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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Inflorescência da Mamona (Ricinus communis - Euphorbiaceae)

A mamona é uma verdadeira praga no que diz respeito à sua propagação. Espalha-se com uma velocidade espantosa em um terreno baldio. A razão é simples, os frutos secos explodem e lançam as sementes longe. A planta não precisa lá de muitos cuidados e cresce vigorosamente. Mas a mamona também é fonte de óleo, (óleo de rícino), biodiesel e por aí vai. Existem questões técnicas sobre a utilização do óleo de mamona na mistura do biodiesel, o Ministério das Minas e Energia e a ANP (Agência Nacional de Petróleo) não são favoráveis, a EMBRAPA acha que os problemas técnicos podem ser solucionados. Na verdade, ficamos sem saber se o problema é verdadeiramente técnico ou econômico. Acredito que o cultivo da mamona seria muito interessante para famílias de baixa renda, aproximando-se do modelo indiano para a produção do álcool de cana. Os eventuais subsídios governamentais para essas famílias seriam uma forma de redistribuição de renda bem mais interessante do que simples programas assistencialistas. Fico achando que o governo prefere financiar os plantadores de soja...
Bom, deixemos de lado a política da mamona e voltemos à biologia da tal oleaginosa A planta apresenta uma curiosidade em suas flores. As flores são de sexos separados, ou seja, flor masculina com pólen e flor feminina com ovário (que origina o fruto). Mas  ambos os tipos de flores estão no mesmo cacho. As flores masculinas embaixo e as femininas em cima.
A foto abaixo mostra uma região do cacho. As flores masculinas estão na metade esquerda, uma inclusive sendo visitada por inseto polinizador (uma pequena vespa). Nas flores femininas o ovário, em forma de mamona (fruto) já em desenvolvimento. Está aí um bom exemplo da diferença entre ver e enxergar. Todo mundo vê cachos de mamona, mas raramente enxerga os cachos em flor com flores de dois tipos diferentes. Alguns dizem que essa capacidade de observação é que distingue os biólogos das outras pessoas. Pode ser. Viva o "olho de biólogo", então!


Foto e texto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

4 comentários:

  1. Foi noticiado hoje na Voz Do Brasil que 6 fábricas que utilizam o bagaço da cana com combustível foram inauguradas. Lembrei disso pela rápida citação sobre a cana. O melhor é que, se entendi bem, esse combustível não gera danos a natureza na sua utilização. Todas as fábricas são em SP.

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  2. Daniella, a conceituação sobre gerar ou não gerar danos à natureza é mais complexa. Imagine a substituição de todas matas e do cerrado para a plantação de cana...

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  3. Contribuindo com sua postagem. Essa é a inflorescência normal da mamoneira: flores masculinas na base e flores femininas na parte superior do racemo. Porém, essa espécie apresenta elevada complexidade em sua sexualidade. Assim, Além do tipo normal, já fotografamos mamoneira macho puro (somente flores masculinas), fêmea total (somente flores pistiladas), plantas com flores hermafroditas, plantas com flores interdispersas em todo o racemo, plantas femininas parciais (apresenta os primeiros racemos femininos e depois reverte o sexo para o tipo normal) e variações do tipo normal (relação flores masculinas/femininas).

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  4. Puxa, "Na Pesquisa Agrícola", valeu demais. Muitas informações interessantes. Até parece com alguns mandis machos que coletei no mestrado e que possuiam ovócitos no meio dos testículos. Realmente, as variações são muito interessantes na biologia em geral.
    Muito obrigado e voltem sempre!!!

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