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sábado, 15 de outubro de 2011

A CEMIG e suas podas maravilhosas.

A CEMIG pode publicar mil manuais de arborização urbana, mas enquanto não trabalhar junto às prefeituras para que se implante um programa de arborização adequado nas vias públicas (não apenas em uma cidade-modelo ou projeto-piloto) e enquanto realizar podas como as da foto abaixo, os manuais serão apenas árvores cortadas e impressas. (Pelo menos agora existe o formato digital também, para ver se algumas árvores escapam!)

"Poda" feita numa tipuana no bairro Boa Vista. E a paineira da praça da feirinha é que estava ameaçada de cair. Risível, se não fosse chorável. (Foto feita no celular, mas também nem vale a pena uma foto melhor...)
Ramon Lamar de Oliveira Junior

Faixas na Lagoa Paulino

Pura falta de cidadania.
Os donos das empresas já sabem que é proibido. A Secretaria do Meio Ambiente já cansou de tirar faixas e não adianta. Nas sextas-feiras, à tardinha, elas voltam. O investimento é pequeno e, mesmo sendo removidas, já cumpriram sua função.

Faixa totalmente irregular quase em frente à Câmara Municipal. Não acredito que um "OJENATRES" com "RAB NEPO" seja um evento de interesse cultural ou de utilidade pública.
O CDL, que procura fazer uma caminhada ecológica anual, poderia cuidar para que os comerciantes tivessem, o ano todo, uma postura mais ecológica.
Lamentável.

Ramon Lamar de Oliveira Junior

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Flor à Iemanjá (poema em vídeo-slide)

Acabo de receber uma mensagem do Augusto Barros, estudante de biologia (da Universidade Federal Fluminense) e poeta. Ele publicou um poema em video-slide onde usou diversas fotos. Uma delas (a última, que honra!) extraída de uma postagem do nosso blog
Valeu, Augusto! Gostei muito.
Sucesso!!!

Cliquem no link para acessar o poema: http://www.youtube.com/watch?v=urcwRWoRYnA
A postagem com a foto está AQUI.
 
 
Fotos: Ramon Lamar de Oliveira Junior

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Dia da Criança, Dia do Professor...

Na foto abaixo a homenagem aos que são comemorados nesta semana: Dia do Professor (15 de outubro) e Dia da Criança (12 de outubro). De quebra, a ação mais do que louvável: professora ensinando a criança a plantar uma semente de ipê em um saquinho com terra. (Projeto Ecoarte da Escola Doce Lar, no SESC.)


Parabéns aos dois, pelas datas comemorativas e pela atitude!

Foto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Tesourinha ou tesoureiro (Tyrannus savana)

Hoje, na praça Dom Carmelo Motta, um casal (ou dupla, sei lá... não consegui observar o detalhe do tamanho da cauda na hora e nas fotos não foi possível identificar) de tesourinhas parecia divertir-se num dos fios. Não usei flash nas fotos, pois temi que o mesmo pudesse afugentar as aves, por isso as fotos ficaram meio em silhueta. Todos que observavam (e não eram poucos, estávamos numa fila de caixa eletrônico), se divertiam com os movimentos das aves.


 Clique nas imagens para ampliar.

