério (presidente da Câmara Municipal).
A Audiência Pública foi definitivamente prejudicada pela introdução ampla, com direito a apresentação (pobre por sinal) do projeto do Boulevard Santa Helena (presença na mesa e no microfone para manifestações da população). Na verdade, os empreendedores não têm muito o que mostrar pois tudo o que pensam para a área está (espero) na dependência do que virá dos estudos que estão sendo feitos, em especial (para eles) do estudo geotécnico e hidrogeológico da área. Os impactos sobre os animais (em especial a avifauna que nidifica nos paredões rochosos parece ser coisa fácil de resolver - através da extinção ou expulsão das espécies, provavelmente). O corte de enorme área de cerradão para instalar um bloco inteiro de lotes (lembrada pelo Walter Matrangolo) parece ser apenas uma banalidade. As áreas alagáveis estão longe de merecer a atenção dispensada no artigo 2o do Código Florestal, que "mesmo intermitentes" devem ser tratadas como áreas de preservação permanente. Foram usados os mesmos slides da audiência pública sobre o boulevard , porém de forma muito mais desorganizada. Até o slide com a cachoeira do Véu da  Noiva, da Serra do Cipó, ainda estava lá no meio (como se fosse a paisagem da Serra de Santa Helena). Achei engraçado que tenham classificado a audiência pública do boulevard como sendo um evento "de cunho político". Engraçado, não entendi. Acho que evento de cunho político foi o que fizeram ali, naquele momento, mas deixa essa discussão para lá.

A cachoeira Véu da Noiva (Serra do Cipó) continua fazendo parte da apresentação do bulevarsantahelena. Clique AQUI.
A participação popular iniciou-se com as pessoas que se inscreveram, sem o menor conhecimento do projeto do Parque Estadual, para falar sobre a importância do "progresso" representado pelo Boulevard Santa Helena. Uma defesa desconexa, feita por pessoas que gosto e prezo muito, mas que pecaram por desconhecer a amplitude da questão ambiental. Estão amplamente perdoados, sei que estão eivados de boas intenções e preocupados com o abandono da área da fazenda (abaixo da perimetral). Interessante que, em momento algum, lembraram que o abandono é por parte dos próprios proprietários que deveriam ser responsáveis por cercar e limpar a área (a prefeitura não pode fazer limpeza de terrenos particulares). A citação de que ainda há peixinhos na Lagoa da Chácara e que a água naquela região surge a 98 centímetros na parte mais baixa e 1,90 metros na parte mais alta mostra que não estamos errados em questionar a construção de prédios por ali (de até 10 pavimentos como sugere o RIMA - veja abaixo - ou de quatro pavimentos como dizem agora os empreendedores). Independente da altura, podem afundar do mesmo jeito, prejuízo enorme para quem adquirir uma dessas unidades.

O projeto continua o mesmo. Quase um ano depois e nada mudou. Clique AQUI.
Em certa altura das falas populares, as ONGs foram tratadas como "antro de corrupção". Uma pena que não se consiga discernir que há pessoas boas e más, políticos bons e maus e ongs boas e más. Ouvi pedirem acesso às contas da ONG ADESA, basta ir na SEMMA. Creio que tudo está protocolado lá. Poderiam pedir acesso também ao livro da SEMMA com o destino da poda das árvores, que por convênio deveria ir para a ONG ADESA para manutenção da Brigada de Incêndio. Seria interessante olhar o que aconteceu como o referido convênio de março até setembro. #ficadika
Usei a palavra durante a audiência para tecer alguns comentários sobre a Fazenda Arizona e o empreendimento que lá se deseja construir. Pedi tempo igual ao dos empreendedores pois os mesmos usaram o microfone popular (de 3 minutos) e não o tempo que tinham direito na mesa constituída (que ficou, estrategicamente, para o final, para as réplicas-sem-tréplicas). Não era meu objetivo tratar desse assunto e sim da serra no geral, como deixei claro nas minhas primeiras palavras. Contudo, a reunião foi contamidada pelo tema, fazer o quê?. Mostrei, aproveitando o slide da implantação do bulevar, a área de nidificação das aves, a vasta mata existente e as áreas alagáveis próximas à Lagoa da Chácara onde o RIMA sugere edificações multifamiliares de 5 a 10 pavimentos. Em seguida, foi dito pelos empreendedores que faltei com a verdade e que não existe nada sobre prédios de 10 andares para aquela região porque a lei não permite e tal. Bom, o Plano Diretor está sob revisão e pode passar a permitir tudo. E o que falei consta do EIA/RIMA apresentado na audiência pública como o "porte mais indicado" para as tais edificações. Como disseram que eu tenho que ser mais informado, talvez fosse interessante que lessem o próprio RIMA (aquele que tem uns momentos CTRL-C/CTRL-V citando Lagoa Santa onde deveria ser Sete Lagoas). O trecho, constante da página 15 do Relatório de Estudos Geológicos, encontra-se a seguir:

