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quarta-feira, 5 de junho de 2013

Dia Mundial do Meio Ambiente (I)

O dia 5 de junho foi determinado pela ONU como o Dia Mundial do Meio Ambiente. Nesse dia, em 1972, ocorreu na cidade de Estocolmo (Suécia) a primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente. As preocupações sobre o futuro do planeta estavam em evidência devido aos estudos feitos pelo "Clube de Roma".
O "Clube de Roma" foi criado em 1968, reunindo um pequeno grupo de pessoas relacionadas às áreas de diplomacia, indústria, universidades e sociedade civil com o objetivo de partilhar e discutir as suas preocupações com relação ao crescimento econômico e a disponibilidade de recursos ambientais necessários ao ritmo de desenvolvimento. A primeira reunião foi conduzida pelo italiano empresário e presidente honorário da Fiat, Aurelio Peccei, e o cientista escocês Alexander King (ambos já falecidos).
As conclusões do grupo geraram o relatório “Os Limites do Crescimento”, publicado em 1972, com o aval de pesquisadores do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). O relatório traçava situações possíveis em relação ao futuro do planeta em caso da manutenção do ritmo de consumo de matérias primas e degradação ambiental. O trabalho enfatizava, ainda, a necessidade de medidas efetivas e cooperação internacional como forma de reduzir os impactos futuros. 
As conclusões de "Os Limites do Crescimento" foram embasadas no ritmo de crescimento da população mundial, industrialização, poluição, produção de alimentos e esgotamento de recursos. Algumas de suas previsões não se concretizaram em curto prazo. Contudo, em 2008, Graham Turner da Organização de Pesquisa da Comunidade Científica e Industrial (CSIRO), publicou um artigo intitulado "Uma comparação de 'Os Limites do Crescimento' com trinta anos de realidade", concluindo que as mudanças na industrialização, produção de alimentos e poluição estão todas coerentes com as previsões do livro de um colapso econômico e social no século 21.
Em 1992, realizou-se no Rio de Janeiro a segunda Conferência (ECO-92) e, em 2012, a Rio+20, sempre começando na mesma data. Infelizmente, todas as reuniões (em especial as duas últimas) foram contaminadas com a questão das crises econômicas e a importância do crescimento industrial, gerando entraves para a proteção do meio ambiente. Medidas que poderiam ter surtido efeito importante, como a Convenção do Clima e seu derivado mais famoso, o Protocolo de Quioto, não foram ratificadas por países importantes em termos de produção industrial e poluição ambiental como os Estados Unidos e a Austrália (que assinou em 2007).
Importante lembrar também da dimensão política da defesa do meio ambiente. O surgimento do Partido Verde nas Alemanhas (década de 80) e seu relativo sucesso na defesa do meio ambiente, posicionamento contra a energia nuclear e nas urnas (tanto que o acidente de Fukushima impulsionou mais uma vez "os verdes" no cenário político europeu) alertou o mundo da política sobre uma nova força e uma nova perspectiva da visão dos cidadãos. Vários partidos introduziram em seus programas e em seus discursos (infelizmente só no papel e nas palavras) as questões ambientais. Exemplo recente foi o da última eleição presidencial onde o Partido Verde (PV) recebeu quase 20 milhões de votos, forçando a ocorrência de um segundo turno. Tal votação recebida pela candidata Marina Silva configura-se mais como um efeito da cena política do que uma real conscientização ambiental. A presença do PV na disputa eleitoral, não como mero coadjuvante, forçou a inclusão do tema "meio ambiente" nos debates e programas eleitorais. Na prática, terminadas as eleições e iniciado novo mandato, pouco ou nenhum avanço a comemorar. Estão aí a construção polêmica da Usina de Belo Monte, a Transposição do Rio São Francisco (misturando águas, bacias, faunas e problemas) e o Novo Código Florestal, que representa um atraso em relação ao código de 1965.

Ramon Lamar de Oliveira Junior

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