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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Os partidos políticos e a Lagoa da Chácara

Recentemente, aqui em Sete Lagoas, estamos vendo os partidos políticos se movimentando e se posicionando em torno de questões-chaves. O PT tem mostrado, como é de sua característica histórica, um debate mais incisivo: posicionou-se em relação à sua participação no governo municipal e deve ir também nessa direção em relação à questão SAAE x COPASA. Os outros partidos, não sei se por falta de mecanismos mais claros e participativos de informar aos eleitores, têm se mantido mais "calados".
Aproveito para cobrar de todos os partidos que têm representação em Sete Lagoas, um posicionamento mais claro em relação à questão da Lagoa da Chácara e o empreendimento que ali se pretende fazer. Seria importante que pudéssemos ler esses posicionamentos agora, e não "quando a Inês é morta" ou nas vésperas da próxima eleição municipal. 
Com a palavra, os líderes dos partidos! Quem se habilita?

PT?  PMN?  PV?  PP?  PMDB?  PSOL?  PSDB?


As respostas do PT e do PV já chegaram. Confira nos comentários.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Lagoa da Chácara em duas entrevistas.

Hoje, faltando 2 dias para a audiência pública que poderá decidir o destino da única grande área verde dentro da área urbana de Sete Lagoas, duas entrevistas agitaram o rádio, quase simultaneamente.
Na Rádio Cultura, seis integrantes da ONG IMMAC (Instituto Municipal de Meio Ambiente e Cultura) foram entrevistados pelo João Carlos. Excelente a entrevista. Fui convidado a participar mas meus compromissos na parte da manhã não permitiram que eu confirmasse a participação. Sinceramente, a fala do grupo foi coesa, simples e direta. Não fiz falta mesmo. Ouvi a entrevista inteira e só tenho aplausos para os colegas e a causa que defendemos. E também para o João Carlos, que abriu os microfones para a população conhecer a questão.

Shopping Center e região da Fazenda Arizona, vistos da área do Parque da Cascata na Serra de Santa Helena. A grande área verde dará origem (pelo projeto da EPO EMPREENDIMENTOS) a mais de 600 lotes. Observem o tamanho das árvores. Não é um "cerradinho ralo" (clique na imagem para ampliar). Não é um pasto. É área verde da melhor qualidade e impacto positivo para o ambiente. A tal área verde está marcada para ser substituída pelos lotes do "Condomínio 1" na imagem do empreendimento proposto: clique aqui para ver o mapa do empreendimento.
Mudo o dial para a Rádio Eldorado, programa Frente a Frente do Gamela. O Flávio de Castro (Secretário de Planejamento) estava divulgando seu posicionamento a respeito da questão do empreendimento na área da Lagoa da Chácara. Um arquiteto urbanista, intelectual e sensível ao desenvolvimento sustentável, não poderia trilhar um caminho muito diferente do caminho que segue o movimento ambiental, pela legalidade e pela preservação da qualidade de vida. Flávio ainda vislumbra a possibilidade de uma ocupação negociada da área, contudo sabemos todos que a área é muito complicada do ponto de vista biológico, ambiental, hidrológico e geológico. Enviei um abração para o Flávio e para o Gamela e fui convidado pelo radialista para participar de um programa futuro para falar sobre a questão da área. Gamela, estamos aí. Infelizmente, ou felizmente, terá que ficar para depois da Audiência Pública sobre o tema. De qualquer maneira, será muito produtivo. Não se esqueça de convidar aí em seu programa, como convido aqui no blog, a participação da comunidade setelagoana na Audiência Pública - próxima quinta-feira (22 de fevereiro de 2011), no auditório da UNIFEMM, às 19 horas.

Foto e texto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

Que calor!!!

Verão é assim mesmo, um calorão só. E ainda tem gente que acha bonito propor o corte de árvores para fazer condomínio de "luxo". Transforma tudo em um deserto, depois faz um condomínio de "luxo". Será que querem transformar aqui em Abu Dhabi: luxo no deserto? Se bem que lá em Abu Dhabi eles estão tendando fazer áreas verdes no deserto. Aqui o negócio é fazer desertos em áreas verdes. Só o tal do Homo sapiens mesmo!!!
Sapiens mesmo é o Furnarius rufus, o nosso querido joão-de-barro. Deveria chamar-se Furnarius sapiens! Além de toda sua engenharia repetida milimetricamente à exaustão, o danadinho sabe aproveitar a vida. Olha ele aí, na Praça Dom Carmelo Mota, aproveitando uma poça d'água para refrescar.

