Hoje, conversei demoradamente com meu colega Alex, também professor. Entre os vários assuntos, surgiu a questão da formação de professores. Com ampla experiência nas escolas públicas, o Alex é muito mais gabaritado a falar sobre o assunto do que eu. Confesso não ter muito conhecimento sobre os meandros da escolas públicas, uma vez que sempre lecionei em escolas particulares. Contou-me o Alex, fato confirmado por outros colegas, que as escolas públicas em Sete Lagoas estão com dificuldades de contratação de professores com licenciatura (imagino que o problema não se restrinja à nossa cidade). O problema ocorre praticamente em todas as disciplinas. É grande o número de professores que são contratados para cobrir essas lacunas mas que, em verdade, são bacharéis oriundos da enfermagem, nutrição, engenharia etc. E que muitas vezes aceitam esses cargos só até que apareça um emprego na área de sua formação, quando simplesmente abandonam seus trabalhos na escola.
Talvez seja a hora das faculdades de Sete Lagoas perceberem essa carência e criarem cursos que, ao menos, forneçam capacitação pedagógica para quem deseja "enfrentar" uma sala de aula. Há anos que não atuo mais nessa área de formação de professores, portanto não estou a par das alternativas viáveis para que isso seja feito (se é que pode ser feito). Lembro das licenciaturas curtas, dos cursos emergenciais realizados em cidades mais afastadas de Belo Horizonte pela PUCMinas e de algumas situações que hoje não existem mais. Entendo perfeitamente a razão da extinção das licenciaturas curtas, mas não entendo que não se enxergue que uma pessoa sem preparação acadêmica para trabalhar em sala de aula precisaria de alguma orientação nesse sentido.
Hoje vivemos aqui um paradoxo: ampliou-se o acesso ao ensino fundamental e médio, mas não ampliou-se, na mesma proporção, a formação de licenciados para essa tarefa. E aí as contratações temporárias correm o risco de passar a ser regra e não exceção.
Ramon Lamar de Oliveira Junior
LEITURA COMPLEMENTARMeio milhão de professores da educação básica ensina, nas salas de aulas da rede pública brasileira, disciplinas sobre as quais não aprenderam durante o curso superior. Nos mais variados colégios brasileiros, profissionais formados em matemática dão aulas de física e professores de educação física dão aulas de biologia, por exemplo. Eles representam quase um quarto dos 1.977.978 educadores dessa etapa.Dados do Censo Escolar 2009 tabulados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) revelam que pouco mais da metade (53,3%) dos professores que atuam no ensino médio na rede pública têm formação compatível com a disciplina que lecionam. O total é de 366.757. Nas séries finais do ensino fundamental, etapa na qual as matérias começam a ser dadas por professores de áreas específicas, a proporção é ainda menor: 46,7% de 617.571 docentes.O levantamento feito pelo Inep considerou apenas a inadequação dos professores que já possuem diploma de curso superior. A quantidade de docentes que atua nos colégios brasileiros sem ter freqüentado uma universidade também é grande: 152 mil, como divulgou o iG. Os números revelam que a maior distorção está na área de exatas, na qual os profissionais formados nos cursos de licenciatura do País são insuficientes para suprir a demanda. (Fonte: http://quimicacomtecnologia.blogspot.com/2010/06/meio-milhao-de-docentes-da-aulas-sem.html)




