Clique na imagem para ampliar.
Lembro que os empreendores do boulevard tiveram assento à mesa e direito à palavra em dobro por essa razão, inclusive direito à "palavra final". Não entendi. Era audiência pública e virou evento de marketing em momento e local inadequados, com público majoritariamente contrário ao empreendimento por conhecer mais profundamente sobre o tema.
No final da audiência o tema virou para a necessidade de regulamentação da APA Santa Helena, ponto que abordei em minha fala "estivesse a APA regulamentada e não estaríamos aqui reunidos, inclusive os empreendedores saberiam os limites permitidos para construção e provavelmente já estariam em obras nas regiões edificáveis". O pessoal da SEMMA (Secretaria Municipal de Meio Ambiente) justificou o atraso pela falta de funcionários (apenas 35 para olhar a cidade inteira). Dessa maneira, a SEMMA insiste em não assumir a culpa pela não-regulamentação. Mas considero que há culpa sim. A SEMMA deveria lutar, colocar a boca no trombone, pela abertura de concurso e contratação de mais pessoas para trabalhar esse tema e outros. Já aviso que não estou disponível, não quero emprego público e nem tenho ninguém a indicar. A falta de estrutura na SEMMA é fruto do desinteresse político de resolver essas questões. Aliás, senti falta do Cláudio Busu na reunião. Mas também senti falta do prefeito e de 10 vereadores (só foram o Claudinei, o Dalton e o Antônio Rogério). Interessante também que o presidente da Seltur estava presente e nem foi convidado para compor a mesa, retirando-se logo após o início da sessão.
Após a audiência conversei um pouco com o engenheiro Guilherme Rios da Starta Empreendimentos, responsável pela apresentação do projeto do boulevard, com o advogado dos donos da Fazenda Arizona e com o Flávio, proprietário da Fazenda. O Flávio, não preciso dizer é pessoa sempre muito gentil e disposta a conversar. Esclareci a ele que toda a minha discussão em relação ao bulevar é fruto da minha preocupação com a área no sentido da preservação ambiental (vegetação, fauna, áreas de recarga...) e de procurar informações sobre a segurança da construção nas áreas pretendidas (em especial dos prédios). Não sei se o Flávio realmente compreende minha preocupação já que de uma forma simplista vi (e intervi) em sua fala sobre quem é a "favor do progresso" e "contra o progresso" e que o projeto do bulevar precisa ser levado "à maioria silenciosa que apóia o progresso". Flávio, fico triste, mas entendo você. É um pouco difícil mesmo perceber que o que você pensa intimamente que são seus "inimigos" estejam verdadeiramente preocupados com a questão da área e não em busca de vantagens ou outros interesses. Mas por favor, não me chame - como terceiros comentaram - a trabalhar no projeto do bulevar. Acho que o que eu tinha para falar sobre o mesmo já está se encerrando e pode amplamente ser lido aqui no blog. Minha função é de alertar sobre o tema. Não quero no futuro ser visto como o "biólogo que sabia do problema e não falou nada", como tantas pessoas estão fazendo. Já tenho minha consciência traquila. Oro a Deus para que também dê a todos os interessados na construção do bulevar a mesma tranquilidade. Só assim as outras questões importante para Sete Lagoas poderão começar a ser discutidas.
Vamos então para a regulamentação da APA de Santa Helena, a regulamentação da APA do Paiol, a regulamentação da APA da Lagoa Grande e ao tratamento dos 95% do esgoto que é lançado no Ribeirão Jequitibá.

Ramon Lamar de Oliveira Junior

PS.: Foi muito bom conhecer o Deputado Célio Moreira, presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa. Já havia assistido algumas outras audiências públicas coordenadas por ele (via TV Assembléia - veja AQUI) e admiro seu jeitão rigoroso mas acessível na condução do processo.

PS2.: Durante a audiência pública, o eng. Guilherme Rios disse que enviaria os estudos que já estão prontos sobre a arqueologia e a espeleologia da área para os interessados e que, em breve, enviaria também os estudos restantes, bem como a relação dos doutores da UFMG que estão indicados pelo Ministério Público para trabalharem na questão. Ao final da reunião, o engenheiro passou-me o cartão para contato. Escrevi e hoje obtive a seguinte resposta:
Boa tarde Prof. Ramon,
Conforme orientação da EPO Empreendimentos, os estudos de arqueologia, espeleologia, hidrogeologia, geofísica, geotecnia e biologia que estão em execução lhe serão encaminhados, bem como o nome de todos os profissionais envolvidos, tão logo estejam concluídos e protocolados na SUPRAM - Central, IPHAN e Ministério Público Estadual do Meio Ambiente.
Atenciosamente,
Guilherme Rios.
 Ok, continuamos no aguardo. Abraços e obrigado pela atenção.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Contra a Usina Belo Monte: Movimento Gota D'água

Assistam o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=TWWwfL66MPs



Desastres ambientais: será que existem os grandes e os pequenos?
Você ainda acha que a extensão de um desastre ambiental depende do quanto você se sente afetado? Do quão perto (no espaço ou no tempo) ele se encontra de você? Você ainda acha que sua pessoa é o centro do universo?
Desculpe-me, mas se você pensa assim (ou próximo disso) é porque ainda está na idade da pedra lascada.
Um desastre ambiental é tão mais extenso quanto menos pessoas se importam com ele. 
Quando nos importamos nós damos sentido às nossas dúvidas, às nossas incertezas, à nossa humanidade.
Mude de ideia. 
Você pode fazer alguma coisa.
E não se preocupe, você estará em boa companhia.

Ramon Lamar de Oliveira Junior

PS.: Mas de todo, se você acha que só desastres ambientais próximos merecem que você se empenhe para que não aconteçam, procure por aqui mesmo. Existem desastres acontecendo à sua volta ou esperando para acontecerem. Os incêndios criminosos na Serra de Santa Helena, a construção do Boulevard Santa Helena sobre a área de recarga dos nossos aquíferos e o lançamento de 95% do esgoto de Sete Lagoas no Ribeirão Jequitibá são exemplos.

Sobre plantas trepadeiras

Esta postagem tem sua razão a partir de um comentário da Fabiana (qual Fabiana?), enviado para um outro post. Conforme ela mesmo afirmou, não havia relação alguma com o assunto em pauta. Aguardei um pouco e agora vamos ao assunto. O comentário foi:
Ramon, sei que o que vou perguntar não tem relação alguma com o tópico, mas gostaria de saber qual seria a melhor trepadeira ornamental para que eu pudesse plantar no jardim de minha casa. Desculpe e obrigada. Fabiana
Puxa, Fabiana, não sei exatamente quais são as características do seu jardim, em especial o clima da região e a posição que o jardim se encontra em relação ao sol. Opções de trepadeiras existem várias, dependendo de uma série de características: iluminação, umidade, local de crescimento (muro, parede, tela, caramanchão, pérgula...). Também é importante saber se você quer flores ou apenas folhagem.
Selecionei algumas imagens para você. Quem sabe já é um ponto de partida. 