Furnarius rufus, o joão-de-barro, refrescando-se na grama molhada. Fevereiro de 2011.
Furnarius rufus, o joão-de-barro, tomando conta da sua casa que já tem eletrificação rural. Estrada para Santana do Riacho, Serra do Cipó, MG. Fevereiro de 2011.
Foto e texto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Borboleta 08 ou 80: gênero Callicore

Quando mostrei a foto da borboleta 88 do post anterior (Diaethria), ainda na câmera, para minha filha, ela disse: - "Eu também fotografei essa borboleta." Só hoje fui olhar com detalhes as fotos que ela fez, junto comigo, no passeio ao Parque da Cascata. Foi então que eu percebi que ela havia fotografado outra borboleta, bem na grade de proteção da cascata. Trata-se de uma Callicore, provavelmente Callicore sorana.
Infelizmente a foto ficou um pouco "de longe". Em se tratando da minha filha, foi até perto demais: ela morre de medo de borboletas!

Borboleta do gênero Callicore, fotografada no Parque da Cascata - Sete Lagoas - MG. Foto: Marina Costa Oliveira

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Borboleta 88: gênero Diaethria

Diaethria é um gênero de curiosas borboletas que possuem desenhos nas asas que lembram números. A da foto foi flagrada no Parque da Cascata, hoje pela manhã. Vive nas matas dos vales e da encosta da Serra de Santa Helena. Se um dia as borboletas dessa espécie desaparecerem, as pessoas vão perguntar: Como foi possível? Aí alguém responderá: O pessoal, naquela época, estava mais preocupado com o dinheiro do que com a preservação.
Foto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Manifestação "Fora Maroca"

Excelente o texto do blog No Prelo (clique aqui). O título escolhido não poderia ser mais feliz (Uma faísca). Realmente, através de conversas com algumas pessoas da organização da passeata, percebi que seria um movimento mais de protesto do que um descontrole coletivo. Infelizmente a participação popular foi pequena, mas movimentos sérios começam assim. A incerteza sobre o rumo que o movimento tomaria nas ruas e o horário da manifestação pegou muita gente numa condição de impossibilidade de participar (como no meu caso). Desejo sucesso aos participantes e organizadores do movimento e que saibam cobrar do prefeito (e também dos vereadores e demais gestores públicos) as mudanças e explicações necessárias. E, como alertou o Marcão, cuidado com os oportunistas de plantão.
Um lado meio cômico do evento foi a maquiagem da praça da prefeitura para receber os manifestantes. Algumas horas antes da manifestação eu estava por lá com o pretexto de tirar algumas fotos para meu trabalho mensal de registro das árvores da cidade (como já comentei em outro tópico). Encontrei a praça cheia de funcionários fazendo a limpeza, dando ordens, ligando "para mandar mais dois capinadores" e tal. 
Agora, quem sabe, podemos marcar as próximas manifestações para as Lagoa da Catarina, do Cercadinho ou do Brejão (quem sabe resolvem os problemas desses locais).

Praça Rio Branco (praça da prefeitura) sendo preparada para a manifestação, às 9:40.
Praça Rio Branco (praça da prefeitura) maquiada, às 17:40. Caiação é brincadeira, viu? Podiam, ao menos, ter usado uma pintura correta, com as tintas próprias pra esse tipo de trabalho e para uma praça importante como é a praça da prefeitura. Acho até que está merecendo um post só sobre essa praça, tão importante no imaginário de todos nós. (Fotinha feia, desculpem, essa foi com o celular.)
 Fotos e texto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Pelas ruas da cidade... (4)

Pau-ferro (Caesalpinia ferrea)
Calistemo (Callistemon sp.)
Grevílea-anã (Grevillea banksii)
Magnólia amarela (Michelia champaca)
Espirradeira (Nerium oleander)
Quaresmeira (Tibouchina granulosa)
Fotos: Ramon Lamar de Oliveira Junior

