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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Leiam sobre o tremor (no blog do Flávio) e de lá, para o Sete Dias

Eu estava começando a escrever sobre o assunto. Aí ele publicou primeiro. Como ele dispõe de mais dados, é arquiteto, cedo-lhe humildemente a primazia. Cliquem AQUI.

E o prédio tremeu... Foto: Jornal Sete Dias.

Troca de e-mails sobre as Unidades de Conservação (Parte 2)

Atendendo a pedidos, segue a parte 2 dos e-mails:

K., bom dia.
Realmente é lamentável o que uma administração equivocada pode gerar, né?!
Olhe, o IEF/MG é o órgão ambiental estadual mais antigo do Brasil. Minas Gerais pode se orgulhar de, em um passado remoto, ser a vanguarda brasileira no quesito proteção ambiental. Pena que os tempos são outros.
Na verdade, todos os estados estão sucateados e desprovidos de administradores sérios e competentes. Dinheiro tem, é fato, mão de obra obstinada também (e de reserva, vale destacar), porém não há repasse... Olhares brasileiros estão voltados apenas para Amazônia e esquecem dos Cerrados, Caatingas, Mata Atlântica, e todos suas nuances. Ademais, apesar dos esforços, a situação ambiental é crítica, desesperadora e desestimulante em todo país.
Olhe, depois da envolvimento e prisão do Humberto Candeias, que para muitos era considerado um ambientalista defensor e coerente, não duvido mais nada do Instituto Estadual de Florestas, infelizmente.
Mais cá pra nós, não há porque perder as esperanças, a garra, a vontade e o instinto maternal. Temos que nos manter sóbrios e realistas. Fortes e preparados. Crédulos e convictos, pois tem que melhorar.
Obrigado pelo repasse da informação. Comovente e desesperador.
Imagino tudo, pois lembro-me de como foi árduo combater fogo, ver a natureza estralar e tudo se perder.
F.


Faço eco às palavras do B.
A situação está crítica em todo país. A política é desenvolvimentista. Em relação ao ES, MG está até bem, por aqui mais da metade de nossas Unidades de Conservação estão sem gestores, as que tem são formadas por uma "euquipe" tendo as vezes guardas-parque como o servidor de maior patente.
Como estratégia, estamos concentrando esforços para convencer proprietários a criarem RPPN's, que por enquanto é o que garante a perpetuidade de algumas áreas, já que hoje basta uma Medida Provisória para que uma UC de domínio público deixe de existir. Confiram o artigo:


CAMPEONATO DE REDUÇÃO DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
03 de Outubro de 2011

Quando o próprio Executivo, que tem obrigação constitucional de conservar a natureza, propõe redução de parques nacionais, através de medidas provisórias, ou projetos de leis o que se pode esperar é o que vem acontecendo em nosso país. Ou seja, cada vez mais propostas de diminuição de unidades de conservação legalmente estabelecidas; mudanças de categorias de manejo, sempre das mais restritas para as menos restritas e, obviamente, extinções de áreas protegidas. Os interesses particulares aproveitam da oportunidade para pedir a alguns dos políticos que os ajudem a destruir o que foi duramente construído nas últimas sete décadas da nossa história. Isso era guerra avisada!
Creio mesmo que, neste momento, o nosso país deve ser o campeão mundial de extinção e redução de Parques Nacionais e Estaduais. A lista é enorme: parques nacionais como Chapada dos Veadeiros, Pontões Capixabas, Monte Pascoal, Monte Roraima, Serra da Canastra, Araguaia, e estaduais como a Serra do Tabuleiro, Cristalino e tantos outros. Faz poucos meses que o Estado de Rondônia eliminou, de uma vez só, sete das suas unidades de conservação. No momento há pelo menos 20 projetos de lei para se redelimitar, ou para se mudar categorias de áreas protegidas no Legislativo Federal.
Não é só a Presidente Dilma que propõe a redução de áreas protegidas. Infelizmente, embora o assunto tenha se tornado mais grave nas últimas décadas, há que se lembrar de que o Parque Nacional de Sete Quedas, por exemplo, durou somente 20 anos. Foi estabelecido em 1961 e extinto em 1981 para dar lugar à hidroelétrica de Itaipu. Sete Quedas, juntamente com o Parque Nacional do Araguaia, foram os dois Parques Nacionais propostos pela primeira vez no país pelo abolicionista André Rebouças em 1876. Ambos já eram: O de Sete Quedas foi extinto e o do Araguaia foi reduzido de tamanho em duas oportunidades e o pouco que ficou está submetido à figura esdrúxula da dupla afetação. Quem se lembra de que na cidade do Rio de Janeiro existiu uma bela Reserva Biológica em Jacarepaguá?