Jibóia (Scindapsus aureus)
Congéia (Congea tomentosa)
Tumbérgia-azul (Thunbergia grandiflora)
Tumbérgia-sapatinho (Thunbergia mysorensis)
Sete Léguas (Podranea ricasoliana)
Glicínia (Wisteria sp.) de clima temperado
Trepadeira-jade (Strongylodon macrobotrys)
Lágrima-de-Cristo (Clerodendron thomsonae)
Mande mais informações pelos comentários. Pode ser que exista uma trepadeira em especial que seja "a cara" do seu jardim.  

Consulte e explore também os links:

Ramon Lamar de Oliveira Junior

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Quase um ano depois: Rua Abaeté, SAAE e justiça.

Quase um ano depois do ocorrido na rua Abaeté (veja AQUI) alguns dos moradores tiveram que entrar na justiça para conseguir o ressarcimento dos danos provocados pelo rompimento das manilhas e demora em identificar e resolver o problema. O SAAE foi protelando e protelando uma solução e, no último mês, aconselhou a "quem quiser que entre na justiça". Um morador contou-me tal "solução" bastante indignado. Mais de dez casas foram atingidas com problemas estruturais devido ao abatimento do terreno. Alguns não quiseram entrar na justiça pois temem represálias de várias naturezas. Trincas enormes e um prejuízo gigante. Só agora os moradores foram informados de que deveriam entrar na justiça. Pelo que sei, o SAAE não faz acordos para ressarcir quem se julga afetado pelas obras da autarquia. Tem que entrar na justiça para que o reembolso seja programado e feito. Custava ter avisado isso antes aos moradores, de forma oficial? Para quê a enrolação?

Ramon Lamar de Oliveira Junior

PS.: Por falar nisso, mês que vem, dia 15 de dezembro, teremos a festa de um ano de aniversário da "bomba no SAAE" perto aqui de casa. Foi prometido que os suspeitos seriam identificados em um mês. Nada! Um estardalhaço foi feito sobre "terrorismo para prejudicar o SAAE e a prefeitura". Continuamos, nós que moramos próximo aos poços artesianos, à mercê dos terroristas?

Audiência Pública: Criação do Parque Estadual da Serra de Santa Helena


O horário não é dos mais oportunos: numa quinta-feira pela manhã numa semana que já foi meio enforcada por um feriado. Mas a defesa do meio ambiente é assim mesmo, nunca tem os melhores palcos. Ainda bem que não são os piores atores que se apresentam!

Debate: "A reformulação do Ensino Médio"

O gabinete do Vereador Dalton Andrade, em parceria com Acisel e PUC Minas, convida para a 7ª edição do Projeto Viva Voz que desta vez debaterá “A Reformulação do Ensino Médio”, com a presença do Deputado Federal Reginaldo Lopes e da Superintendência Regional de Ensino de Sete Lagoas.
É crescente a demanda por profissionais capacitados no mercado de trabalho e este evento pretende mobilizar estudantes, entidades de ensino, gestores públicos e empresários para, juntos, debaterem as transformações ocorridas na educação profissional brasileira nos últimos anos e os novos projetos e programas que abrem horizontes para milhares de pessoas.
O evento será no dia 17 de novembro, quinta-feira, às 19h30, no Auditório da PUC Minas que fica na Rua Marechal Deodoro, 61, Centro (Beco do Ginásio). A entrada é franca. Mais informações no Gabinete do Vereador Dalton Andrade (3779-6328/3779-6329). 

Comentário: Não poderei estar presente ao evento pois leciono no horário do debate. Deixo algumas pergunta: Qual o impacto do NOVO ENEM no Ensino Médio? O ENEM deixou de ser uma avaliação do ensino médio e tornou-se orientador do processo? Como conciliar o cumprimento de todo do programa do ensino médio (incluindo aí os PCN) com o programa do ENEM, bem mais restrito especialmente na área de matemática? O ensino médio está sofrendo uma metamorfose pelo pragmatismo (passar no ENEM ou ajustar-se ao mercado de trabalho)?

domingo, 13 de novembro de 2011

Dente-de-leão (Taraxacum)


Foto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

Lírio-amarelo (Hemerocallis)


Foto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

FRAUDE NO INEP: 30 milhões em contratos com empresas de fachada

Será que o ministro Haddad vai cair pela coisa mais corriqueira que tem abatido os ministros atuais? Fraude??? Não pelo malfeito nas três edições seguidas do ENEM que afetaram milhões de estudantes? De qualquer maneira, caindo já é um alívio (vamos ver até onde vai a apuração desse "causo"). Veja a matéria publicada no site do UAI (clique AQUI) e transcrita abaixo:

Esquema de fraude no Inep foi montado para lucrar mais de R$ 30 milhões  

O lucro viria de contratos na área de tecnologia contava com conivência de servidores públicos e apresentação de documentos idênticos.