Sete Lagoas Exportadora de Esgoto

A notícia no www.setedias.com.br


11/02/2011: “Sete Lagoas é exportadora de esgoto”
Celso Martinelli

O coordenador do Projeto Manuelzão e presidente do Comitê de Bacia Hidrográfica da Bacia do Rio das Velhas, Rogério Sepúlveda, criticou a inércia de Sete Lagoas no que diz respeito a ações para o tratamento do esgoto do município, o que afeta o projeto de despoluição do Rio das Velhas. Ele ressalta que Sete Lagoas é uma cidade rica e com economia em franca expansão, mas que exporta para a população “rio abaixo” o ônus da falta de tratamento dos seus esgotos. “O tratamento é uma obrigação socioambiental que a cidade deveria colocar como prioridade máxima”, afirma. Para Sepúlveda falta mais sensibilidade do poder público municipal para resolver de vez o problema. Confira a seguir, a entrevista:

SETE DIAS - Como está a participação de Sete Lagoas na despoluição do Rio das Velhas?
Rogério Sepúlveda - Sete Lagoas continua a não tratar os esgotos gerados em seu território, principalmente na sede do município. Esta falta de tratamento adequado prejudica intensamente a qualidade das águas do Ribeirão Jequitibá e do Rio das Velhas. Mas é na bacia do Ribeirão Jequitibá, bacia na qual grande parte do território de Sete Lagoas está inserido, que é sentida com mais intensidade a poluição decorrente da ocupação urbana e de atividades industriais e rurais. O Ribeirão Jequitibá tem vários trechos de cursos de água com baixo nível de qualidade de água decorrente principalmente de lançamento de esgotos domésticos e industriais.
SD - Qual a situação do rio antes de chegar à região e depois que recebe os dejetos de Sete Lagoas?
Rogério Sepúlveda - O monitoramento de qualidade de água realizado pelo Subcomitê da Bacia Hidrográfica do Ribeirão Jequitibá, órgão vinculado ao CBH Rio das Velhas, com apoio da Escola Técnica de Sete Lagoas, do Projeto Manuelzão e do Ministério Público, mostrou que o Córrego Matadouro tem qualidade de água muito ruim segundo o IQA (Índice de Qualidade de Água), metodologia adotada também pelo Instituto Mineiro de Gestão de Águas (Igam). Depois de receber o Córrego Matadouro, o Ribeirão Jequitibá tem suas águas fortemente alteradas e a população que vive em suas margens fica impossibilitada de utilizar essa água para seu uso, sob risco de ser contaminada. O resultado desse monitoramento mostra que Sete Lagoas, uma cidade rica e com sua economia em expansão, vem exportando para a população de outros municípios que vivem "rio abaixo" o ônus da falta de tratamento dos seus esgotos, obrigação socioambiental que o município deveria colocar com prioridade máxima.
SD - Quais as dificuldades de conscientizar as autoridades da cidade para ter o mesmo empenho de outros municípios?
Rogério Sepúlveda - Falta sensibilidade do poder público para a importância de se tratar seu esgoto, não prejudicando as populações de outros municípios.
SD - O argumento da falta de recursos justifica o fato de Sete Lagoas não participar efetivamente?
Rogério Sepúlveda - Não, pois é uma cidade rica, com grande poderio econômico e político.
SD - Há outras cidades em que a situação estava pior e se adequaram?
Rogério Sepúlveda - Cidades bem menores conseguiram projetos de construção de estações de tratamento de esgotos e já iniciaram as respectivas obras.
SD - Há algum tipo de punição caso o cenário não mude? A cidade pode sofrer sanções?
Rogério Sepúlveda - Há uma deliberação do Conselho Estadual que estabeleceu prazo para regularização da questão do tratamento de esgotos e a falta de cumprimento pode gerar multas aos municípios. Mas a pior punição já está sendo sofrida pela população de Sete Lagoas e demais municípios, já que muitas pessoas moram próximas aos cursos de água e tem seus filhos correndo risco de contrair doenças. Além da baixa qualidade de vida e um ambiente degradado. Estas pessoas poderiam ter próximo de suas casas córregos com qualidade de água satisfatória e ambientes saudáveis.






