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terça-feira, 18 de junho de 2013

Belo Horizonte, 17 de junho.

 Um relato das manifestações de 17 de junho em Belo Horizonte

por Josué Lessa, com fotos de Marcel Quintão

Fica difícil, depois de tempos de luta, descrever a emoção que senti hoje por vislumbrar e fazer parte de uma manifestação que, para mim, demonstrou um amadurecimento social do brasileiro e representa um momento histórico em nosso país. 
Em uníssono com as manifestações realizadas por todo o Brasil, BH também saiu as ruas, e eu estava lá. Concentramos às 13 horas na Praça Sete. De início poucos manifestantes e por um momento realmente imaginei, confesso, que seria mais um movimento frustrado. No entanto, de forma inesperada, conforme a manifestação se deslocava até o início da Avenida Antônio Carlos, observamos um MAR de pessoas fazendo coro, em torno de 15.000, de posse dos seus cartazes improvisados. 
Chamávamos a população, que estava a observar, a participar. Recebemos chuva de papel picado oriundos dos prédios aos quais passávamos, em uma demostração carinhosa de apoio. Durante o trajeto, infelizmente, alguns vândalos anarquistas pichavam algumas construções o que era de pronto repreendido, em coro, por todos os manifestantes. 
Nunca acreditei nessa falácia de PM amiguinha ou coisa do gênero. Deparo com uma galera tirando foto com os policiais e acreditando mesmo que a polícia, principalmente a mineira, existe para lhe servir. O fato é que, quando nos aproximamos da LINHA DE TORDESILHAS estipulada pela FIFA, a PM começou a mostrar as suas guarras. Pela 1° vez, fomos impedidos de prosseguir um pouco antes de passarmos pelo viaduto do Anel Rodoviário. 

Depois de uns 30 minutos de "negociação" a tropa de choque nos permitiu avançar. Mas não durou muito. Quase de frente à portaria da UFMG, outra barricada da tropa de choque. Só que, dessa vez, disposta a não permitir a continuação do povo. Bombas de gás lacrimogênio, bombas de efeito moral e balas de borracha disparados contra todos nós sem dó. O helicóptero da PM dava rasantes próximo a fumaça para empurrá-la mais vigorosamente sobre nós. Aquela correria total. 

Mas, apesar da maioria daquelas pessoas nunca terem participado de manifestação alguma, apesar do cenário de guerra, construído estrategicamente pela polícia, para dispersar a massa, eles não conseguiram. Depois de algum tempo e de vários disparos de bombas, o povo decide continuar a marcha. A tropa de choque recebe ordem para deixar-nos passar e continuamos. Eu olhava para trás e para minha frente e não conseguia acreditar no que via. Uma Avenida Antônio Carlos TOMADA pelo povo, meu povo, PARALISANDO uma das maiores artérias do trânsito da capital mineira. Que isso? 
Certamente esse dia ficará na história para mim. Extrapolou e muito os 20 centavos da passagem paulista. Mostramos a insatisfação com essa podridão instaurada em nosso país. Essa irresponsabilidade com o nosso dinheiro. Tudo é feito a nossa revelia. Uma emissora de televisão perigosa, mafiosa e embusteira. Somente os que vivenciaram aqueles momentos saberão, na sua plenitude, o que senti. Valeu camaradas!
"A maior arquibancada é a rua".....

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