APA não é UC
O que abunda hoje em dia no nosso país são as propostas de se mudar de categoria de Parques, Reservas Biológicas e Estações Ecológicas para Áreas de Proteção Ambiental, as famosas APAs e é fácil de entender o porquê. Primeiro, nossa população não sabe em geral a diferença fundamental de um Parque Nacional ou Estadual ou de outras categorias de uso indireto dos recursos naturais, por exemplo, para APAs. Esta é uma categoria de uso direto dos recursos naturais que pode ser decretada em terras de particulares e não necessita de desapropriação, o problema mais grave de todo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Assim e ainda mais com este nome simpático de “Área de Proteção Ambiental” parece que pouco muda na prática. Não é verdade, pois muda drasticamente.
Nas APAs as restrições de uso são as mesmas da legislação orgânica em vigor para qualquer propriedade particular do país. As APAs não passam de ordenamentos territoriais. Já áreas protegidas como Parques Nacionais, Reservas Biológicas, ou Estações Ecológicas necessitam que suas terras sejam de domínio público e as restrições de uso são severas para se preservar a biodiversidade e os recursos hídricos, entre outros recursos.
Não é à toa que se diz principalmente em foros internacionais, que o Brasil tem 17% de sua extensão territorial como unidades de conservação. É uma falácia, pois dos 75 milhões de hectares no nível federal mais da metade é de unidades de conservação de uso direto dos recursos naturais (Reservas Extrativistas, Reservas de Desenvolvimento Florestal, APAs e Florestas Nacionais) e no nível estadual, que possui 73 milhões de hectares decretados, o escândalo é bem maior, pois 58 milhões são de uso direto e a grande maioria é APA, que não servem para garantir a proteção de nossa inigualável biodiversidade.

Mau exemplo
Apesar desse fato, nunca antes o nosso país registrou uma avalanche tão grande de propostas de eliminação, redução ou mudança de categorias de áreas protegidas como nos últimos cinco anos. O país está fazendo isso quando pretende ser campeão mundial de proteção ambiental, quando vai receber com grande pompa a Rio +20, quando tem a pretensão de dar exemplo no combate às causas do efeito estufa. Oxalá o nosso país não necessite se envergonhar diante da opinião pública mundial dando preferência a interesses de curto prazo sobre os de médio e longo prazo.
Erra o Executivo Federal, que tem o dever de ser o maior defensor das áreas protegidas decretadas, em propor sua alteração, diminuição, mudança de objetivos, através de medidas provisórias. Erra ao facultar assim que membros do Legislativo se aproveitem da situação para atender problemas supostos ou reais de seus estados natais ou tocas eleitorais. Se o próprio Executivo parece não se importar com o futuro do Sistema Nacional de Unidades de Conservação porque os Executivos e Legislativos Estaduais ou Municipais deveriam fazê-lo? Porque os interesses privados não aproveitariam para lançar seus cantos de sereia sobre o crescimento econômico? É um mau exemplo e um péssimo precedente. Tomara que não se cometa mais este enorme erro. Tomara que as autoridades responsáveis, ao contrário de atentarem contra o sistema nacional de áreas protegidas, pensem seriamente em medidas de sua urgente implantação no campo.
O Sistema Nacional de Unidades de Conservação apresenta tanta fragilidade porque não se encontra implantado. Nosso povo ainda não consegue perceber a necessidade e a vantagem de se ter áreas protegidas de uso indireto dos recursos naturais, pois a grande maioria está entregue à própria sorte. O Brasil gasta R$2,00 para proteger um hectare (10.000 m²) de unidade de conservação, conforme declaração de autoridades do próprio ICMBio e tem 1 fiscal para 100.000 hectares. Este evidente descaso é o principal motor da fragilidade política de conservar os nossos recursos naturais. Assim partem para o ataque, com complacência dos atores envolvidos.