Alana Rizzo e Juliana Braga

As quase mil páginas do Processo Licitatório 15/2011, cancelado pelo Ministério da Educação (MEC) na quinta-feira depois de denúncias do Estado de Minas, revelam como era fácil para o empresário André Luis Sousa Silva driblar a legislação e assinar contratos com o poder público. Atestados falsos, documentos iguais e a conivência de funcionários da administração pública ajudaram a montar o esquema que pretendia lucrar mais de R$ 30 milhões dos cofres públicos.
Mesmo depois das suspeitas de irregularidades na contratação das empresas de fachada, a Diretoria de Gestão e Planejamento do Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), comandada por Dênio Menezes da Silva, emitiu documento atestando que “o certame licitatório foi realizado em perfeita conformidade com os princípios legais e ordenamento jurídico, que norteiam as contratações realizadas pela administração pública.” O ofício de 3 de novembro foi assinado também por Carlos Augusto dos Santos Almeida, coordenador de aquisições, e Luiz Augusto Lucinda.
Por ordem do secretário-executivo do Ministério da Educação, Henrique Paim, o processo seguiu na quinta-feira para a auditoria interna do Inep. Ao mesmo tempo, a pasta determinou o cancelamento do registro de preços e aguarda o resultado da investigação para remeter o caso, se necessário, para os órgãos de controle interno, como a Controladoria-Geral da União (CGU), e externo, no caso o Tribunal de Contas da União (TCU).
Sem fluxo de caixa e nenhum cliente, a Monal Informática, registrada em nome de Aristides da Silva Monteiro, de 84 anos, apresentou atestado de capacidade técnica falso. A empresa de tecnologia alega que nunca emitiu tal certidão e que a assinatura que consta no documento não é do proprietário e que a Monal nunca prestou esse serviço. Segundo os responsáveis pela licitação no Inep, os atestados exigidos no edital não foram checados e nem diligenciados.
Em 15 de agosto, o pregoeiro pediu que a Diretoria de Tecnologia e Disseminação de Informações Educacionais, onde trabalhava Paulo Henrique Castanheira, amigo de André, confirmasse se as propostas e a documentação técnica apresentada pelas vencedoras do pregão atendiam a pedido da diretoria. Um dia depois, a diretoria de Tecnologia do Inep, Andrea de Miranda Ramos Kern, confirmou a validade dos papéis.
No caso da DNA Informática, os atestados de capacidade técnica apresentados eram assinados pelo próprio Inep. Luiz Augusto Lucinda, coordenador-geral de Recursos Logísticos, garantiu que não existia nada que desabonasse a empresa registrada em nome da mãe e da avó de André Luis.
Tanto a DNA quanto a Monal participaram da pesquisa de preços anterior feita pelo Inep antes do pregão. Em uma das propostas, assinada por André Luis, ele usa o sobrenome da mulher, Alecrim, e assina como diretor-executivo da empresa registrada em nome da sua mãe e da avó. “Com sede em Brasília, a DNA conta uma equipe de profissionais e parceiros altamente capacitados para atender às necessidades dos clientes em todas as regiões do país”, afirma a proposta.
André Luis, “dono oculto” das empresas vencedoras (Monal, Jeta e DNA), tentou esconder a identidade, mas apresentou declarações idênticas de que não emprega funcionários com menos de 18 anos. Até mesmo a ressalva de que haveria “menor trabalhando como aprendiz” e a pontuação dos textos são iguais. A reportagem visitou as empresas e não encontrou aprendiz em nenhuma delas. Os documentos da Monal, assinados por Aristides, mudaram até de padrão durante o processo de licitação. O primeiro trazia um computador desenhado no canto do papel. O segundo, um círculo.

Relações negadas

O advogado de André, Expedito Júnior, sustenta que seu cliente não tem qualquer relação com a Jeta, empresa registrada em nome de músicos sertanejos. Porém, o registro do Sicaf da empresa que foi incluído no processo de licitação teve Karolina Silva Lima, secretária e futura sócia de André na Monal, como emissora. As propostas da Jeta também trazem assinaturas completamente diferentes. Ora o representante legal assina como José Franscico, ora como Chico Terra. Os contatos estão escritos a lápis na proposta. Apesar de já ter assinado um contrato de R$ 135 mil e prestado o serviço ao Inep, a empresa ainda não apresentou uma das garantias contratuais, exigidas em lei. De acordo com o Inep, o documento estaria sendo providenciado.
A reportagem procurou os envolvidos no esquema, mas não os localizou. Todas as instituições que atestaram a capacidade técnica das empresas que prestaram serviços para o Inep foram procuradas pela reportagem desde quarta-feira. A única que respondeu foi a Barracuda Networks, que confirmou que a Jeta é autorizada a revender seus produtos.

sábado, 12 de novembro de 2011

Malfeito na calçada da Lagoa Paulino

Meu amigo, Cláudio Busu.
Sei que você não pode ser onipresente.
Sei que não tem como acompanhar tudo que está sendo feito.
Então, quando possível, permita-me que eu seja os seus olhos.
Por favor, dê um puxão de orelhas bem caprichado no (ir)responsável pelo conserto desse trecho da calçada da Lagoa Paulino (perto dos buritis).

Cidade turística com calçada assim?
Paciência, né?
Abração.

Ramon Lamar de Oliveira Junior

PS2.: Acabo de receber telefonema da Alessandra Casarim. Ela foi ao local com o pessoal que está fazendo os remendos e eles juraram "de pé juntos" que o remendo é antigo e que não foi obra deles. Na imagem é possível ver um remendo mais à esquerda com areia por cima e também areia por cima do "remendo" maior. Fica o benefício da dúvida.

PS1.: Para quem ficou na dúvida sobre como são assentadas as calçadas de Copacabana e Leblon. Areia e cimento entre as pedras. As pedras não são assentadas de forma justaposta, mantendo-se nos locais sob pressão. Fotos abaixo:

Calçadão de Copacabana. Foto (Ramon L. O. Junior)
Dois detalhes do calçadão da praia do Leblon. Fotos (Ramon L. O. Junior)

Como comer nos pontos turísticos?

