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terça-feira, 27 de março de 2012

Entenda as dolinas (textos de várias fontes)

Aqui, em Sete Lagoas, repousamos sobre o terreno cárstico. Bom, repousar é forma de dizer, pois tal geologia às vezes nos provoca sustos. Do famoso "Buraco do Garimpo" a outros "buracos" acontecidos em nossa malha urbana, vem grande parte da nossa preocupação com o solo, com nossa hidrogeologia e a capacidade de exploração do nosso aquífero. 
Felizmente está em andamento o estudo hidrogeológico da cidade, do qual esperamos respostas claras, técnicas e científicas a respeito do aproveitamento do nosso subsolo e dos riscos que podem advir em relação a construções em determinadas áreas da cidade. 
Os tais "buracos" são dolinas, eventos que ocorrem com frequência muito elevada no terreno cárstico e que possuem causas e características variadas.
Para que possamos entender um pouco do fenômeno, selecionei alguns pequenos textos sobre dolinas em diversos sites
Está aí a provável gênese das nossas lagoas. Tantas lagoas juntas... quantas mais poderíamos ter?

Ramon Lamar de Oliveira Junior

Dolina: s.f. Geol. - Conhecida popularmente com sumidouro, é uma depressão circular formada pelo abatimento do solo em regiões de rochas carbonáticas (mármores, calcáreos). O diâmetro e profundidade podem variar de poucos a dezenas de metros.
As dolinas são um fenômeno natural mas podem ser induzidas artificialmente pela exploração em excesso da água subterrânea por onde se dá sua drenagem. No geral no fundo de uma dolina aparece a água subterrânea e seu nível é reflexo do nível do sistema geral,podendo subir ou abaixar segundo as estações do ano.
O lançamento de lixo e esgoto em uma dolina polui de forma muito agressiva o aquífero local, que é um dos mais sensíveis à poluição porque o fluxo subterrâneo de água é muito rápido devido à alta permeabilidade do conjunto cárstico.
A exploração da água subterrânea poderá levar a um rebaixamento excessivo do nível hidrostático, levando a colapsos na superfície. No entanto, antes do colapso, rebaixamento do solo pode ocorrer, o que serve de aviso às autoridades e pessoas afetadas.
Quando o colapso ocorre em áreas habitadas, o fenômeno se transforma em catástrofe, com potencial de letalidade e perdas econômicas. Muitas localidades brasileiras tem sofrido com este fenômeno, como Cajamar em São Paulo, Matozinho em Minas Gerais e a região do Vale do Rio Una na Bahia
No Município de Nova Redenção, Bahia, na região da Chapada de Diamantina, uma dolina funcionou como armadilha para mamíferos que ali viviam há cerca de 11 000 anos. Em 1995, foram ali encontrados ossos fossilizados, entre os quais um esqueleto completo de uma uma preguiça terrícola da espécie Eremotherium laurillardi.
 
Dolinas – são depressões fechadas que se formam em rochas solúveis, tendo várias formas em sua abertura, podendo variar de poucos centímetros a dezenas de metros, em geral, mais largas que profundas.

Quanto a sua gênese, podem ser:
  • 1 - Por Dissolução – quando rochas carbonáticas sofrem, na superfície, corrosão e dissolução por águas ácidas provocando a formação de depressões normalmente mais larga que profunda . Em alguns casos, um percurso de água se forma para a profundidade, chamando-se, então, de dolinas aluviais;
  • 2 - Por Colapso ou Abatimento – quando devido a presença de uma cavidade mais profunda, ocorre o desabamento de seu teto, surgindo uma depressão na superfície, que pode ou não, se comunicar com o interior da cavidade.
Evidentemente, os tipos 1 e 2 podem associar-se.

Quanto a sua forma, podem ser:
  • Tigela – largura dez vezes maior que a profundidade, bordas pouco inclinadas, e fundo plano;
  • Funil – diâmetro duas a três vezes maior que a profundidade, bordas bem inclinadas e fundo estreito;
  • Poço – diâmetro bem menor que a profundidade, bordas quase verticais, fundo com diâmetro próximo a abertura;
  • Caldeirão – largura, fundo e profundidade com tamanhos próximos;
  • Dolina em trincheira – tipo peculiar com comprimento muito maior que a largura, provocado por desabamento de longo trecho de cavernas e galerias, podendo, quando muito longo, formar um canyon de desabamento.
Quanto à presença de água, podem ser:
  • Secas;
  • Úmidas.


A dolina pode ser caracterizada como uma depressão fechada circular ou semi-circular associada a rebaixamento topográfico coadjuvado por fenômenos cársticos de sub-superfície.
Um dos parâmetros mais importantes na identificação de uma dolina é a sua própria morfologia. Em geral, apresentam-se como estruturas em semicírculo, bastante deprimidas em relação ao nível de base local, podendo ser classificada como uma bacia centrípeta.
Outro fator importante para a identificação deste tipo de relevo diz respeito ao seu processo de formação, evidenciado pela susceptibilidade da rocha à dissolução química. Para formação deste tipo de morfologia, incluindo também o caso das dolinas, é preciso que haja três fatores de predisposição do terreno: rocha solúvel com permeabilidade de fraturas, relevo com gradientes hidráulicos moderados a altos e clima com disponibilidade de água, neste caso, clima tropical úmido (Karmann, 2009).
A reação que contém a água como agente degradante das rochas calcárias, ocorre a partir da retenção do gás carbônico por meio da água, reagindo em contato com o calcário e formando bicarbonato de cálcio, substância bastante solúvel (Kohler, 2007).
O constante contato entre a água e estas rochas produz diversas aberturas que podem se manifestar através de formas endocársticas e exocársticas. Exemplos típicos de formas endocársticas são as cavernas. As formas exocársticas ocorrem por meio de um processo que envolve a concentração de água e consequente dissolução do calcário, formando feições como dolinas e uvalas, sendo esta última uma espécie de coalescência das dolinas.


O termo dolina foi, na primeira metade do século XX, utilizado para denominar diversos tipos de depressões.
Atualmente, a denominação de dolina corresponde a uma depressão geralmente fechada, com dimensão variada, de alguns metros de diâmetro (dificilmente ultrapassando 2000 metros), mais larga que profunda, e com contorno aproximadamente circular ou elíptico (Crispim, 1982; Guerra e Cunha, 1994). As dolinas são as formas típicas do modelado cársico (Tomé, 1996).

Esquema da estrutura de uma dolina.
Esquemas de dolinas de abatimento (A e B).
Esquemas de dolinas de dissolução (A e B).
[Fonte: http://sapiens.no.sapo.pt/m-carsico/model-carsico-estruturas.htm]


Um comentário:

  1. Gostei demais deste artigo. Estava vendo uns videos no youtube sobre sinkhole e fiquei preocupada com o grande numero destes eventos no mundo. A ocupação humana desordenada aumenta o numero de casos e acidentes.

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