PS.: Leia a parte 1 clicando AQUI.

Troca de e-mails: As Unidades de Conservação em Risco (Parte 1)

(RECEBI POR E-MAIL E PEDI AUTORIZAÇÃO PARA PUBLICAR AQUI, SUPRIMINDO O NOME DAS PESSOAS E DAS UCs)

Colegas e amigos,
Por favor, vejam as mensagens abaixo vindas de gerentes importantes de Unidades de Conservação do Estado de Minas Gerais. Já havia me chocado com mudanças de gerência e exonerações sumárias em plena estação seca e em ano de El Niño. Nunca houve dúvida para mim que o intensidade das queimadas que nos assolaram foi devido à negligência do governo de Minas. Agora esta informação abaixo, é simplesmente chocante! Reflete o total abandono do Meio Ambiente mineiro.
Me pergunto, sinceramente, quantos proprietários que deixaram suas reservas legais queimarem vão conseguir converter o uso da terra para plantio. Vivemos um escândalo, e o silêncio da Academia será um gesto de cumplicidade.
Atenciosamente,
R.


Prezados senhores e senhoras:
Esse final de semana eu vi coisas surpreendentes que gostaria de compartilhar com vocês.
Eu vi funcionários queimando seus rostos e os seus calçados, diga-se de passagem, comprados por eles mesmos, para apagar um fogo em um Parque do Estado. Estes funcionários haviam assinado na sexta-feira dia 30 de setembro o seu aviso prévio que veio sem aviso! Os precederam sim rumores. De texto oficial, somente vi o próprio aviso prévio com data para 19/10/11. Não sei em qual parte dos fluxos de informação esta informação ficou retida, mas o fato é: Ficou!
Enquanto isso na rádio IEF se ouvia um jogo desleal: UC’s versus Fogo. Um arraso! Fogo dentro ou trazendo risco a todas as unidades de conservação da minha Regional: Fogo na APA das Águas Vertentes, próximo aos regularizados Pico do Itambé e Rio Preto, fogo a alguns metros da Estação Ecológica da Mata dos Ausentes, fogo na Serra do Intendente, fogo na Serra Negra, e é lógico, como de praxe: fogo no Biribiri.
Alheias as pessoas passavam e observavam o fogo como quem vê algo que não lhes afeta. Algumas tinham até um sorriso no rosto e diziam: “É... deram serviço pro IEF...” Eu comigo pensava, com a propriedade de cinco anos em frente de uma UC sem estrutura e com mais de 200 incêndios no currículo: Para quem será esse fogo? Será que é para essa turma de funcionários? Que perdem seus finais de semana e noites protegendo essa área que é de todos? Será para mostrar que, por mais trabalhos de integração junto à comunidade, ela não quer mesmo esse Parque? Será para o IEF, dito algoz do homem do campo e cerceador do desenvolvimento social? Será para o governo que criou essa unidade há treze anos e até hoje não adquiriu um único palmo de terra? Confesso que não sei. Acho que nunca saberei ao certo. Mas arrisco dizer que é um pouco para cada um dos citados.
No final de sete horas de combate, chamuscados pelas chamas e pelo sol escaldante, ainda não havíamos conseguido extinguir o foco. Estimavam-se mais de 150 hectares queimados dentro do Parque. E se programava nova investida às cinco da manhã do dia seguinte. Na turma, já não se observava aquela esperança de outros combates e frases como: “Vai melhorar amanhã!” “Tá fazendo jeito de chuva!” “Antes isso aqui era bem pior...” E outras mais que amenizam o sofrimento de quem está na frente do fogo. Os rostos estavam frios, e as frases se limitavam a angustiantes: “É... não é fácil...”
Só quem esteve em combate sabe o que é um incêndio florestal. Disso não tenho dúvida! Isso não é passado pela TV! Isso não é mostrado pelos gráficos! Ver seu trabalho de anos, tostar em minutos! Queimar a pele e sentir seco o corpo e a alma! Perder a fome? Sentir desconforto no estômago? Se ver impotente e frágil? A vontade é de chorar! E não escondo não, por muitas vezes nesses anos, mesmo sozinho, chorei sim. Findado nosso trabalho resta o rastro de destruição. 
O que se tinha de bom? Como se diz por ai: "Nossos companheiros!" Eram nosso alicerce, nosso porto seguro. Mas não mais!! Eles voltarão, dizem. Entretanto o que eu vejo são ótimos funcionários correndo atrás da sua vida, lógico! E graças a Deus, arrumando outro emprego, abrindo uma oficinazinha, se mudando para a capital. Dar-se-ão bem sim! São valorosos funcionários! No final de tudo quem perderá mais, mais uma vez é o Parque. É a queda worldtradecentrica do trabalho erguido tijolo a tijolo por cinco anos.
Nas rádios da Diamantina já tocou: “Extra, extra, os insuficientes funcionários do Parque foram demitidos!!! Atentos todos os incendiários, caçadores, garimpeiros, churrasqueiros e demais descumpridores de normas e leis de plantão! Sua oportunidade é essa!!!”
O que fazer agora caros amigos? Sinceramente, estou perdido. Isso aqui é também um pedido de ajuda! Não sei o que fazer com esse peso que já era grande a dezoito mãos e agora está apenas sobre seis.
É.. A previsão marcou chuva.. Pois que venha toda ela!! Caso contrário preparem seus gráficos!! Eles vão aumentar e muito. E eu que ouvi falarem em “Fogo zero no Estado”... Como estão suas projeções caros amigos gerentes? Não são boas as minhas..
Desculpem se enchi todos vocês com minhas baboseiras e lamúrias. Sei que estão tão desgastados e "endúvidados" como eu e às vezes nem podem se dar ao luxo de ler tantas linhas em um email...
Mas eu tinha que tirar essas palavras. Elas estavam presas, na minha garganta, nos campos queimados, no sol impiedoso e no semblante da minha turma.
Espero que todos tenham boa tarde!
Abraços!
F.