Descaso total com a estrutura dos pontos turísticos é a situação a que chegou a Ilha do Milito, com seu restaurante fechado (confiram a matéria do Celso Martinelli no Jornal Sete Dias clicando AQUI).
Celso cita, além da questão da Ilha do Milito, outros três locais sem um restaurante ativo: Lagoa da Boa Vista (Mirante), Parque da Cascata (está mais para lanchonete com refrigerante e salgadinho) e a Ilha das Flores da Lagoa da Catarina (sem comentários). De todos, o melhor é o do Parque da Cascata (pelo menos mata a sede e a fome). Também podemos citar a ausência de lanchonete no Receptivo da Gruta Rei do Mato (onde só funcionam máquinas de refrigerante e salgadinho - mas só aceitam determinadas notas). O alto da Serra de Santa Helena tem sua lanchonete modesta, quem diria que ela um dia seria a melhor opção para o turista?
Voltando ao restaurante da Ilha do Milito, faz um tempo que brincaram comigo dizendo que lá nunca dará certo porque "as pessoas daqui vão aos restaurantes (ou botecos) para ver os outros passando de carro ou para serem vistas em frente a uma garrafa de cerveja e uma porção de fritas, na ilha não tem como isso acontecer". Sou obrigado a concordar, deve ser por aí mesmo. Basta colocar dois telões para resolver o problema: um na calçada mostrando os frequentadores do restaurante da ilha e outro no restaurante mostrando quem passa na rua!


Tirando a brincadeira de lado (só rindo mesmo), é lamentável tudo isso, completamente lamentável. Não acredito que seja tão dificil fazer uma licitação para a ocupação dos pontos. Não é possível que se sonhe com teleféricos sem conseguir ao menos pensar no suporte mínimo aos turistas. A conclusão é simples: a Arena do Jacaré trouxe um holofote para Sete Lagoas. Milhares de turistas em potencial aportaram por aqui esse ano. Em fevereiro do próximo ano o Estádio Independência será reativado e o holofote setelagoano se apagará. Que fizemos para fidelizar o turista?
Quando os cursos de turismo aportaram em Sete Lagoas, coisa de 10 anos atrás ou um pouco mais, eu acreditei que poderia ser uma opção para a cidade se desenvolver nesse aspecto. Não deu em nada (ou em pouca coisa...).
Vai ser muito difícil o turismo ser alavancado por aqui: arborização urbana no geral em péssimo estado, praças e canteiros centrais sem manutenção constante (o esquema de Mutirão Viasolo é pra lá de fraco), calçadas mal cuidadas, ruas com pavimentação muito ruim, informação e sinalização turística deficientes e lagoas em estado de semiabandono. Em relação às lagoas, lembro que com pouco apoio e recursos o Lairson Couto conseguiu recuperar a lâmina d'água da Lagoa do Cercadinho. Agora, pedidos insistentes do prefeito para "embelezarem a cidade" estão saindo do discurso para uma ação modesta de capina, arrumação das calçadas e poda de árvores na Lagoa da Catarina, e um pouco na Lagoa Paulino também. Engraçado esse negócio do prefeito pedir tantas vezes e custar a ser atendido.
A essa altura do texto (se você chegou até aqui) você deve estar pensando: "esse Ramon é um pessimista". Tá bom, concordo! Acho que estou mais para realista, mas no tocar da carruagem aceito que me rotulem como pessimista. Mas me diga uma coisa, você é capaz de citar os pontos turísticos da cidade que estão em boa situação para receber os turistas? Se consegue aproveite e cite-os nos comentários (aliás já pedi isso aqui uma vez...). Com quantos pontos turísticos se constrói uma cidade turística? Você não está sendo otimista demais?
Um exemplo de ação que salva no meio dessa balbúrdia? O carnaval feito pelos blocos e pela Verde-Branco. Carnaval bacana, sem excessos, trazendo famílias e crianças para a praça. Aliás, já está passando da hora de apoiá-los. E aí Paulinho do Boi, Mestre Saúva e Mestre Campola? Os incentivos estão bombando para o carnaval 2012? Ou vamos ter o desfile cortado ao meio de novo pela falta de sensibilidade da turma do palco?

Ramon Lamar de Oliveira Junior

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Leis ameaçadas: nunca antes na história da cidade...

Não sei se é um certo descaso com a construção das leis (que tramitam e são discutidas sem muita profundidade, colidindo com uma série de outras leis existentes), se é o fraco empenho em se fazer cumprir as mesmas ou se é a falta de vigilância das esferas que deveriam observar se as leis estão realmente sendo cumpridas. Também não sei se tudo isso é proposital (há momentos em que a gente começa a perceber tudo como uma grande conspiração para esconder o certo e legitimar o errado). Mas o certo é que estamos vivendo um certo "relaxamento" na aplicação das leis aqui na cidade.
Exemplos não faltam, entre eles três mais contundentes: carros com som automotivo no último volume circulam em frente às escolas, hospitais e pelas madrugadas sem sequer serem advertidos, vias públicas são utilizadas como vitrine para a venda de carros e uma drogaria recém-instalada vende ração para animais e uma série de outros produtos que não estariam de acordo com a regulamentação da ANVISA e que insiste em funcionar fora dos horários anteriormente estabelecidos (nesse caso não estou discutindo se está certo ou errado, estou apresentando a fragilidade do que antes se julgava uma lei sólida).
Agora, estamos às voltas com outra possibilidade: fortes boatos indicam que o PLANO DIRETOR da cidade vai ser alterado para permitir a regularidade de determinados empreendimentos imobiliários, notadamente o BOULEVARD SANTA HELENA. A Lei de Uso e Ocupação do Solo e o Plano Diretor são conflitantes em relação à construção do famigerado bulevar. Muito empenho e energia estão sendo gastos (aliás "gastos" é uma palavra muito boa) para se alterar o PLANO DIRETOR - lei de inspiração federal (hierarquicamente superior à Lei de Uso e Ocupação do Solo) - para facilitar a instalação de um empreendimento que certamente provocará enorme dano ambiental na região, além de comprometer a recarga dos nossos aquíferos e alterar o regime das águas no Córrego do Diogo.
Para alterar o PLANO DIRETOR são necessárias audiências públicas e votação na Câmara. Como as audiências públicas não estão sendo nada mais do que rituais (não são nem um pouco levadas em consideração - vide o caso do bulevar, novamente) e as votações variam extraordinariamente (vide aprovação unânime do PARQUE NATURAL MUNICIPAL DA LAGOA DA CHÁCARA e posterior apoio maciço ao VETO DO PREFEITO ao referido parque), fica difícil saber até onde a vontade popular terá oportunidade de se manifestar.
Cumpre àqueles que foram eleitos com o nosso voto (prefeito e vereadores) ficarem atentos com essas questões. 
O alerta está dado!