A resposta do SAAE, publicada no blog oficial EM FOCO:

17 de fevereiro de 2011: Direito de resposta encaminhado ao Jornal Sete Dias

Em resposta à reportagem veiculada 11/02, Jornal Sete Dias, “Sete Lagoas é exportadora de esgoto”, o Saae informa :

1 - Com relação a “participação de Sete Lagoas na despoluição do Rio das velhas”
Sete Lagoas é uma das poucas cidades que tem cobertura de quase 100% (98%) de coleta de esgoto. O primeiro projeto básico para construção de ETE na cidade foi elaborado pela empresa Tecminas em Março de 2002 e desde então o município tenta recursos financeiros para a sua execução. Este projeto foi adequado e novamente o SAAE e a prefeitura encaminharam em Março de 2009 e Outubro de 2010, ao Ministério das Cidades para o programa PAC-2, uma Carta Consulta solicitando mais uma vez recursos da ordem de 55 milhões para a execução desta ETE. O Ministério selecionou Sete lagoas para receber recursos no valor de R$ 1.200.000,00 (Hum milhão e duzentos mil reais) para a adequação e elaboração do projeto executivo.
Em 14 de Fevereiro último, encaminhamos para aprovação prévia do Ministério das Cidades, cópia da minuta do Edital e Termo de Referencia para posterior envio à CEF que será o agente financeiro responsável pela liberação dos recursos.
O município tem feito portanto o que pode e o que está a seu alcance fazer, e tem dado prioridade a esta importante obra para Sete lagoas e região.
O SAAE tem mantido contato com o Ministério das Cidades, através do Secretário Nacional de Saneamento Ambiental, o Sr. Leodegar Tiscoski, e através de recursos do PAC 2 a construção da ETE que fará o tratamento de 70% dos efluentes sanitários gerados pelo Município.
O SAAE na administração do prefeito Mario Marcio Campolina Paiva – Maroca, colocou em operação a ETE Cidade de Deus que processa efluentes sanitários da regiao da Cidade de Deus com capacidade para 5.000 habitantes e da mesma forma a ETE do Bairro Primavera com capacidade de tratamento para 8.000 habitantes, elevando o percentual de esgoto tratado na cidade de Sete Lagoas.
O SAAE mantém posições firmes e objetivas com relação as informações do trabalho em curso dos comitês da bacias dos ribeirão jequitiba e rios das Velhas e Paraopeba.

2 - Com relação a “outras cidades bem menores conseguiram projetos de ETEs e já iniciaram as respectivas obras”
Sim, é verdade, mas são pequenas cidades. Os projetos e as obras têm custos bem menores, assim é mais fácil de conseguir recursos ou solucionar com recursos próprios.
Lembramos que a Meta 2010 foi prorrogada para 2014 justamente porque os municípios não conseguiram construir suas Estações de Tratamento de Esgoto e Sete lagoas é apenas uma delas, considerando que a lei foi regulamentada em 2010. Estamos empenhados na busca desta realização desta obra, é nossa prioridade máxima.
Os interceptores de esgoto ao longo dos córregos do Diogo e Matadouro já foram construídos e isto já é o primeiro passo, porque não se pode construir uma ETE sem que se tenha os interceptores e emissários construídos.
O Comitê da bacia Hidrográfica do Rio das Velhas está no seu papel de cobrar ações e o município está tentando cumprir com seu papel de executivo tentando dentro de suas possibilidades atender. Estamos todos tentando atender a coletividade.
Ronaldo de Andrade
Diretor Presidente





Minha opinião: O Rogério Sepúlveda não disse nada que merecesse um direito de resposta. Não disse nenhuma mentira ou calúnia. O próprio website da Prefeitura Municipal de Jequitibá afirma: “O Ribeirão Jequitibá é também muito poluído, pois é nele que se descarrega o esgoto de Sete Lagoas”, clique aqui para conferir.
O SAAE está confundindo coletar 98% do esgoto com tratar o esgoto. Qual o percentual do esgoto tratado? O esgoto tratado pelas duas estações citadas, gerado por 13.000 habitantes, dá algo em torno de 6% do esgoto da cidade. E olha que as estações, vira e mexe, dão problema.
O Rogério Sepúlveda falou em morosidade dos governos (não apenas o atual) de uma cidade rica (um balneário industrial, né?) e com representação política (deputado estadual e federal, governada atualmente pelo partido do governador). A própria nota do SAAE diz que tenta-se obter os recursos desde 2002. Isso não é morosidade? Se estamos fazendo o que é possível fazer, a triste conclusão é que estamos fazendo muito pouco, faz tempo.
Quanto às cidades menores, é importante considerar que elas dispõem de menos recursos e menos representatividade (argumento central do texto).
No fundo, o texto cobra a priorização das responsabilidades socioambientais do município. Os trens estão passando e estamos perdendo todos eles.
Por fim, não consigo entender um direito de resposta se no próprio final da nota escreve-se que “o Comitê da bacia Hidrográfica do Rio das Velhas está no seu papel de cobrar ações”. 