Nós, gerentes de unidades de conservação, estamos todos desesperados, desamparados.
Foram demitidos todos os funcionários das UCS e este desabafo do F. representa o sentimento da maioria dos gerentes.
No T. vão ser demitidos 08 funcionários, ou seja, vamos ter que fechar as portas.
K.


K.,
Eu compartilho seu desespero! Meu choque com o que está acontecendo começou quando cheguei no Rio Doce em agosto e descobri o que tinha acontecido com o O.! Após isto, eu já previa, para um ano de El Niño, o desastre que nos aplacou com o fogo. Eu acho que temos que iniciar um esforço de condenação do Estado de Minas Gerais no Ministério Público Federal pela negligência e cumplicidade com a destruição florestal de MG. Por este processo, passa claro o desmantelamento das gerências e a falta de treinamento de Corpo de Bombeiro capacitado e priorizando incêndios florestais.
É preciso uma ação iniciada no Ministério Público e um esforço de abaixo-assinado por trás [...] denunciar os absurdos ambientais de MG.
R.


Precisamos muito da ajuda das universidades e ongs, para cobrar do estado.
Estou hoje sem chão, está muito difícil.
Vou dar o aviso prévio a todos os funcionários do T.  amanhã.
Pessoas que  ajudaram tanto.
Nossa,  está muito desanimador e ainda ver que tudo que construímos no IEF ir abaixo. Eles vão fechar todas as UCS do Estado por falta de gente .
K.


(PS.: Leiam a Parte 2 clicando AQUI)

As árvores e os vizinhos...

CARTA 1 (VIZINHO DA DIREITA)

Prezada vizinha,

estou acionando o setor jurídico que me assessora nas constantes decisões do dia a dia para interpelá-la no sentido de conduzir à remoção de uma árvore do tipo mangueira presente em seu quintal e que muito me incomoda e à minha família. A referida planta lança constantemente folhas em meu telhado, entupindo a calha e obrigando-me ao gasto anual na contratação de um serviço especializado para a limpeza das mesmas. Vez ou outra um fruto cai sobre o telhado de telhas coloniais de cerâmica, podendo quebrá-las. Alguns morcegos também frequentam a supracitada árvore e carregam sementes e frutos que espalham sobre o meu telhado. Pelo exposto, exijo a supressão imediata da árvore ou o compromisso tácito de reparação de todos os danos que possam ser causados a partir desta data.