Cena do filme "Apaloosa - Uma cidade sem lei". Estamos voltando ao "velho oeste"?
Ramon Lamar de Oliveira Junior

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

PRATO DO DIA: ESCONDIDINHO DE BOULEVARD SANTA HELENA

Dinheiro x Ambiente
ESTÁ CORRENDO TUDO NA FORMA MAIS ESCONDIDA POSSÍVEL.
É LICENÇA DE DESMATAMENTO QUE NINGUÉM CONSEGUE VER. É ESTUDO ARQUEOLÓGICO OCULTO. É ESTUDO HIDROGEOLÓGICO QUE NINGUÉM FALA NADA A RESPEITO. ATÉ A CONVERSA DE REUNIÕES "SECRETAS", A PORTAS FECHADAS, PARA MUDANÇA DE PLANO DIRETOR NO SENTIDO DE FACILITAR O EMPREENDIMENTO (E MAIS ALGUNS OUTROS). 
E UMA ENORME DIFICULDADE DE CONSEGUIR INFORMAÇÕES NA SUPRAM, TODA VEZ QUE ALGUÉM LIGA OU VAI LÁ PEDINDO INFORMAÇÃO A DESCULPA É A MESMA: "O FUNCIONÁRIO ESTÁ DE FÉRIAS", "O FUNCIONÁRIO ESTÁ DE LICENÇA"... 
UM MONTE DE DENÚNCIAS ESTÃO CHEGANDO, MAS NINGUÉM, OBVIAMENTE, TEM CORAGEM DE DAR NOME AOS BOIS.
PODER ECONÔMICO É COMPLICADÍSSIMO.

MINISTÉRIO PÚBLICO: PRECISAMOS DE VOCÊS!
A AUDIÊNCIA PÚBLICA, ONDE O PROJETO FOI AMPLAMENTE REJEITADO PELA POPULAÇÃO SERVIU PARA QUÊ?

Imagem: http://thumbs.dreamstime.com/thumblarge_492/1270332778dEGW84.jpg

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

NOVA FÍSICA APLICADA AOS CHUVEIROS?

Amigos,
por favor, me expliquem essa propaganda que está sendo veiculada no portal UAI. 



O consumo de energia pelo uso do chuveiro depende do horário???
Fernando e Claret, essa é para vocês!

NOVO CÓDIGO FLORESTAL EM VOTAÇÃO

Acordos, conchavos e reviravoltas... tudo está acontecendo nos bastidores da votação pelas alterações que irão construir o Novo Código Florestal. O peso da bancada ruralista está se fazendo sentir nos corredores do poder. Pressão e lobby, atrelados à força do cabresto das votações recebidas. É muito difícil para as soluções científicas, pautadas em amplos estudos, lograrem sucesso contra o poder econômico e eleitoral dos interesses envolvidos na questão. Quem sabe um dia, quando não se puder comer dinheiro, o papel da comunidade científica será lembrado. Temo que será lembrado assim: E VOCÊS SABIAM QUE IA DAR ERRADO E NÃO FIZERAM NADA??? 
O foco da revisão está em anistiar quem desmatou irregularmente (com plena consciência do que estava fazendo - afinal de contas não se pode argumentar desconhecimento da lei) e promover a redução das Áreas de Preservação Permanente (APPs) em torno dos rios, nascentes e encostas de morro. Interessante constatar que os impactos ambientais só aumentam no mundo, o aquecimento global está aí nas nossas cabeças e a revisão do Código Florestal não tem nem uma letrinha no sentido de melhorar a proteção ambiental!
Observem a imagem abaixo, obtida pelo Google Earth. Mostra o Estado de Rondônia. As áreas claras, formadas de pequenos riscos paralelos, são as chamadas "espinhas-de-peixe", áreas desmatadas de forma perpendicular ao longo das rodovias. O "Novo Código Florestal" ou "Novo Código do Desmatamento Infinito" aponta para esse caminho. 

Fonte: Google Earth
Acessem o link http://earthobservatory.nasa.gov/Features/WorldOfChange/deforestation.php?all=y e observem fotos de satélite mostrando como o desmatamento cresceu em 10 anos numa das "espinhas-de-peixe".
Assim caminha o Homo sapiens... cada vez menos sapiens...

Ramon Lamar de Oliveira Junior

Mutirão de Plantio de Árvores (12nov2011)

A ONG ADESA convida para a participação na manhã do próximo sábado (12 de novembro) em um mutirão para plantio de árvores na Serra de Santa Helena.


Entendo a ação da ADESA como parte de um projeto maior no sentido de preservação efetiva da Serra de Santa Helena e do Parque da Cascata. Entre tais ações, espero que sejam contempladas as seguintes contrapartidas por parte do poder público:
- Estabelecer e cumprir os convênios com as entidades que podem colaborar com a preservação da Serra de Santa Helena.
- Ampliar e equipar a Brigada de Incêndio.
- Contratar serviço de vigilância no período de maior incidência de incêndios criminosos. (Uma opção muito viável economicamente seria estabelecer um protocolo de cooperação com o 4o GAAAe no sentido de contar com a participação dos recrutas no patrulhamento.)
- Ampliar o sistema de barraginhas para garantir a ampliação da retenção de água nos lençóis.
- Construção de sistema de abastecimento para o viveiro de mudas da ADESA e para os caminhões-pipa e dos bombeiros em caso de necessidade (instalação de hidrantes).
- Exigir a punição, na forma da lei, dos responsáveis pelos incêndios criminosos, com divulgação das ações punitivas para desencorajar a perpetuação da prática incendiária.
Depois de tudo isso monitorado, executado e concluído é que poderemos um dia pensar nas soluções mirabolantes para a Serra de Santa Helena, como o teleférico, restaurante panorâmico e outras.
Um passo de cada vez...

