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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

PROPOSTAS DOS PRESIDENCIÁVEIS: O NOVO ENEM

Puxa vida! Tenho visto tanto papo furado nas propostas dos presidenciáveis, tanto no primeiro quanto agora no segundo turno, que está dando até sono. Argumentos circulares, dogmas e tabus (que permanecem dogmas e tabus pela superficialidade da abordagem), uma defesa da pauta meio ambiente que não implica em defesa do meio ambiente e vai por aí afora.
E até agora nenhum dos dois deu seu ponto de vista sobre o massacre que é o NOVO ENEM. Claro que a Dilma não vai tocar nesse ponto (afinal o NOVO ENEM é invenção do atual governo, aquele que faz tudo certinho). O José Serra parece que nem sabe que existe o NOVO ENEM, não sabe que é uma tortura psicológica (uma prova que diz que veio para substituir o "terrível" vestibular). E tem gente, muita gente, achando que o NOVO ENEM vai democratizar o acesso às faculdades: ilusão total! Só mudou a prova, gente, e mudou para bem mais difícil, podem acreditar. Se não acreditam, peguem a prova e resolvam no tempo proposto. 
Talvez, por achar que a prova é democrática, a oposição não esteja se manifestando como deveria. O PROUNI foi muito importante como forma de democratização do ensino superior, vi provas disso. Mas o NOVO ENEM não contribuirá em nada. A batalha pela vaga agora é em caráter nacional, Candidatos do sul do país poderão pegar vagas em cursos de status, como medicina, em qualquer faculdade do país. Depois de formados, voltam para o sul maravilha e deixam as outras regiões com defasagem de profissionais. E vão se acumulando invenções como Vestibular Seriado, cotas de inclusão para isso e para aquilo e bla bla bla. Já não se sabe mais, com antecedência de um ano, como será o processo seletivo de cada universidade. Não existem mais regras claras, limites, "marcos regulatórios".
Para quem não sabe, o NOVO ENEM é assim: 45 questões de ciências da natureza e 45 questões de ciências humanas no primeiro dia (4,5 horas de prova, 3 minutos para cada questão, incluído o tempo para passar as respostas para a grade); no outro dia 45 questões de linguagens, 45 questões de matemática e uma redação (5,5 horas de prova). Isso sem contar que os enunciados raramente são curtos, são cinco alternativas e uma média de 30 páginas por dia.
Será possível que nenhum dos dois tem uma proposta melhor de avaliação? Temos experimentado em nossa escola uma forma mais compacta com 20 questões de cada área e uma redação (em um único dia) e percebo que os percentuais de acerto são condizentes com o esperado dos alunos (as médias de acerto mantêm-se como em provas e simulados anteriores). 
O NOVO ENEM, nesse formato ou em qualquer outro só terá validade e será forma de inclusão se ampliarem muito as vagas nos cursos superiores ou derem maior importância e visibilidade para o ensino técnico profissionalizante. Dessa forma, o NOVO ENEM é apenas um massacre mais elaborado! Sem contar nos custos enormes para sua impressão e distribuição. Diminuindo o tamanho da prova, haveria uma queda importante nos custos sem prejuízo da avaliação dos alunos. Basta ver o modelo da primeira etapa da UFMG que trabalhava com apenas 64 questões e se mostrava como um bom processo seletivo. Se dá para fazer com 64, por que não tentar com 80? 180 parece um certo exagero.
Devo lembrar que, em princípio, sou favorável a uma prova nacional e um programa nacional.  Mas por que não uma lista de 3 obras literárias por concurso (onde se trocaria uma das obras a cada 2 anos)? Por que não publicar livros e apostilas (elaborados pelo MEC) e distribuir gratuitamente nas escolas públicas, disponibilizando-as também no Portal do MEC? Por que não dar mais transparência aos resultados da prova, apontando os tópicos avaliados com menor desempenho?
Vamos lá Dilma e José Serra. Procurem um Processo Seletivo melhor do que esse. Pelo menos folheiem as provas para perceberem a extensão do problema. Perguntem aos alunos e aos professores. Chega de contar apenas com as opiniões dos técnicos do MEC que estão confortáveis em suas poltronas giratórias, ar condicionado e cafezinho de hora em hora.

Texto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

4 comentários:

  1. Nenhum presidenciável fala em ENEM... Parece tudo perfeito. A ilusão está dando certo. Afinal, o ENEM é perfeitamente "democrático", "acessível a todos" e "preciso".
    Esqueceram de contar que não adianta mudar a prova se o número de vagas continua o mesmo.
    Poderia listar aqui razões mil contra o ENEM. Mas um dos fatores que mais me revolta é essa expectativa que se cria em torno dos estudantes de escola pública, induzido-os a pensar que o acesso será facilitado.
    Ora, o próprio MEC sempre divulga que os PIORES resultados infelizmente ainda são de escolas públicas.
    Culpa do próprio governo, que a anos fornece uma educação medíocre.


    *Vale lembrar que o projeto REUNI, para a expansão de vagas em algumas universidades apenas criou as salas de aula, os alunos se quer tem laboratórios, bibliotecas e refeitórios - conheço um caso muito próximo...

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  2. Ramon, gostei tanto deste tema que peço licença para transcreve-lo por email e coloca-lo no meu blog, posso?
    obrigada
    Celle

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  3. Serra discutiu esse assunto no último debate, em que criticou a nova postura adotada pelo PT em relação à prova, transformando-a em instrumento político e criticando a duração excessiva e torturante da prova. Dilma afirmou que a prova é justa e ajuda os alunos necessitados para o ProUni.

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  4. Patrick, indiscutível o avanço do ProUni, apenas nesse ponto concordo com a Dilma.
    Mas a prova é terrível para quem a conhece, sem contar que gera um custo e tensão exageradas. Em um único dia seria possível fazer uma boa prova, como tantas universidades já faziam (aliás, todas fugiram do sistema de dois ou mais dias alegando várias questões, entre elas o custo e as facilidades para os candidatos).

    16 de matemática
    24 de português, literatura e língua estrangeira.
    24 de geografia e história (futuramente filosofia/sociologia também)
    24 de física, química e biologia
    Redação

    Já estaria de bom tamanho, né? Cansativo ainda, mas bem melhor do que o modelo atual. Vejo várias possibilidades melhores, vários esquemas mais interessantes. Contudo...
    Quanto ao Serra, não me lembro dele ter discutido a "duração excessiva e torturante da prova". Acho que ele perdeu uma boa oportunidade de se inteirar do assunto e, mesmo não sendo eleito, contribuir com os estudantes. Ele ficou mais criticando foi em relação aos problemas da prova anterior e o vazamento de informações.
    Abração.

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