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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Beto Oliveira (de Uberlândia, MG), fotógrafo e recuperador de matas nas horas vagas!

Ouvi falar do Beto Oliveira na noite do último domingo (02/set/2012). Eu estava participando da solenidade de abertura do XVI Congresso Brasileiro de Arborização Urbana, em Uberlândia. Naquela noite, além de uma bela palestra do filósofo Manoel Messias de Oliveira, ocorreu a entrega dos prêmios do V Campeonato de Escalada em Árvores e do Prêmio Arborito (nas categorias "Educação"; "Pesquisa, Extensão e Tecnologia" e "Boas Práticas").
Momento da indicação do Beto Oliveira.
A indicação do fotógrafo Beto Oliveira ao prêmio Arborito na categoria "Boas Práticas" foi justificada pela explanação sobre seu feito. Basicamente, segundo o relato, ele havia iniciado há 14 anos o plantio de árvores nas áreas de preservação ambiental (APPs) dos córregos Mogi e Lagoinha, tendo plantado cerca de 5 mil árvores nesse período. A riqueza de detalhes na pequena justificativa que se seguiu eclipsou, em minha mente, as realizações de todos os outros indicados (não que os outros não fossem merecedores).
Ao sair o resultado da premiação, a surpresa para mim: o vencedor do prêmio foi outro indicado. Claro que a "votação da academia" tem lá seus critérios e nem sempre ganha quem a gente acha que deveria.  Quem sou eu para julgar esses resultados! Mas, por um lado, foi até mais interessante pois não pude deixar de ficar com o trabalho do Beto Oliveira na cabeça. No dia seguinte procurei o Pedro Mendes Castro, diretor da regional sudeste da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU), para tentar um contato, uma "entrevista" com o Beto Oliveira. 
Eu já conhecia o Pedro Mendes daqui de Sete Lagoas. Ele proferiu uma palestra a convite do Lairson Couto, então Secretário Municipal de Meio Ambiente, que relatei no blog (clique AQUI). Extremamente solícito, o Pedro Mendes conseguiu imediatamente um contato e na terça-feira pela manhã eu estava conversando com o Beto Oliveira ali mesmo no stand da SBAU.
Durante a conversa, o Beto até se sentiu surpreso com sua indicação. Ficou muito feliz de ter sido lembrado e nem um pouco insatisfeito com o resultado da eleição, atitude de extrema elegância que só pessoas especiais têm. Disse ele que não estava preocupado com prêmios, que havia feito o que fez (e que ainda faz) sem interesses específicos de autopromoção. Concordei com ele, mas insisti no fato de que suas ações mereciam eco, que eram sementes importantíssimas a serem espalhadas por todo o Brasil. E já que eu não tenho o poder para tanto, pelo menos iria expor o "causo" aqui no blog
Então, assim de repente, o Beto convidou-me para irmos até a área. Palestras em andamento... visitar o projeto em campo... palestra... visita... a visita venceu e fomos até a área.
As margens dos córregos Mogi e Lagoinha ficam a 2700 metros do centro de Uberlândia. Chegando lá pude perceber que o trabalho do fotógrafo profissional havia sido também de uma felicidade extrema. Realmente ele havia recuperado uma boa parte da APP, e onde antes era apenas braquiária (foi ele mesmo que usou esta expressão, tão familiar para os seguidores do blog) agora tínhamos uma mata ciliar em processo de recuperação. E não só as árvores estavam ali, mas também uma grande diversidade de pássaros que disseminavam as sementes, e o processo seguia em curso de forma também natural.
Que as ações do Beto sejam um incentivo para os gestores de Uberlândia pensarem na recuperação total do córrego Lagoinha (um belíssimo curso d'água com cachoeiras e corredeiras interessantíssimas), um pouco comprometido ainda com o lançamento de esgotos, mas onde pude observar a presença de peixes pequenos. O Mogi, muito menor em termos de volume de água, por outro lado encontra-se muito melhor em termos da qualidade da água. Nem quero imaginar Uberlândia sem a umidade desses córregos, já que um foi canalizado sob uma avenida. Dá até arrepios...

Córrego Lagoinha e uma de suas cachoeiras (ao fundo). Foto: Beto Oliveira.
Córrego Lagoinha e uma de suas corredeiras sobre rocha basáltica. Percebam que a qualidade da água precisa ser melhorada. O trecho está numa área muito antropizada. Convém lembrar que o trabalho do Beto Oliveira foi feito em maior intensidade na margem esquerda desse córrego. Foto: Ramon Lamar.
Pequeno trecho do córrego Mogi, mostrando a boa qualidade da sua água. Foto: Ramon Lamar.
Ainda nas margens dos córregos, uma surpresa, o Beto começou a mostrar áreas que outras pessoas de Uberlândia começaram a "adotar". Então estava ali o tal resultado das sementes que se espalham, que se dispersam. Não só as sementes das plantas, mas as vigorosas sementes das ideias.
Aproveito a oportunidade para homenagear não só o Beto Oliveira mas a todas as outras pessoas e instituições, muitas vezes no total anonimato, que se dedicam a essas causas idealistas. Aproveito para homenagear também a Paola Azevedo (que atuou nas margens do Rio Uberabinha, na mesma cidade de Uberlândia) e que também foi indicada ao Arborito. Obviamente também aos amigos da ADESA, daqui de Sete Lagoas, que lutam na tarefa de plantio na Serra de Santa Helena e aos que correm para combater os incêndios da Serra. "Mil prêmios eu tivesse e mil prêmios eu daria" a todos vocês que estão nesse trabalho magnífico. Vocês são todos campeões!

Parabéns, Beto Oliveira, novo amigo em terras distantes. Continue seu trabalho. O planeta agradece, tenha certeza! (Foto: Ramon Lamar.)
Ramon Lamar de Oliveira Junior

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