Ramon Lamar de Oliveira Junior

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Destinação de pneus velhos: contenção de encostas

Acabo de ver uma postagem no twitter do Nadab Abelin, Secretário de Governo de Sete Lagoas. Não vi a experiência citada por ele, mas lembrei-me de um destino interessante para pneus velhos: contenção de encostas. Preenchidos e amarrados, os pneus fazem um trabalho muito interessante. Lembrando que vegetação rasteira ou mesmo arbustiva ainda pode crescer junto a eles, conferindo um aspecto visual melhor ainda. O preenchimento dos pneus com terra e/ou cimento é fundamental para evitar a proliferação de mosquitos.
Seguem as imagens do Google Earth e Google Street View da região do Anel Rodovíário de BH. Na primeira foto estão as coordenadas para quem quiser verificar no próprio programa. Imagino que todos entram na nossa capital passando pelo anel já viram o local. Parece ser uma "garagem" de ônibus urbanos.

Talude protegido, visto do Anel Rodoviário.

Visão da área. O "S" no meio é a encosta protegida.

Detalhe do amarramento dos pneus na Rua Bambus.
O sistema consta do site www.patentesonline.com.br em nome de Fábio Pereira Costa (veja o link clicando AQUI). Segue-se o texto. Acesse o link anterior para ver o projeto em detalhamento, no caso utilizando apenas as bandas de rodagem.
"Sistema para contenção de encostas". Confeccionado a partir da retirada das duas laterais de pneus inservíveis, utilizando apenas a banda de rodagem, a qual possui características de sustentação mediante a inserção de terra no seu interior, quando colocada uma ao lado da outra. As bandas de rodagem são dispostas lado a lado, onde na primeira camada é feito um enchimento com terra, seguindo-se uma segunda camada acima da primeira, disposta em posição tipo mata-junta em relação à primeira, também completada com terra, e outras sucessivamente até ser atingida a altura desejada, sendo que deve ser observada uma inclinação de 45° da base até a camada mais alta para que se garanta a estabilidade da estrutura.
Imagens: Google Earth e Google Street View
Texto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

Preparação para a Segunda Etapa da UFMG 2012

Esta postagem é uma reedição de outra, feita em dezembro de 2010, sobre a preparação dos alunos para a Segunda Etapa da UFMG no que diz respeito à biologia e química (disciplinas que leciono). Ler e interpretar textos - com especial atenção às figuras, tabelas, gráficos e esquemas - é fundamental para quem se prepara para as provas específicas.
Segue-se um link (AQUI) com textos que selecionei para leitura. Alguns referem-se a temas mais atuais sobre biologia e química, outros tratam de assuntos clássicos. Nessa altura do campeonato, reservar algum tempo para leitura, interpretação e assimilação de textos como estes é muito importante. (Ah, e tem uma pitada de humor no final com os textos da Comunidade de Picaretologia Química.)
Outros textos podem ser garimpados diretamente no site da Revista Ciência Hoje, da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, AQUI). Nem todos estão disponíveis na íntegra para leitura online, escolha os que estão com uma bolinha verde, ou pesquise no Google sobre os títulos dos outros (você achará algumas informações ou textos parciais em html).
Também o site da Revista Pesquisa Fapesp (clique AQUI) possui textos muito bons. Procure lá os links "números anteriores" e "números especiais".
O importante é não ficar parado. Boas leituras!!!

Ramon Lamar de Oliveira Junior

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Teleférico da Serra de Santa Helena: é hora para pensar nisso?

A enquete sobre o tema do teleférico já se encerrou faz um bom tempo (15 de agosto): 113 votantes e um placar de 90 contra e 23 a favor do teleférico. Como já foi dito por alguns que a prefeitura faz pesquisa em "redes sociais", talvez fosse bom levar essa pesquisa em consideração.
"Sonhar não custa nada", dirão alguns. Mas será que é hora de sonhar com uma obra que sem sombra de dúvidas iria consumir muitos milhões de reais? Vejamos um exemplo para comparação: o UNIFEMM planeja captar 5 milhões de reais para a reforma do Auditório Dr. Marcelo Viana (espero que o nome do auditório não seja trocado). De quanto poderia ser o gasto para erguer essa megaestrutura de teleférico do pé da Serra de Santa Helena até o seu topo? E a manutenção do funcionamento? A prefeitura vive chorando falta de dinheiro. As necessárias obras de recuperação da Lagoa da Boa Vista estão sendo cantadas desde março e nada foi feito. A desculpa? Falta de grana. Várias empresas de porte se instalaram em Sete Lagoas, mas cadê a grana? Estamos na VEJA (de novo!) e cadê a grana? As chuvas estão chegando e os buracos começam a aparecer pelas ruas, e cadê a grana?
Penso que antes de pensarmos em novos cartões postais precisamos recuperar aqueles que já existem. Recuperar a Lagoa da Chácara, uma das sete que dão nome à cidade, nem pensar, né? 
E ali, na Serra de Santa Helena, a questão assume várias outras dimensões. Não seria mais produtivo investir pesado no sistema de prevenção e combate aos incêndios criminosos? Afinal de contas não vai ficar nada bonito um incêndio como o do último Dia dos Pais bem embaixo do teleférico proposto. Não seria mais simples e produtivo resolver de forma eficiente e econômica a questão dos parapentes, que já viraram atração turística apesar de decolarem e pousarem em meio ao poeirão? Existem questões jurídicas no caso dos parapentes? Pois muitas outras existem em relação a obras na frente da Serra, com sua fachada e patrimônio histórico protegidos por lei.