As informações seguintes adaptei de www.wikiaves.com.br (site que reúne boas informações de diversas fontes confiáveis).
Tyrannus savana, popularmente conhecida como tesourinha, tesoura, tesoureira e tesourinha-do-campo. A tesourinha é um ave passeriforme da família Tyranidae. Migrante inconfundível, onde passa em grupos de até centenas de indivíduos, em concentrações típicas nos meses de setembro e outubro. Dormem em uma mesma árvore ou árvores próximas quando estão migrando, seja em áreas naturais, seja em áreas urbanas.
Características: Apesar de não ser colorida, a leveza e graça do voo, bem como a distribuição de cores são muito chamativas. O capuz é negro e apresenta no meio do píleo uma coloração amarela, na maioria das vezes escondido, distingue-se contra a garganta e partes inferiores brancas. Dorso cinza uniforme, com destaque para a longa cauda. Há um discreto dimorfismo sexual, sendo que os machos possuem um prolongamento grande da cauda, especialmente das duas penas mais externas. Sua voz, com as cerimônias: “tzig” (chamada), sequência apressada “tzig-tzig-zizizi…ag, ag, ag, ag” (canto) que emite pousado ou em vôo, deixando-se cair em espiral, com a cauda largamente aberta e a posição das asas lembrando um paraquedas.
Alimentação: Grande consumo de frutos no período de migração. Dispersa a erva-de-passarinho no cerrado, com sua característica semente onde um pé adesivo ressalta-se. A polpa envolvente é uma das fontes principais de abastecimento na migração para o norte, mas como não ingere a semente, limpa o bico nos galhos, deixando presa a semente da próxima erva-de-passarinho. Frutos podem ser vistos em fios e arames, resultado dessa limpeza do bico. Em voo, consegue uma enorme destreza, alterando direção com facilidade, em perseguições mútuas ou à presa (insetos).
Reprodução: Os filhotes nascem no final do ano e em fevereiro/março voam para o norte, no segundo grande movimento de migração da espécie. Todas dirigem-se para a parte norte do continente, onde irão passar o outono/inverno austrais. O casal constrói um ninho ralo de gravetos porcamente amontoados. É comum os filhotes e ovos serem derrubados pelo vento. Os pais se revezam na criação dos filhotes.
Hábitos: Apesar de migrarem em grupos, em setembro os machos já estão exibindo seu característico voo territorial, pairando em espirais com asas e cauda abertos, ao mesmo tempo em que emite o canto longo e rápido, terminado com três ou quatro notas mais espaçadas. Localmente, procuram as áreas abertas, como os cerrados (daí a razão do savana em seu nome científico), pastagens e áreas de cultura, onde ficam pousadas em mourões de cerca, postes, fios e árvores isoladas. Também podem procurar as matas, ou até mesmo cidades.
Distribuição Geográfica: Talvez poucas aves conheçam melhor a América do Sul do que a tesourinha. Existem tesourinhas que vivem no sul (Argentina, Paraguai e extremo sul do Brasil), em várias outras partes do Brasil, no Caribe e no sul do México. Depois do verão, as tesourinhas migram aos milhares para a região da Amazônia, onde permanecem até o inverno acabar. No início da primavera, cada uma volta para a sua região de origem, onde vão reproduzir, criar os filhotes e começar tudo novamente no ano seguinte. Assim, as tesourinhas são muito abundantes nas regiões onde vivem, mas apenas em algumas épocas do ano. Em outras, desaparecem completamente.
 Fotos: Ramon Lamar de Oliveira Junior

Novos patos coloridos!!!

Já reclamei aqui no blog (clique AQUI e AQUI) sobre a "morte de patos" na Lagoa Paulino. Realmente, no período das chuvas o pessoal andou descuidando um bocado e a imagem transmitida para nós nativos e para os turistas não era das melhores.
Agora parece que tudo mudou. Novos patos estão surgindo aos poucos nas águas da Lagoa Paulino. Aproveito para parabenizar os responsáveis pelas "aves". Desta vez marcaram um golaço e os turistas, em especial as crianças (olha a semana delas aí) com certeza vão gostar muito.

Os novos "patos" da Lagoa Paulino.
Vamos lá, prefeitura! Que tal um retoque na tinta do farol?

Foto e texto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

PS.: Que será feito dos patos antigos? Será que vão para outras lagoas? A Lagoa da Catarina, quando recuperada, bem que merece uns patinhos por lá. Com uma boa "guariba" os patinhos antigos ficariam finos!

domingo, 9 de outubro de 2011

Sete Lagoas é (mal) lembrada em Reunião da Assembleia Legislativa

A reunião foi em 20 de setembro último. Assisti agora, reprisada pela TV Assembleia. 
A reunião especial tratou sobre o PPAG - Plano Plurianual de Ação Governamental. O enfoque foi a questão ambiental, em especial a questão da água e saneamento. Algumas falas utópicas sobre o "eficiente controle do fogo no Estado de Minas Gerais nas últimas queimadas" também foram ouvidas.


Mas o que chamou a minha atenção foi a citação veemente de Sete Lagoas em dois de seus problemas constantemente atacados por nós: a questão dos 95% de esgoto não tratado jogado na Bacia do Rio das Velhas e o péssimo estado do nosso lixão (que virou aterro controlado e voltou a ser lixão). A citação foi feita quase ao final do programa. Não consegui achar o link da transmissão. Se alguém conseguir, me avise.