Cordialmente,

Nonono nonono nonono


CARTA 2 (VIZINHO DA ESQUERDA)

Querida vizinha,

Uma das muitas árvores do seu quintal, uma mangueira, está no limite dos nossos lotes. Peço sua permissão para colher as mangas que estão sobre o meu lote e meu telhado. Sei que as mesmas são deliciosas e se for necessário estou disposto até mesmo a pagar quantia justa por elas. Fico muito preocupado com as suas árvores. Temo que num gesto impensado a senhora algum dia resolva cortá-las. Saiba que suas árvores são o frescor das nossas casas, o oxigênio que necessitamos e a alegria de ouvir os pássaros cantando sobre elas ao amanhecer e ao entardecer. Algumas folhas caem sobre minha casa e meu pequeno quintal. Não tardo a coletá-las e colocar para compostagem, sendo muito útil para a fertilidade do solo de minha pequena horta. Aguardo ansiosamente sua resposta.

Receba um abraço,

Ononon ononon ononon

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Necessidade de poda

O amigo Gustavo Mahé, da ADESA, enviou um e-mail solicitando que eu divulgue o fato seguinte.
Segundo ele, a ADESA já protocolizou vários pedidos de poda na Secretaria Municipal do Meio Ambiente em relação a algumas árvores com problemas na Serra de Santa Helena. Contudo, os protocolos estão arquivados e nada de solução. Gustavo está esperançoso pois foi informado que a SEMMA contratou nova equipe para as podas. Mesmo assim, como a esperança é a última que morre (mas morre), ele pediu para dar uma ajudinha aqui pelo blog.
Observem só a árvore com o caule danificado, bem ao lado da fiação. Se não estou enganado, por ali passa o cabo óptico da Embratel, relacionado ao sistema da grande antena do fundo da Serra de Santa Helena.

 Fotos: Gustavo Mahé. Clique nas imagens para ampliar.

Ramon Lamar de Oliveira Junior

A Garça Branca Pequena (Egretta thula)

Esta outra garça (hoje, não sei o motivo, foi o dia de postar imagens de aves) encontrei na Praia do Além (Ubu, Anchieta, ES). Mais sociável, deixou fazer várias imagens.


Garça-branca-pequena (Ubu/Anchieta, ES - maio/2011). Foto: Ramon L. O. Junior
Seguem-se algumas informações sobre a espécie disponíveis no site Brasil: 500 Pássaros (clique AQUI).

Família: Ardeidae
Espécie: Egretta thula
Comprimento: 51 a 61 cm. 
Está presente em todo o Brasil e desde o sul dos Estados Unidos e Antilhas à quase totalidade da América do Sul. Comum em manguezais, estuários e poças de lama na costa, sendo menos numerosa em pântanos e poças de água doce. Alimenta-se de peixes de forma bastante ativa. Reproduz-se em pequenas colônias exclusivas ou em meio a colônias de outras espécies, no manguezal. Os ninhos são plataformas construídas de gravetos. Põe de 2 a 4 ovos azul-esverdeados. Conhecida também como garcinha-branca e garça-pequena.

A Garça Azul (Egretta caerulea)

Garça-azul (Vitória, ES - maio/2011). Foto: Ramon L. O. Junior
Encontrei o exemplar acima equilibrando-se nas pedras de um cais em Vitória (ES). Infelizmente foi um disparo só, mas até que ficou legal. O belo exemplar voou logo em seguida. Seguem-se algumas informações sobre a espécie disponíveis no site Brasil: 500 Pássaros (clique AQUI).

Família: Ardeidae
Espécie: Egretta caerulea
Comprimento: 51 a 64 cm. 
Presente em todo o litoral brasileiro, Pantanal e Bacia Amazônica. Encontrada também desde o sul dos Estados Unidos e América Central até a Colômbia, Peru, Chile e Uruguai. Habita manguezais e lamaçais do litoral, os quais explora nos momentos de maré baixa, além de alagados, rios e lagos, sendo mais comum em áreas costeiras.
Vive sozinha ou em grupos espaçados de 2 ou 3. Seus ninhos são plataformas construídas de gravetos, geralmente em manguezais, localizados de 1 a 3 m acima da linha d'água. Põe de 2 a 5 ovos azuis. Conhecida também como garça-morena (Pará).

Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel...


... num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu... (Toquinho)

Foto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Perseverança é isso...

Exemplo para nós, frágeis seres humanos. Paredão da Gruta Rei do Mato. 04out2011
Foto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Tomara Que Chova

Tomara que chova
(Paquito e Romeu Gentil)
 
Tomara que chova,
Três dias sem parar,
Tomara que chova,
Três dias sem parar.
A minha grande mágoa,
É lá em casa
Não ter água,
Eu preciso me lavar.
De promessa eu ando cheio,
Quando eu conto,
A minha vida,
Ninguém quer acreditar,
Trabalho não me cansa,
O que cansa é pensar,
Que lá em casa não tem água,
Nem pra cozinhar.

... ufa!!! Choveu!!!

domingo, 2 de outubro de 2011

Incêndio violento na mata da Gruta Rei do Mato

É agora...
Mais informações assim que possível...



Acabei de chegar da Gruta Rei do Mato. Felizmente o incêndio ainda não atingiu a região da gruta e do receptivo, mas está bem próximo. Talvez atinja gruta no meio da madrugada ou amanhã cedo. Tudo dependerá do vento e outros fatores. 
Estive lá com o Secretário de Meio Ambiente, Cláudio Busu. Fizemos uma avaliação da situação. Logo em seguida chegou o Max Tadeu, da Aldeia Interativa e um caminhão-pipa enviado pela Brennand Cimentos, pilotado pelo simpático Sr. Guimarães que nos deu todo apoio. A Rosângela e o Nilson do Receptivo Turístico da Gruta Rei do Mato também estavam presentes. Os bombeiros também compareceram, avaliaram a situação, disseram que o fogo desceria devagar sem maiores riscos ao Receptivo Turístico, e que não havia nada que pudéssemos fazer naquele momento.

Fotinha miserável, mas o mar lá não estava para fotos. O fogo chegando a uns 150 metros do Receptivo Turístico.
A questão é que eu e o Max não estávamos preocupados se o fogo ir ser lento ou rápido. A nossa prioridade era salvar o que pudesse ser salvo da mata e não deixá-la queimar e ficar olhando. Com o apoio do carro-pipa da Brennand, seguimos pelo aceiro que contorna a BR 040 e combatemos uma ponta da linha de fogo. Aproveitamos para molhar boa parte da mata próxima ao Receptivo Turístico e que estava no provável caminho do fogo. Desta forma, acredito que conseguimos evitar a queima de um trecho importante da mata. Mas o resultado mesmo só veremos amanhã.
Por agora, resta-nos esperar pela chuva que a meteorologia prevê unanimemente que cai nesta semana. Assim seja!!!

Fotos e texto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

Fogo na nascente do Ribeirão Paiol (Serra de Santa Helena)

Três bombeiros e três voluntários (Sílvio da ADESA, Alessandra Casarim da Secretaria de Meio Ambiente e eu). Fomos lá tentar controlar um fogo que começou na mata entre a capela da Santa Helena e as antenas lá do fundo. Ali fica a mata do entorno da nascente do Ribeirão Paiol. E ali também fica um condomínio, onde o incêndio começou "acidentalmente" em uma das casas. Disseram aos bombeiros que foi um churrasco feito durante a noite que se alastrou por volta das 7 da manhão. Caramba, isso é que é churrasco. A churrasqueira foi montada onde? No meio da braquiária? Essa versão não me convenceu nem um pouco.
Estão aí as imagens do que vimos e do que era possível combater. Sílvio trabalhou por um batalhão, entrando em todos os locais. Quando eu e a Alessandra chegamos, ela ficou no apoio com a água e a comunicação. Eu fui combater pequenos focos que ameaçavam se espalhar pelo capim seco. O capim queima como se houvesse gasolina em vez de seiva. E renascem as chamas a cada brisa.
Recebemos, no local, a visita do Busu, novo secretário de meio ambiente, que havia oferecido anteriormente por telefone todo apoio que precisássemos, mas o controle do fogo já estava bem encaminhado. No final saímos de lá por volta das 14 horas deixando o incêndio controlado mas ainda restrito a alguns pontos inacessíveis para as nossas condições.
Precisamos organizar uma Brigada de Voluntários. Mais umas cinco pessoas e o trabalho teria sido muito mais tranquilo. E entre os voluntários, nem sempre é necessário entrar no combate direto. Basta oferecer o transporte para os outros e cuidar da retaguarda: transporte, água, comunicação... tudo é importante.