Trajeto aproximado pretendido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo para o teleférico da Serra de Santa Helena.
Se a questão é o "quero porque quero", melhor escolher outro ponto de subida do teleférico. Aproveitar o tal terreno da CEMIG e chegar em frente ao cruzeiro é de longe a pior opção, só está sendo pensada porque o terreno é da CEMIG e o governador é do mesmo partido do prefeito (até quando?). Além de comprometer o conjunto histórico, tal trajeto ainda passa pela área mais degradada e de difícil recuperação da serra. Muitos anos serão necessários com investimento maciço em recuperação de encostas para que ali deixe de ser um ponto de erosão e torne-se atrativo ao turista. Não é só plantar mudinhas de florzinhas, é consolidar toda uma área. Perguntem à ADESA e saberão como a coisa é complicada.
"Ah", dirão outros, "mas é projeto para daqui há 20 anos." Tudo bem, então, comecemos o mais urgentemente possível a recuperação da frente da Serra de Santa Helena e a estudar um melhor local para a tal obra. Aliás, sem ações concretas e consistentes a favor do meio ambiente e do turismo (e não estou me referindo a concreto no sentido de cimento) a atual administração municipal não terá como permanecer no poder por 20 anos para fazer essa obra lá na frente. 
Essa semana cheguei a ler em jornal online da cidade que a prefeitura estava investindo na limpeza da Lagoa Paulino e a foto mostrava a dupla do barquinho que diariamente recolhe o lixo que flutua na lagoa (cliquem AQUI) como se fosse uma nova e definitiva ação de limpeza da Lagoa Paulino (todo dia eles estão lá!). A Lagoa da Catarina recebeu um mutirão de limpeza e recuperação, mas nada de novo e nada que não podia ter sido feito com frequência nos últimos anos. Tá bom, valeu, melhor do que nada. Aliás, acho que não precisamos de nada mirabolante. A conservação efetiva dos espaços públicos é fundamental, dever de casa que precisa ser feito antes de qualquer utopia.
"Esse Ramon é xiita, ecochato, do contra, radical... e não concorda com nada que a prefeitura faça", dirão as fontes oficiais. Em resposta, digo que já cansei de oferecer sugestões à prefeitura. Ao Nadab, ao Márcio Vicente e ao Celsinho, já enviei várias. Estive sempre à disposição dos ex-secretários de meio ambiente da atual administração e estou à disposição do atual para tratar de opiniões e sugestões em relação às ações da pasta. Não estou procurando cargo público e nem disputar eleição pra nada. Acho que ali não é a minha praia. Participei da elaboração de projeto de recuperação da Av. Mal. Castelo Branco que foi DOADO para a prefeitura. Estive presente em reunião com quatro secretários de governo (em junho, na SEMMA) onde alertei - mostrando imagens - para a questão da Lagoa da Boa Vista e da urgência de contenção dos seus taludes. 
Há questões complicadas em relação ao teleférico na forma proposta. A coisa não é simplesmente uma questão de vontade, sonho ou verba. A gente estuda e tem um diploma não é por vontade ou sonho (ou verba!), é fruto de muita "ralação". O mínimo, que todos nós queremos, é que haja um respeito à parte técnica que o diploma na parede representa. 
Sinto muito, mas não consigo ouvir calado quando certas colocações são postas de maneira precipitada. Não sei se é falha do meu entendimento ou se é falha resultante da explanação vaga sobre o assunto. Só sei que fico preocupado e acho melhor não guardar essas dúvidas para questionar depois do "leite derramado". Conversando, a gente se entende. 
E então, vamos ao debate?

Ramon Lamar de Oliveira Junior

domingo, 6 de novembro de 2011

Biologia no Templo 8 (num domingo pela manhã)

A biologia está em todo lugar. Hoje, na conclusão de parte de um trabalho de educação ambiental no Templo 8, confirmei mais uma vez essa máxima.
Abaixo, ramos e flor da trapoeraba-roxa (Tradescantia pallida). A trapoeraba é muito citada nos livros de biologia como um excelente material para a observação de células vegetais. Retira-se a fina epiderme que recobre a folha, coloca-se uma gotinha de água na lâmina de microscopia, a epiderme, a lamínula e pronto... é só observar. As células vegetais e os estômatos surgem com absoluta nitidez.

Ramos e flor da trapoeraba-roxa. Fotos: Ramon L. O. Junior
Epiderme da trapoeraba-roxa ao microscópio mostrando as células epidérmicas e os estômatos (aberturas para trocas gasosas). Fonte: http://biog-1101-1104.bio.cornell.edu/BioG101_104/tutorials/botany/images/stomata1.JPEG
A imagem seguinte é a exúvia (exoesqueleto abandonado) da última muda do estágio de ninfa para o estágio adulto da cigarra. As fases jovens da cigarra (ninfas) vivem no subsolo, alimentando-se da seiva das raízes das plantas. Ao completarem essa fase do ciclo, sobem por um tronco ou mourão durante a madrugada, param, rompem o exoesqueleto dorsal e emergem como cigarras adultas prontinhas para cantar. Interessante é a lenda de que o esqueleto abandonado é uma cigarra que "estourou" de tanto cantar, lenda essa comum entre nós e diversos outros povos no mundo.

Exúvia de cigarra (Ordem Homoptera). Observe a terra que ainda cobre partes do corpo e os fios brancos no dorso. Os fios são pedaços das traqueias, órgãos respiratórios dos insetos, cujo revestimento quitinoso também é trocado durante a muda. Sei não, deve ser um pouco dolorido isso. Seria como se trocássemos o revestimento da nossa árvore respiratória até os brônquios. Melhor nem pensar. (Foto: Ramon L. O. Junior)
Ramon Lamar de Oliveira Junior

PS.: Para saber mais sobre a diversidade de cigarras do Brasil, visite: http://cigarrasbrasileiras.blogspot.com/.