Ramon Lamar de Oliveira Junior

Fotos do Olhares (V)



 
 





Fotos: Ramon Lamar de Oliveira Junior

sábado, 8 de outubro de 2011

As garças e as palmeiras imperiais da Lagoa Paulino

Lá vou eu por um caminho espinhoso... mas tenho que ir.
Na aurora deste blog, ou seja, em 30 de junho de 2010, publiquei um texto sobre as garças e seus danos na antiga paineira ao lado da Ilha do Milito ("Ilha das Garças") e na figueira (Ficus elastica) próxima ao Cine Fox (leiam clicando AQUI).
Retorno ao assunto porque as garças praticamente alcançaram seu objetivo, danificando irreversivelmente a figueira. Agora, aliás já tem um bom tempo, ameaçam provocar o mesmo efeito nas palmeiras da orla da Lagoa Paulino, notadamente na região próxima à Praça Francisco Sales (entre o Ricardo Eletro e o Iporanga, para quem não é lá muito bom em nomes de ruas e praças). Pelo visto, serão as próximas. A calçada já está tomada pelo guano das aves. Dali elas irão para onde? Para os buritis da Lagoa Paulino, para a sapucaia do Mercadão ou para as gameleiras da Estrada dos Tropeiros?


As garças procurando a copa das palmeiras no final da tarde.
O guano no chão.

A solução que proponho, dentro do que já foi exposto no tópico antigo é a mesma: fogos de artifício fracos para incomodar as mesmas e forçá-las a procurar locais menos problemáticos. A dura luta que ocorre dentro da ecologia urbana. É importante discutirmos o assunto, aliás já passou muito da hora. Duas árvores grandes já se foram e um dos cartões postais da cidade está ameaçado.


 Ramon Lamar de Oliveira Junior

Calçada da Lagoa Paulino: de quem é a responsabilidade?

Li, uns dias atrás, que o prefeito na posse do Secretário de Meio Ambiente afirmou que o mesmo teria a função de "embelezar a cidade" (foi no Blog Oficial do SAAE, cliquem AQUI). Aliás, esse mesmo discurso foi feito na posse do secretário anterior. Convém lembrar que a função de um secretário de meio ambiente vai muito além de embelezar a cidade e eu tenho certeza absoluta que o secretário atual sabe muito bem disso e já vem dando mostras de sua capacidade. Talvez seja melhor criar um departamento de parques e jardins para tal ação (tenho certeza de que não seria difícil encontrar quem toparia tal cargo). 
Mas se o prefeito realmente quer cuidar da beleza da cidade, bom seria rever o que foi feito na calçada da Lagoa Paulino. Há coisa de 3 ou 4 anos atrás, toda a calçada foi trocada causando um grande transtorno aos passantes. Já está cheia de locais como os das fotos abaixo, principalmente na região do Hotel Lago Palace e feirinha:


Daqui há pouco vai ficar difícil enxergar o 7L, até porque em alguns locais a forma nem foi usada.
Não me parece ser tarefa do Secretário de Meio Ambiente, talvez algo mais afeito à Secretaria de Obras. Aliás, se depender de discurso, as lagoas estão sendo arrumadas desde a campanha eleitoral passada.

Ramon Lamar de Oliveira Junior

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Humor: Gerador de Lero-Lero

Como o pessoal aqui é meio sério, sei que muitos não conhecem.
Mas não deixa de ser uma brincadeira interessante (e sabe-se lá quando você terá que fazer um discurso daqueles que ninguém estará prestando atenção mesmo...).
Visitem o gerador clicando AQUI.
O Fabuloso Gerador de Lero-lero v2.0 é capaz de gerar qualquer quantidade de texto vazio e prolixo, ideal para engrossar uma tese de mestrado, impressionar seu chefe ou preparar discursos capazes de curar a insônia da plateia. Basta informar um título pomposo qualquer e a quantidade de frases desejada. Voilá! Em dois nano-segundos você terá um texto - ou mesmo um livro inteiro - pronto para impressão. Ou, se preferir, faça copy/paste para um editor de texto para formatá-lo mais sofisticadamente. Lembre-se: aparência é tudo, conteúdo é nada.