Ramon Lamar de Oliveira Junior









quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O lixo em Sete Lagoas (PARTE II)

PARTE II: OS CATADORES E A COLETA SELETIVA DO LIXO

Paralelamente à destinação oficial do lixo, os catadores de papel e outros materiais recicláveis começaram a atuar na região central da cidade de maneira mais efetiva, enquanto outros atuavam no lixão em condições sub-humanas. A constituição da ACMR (Associação de Catadores de Materiais Recicláveis) foi um marco importante, apesar de tratar pouco mais de 1% do lixo gerado pelo município e de sobreviver em condições precárias, gerando uma renda mensal de 300 a 400 reais por catador. A possibilidade de geração de renda para as famílias é sempre algo muito importante, e além da questão da destinação final adequada do lixo, esse é um ponto que não pode ser desprezado.
A formação de uma Cooperativa (com mais facilidades para conseguir recursos) e a construção de um galpão com maquinário apropriado são caminhos fundamentais para facilitar o trabalho e a vida dos 31 trabalhadores da ACMR e mais outros 70 autônomos que existem na cidade. O presidente da ACMR informou que as verbas necessárias já estão depositadas na CAIXA. Tal informação foi confirmada pela SEMMA que, juntamente com o Juizado Especial e o Ministério Público, conseguiu uma verba de aproximadamente R$ 12.000,00 e, junto à FUNASA, outros R$ 195.000,00. Tais recursos serão para uso da ACMR, existindo um documento que a Caixa Econômica Federal exige que seja assinado pelo prefeito e pela ACMR para que fosse feito o repasse. Se não foi assinado até agora, desconhecemos o motivo da demora.

Estacionado no canteiro central da Monsenhor Messias, o carrinho cumpre a diária tarefa de acumular e transportar o lixo produzido pelo comércio central. Receita para o catador, num trabalho importante e nem sempre bem compreendido.
Até dificuldades de conseguir verbas municipais a ACMR enfrenta, apesar de seus relevantes serviços e inexistência da busca de lucro, como consta em seu estatuto. Uma verba de dezessete mil reais foi negada alegando-se a questão do lucro. Tal pedido de verba foi levado até o CODEMA pela ACMR, lembro-me bem do caso pois eu era do conselho e apoiei o pedido da ACMR, um valor irrelevante para o município mas de grande necessidade para a Associação.
A prefeitura tem apoiado a ACMR na infraestrutura para seu funcionamento, cedendo galpão, água, energia elétrica, caminhão de coleta seletiva, motorista e combustível. É verdade que às vezes o caminhão fica parado, com defeito.
O esforço da coleta seletiva soma-se ao trabalho da Viasolo. Estima-se que a Viasolo colete diariamente entre 130 e 160 toneladas de lixo, a ACMR cerca de 2 a 3 toneladas e os catadores autônomos, não filiados à ACMR, em torno de 3 toneladas. Devido a ação da coleta seletiva, grande parte dos materiais recicláveis não chega ao aterro controlado, especialmente latinhas de alumínio, papelão, vidros, garrafas PET e outros objetos de plástico.
O gráfico abaixo, baseado numa amostragem feita nas 130 toneladas de lixo que chegaram ao aterro controlado, mostra o percentual de cada tipo de lixo que chega ao aterro. Sua análise é muito importante para a discussão de projetos de reciclagem de lixo em grande escala que são pretendidos para a cidade, assunto a ser tratado na sequência desta série.

[Clique no gráfico para ampliar.]
 Texto e foto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

PS.: Agradecimentos especiais ao corpo técnico da SEMMA, ao Lairson Couto - ex-secretário de Meio Ambiente - e ao senhor Wenceslau, presidente da ACMR.