O "comitê de boas vindas". A primeira imagem que tivemos.
Por nós, nada a fazer, apenas observar atentamente em busca de qualquer folha em chamas que cruzasse a estradinha e incendiasse o outro lado.
Os bombeiros no combate junto à margem das estradas da Serra.
Seriema busca abrigo sob um dos arbustos e olha na direção da mata que queima. Dá pena! A gente fica imaginando se ela perdeu ninho ou filhotes.
Sílvio, da ADESA, valente no combate a todos os focos. Usou de sua experiência para entrar nos locais mais difíceis. Cara, você merece um caminhão de medalhas. Mas eu sei que o que mais deixaria você feliz é não precisar de ser herói de novo.
O cerrado comido pelo fogo. Incêndio após incêndio o solo vai enfraquecendo. Cada vez a flora e a fauna ficam em estado mais crítico.
O fogo dentro da mata da nascente do Ribeirão Paiol. Momento tenso pela dificuldade de acesso e pela possibilidade do fogo escapar pelas bordas e queimar mais uma grande área de cerrado.
Texto e fotos: Ramon Lamar de Oliveira Junior

Outubro: mais fogo na Serra de Santa Helena

Ontem estivemos lá conversando com o pessoal do bar lá em cima.
O proprietário disse:
- Só falta pegar fogo logo aqui na parte de trás da Serra.

Pegou!!!
A foto é de agora:

Muita fumaça saindo da parte de trás da Serra de Santa Helena. 02out2011, 09:15 horas.
Foto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

sábado, 1 de outubro de 2011

Pôr do Sol na Serra de Santa Helena

Taí mais um papel de parede para quem quiser...
Hoje, por volta das 17:40 horas. [Cliquem na imagem para ampliar]


Foto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Distrito de Glaura (Ouro Preto) e Sete Lagoas

O quê temos em comum???

Problemas com licenciamento ambiental de empreendimento da EPO Engenharia. A mesma do famigerado bulevarsantahelena. Aliás com projetos (não mostrados) do Gustavo Pena.
Dá pena... clique aqui.

Trechos (clique para ampliar):





Qualquer semelhança é mera coincidência...
Beleza, hein?
Ramon L. O. Junior

bulevarsantahelena e desvalorização ambiental

A não proteção da área da Fazenda Arizona pelos proprietários denota bem o interesse em se conservar o meio ambiente (em vários trechos nem cerca existe). Nunca antes na história desta cidade aquela região foi tão tomada por incêndios criminosos. Seria bom agora convocar a Virtual Engenharia para dar um laudo da destruição causada. Ministério Público, Supram... cadê vocês???

Visão de parte da Fazenda Arizona (futuro bulevarecológicosantahelena) mostrando algumas das regiões que foram afetadas pelas queimadas sucessivas de agosto e setembro. Sempre criminosas, diga-se de passagem.
Precisamos de uma imagem aérea para ter uma demarcação melhor. Mas é, no mínimo, isso aí que está na foto. Vergonha!!!

Imagem montada panorâmica. Fotos de hoje (01out2011). Clique para ampliar.
 Fotos e texto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

Gavião (no bairro Cidade de Deus)


Fevereiro/2010
Seria esse um gavião de rabo branco (Buteo albicaudatus)? Dei uma pesquisadinha básica nas "Aves de Rapina" e achei bem parecido. Inclusive o hábito de "tomar banho de sol arrepiando a plumagem", visto na imagem ao lado. (Clique nas imagens para ampliar)
Sistemática de aves é um assunto que não domino. Conheço um bocado, mas... tem muita coisa pra se conhecer ainda...


