Ontem assistimos a uma aula de futebol do Barcelona para o mundo. De repente, o futebol espanhol que nunca havia feito nada de notável ganha a Copa do Mundo, e com a ajuda de alguns estrangeiros, o Mundial de Clubes. A derrota foi tão acachapante, tão sem graça para nós, que nem para fazer gozação com os santistas serviu direito. No fundo, ficamos um pouco assustados. Será que nossos times do coração não tomariam a mesma surra?
Somam-se algumas outras dúvidas:
1) Os jogadores e comissão técnica do Santos não sabiam da forma como joga o Barcelona, valorizando a posse de bola, o fundamento do passe preciso e da marcação? A TV brasileira vive passando e reprisando jogos dos campeonatos
espanhol, italiano, inglês, francês e alemão (será que lá dão ao nosso
futebol a mesma importância que damos aqui aos campeonatos desses outros
países?). Um dia até me perguntaram para qual time eu torcia na Espanha (que
babaquice é essa?). Será que jogadores e técnicos assistem a esses jogos só para sonharem com o mercado internacional?
2) Esse esqueminha de jogo retranqueiro, no meu entendimento meio copiado do basquete, de ficar esperando no campo de defesa não é um desastre em potencial? Desde quando time brasileiro sabe jogar em retranca?
3) O Santos não ficou "economizando time" no campeonato brasileiro (ficou apenas em décimo lugar, com atuações fracas no final, 1x1 com Atlético Goianiense, 1x0 para o Coritiba, 1x1 com o Bahia e 4x1 para o São Paulo) por conta da "preparação" para o Mundial? Que raio de preparação foi essa? Comer e dormir?
4) A imprensa nacional não supervaloriza jogadores como o Neymar, no mesmo estilo que fez com o Robinho e o Diego? Robinho e Diego viraram craques indiscutíveis? A imprensa, na verdade, não faz um trabalho de "jogar hoje para cima" para depois "jogar no fundo do poço"? Para quê insistir em adjetivos como "Fenômeno" e "Imperador"?
5) Não está na hora de se investir mais na formação dos atletas, no avanço seguro ao campo de ataque, toque de bola, esquema tático... em vez de chutões para a frente e "chuveirinho" na área? Veja-se o "esquema de jogo" do Palmeiras no último brasileirão: todo dependente das cobranças de faltas do Marcos Assunção.
6) O Muricy Ramalho (e muitos outros técnicos) não estaria precisando pensar um pouco mais antes de responder aos jornalistas? Não dá para ser inteligente em vez de marrento? Perguntado se a "derrota teria algum impacto" ele respondeu "que não teria impacto algum". Puxa, não haveria o impacto de aprender com os erros? O impacto positivo de alavancar a forma de jogar futebol para patamares mais altos? Ao final da entrevista parece que ele se lembrou que aquilo era uma lição e prometeu o que não podia: "ano que vem estamos de volta". Vamos ver...
Ramon Lamar de Oliveira Junior