Obras do PAC ÁGUA e Trânsito

Parece que Sete Lagoas parou no tempo, ou que as pessoas responsáveis pelo setor de trânsito conhecem apenas a rua onde moram. Interrupções de trânsito em outras cidades são feitas de maneira planejada. Para dar opção ao motorista, faixas são colocadas nas ruas próximas avisando que a rua tal está interditada e que a outra rua paralela está momentaneamente funcionando em mão-dupla.

Aqui não tem nada disso. O motorista que se exploda. O que está sendo feito na Paulo Frontin é um absurdo. O motorista tem que subir várias quadras para poder seguir adiante. Seria muito mais fácil colocar duas faixas nos quarteirões próximos da Quintino Bocaiuva com a frase: ATENÇÃO: RUA MOMENTANEAMENTE EM MÃO-DUPLA.
Querer muito? Acho que não.

Foto e texto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A beleza num ramo de capim.

"Olhai os lírios do campo." Mas olhai também a beleza que se esconde nos locais mais improváveis. [Clique na foto para ampliar]
Foto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Aniversário de dois meses da Bomba no SAAE

Espero que, no aniversário, não resolvam acender uma velinha em cima dela! Cadê os culpados?

Bebida é água, comida é pasto...

Pois é, meus amigos,
há momentos que melhor seria ser bovino ou equino para poder viver esta paisagem todo dia.

Serra do Cipó, às margens da estrada para Santana do Riacho. Dedicada ao Ivânio Cristelli, o grande mestre que traduz a natureza para as telas com uma técnica ímpar. Clique na imagem para ampliar.
(Sugestão para fundo de tela, pelo menos por uns dias.)
Foto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

Insetos




Fotos: Ramon Lamar de Oliveira Junior

sábado, 12 de fevereiro de 2011

É rir para não chorar...


No início do ano passado, foi divulgado o "conceito" hermético e indecifrável do Boulevard Santa Helena. Agora, apareceu um novo "conceito" no convite para a apresentação do empreendimento para os engenheiros e arquitetos. Bom, pelo menos ficou mais verde...
Coitada da Santa Helena. Tenho certeza que ela não aprova tal agressão. Deveria até ser proibido usar o nome de uma santa numa situação dessas. Por que não mudam o nome para Boulevard Catilina?
A frase latina passaria a fazer mais sentido, também para nós:

Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?

Ramon Lamar de Oliveira Junior

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A lagoa não está para peixe!


Lagoa Paulino,
lagoa rasa,
matéria orgânica,
manhãzinha,
pouco oxigênio,
peixes fazendo de tudo
para sobreviver.

Biólogo passando,
máquina em punho,
tem que registrar,
senão durante a aula
ninguém acredita.

E noutras lagoas
o drama se repete.
Algumas têm água,
outras só têm nome.
Esgoto no Brejão.
Lixo na Catarina.
Ganância na Chácara.

Um dia, quem sabe,
serão os homens
a buscar o oxigênio
não sei em qual lugar.
Remorso não vai apagar
as ações e omissões
do dia de hoje.

Foto e texto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Apresentação do Boulevard Santa Helena

Amanhã, às 16 horas, o projeto preliminar do Boulevard Santa Helena será apresentado para engenheiros e arquitetos numa reunião no Museu Municipal. Dessa vez não deve ser apenas o "conceito", aquela coisa vaga.
Não estou querendo "ensinar o Pai Nosso para o vigário", mas peço aos que vão comparecer, que observem bem o mapa da área ou a imagem de satélite.
Boa oportunidade para os engenheiros e arquitetos que têm consciência ambiental fazerem da apresentação uma prévia da Audiência Pública sobre o empreendimento, que será realizada dia 24 de fevereiro.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

É um condomínio de alto padrão? É um avião? Não, é apenas um negócio.

Existe um foco de tensão no pé da Serra de Santa Helena.  Escolha a melhor alternativa:

(A) Constrói-se ali um condomínio de alto padrão, em meio a um parque natural com  a vegetação preservada o máximo possível, com área de lazer para toda a população; 
(B) preserva-se a natureza do local e sua relação com a Área de Proteção Ambiental e o Parque da Cascata criando um Parque Natural Municipal ou;
(C) vamos esquecer esse papo de natureza, de verde, de preservação e construímos um triplo loteamento com cerca de 1773 lotes (sendo 1625 "unifamiliares", 90 "multifamiliares" = prédios e 58 lotes comerciais).

