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quarta-feira, 21 de março de 2012

Eutrofização

A eutrofização é o crescimento excessivo das plantas aquáticas (planctônicas ou aderidas) a níveis tais que sejam considerados como causadores de interferências com os usos desejáveis do corpo d’água. O principal fator de estímulo é o excesso de nutrientes no corpo d’água, principalmente nitrogênio e fósforo.
Uma grande elevação do aporte de N e P ao lago ou represa provoca uma elevação nas populações de algas e outras plantas (macrófitas). Dependendo da capacidade de assimilação do corpo d’água, a comunidade vegetal pode atingir um contingente bastante elevado, trazendo uma série de problemas. Em um período de elevada insolação, as algas poderão atingir superpopulações, constituindo uma camada superficial, similar a um caldo verde. Esta camada impede a penetração da energia luminosa nas camadas inferiores do corpo d’água, causando a morte das algas situadas nestas regiões. A morte destas algas traz, em si, uma série de outros problemas. Estes eventos de super-população de algas são denominados floração das águas ou bloom.

Eutrofização na Lagoa da Boa Vista (Sete Lagoas, MG).
PROBLEMAS DA EUTROFIZAÇÃO

São os seguintes os principais efeitos indesejáveis da eutrofização:

1) Problemas estéticos e recreacionais. Diminuição do uso da água para recreação, redução geral na atração turística, crescimento excessivo da vegetação, distúrbios com mosquitos e insetos, maus odores e  morte de peixes.
2) Condições anaeróbias no fundo do corpo d’água. O aumento da produtividade do corpo d’água causa uma elevação da concentração de bactérias heterotróficas, que se alimentam da matéria orgânica das algas e de outros micro-organismos mortos, consumindo oxigênio dissolvido do meio líquido. No fundo do corpo d’água predominam condições anaeróbias, devido à sedimentação da matéria orgânica, e à reduzida penetração do oxigênio a estas profundidades, bem como à ausência de fotossíntese. Com a anaerobiose, predominam condições redutoras, com compostos e elementos no estado reduzido: o ferro e o manganês encontram-se na forma solúvel, complicando o abastecimento de água; o fosfato encontra-se também na forma solúvel, representando uma fonte de fósforo para as algas e o  gás sulfídrico (H2S) causa problemas de toxicidade e maus odores.
3) Condições anaeróbias no corpo d’água como um todo. Dependendo do grau de crescimento bacteriano, pode ocorrer, em períodos de mistura total da massa líquida ("reviravolta") ou de ausência de fotossíntese (período noturno), mortandade de peixes e reintrodução dos compostos reduzidos em toda a massa líquida, com grande deterioração da qualidade da água.
 
Peixes próximos à superfície procurando o oxigênio escasso nas águas durante a manhã. Lagoa Paulino (Sete Lagoas, MG).
4) Mortandades de peixes. A mortandade de peixes pode ocorrer em função de anaerobiose e toxicidade por amônia. Em condições de pH elevado (frequentes durante os períodos de elevada fotossíntese), a amônia apresenta-se em grande parte na forma livre (NH3), tóxica aos peixes, ao invés de na forma ionizada (NH4+), não tóxica.
5) Maior dificuldade e elevação nos custos de tratamento da água. A presença excessiva de algas afeta o tratamento da água captada no lago ou represa, devido à necessidade de remoção da própria alga, remoção de cor,  sabor e odor, maior consumo de produtos químicos e lavagens mais frequentes dos filtros
6) Problemas com o abastecimento de águas industrial. Elevação dos custos para o abastecimento de água industrial.
7) Toxicidade das algas. Rejeição da água para abastecimento humano e animal em razão da presença de toxinas de certas algas.
8) Alteração na qualidade e quantidade de peixes de valor comercial.
9) Redução na navegação e capacidade de transporte. O crescimento excessivo de macrófitas enraizadas interfere com a navegação.
10) Desaparecimento gradual do lago como um todo. Em decorrência da eutrofização e do assoreamento, aumenta a acumulação de matérias e de vegetação, e o lago se torna cada vez mais raso, até vir a desaparecer. Esta tendência de desaparecimento de lagos (conversão a brejos ou áreas pantanosas) é irreversível, porém usualmente extremamente lenta. Com a interferência do homem, o processo pode se acelerar abruptamente. Caso não haja um controle na fonte e/ou dragagem do material sedimentado, o corpo d’água pode desaparecer com relativa rapidez.

adaptado de VON SPERLING, M. Introdução à qualidade das águas
 e ao tratamento de esgotos. DESA-UFMG.1996
 
PS.: Amanhã é Dia Mundial da Água. Nossas lagoas e cursos d'água estão melhores do que estavam no ano passado?

3 comentários:

  1. É chocante a foto dos peixes, até eu fiquei sem ar vendo a agonia deles. Horrível! Horrível! Horrível!

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  2. A cada dia, mês, ano vemos como o Poder Público vem deixando de lado questões tão importantes como o meio ambiente. Sete Lagoas não tem o que comemorar no dia Mundial da Água, se bem que nem comemoram mesmo... É uma VERGONHA o descaso com a questão ambiental, por parte dos órgãos públicos. E olha que as lagoas é que dão nome à cidade, imagina se não fosse?
    A Secretaria de Meio Ambiente vai ficar ainda só cuidando das praças, a maioria do centro da cidade?

    Rdrigo Assis

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  3. De novo, podemos voltar à aprovação do novo codigo florestal...

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