Leiam sobre o tremor (no blog do Flávio) e de lá, para o Sete Dias

Eu estava começando a escrever sobre o assunto. Aí ele publicou primeiro. Como ele dispõe de mais dados, é arquiteto, cedo-lhe humildemente a primazia. Cliquem AQUI.

E o prédio tremeu... Foto: Jornal Sete Dias.

Troca de e-mails sobre as Unidades de Conservação (Parte 2)

Atendendo a pedidos, segue a parte 2 dos e-mails:

K., bom dia.
Realmente é lamentável o que uma administração equivocada pode gerar, né?!
Olhe, o IEF/MG é o órgão ambiental estadual mais antigo do Brasil. Minas Gerais pode se orgulhar de, em um passado remoto, ser a vanguarda brasileira no quesito proteção ambiental. Pena que os tempos são outros.
Na verdade, todos os estados estão sucateados e desprovidos de administradores sérios e competentes. Dinheiro tem, é fato, mão de obra obstinada também (e de reserva, vale destacar), porém não há repasse... Olhares brasileiros estão voltados apenas para Amazônia e esquecem dos Cerrados, Caatingas, Mata Atlântica, e todos suas nuances. Ademais, apesar dos esforços, a situação ambiental é crítica, desesperadora e desestimulante em todo país.
Olhe, depois da envolvimento e prisão do Humberto Candeias, que para muitos era considerado um ambientalista defensor e coerente, não duvido mais nada do Instituto Estadual de Florestas, infelizmente.
Mais cá pra nós, não há porque perder as esperanças, a garra, a vontade e o instinto maternal. Temos que nos manter sóbrios e realistas. Fortes e preparados. Crédulos e convictos, pois tem que melhorar.
Obrigado pelo repasse da informação. Comovente e desesperador.
Imagino tudo, pois lembro-me de como foi árduo combater fogo, ver a natureza estralar e tudo se perder.
F.


Faço eco às palavras do B.
A situação está crítica em todo país. A política é desenvolvimentista. Em relação ao ES, MG está até bem, por aqui mais da metade de nossas Unidades de Conservação estão sem gestores, as que tem são formadas por uma "euquipe" tendo as vezes guardas-parque como o servidor de maior patente.
Como estratégia, estamos concentrando esforços para convencer proprietários a criarem RPPN's, que por enquanto é o que garante a perpetuidade de algumas áreas, já que hoje basta uma Medida Provisória para que uma UC de domínio público deixe de existir. Confiram o artigo:


CAMPEONATO DE REDUÇÃO DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
03 de Outubro de 2011

Quando o próprio Executivo, que tem obrigação constitucional de conservar a natureza, propõe redução de parques nacionais, através de medidas provisórias, ou projetos de leis o que se pode esperar é o que vem acontecendo em nosso país. Ou seja, cada vez mais propostas de diminuição de unidades de conservação legalmente estabelecidas; mudanças de categorias de manejo, sempre das mais restritas para as menos restritas e, obviamente, extinções de áreas protegidas. Os interesses particulares aproveitam da oportunidade para pedir a alguns dos políticos que os ajudem a destruir o que foi duramente construído nas últimas sete décadas da nossa história. Isso era guerra avisada!
Creio mesmo que, neste momento, o nosso país deve ser o campeão mundial de extinção e redução de Parques Nacionais e Estaduais. A lista é enorme: parques nacionais como Chapada dos Veadeiros, Pontões Capixabas, Monte Pascoal, Monte Roraima, Serra da Canastra, Araguaia, e estaduais como a Serra do Tabuleiro, Cristalino e tantos outros. Faz poucos meses que o Estado de Rondônia eliminou, de uma vez só, sete das suas unidades de conservação. No momento há pelo menos 20 projetos de lei para se redelimitar, ou para se mudar categorias de áreas protegidas no Legislativo Federal.
Não é só a Presidente Dilma que propõe a redução de áreas protegidas. Infelizmente, embora o assunto tenha se tornado mais grave nas últimas décadas, há que se lembrar de que o Parque Nacional de Sete Quedas, por exemplo, durou somente 20 anos. Foi estabelecido em 1961 e extinto em 1981 para dar lugar à hidroelétrica de Itaipu. Sete Quedas, juntamente com o Parque Nacional do Araguaia, foram os dois Parques Nacionais propostos pela primeira vez no país pelo abolicionista André Rebouças em 1876. Ambos já eram: O de Sete Quedas foi extinto e o do Araguaia foi reduzido de tamanho em duas oportunidades e o pouco que ficou está submetido à figura esdrúxula da dupla afetação. Quem se lembra de que na cidade do Rio de Janeiro existiu uma bela Reserva Biológica em Jacarepaguá?