Pois é. O propalado "Parque Residence" ou "Boulevard Santa Helena" será nada mais nada menos do que consta na terceira opção acima. Nada a ver com o discurso divulgado amplamente nos meios de comunicação, como o trecho citado abaixo.
“A proposta de criação de um Parque Residence, inovador e diferenciado, que ao mesmo tempo valoriza Sete Lagoas do ponto de vista de planejamento urbano, contempla a comunidade com o tão sonhado espaço de lazer naquela região, agora possível de ser viabilizado pelo empreendimento e, sobretudo, resgata e revitaliza a Lagoa da Chácara, devolvendo a cidade o seu legítimo nome.” [...] “Agora é diferente, e com tudo isto não poderia faltar um empreendimento imobiliário com esta visão e envergadura para, paralelamente, alavancar o crescimento de nossa terrinha.” (in www.setelagoas.com.br)
Quem acreditou nessa história, comprou gato por lebre. E as imagens poéticas? O "conceito" do "boulevard"? Prosopopeia flácida para acalentar bovino (ou conversa mole para boi dormir, se você prefere assim).

Conceito... conceito? Publicado em www.setelagoas.com.br.
Que verde todo é esse? São 1773 lotes!!! Publicado em www.setelagoas.com.br.
A verdade pode até tardar, mas um dia aparece. Veja na imagem abaixo a planta do empreendimento, obtida a partir do RIMA (Relatório de Impacto Ambiental), documento público disponível na Secretaria Municipal de Meio Ambiente:

[Clique na imagem para ampliar]

 A tabela, em cima à direita no mapa, que descreve o número de lotes:

[Clique na imagem para ampliar]
A imagem da área, inclinada para mostrar o relevo:
[Clique na imagem para ampliar] Crédito: Google Earth
A sobreposição da imagem da planta com a imagem da área:

[Clique na imagem para ampliar] Crédito: Google Earth
Algumas observações, para quem não percebeu:

1) Vários lotes "multifamiliares" (em rosa, à direita) estão na proximidade da área alagável, ou seja, quase brejo.
2) Grande parte das "áreas verdes" é representada pela encosta da Serra de Santa Helena.
3) A área institucional (espaços de livre acesso, com fins comunitários de utilidade pública como hospitais, escolas, convivência de idosos, lazer, prática de esportes etc) - identificada na planta como área laranja, não dividida em lotes - encontra-se na encosta da Serra de Santa Helena ou numa área de densa vegetação, assumindo o poder público o ônus financeiro, político e ambiental do desmatamento das mesmas.
4) Os lotes comerciais - em cor laranja, com subdivisões - inexistem no interior dos três blocos de condomínios. São lotes de grande área (em média 2.400 metros quadrados), provavelmente voltados para grandes empresas. Padaria, açougue, livraria... nem pensar.
5) O verde mesmo restringe-se, no fundo, às Áreas de Preservação Ambiental em torno do curso d'água. Nada daquela imagem chique de uma mansão no meio do verde.

Complicado, viu gente. Você pode até defender o empreendimento, compreendo isso. Pode falar em progresso, necessidade de habitações, crescimento da cidade. Compreendo perfeitamente. A família tem todo o direito de advogar um ganho financeiro com a área. Concordo plenamente. Mas por favor, não me fale em preservação ambiental da área em um empreendimento "com esta visão".

Para finalizar, um trechinho publicado na imprensa. Só para fazer pensar:
"Os representantes da empresa foram incisivos ao afirmar que qualquer investimento a ser feito, além de obedecer às normas legais, também só vai acontecer a partir de uma discussão com a sociedade organizada.  Sobre os investimentos de imediato, os investidores garantiram que não há nenhuma definição ainda, o que vai depender de levantamento junto ao mercado para conhecer as necessidades da população." in www.setelagoas.com.br, 23/09/2009
 Ramon Lamar de Oliveira Junior

PS.: As citações ao www.setelagoas.com.br apenas aconteceram pelo fato do informativo manter seu arquivo de notícias para ampla consulta online, fato este extremamente louvável. Já tenho todas as notícias referentes ao empreendimento (e revistas inclusive) guardadas. No entanto, fica mais prático para o leitor que eu me referencie a páginas ativas na internet. Desde já agradeço e parabenizo todos do www.setelagoas.com.br .