Fotos e dúvida: Ramon Lamar de Oliveira Junior

Arco-íris na Serra do Cipó

Finzinho de tarde, chuvinha fina e rápida... março de 2010...



Por falar nisso, vem chuva, vem!!!

Foto: Ramon Lamar de Oliveira Junior

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Poda técnica de árvores

A poda de árvores deve seguir alguns princípios gerais, quer seja em casa, numa rua ou numa praça. Uma condição importante é que a poda garanta a sobrevivência da árvore, não lhe causando mais problemas do que benefícios. O destopamento das árvores, já referido aqui no blog como prática criminosa - veja AQUI), é um exemplo de mais problemas do que benefícios para a árvore, muitas vezes resultando na sua morte.
A questão das árvores sob fiação elétrica é dramática. Luta feroz entre as concessionárias de energia (que pensam apenas em garantir o funcionamento da rede elétrica, prioridade óbvia e desejável para elas e para os cidadãos) e o paisagismo urbano (que muitas vezes tem que "aceitar" as deformidades infringidas às árvores, que muitas vezes acabam causando a morte da mesma). Tal questão precisa de uma abordagem firme e serena, porém fruto de muita discussão e bom senso: o Plano Municipal de Arborização Urbana. Tal plano deve prever quais espécies podem ser plantadas sob fiação elétrica, quais não podem, quais devem ser suprimidas por essa razão e em qual intensidade isso deve ser feito (considerando riscos maiores ou menores). Um plano desse tipo é para durar décadas, para ser seguido à risca pelos prefeitos que se sucederem, portanto, fruto de intenso debate e consenso.
Voltando aos princípios gerais da poda, um dos mais importantes e definidor de quais ramos são prioritários para a supressão é o da exposição à luz. Nem todos os ramos da planta estão expostos à mesma intensidade de luz. Consequentemente não possuem a mesma intensidade fotossintética (produção de açúcares = alimento). No entanto, o consumo de açúcares (respiração celular) é praticamente constante e independente da intensidade de luz recebida pelo ramo. Assim, ramos localizados na sombra acabam consumindo mais açúcares (retirados da seiva de uso comum por toda a planta) do que produzindo. Tornam-se fracos, mais sensíveis a doenças e praticamente são parasitas da planta. Os ramos expostos à iluminação plena têm que arcar sozinhos com essa demanda extra, gerando um estresse na planta. O gráfico abaixo ajuda a entender tal conceito (intensidade dos processos metabólicos em função da intensidade de luz):

Clique na imagem para ampliar.
A partir dessa compreensão, os ramos mais à sombra devem ser eliminados, rentes ao caule principal, preservando a crista que garante a regeneração da casca e cicatrização efetiva. (Para entender a função do colar e da crista, consulte as páginas 6 e 7 do Manual de Poda Urbana da Prefeitura de São Paulo, disponível AQUI.)
O resultado final, deve ser algo próximo ao ilustrado na imagem abaixo:

O antes e o depois da poda.
Decidi escrever este post ontem (28/set/2011), após confirmar que finalmente começamos a ter podas técnicas além do padrão CEMIG de "só podar onde tem fiação". Está ainda um pouco tímida, mas já se faz notar. Registrei tal ação de poda na Praça Alexandre Lanza (clique AQUI). Agora observo também na Praça Dom Carmelo Motta, veja abaixo.
 

Fico no aguardo do PREPARA (Programa de Remoção de Parasitas). Mas de qualquer maneira, não posso deixar de dar os parabéns ao corpo técnico da Secretaria do Meio Ambiente. 
Aguardamos mais boas novidades!!!
 
Texto, fotos e esquemas: Ramon Lamar de Oliveira Junior
Nos esquemas, desenhos do site www.tree-felling.co.uk modificados.
 
PS.: Secretário Cláudio Busu, uma boa aragem sopra pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Aproveite o momento para fortalecer o espírito de equipe da turma. Sete Lagoas não precisa de ações mirabolantes, precisa apenas do trabalho efetivo e capacitado que sei estar presente em cada um de seus funcionários, mas que muitas vezes é subestimado e tolhido. Que a força verdadeiramente esteja com vocês!