APA não é UC
O que abunda hoje em dia no nosso país são as propostas de se mudar de categoria de Parques, Reservas Biológicas e Estações Ecológicas para Áreas de Proteção Ambiental, as famosas APAs e é fácil de entender o porquê. Primeiro, nossa população não sabe em geral a diferença fundamental de um Parque Nacional ou Estadual ou de outras categorias de uso indireto dos recursos naturais, por exemplo, para APAs. Esta é uma categoria de uso direto dos recursos naturais que pode ser decretada em terras de particulares e não necessita de desapropriação, o problema mais grave de todo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Assim e ainda mais com este nome simpático de “Área de Proteção Ambiental” parece que pouco muda na prática. Não é verdade, pois muda drasticamente.
Nas APAs as restrições de uso são as mesmas da legislação orgânica em vigor para qualquer propriedade particular do país. As APAs não passam de ordenamentos territoriais. Já áreas protegidas como Parques Nacionais, Reservas Biológicas, ou Estações Ecológicas necessitam que suas terras sejam de domínio público e as restrições de uso são severas para se preservar a biodiversidade e os recursos hídricos, entre outros recursos.
Não é à toa que se diz principalmente em foros internacionais, que o Brasil tem 17% de sua extensão territorial como unidades de conservação. É uma falácia, pois dos 75 milhões de hectares no nível federal mais da metade é de unidades de conservação de uso direto dos recursos naturais (Reservas Extrativistas, Reservas de Desenvolvimento Florestal, APAs e Florestas Nacionais) e no nível estadual, que possui 73 milhões de hectares decretados, o escândalo é bem maior, pois 58 milhões são de uso direto e a grande maioria é APA, que não servem para garantir a proteção de nossa inigualável biodiversidade.

Mau exemplo
Apesar desse fato, nunca antes o nosso país registrou uma avalanche tão grande de propostas de eliminação, redução ou mudança de categorias de áreas protegidas como nos últimos cinco anos. O país está fazendo isso quando pretende ser campeão mundial de proteção ambiental, quando vai receber com grande pompa a Rio +20, quando tem a pretensão de dar exemplo no combate às causas do efeito estufa. Oxalá o nosso país não necessite se envergonhar diante da opinião pública mundial dando preferência a interesses de curto prazo sobre os de médio e longo prazo.
Erra o Executivo Federal, que tem o dever de ser o maior defensor das áreas protegidas decretadas, em propor sua alteração, diminuição, mudança de objetivos, através de medidas provisórias. Erra ao facultar assim que membros do Legislativo se aproveitem da situação para atender problemas supostos ou reais de seus estados natais ou tocas eleitorais. Se o próprio Executivo parece não se importar com o futuro do Sistema Nacional de Unidades de Conservação porque os Executivos e Legislativos Estaduais ou Municipais deveriam fazê-lo? Porque os interesses privados não aproveitariam para lançar seus cantos de sereia sobre o crescimento econômico? É um mau exemplo e um péssimo precedente. Tomara que não se cometa mais este enorme erro. Tomara que as autoridades responsáveis, ao contrário de atentarem contra o sistema nacional de áreas protegidas, pensem seriamente em medidas de sua urgente implantação no campo.
O Sistema Nacional de Unidades de Conservação apresenta tanta fragilidade porque não se encontra implantado. Nosso povo ainda não consegue perceber a necessidade e a vantagem de se ter áreas protegidas de uso indireto dos recursos naturais, pois a grande maioria está entregue à própria sorte. O Brasil gasta R$2,00 para proteger um hectare (10.000 m²) de unidade de conservação, conforme declaração de autoridades do próprio ICMBio e tem 1 fiscal para 100.000 hectares. Este evidente descaso é o principal motor da fragilidade política de conservar os nossos recursos naturais. Assim partem para o ataque, com complacência dos atores envolvidos.


PS.: Leia a parte 1 clicando AQUI.