Se em Lavras pode, por que não em Sete Lagoas?

O Parque Ecológico Quedas do Rio Bonito fica localizado em Lavras, Minas Gerais. Para atender o público possui uma ótima infra-estrutura, que oferece conforto e segurança aos seus visitantes, além de preservar uma das mais bonitas paisagens da região. O seu principal objetivo é a preservação ambiental.


O Parque Ecológico Quedas do Rio Bonito, no sul de Minas Gerais, é a maior área verde do município de Lavras e guarda algumas das mais deslumbrantes paisagens da região.
Com uma área de 235 hectares, o Parque apoia-se em um dos contrafortes da Serra do Carrapato, que por sua vez representa uma disjunção da Serra Geral ou do Espinhaço. Estende-se sobre uma região de serras coberta pelo verde de uma floresta tropical fluvial, num prolongamento da mata atlântica.
A água pura e cristalina que brota de várias nascentes forma o ribeirão Vilas Boas que se arroja sobre pedras, resultando em bonitas quedas e em uma piscina natural no sopé da principal queda – a cachoeira do Poço Bonito. Além disso, abriga extensas áreas de campo de altitude, campo rupestre, cerrados, florestas e uma fauna variada que inclui espécies como lobo guará, jaguatirica, tucano, gavião, siriema, macaco sauá, entre outras.
É um lugar privilegiado, principalmente para as pessoas que procuram bem-estar junto à natureza. Possui infra-estrutura para toda à família e conta com atrativos como: cachoeira, piscinas com toboágua, arvorismo, tirolesa, caminhada ecológica, teatro de arena, estacionamento e restaurante.
Uma das principais atrações é a trilha do sauá, em meio à mata nativa, habitat deste primata, onde acontecem várias atividades educativas e que proporcionam momentos de verdadeira interação com a natureza.
Os funcionários são treinados para situações emergenciais, inclusive de resgate em água e terra, proporcionando segurança e bem-estar aos visitantes. Qualquer pessoa é bem vinda ao Parque Ecológico Quedas do Rio Bonito, desde que seja compromissada com a preservação da natureza.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Prefeito e imprensa visitam obras.

Importante a visita a algumas obras feitas pelo prefeito, acompanhado pela imprensa. Fato notório, também levantado pelo prefeito, que diversos problemas de Sete Lagoas não surgiram hoje. A situação precária, pela péssima qualidade da pavimentação de algumas (muitas) ruas e estrutura antiga da canalização de água e esgoto do SAAE, em muito colaboram para os problemas.
Entretanto, cumpre lembrar que muitos membros da atual administração também estavam em mandatos passados. Funcionários de carreira podem apontar os problemas e também as soluções. É necessário ouvir mais os funcionários. A própria oposição precisa ser mais responsável e apontar problemas e soluções. Conversinha de canto de jornal, fofoquinhas, disse-me-disse não levam a nada, apenas a um novo governo que também não atenderá ao "do povo, para o povo e pelo povo".
Precisamos parar com a cultura da descontinuidade de um governo para o outro: não adianta jogar a culpa no passado, e no próximo governo repetir a ladainha e repetir de novo até a exaustão. Quem se candidata a prefeito, sabe o que vai receber de "herança maldita" e de "herança bendita". Todos sabemos que de novembro a março as chuvas chegam e esburaqueiam a cidade. Cai água e o mato cresce, normal. Chuva não é novidade. Novidade será o dia em que  nos prepararmos com antecedência para enfrentar o problema: turmas de reparo prontas, turmas de capina preparadas... sem correrias, sem improvisos... sem esperar a grita geral acontecer.
Soluções existem, mas são soluções técnicas. Não existem soluções políticas para esses problemas. Volto a bater na tecla do calendário, do planejamento. O grande dividendo político será conseguido pelo prefeito (governador, presidente...) que souber ouvir os seus técnicos, buscar os recursos necessários e compreender o que o povo precisa a cada momento.

Ramon Lamar de Oliveira Junior
 
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