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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Por que caem as árvores? (2)

As raízes já foram discutidas no tópico I (cliquem aqui). Agora é a vez da copa das árvores e de outros aspectos relevantes.
As árvores são barreiras físicas à passagem do vento. Fato tão simples deveria ser melhor entendido e melhor interpretado. Tudo aquilo que se fizer (ou não se fizer) que a consequência seja o aumento da área da copa, ocasionando bloqueio dos ventos, provocará fortes trações sobre o caule (e sobre a raiz fragilizada, discutida no tópico I). Tal tração (torque ou alavanca) poderá levar à queda das árvores, fenômeno comum nas fortes ventanias e "chuvas de vento".
Apesar da consequência ser absolutamente clara, muitos não identificam a causa inicial para os tombamentos provocados pelo vento. São muitas as possibilidades, entre elas convém citar:

1) Fragilidade da madeira.
2) Ausência de poda, formando um maciço que bloqueia o vento.
3) Podas mal feitas, fragilizando o caule ou alterando a distribuição de peso.
4) Localização inadequada das árvores.

Vamos a elas:

1) Fragilidade da madeira
Pinheiros (Pinus ou Araucaria) possuem as fibras que constituem a madeira organizadas de forma quase paralela. Como as fibras não trançam umas com as outras ao longo do tecido, a madeira torna-se fraca em relação a trações e torções do caule. Daí aquele sonho do "pinheirinho-de-Natal" (geralmente a Araucaria excelsa) pode tornar-se um pesadelo quando ele ameaça (e às vezes cumpre) cair sobre as casas. Outro exemplo de árvore que cresce verticalmente muito rápido e também possui madeira de qualidade muito ruim (apesar de não ser um pinheiro) é o chorão ereto (Salix nigra var. columnaris). Quando foram plantados na orla da Lagoa Paulino e em alguns outros pontos da cidade (Lagoa da Boa Vista, Lagoa da Catarina e Lagoa do Brejão), foram saudados como "belas essências". A verdade veio alguns anos depois quando começaram a sucumbir aos ventos. Creio que não restou nenhum na Lagoa Paulino.

Salix nigra var. columnaris (chorão ereto) na Lagoa da Boa Vista.
2) Ausência de poda, formando um maciço que bloqueia o vento.
É o caso mais comum em nossa cidade. Poda só existe para desviar a árvore da fiação elétrica. Essa semana, por milagre dos milagres, as árvores do canteiro central da Villa Lobos - minhas vizinhas - estão sendo podadas. A poda, para ser bem feita, deve eliminar os galhos inferiores que se encontram fragilizados por estar sob a sombra dos galhos superiores. Avaliar tal situação depende de uma certo conhecimento e sensibilidade. Na sombra, a taxa de fotossíntese torna-se muito baixa e o ramo não produz o açúcar que necessita, tornando-se parasita do restante da planta. Basta colocar-se sob a copa de uma árvore e ver a quantidade de galhos mortos ou enfraquecidos em seu "miolo". A poda também alivia o peso da copa e cria "furos" por onde o vento pode passar sem provocar muito efeito de alavanca. A remoção das pragas, em especial a erva de passarinho, tem grande importância pois a tal parasita tende a compactar ainda mais a copa da árvore, aumentando o peso e o torque.

Ficus benjamina é uma recordista em formar copas extremamente densas. Isoladas em áreas abertas, como o espécime acima, são pontos de resistência ao vento. Não admira que uma outra nessa mesma praça já tenha caído há alguns anos.
3) Podas mal feitas, fragilizando o caule ou alterando a distribuição de peso.
Aqui se encontram as podas técnicas da CEMIG (terceirizadas, na verdade) para desviar a copa das fiações e as podas nada técnicas de destopamento das árvores (podas pra lá de radicais). A ideia de afastar a copa das fiações é precedida de um erro grave: deveria existir um "Plano de Arborização Urbana" proibindo o uso de determinadas espécies nas calçadas que possuem fiação aérea. As já existentes seriam gradativamente substituídas. Um plano de arborização é trabalho de longo prazo, uns 10 a 15 anos para estar plenamente executado, ou seja, ultrapassa o mandato de um prefeito (o que é um grande problema). Com a arborização adequada não veríamos certas podas ridículas que criam verdadeiros monstros urbanos. Já o destopamento, amplamente condenável (já postei sobre isso aqui), cria um futuro emaranhado de ramos que acaba bloqueando ainda mais o vento (além de todas as outras consequências citadas no post referido anteriormente - slide reproduzido abaixo).

Slides apresentados na palestra de Pedro Mendes Castro, da  Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, em evento realizado em 2010 pela SEMMA. [Clique nas imagens para ampliar]

O destopamento (ano passado) e a "bola de ramos em formação" (essa semana). Sem contar a fragilização do caule e os outros efeitos apontados no slide do Pedro Mendes Castro.

Isso aí é o que a CEMIG chama de podas bem feitas. Tenha santa paciência!!!

4) Localização inadequada das árvores.
Árvores de caules e raízes frágeis em "corredores de vento", árvores junto a prédios e marquises, árvores (e palmeiras) na borda de taludes... São muitas as localizações inadequadas para árvores. Aqui, em Sete Lagoas, tenho uma certa preocupação com as palmeiras no talude do Córrego do Diogo. Também o desvio que as árvores produzem para sair da sombra de prédios ou de marquises produz uma distribuição irregular do peso, com o que contribui a poda para remover os ramos da construção. De qualquer maneira, é uma questão que deve ser sempre observada com precaução.

Palmeiras imperiais e flamboyants no talude do córrego do Diogo. (Crédito da imagem: Google Street View)
Há muito trabalho a ser feito na questão da arborização urbana. Vamos começar, né?

Fotos e texto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

5 comentários:

  1. Ramon,

    li com interesse e preocupaçao esta materia. Parabens pelo enfoque que voce deu ao assunto!

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  2. Claret,
    fiquei preocupado com o fato de você ter ficado preocupado.
    Abração.

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  3. Ramon

    nao se preocupe!(rs)

    Agora, falando serio, minha preocupaçao tem a ver com as formas erroneas que se esta' utilizando para as podas. A Cemig conseguiu em uns poucos minutos o que a evoluçao levaria milhoes de anos. Um horror! Ninguem nasce sabendo mas muitos morrerao ignorando...

    Um abraço

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  4. Don Claret,
    permita-me corrigi-lo:
    "A CEMIG conseguiu em uns poucos minutos o que a INVOLUÇÃO levaria milhões de anos."
    kkkkkkkkkkk

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  5. O seu Blog é excelente, parabéns! Faço-lhe um convite para publicar suas matérias também em nosso site divulgando assim o seu Blog e beneficiando também os nossos leitores e assinantes. http://www.paisagismodigital.com

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