Troca de e-mails: As Unidades de Conservação em Risco (Parte 1)

(RECEBI POR E-MAIL E PEDI AUTORIZAÇÃO PARA PUBLICAR AQUI, SUPRIMINDO O NOME DAS PESSOAS E DAS UCs)

Colegas e amigos,
Por favor, vejam as mensagens abaixo vindas de gerentes importantes de Unidades de Conservação do Estado de Minas Gerais. Já havia me chocado com mudanças de gerência e exonerações sumárias em plena estação seca e em ano de El Niño. Nunca houve dúvida para mim que o intensidade das queimadas que nos assolaram foi devido à negligência do governo de Minas. Agora esta informação abaixo, é simplesmente chocante! Reflete o total abandono do Meio Ambiente mineiro.
Me pergunto, sinceramente, quantos proprietários que deixaram suas reservas legais queimarem vão conseguir converter o uso da terra para plantio. Vivemos um escândalo, e o silêncio da Academia será um gesto de cumplicidade.
Atenciosamente,
R.


Prezados senhores e senhoras:
Esse final de semana eu vi coisas surpreendentes que gostaria de compartilhar com vocês.
Eu vi funcionários queimando seus rostos e os seus calçados, diga-se de passagem, comprados por eles mesmos, para apagar um fogo em um Parque do Estado. Estes funcionários haviam assinado na sexta-feira dia 30 de setembro o seu aviso prévio que veio sem aviso! Os precederam sim rumores. De texto oficial, somente vi o próprio aviso prévio com data para 19/10/11. Não sei em qual parte dos fluxos de informação esta informação ficou retida, mas o fato é: Ficou!
Enquanto isso na rádio IEF se ouvia um jogo desleal: UC’s versus Fogo. Um arraso! Fogo dentro ou trazendo risco a todas as unidades de conservação da minha Regional: Fogo na APA das Águas Vertentes, próximo aos regularizados Pico do Itambé e Rio Preto, fogo a alguns metros da Estação Ecológica da Mata dos Ausentes, fogo na Serra do Intendente, fogo na Serra Negra, e é lógico, como de praxe: fogo no Biribiri.
Alheias as pessoas passavam e observavam o fogo como quem vê algo que não lhes afeta. Algumas tinham até um sorriso no rosto e diziam: “É... deram serviço pro IEF...” Eu comigo pensava, com a propriedade de cinco anos em frente de uma UC sem estrutura e com mais de 200 incêndios no currículo: Para quem será esse fogo? Será que é para essa turma de funcionários? Que perdem seus finais de semana e noites protegendo essa área que é de todos? Será para mostrar que, por mais trabalhos de integração junto à comunidade, ela não quer mesmo esse Parque? Será para o IEF, dito algoz do homem do campo e cerceador do desenvolvimento social? Será para o governo que criou essa unidade há treze anos e até hoje não adquiriu um único palmo de terra? Confesso que não sei. Acho que nunca saberei ao certo. Mas arrisco dizer que é um pouco para cada um dos citados.
No final de sete horas de combate, chamuscados pelas chamas e pelo sol escaldante, ainda não havíamos conseguido extinguir o foco. Estimavam-se mais de 150 hectares queimados dentro do Parque. E se programava nova investida às cinco da manhã do dia seguinte. Na turma, já não se observava aquela esperança de outros combates e frases como: “Vai melhorar amanhã!” “Tá fazendo jeito de chuva!” “Antes isso aqui era bem pior...” E outras mais que amenizam o sofrimento de quem está na frente do fogo. Os rostos estavam frios, e as frases se limitavam a angustiantes: “É... não é fácil...”
Só quem esteve em combate sabe o que é um incêndio florestal. Disso não tenho dúvida! Isso não é passado pela TV! Isso não é mostrado pelos gráficos! Ver seu trabalho de anos, tostar em minutos! Queimar a pele e sentir seco o corpo e a alma! Perder a fome? Sentir desconforto no estômago? Se ver impotente e frágil? A vontade é de chorar! E não escondo não, por muitas vezes nesses anos, mesmo sozinho, chorei sim. Findado nosso trabalho resta o rastro de destruição. 
O que se tinha de bom? Como se diz por ai: "Nossos companheiros!" Eram nosso alicerce, nosso porto seguro. Mas não mais!! Eles voltarão, dizem. Entretanto o que eu vejo são ótimos funcionários correndo atrás da sua vida, lógico! E graças a Deus, arrumando outro emprego, abrindo uma oficinazinha, se mudando para a capital. Dar-se-ão bem sim! São valorosos funcionários! No final de tudo quem perderá mais, mais uma vez é o Parque. É a queda worldtradecentrica do trabalho erguido tijolo a tijolo por cinco anos.
Nas rádios da Diamantina já tocou: “Extra, extra, os insuficientes funcionários do Parque foram demitidos!!! Atentos todos os incendiários, caçadores, garimpeiros, churrasqueiros e demais descumpridores de normas e leis de plantão! Sua oportunidade é essa!!!”
O que fazer agora caros amigos? Sinceramente, estou perdido. Isso aqui é também um pedido de ajuda! Não sei o que fazer com esse peso que já era grande a dezoito mãos e agora está apenas sobre seis.
É.. A previsão marcou chuva.. Pois que venha toda ela!! Caso contrário preparem seus gráficos!! Eles vão aumentar e muito. E eu que ouvi falarem em “Fogo zero no Estado”... Como estão suas projeções caros amigos gerentes? Não são boas as minhas..
Desculpem se enchi todos vocês com minhas baboseiras e lamúrias. Sei que estão tão desgastados e "endúvidados" como eu e às vezes nem podem se dar ao luxo de ler tantas linhas em um email...
Mas eu tinha que tirar essas palavras. Elas estavam presas, na minha garganta, nos campos queimados, no sol impiedoso e no semblante da minha turma.
Espero que todos tenham boa tarde!
Abraços!
F.


Nós, gerentes de unidades de conservação, estamos todos desesperados, desamparados.
Foram demitidos todos os funcionários das UCS e este desabafo do F. representa o sentimento da maioria dos gerentes.
No T. vão ser demitidos 08 funcionários, ou seja, vamos ter que fechar as portas.
K.


K.,
Eu compartilho seu desespero! Meu choque com o que está acontecendo começou quando cheguei no Rio Doce em agosto e descobri o que tinha acontecido com o O.! Após isto, eu já previa, para um ano de El Niño, o desastre que nos aplacou com o fogo. Eu acho que temos que iniciar um esforço de condenação do Estado de Minas Gerais no Ministério Público Federal pela negligência e cumplicidade com a destruição florestal de MG. Por este processo, passa claro o desmantelamento das gerências e a falta de treinamento de Corpo de Bombeiro capacitado e priorizando incêndios florestais.
É preciso uma ação iniciada no Ministério Público e um esforço de abaixo-assinado por trás [...] denunciar os absurdos ambientais de MG.
R.


Precisamos muito da ajuda das universidades e ongs, para cobrar do estado.
Estou hoje sem chão, está muito difícil.
Vou dar o aviso prévio a todos os funcionários do T.  amanhã.
Pessoas que  ajudaram tanto.
Nossa,  está muito desanimador e ainda ver que tudo que construímos no IEF ir abaixo. Eles vão fechar todas as UCS do Estado por falta de gente .
K.


(PS.: Leiam a Parte 2 clicando AQUI)

As árvores e os vizinhos...

CARTA 1 (VIZINHO DA DIREITA)

Prezada vizinha,

estou acionando o setor jurídico que me assessora nas constantes decisões do dia a dia para interpelá-la no sentido de conduzir à remoção de uma árvore do tipo mangueira presente em seu quintal e que muito me incomoda e à minha família. A referida planta lança constantemente folhas em meu telhado, entupindo a calha e obrigando-me ao gasto anual na contratação de um serviço especializado para a limpeza das mesmas. Vez ou outra um fruto cai sobre o telhado de telhas coloniais de cerâmica, podendo quebrá-las. Alguns morcegos também frequentam a supracitada árvore e carregam sementes e frutos que espalham sobre o meu telhado. Pelo exposto, exijo a supressão imediata da árvore ou o compromisso tácito de reparação de todos os danos que possam ser causados a partir desta data.

Cordialmente,

Nonono nonono nonono


CARTA 2 (VIZINHO DA ESQUERDA)

Querida vizinha,

Uma das muitas árvores do seu quintal, uma mangueira, está no limite dos nossos lotes. Peço sua permissão para colher as mangas que estão sobre o meu lote e meu telhado. Sei que as mesmas são deliciosas e se for necessário estou disposto até mesmo a pagar quantia justa por elas. Fico muito preocupado com as suas árvores. Temo que num gesto impensado a senhora algum dia resolva cortá-las. Saiba que suas árvores são o frescor das nossas casas, o oxigênio que necessitamos e a alegria de ouvir os pássaros cantando sobre elas ao amanhecer e ao entardecer. Algumas folhas caem sobre minha casa e meu pequeno quintal. Não tardo a coletá-las e colocar para compostagem, sendo muito útil para a fertilidade do solo de minha pequena horta. Aguardo ansiosamente sua resposta.

Receba um abraço,

Ononon ononon ononon

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Necessidade de poda

O amigo Gustavo Mahé, da ADESA, enviou um e-mail solicitando que eu divulgue o fato seguinte.
Segundo ele, a ADESA já protocolizou vários pedidos de poda na Secretaria Municipal do Meio Ambiente em relação a algumas árvores com problemas na Serra de Santa Helena. Contudo, os protocolos estão arquivados e nada de solução. Gustavo está esperançoso pois foi informado que a SEMMA contratou nova equipe para as podas. Mesmo assim, como a esperança é a última que morre (mas morre), ele pediu para dar uma ajudinha aqui pelo blog.
Observem só a árvore com o caule danificado, bem ao lado da fiação. Se não estou enganado, por ali passa o cabo óptico da Embratel, relacionado ao sistema da grande antena do fundo da Serra de Santa Helena.

 Fotos: Gustavo Mahé. Clique nas imagens para ampliar.

Ramon Lamar de Oliveira Junior

A Garça Branca Pequena (Egretta thula)

Esta outra garça (hoje, não sei o motivo, foi o dia de postar imagens de aves) encontrei na Praia do Além (Ubu, Anchieta, ES). Mais sociável, deixou fazer várias imagens.


Garça-branca-pequena (Ubu/Anchieta, ES - maio/2011). Foto: Ramon L. O. Junior
Seguem-se algumas informações sobre a espécie disponíveis no site Brasil: 500 Pássaros (clique AQUI).

Família: Ardeidae
Espécie: Egretta thula
Comprimento: 51 a 61 cm. 
Está presente em todo o Brasil e desde o sul dos Estados Unidos e Antilhas à quase totalidade da América do Sul. Comum em manguezais, estuários e poças de lama na costa, sendo menos numerosa em pântanos e poças de água doce. Alimenta-se de peixes de forma bastante ativa. Reproduz-se em pequenas colônias exclusivas ou em meio a colônias de outras espécies, no manguezal. Os ninhos são plataformas construídas de gravetos. Põe de 2 a 4 ovos azul-esverdeados. Conhecida também como garcinha-branca e garça-pequena.

A Garça Azul (Egretta caerulea)

Garça-azul (Vitória, ES - maio/2011). Foto: Ramon L. O. Junior
Encontrei o exemplar acima equilibrando-se nas pedras de um cais em Vitória (ES). Infelizmente foi um disparo só, mas até que ficou legal. O belo exemplar voou logo em seguida. Seguem-se algumas informações sobre a espécie disponíveis no site Brasil: 500 Pássaros (clique AQUI).

Família: Ardeidae
Espécie: Egretta caerulea
Comprimento: 51 a 64 cm. 
Presente em todo o litoral brasileiro, Pantanal e Bacia Amazônica. Encontrada também desde o sul dos Estados Unidos e América Central até a Colômbia, Peru, Chile e Uruguai. Habita manguezais e lamaçais do litoral, os quais explora nos momentos de maré baixa, além de alagados, rios e lagos, sendo mais comum em áreas costeiras.
Vive sozinha ou em grupos espaçados de 2 ou 3. Seus ninhos são plataformas construídas de gravetos, geralmente em manguezais, localizados de 1 a 3 m acima da linha d'água. Põe de 2 a 5 ovos azuis. Conhecida também como garça-morena (Pará).

Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel...


... num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu... (Toquinho)

Foto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Perseverança é isso...

Exemplo para nós, frágeis seres humanos. Paredão da Gruta Rei do Mato. 04out2011
Foto: Ramon Lamar de Oliveira Junior