Num post sobre a situação atual de Fukushima (que hoje fico sabendo que pode agravar mais ainda com a chegada de chuvas torrenciais), nosso amigo Claret escreveu nos comentários: "Os cientistas de carne e osso não podem resolver todos os problemas da humanidade em pouco tempo e menos aqueles que podiam ser evitados."
Na oportunidade, afirmei que gostaria de comentar sobre uma questão do ENEM-2009 que não concordo com o gabarito oficial. Vamos a ela:
Cerca de 1% do lixo urbano é constituído por resíduos sólidos contendo elementos tóxicos. Entre esses elementos estão metais pesados como o cádmio, o chumbo e o mercúrio, componentes de pilhas e baterias, que são perigosos à saúde humana e ao meio ambiente. Quando descartadas em lixos comuns, pilhas e baterias vão para aterros sanitários ou lixões a céu aberto, e o vazamento de seus componentes contamina o solo, os rios e o lençol freático, atingindo a flora e a fauna. Por serem bioacumulativos e não biodegradáveis, esses metais chegam de forma acumulada aos seres humanos, por meio da cadeia alimentar. A legislação vigente (Resolução CONAMA no 257/1999) regulamenta o destino de pilhas e baterias após seu esgotamento energético e determina aos fabricantes e/ou importadores a quantidade máxima permitida desses metais em cada tipo de pilha/bateria, porém o problema ainda persiste.
Disponível em: http://www.mma.gov.br. Acesso em: 11 jul. 2009 (adaptado).
Uma medida que poderia contribuir para acabar definitivamente com o problema da poluição ambiental por metais pesados relatado no texto seria
(A) deixar de consumir aparelhos elétricos que utilizem pilha ou bateria como fonte de energia.
(B) usar apenas pilhas ou baterias recarregáveis e de vida útil longa e evitar ingerir alimentos contaminados, especialmente peixes.
(C) devolver pilhas e baterias, após o esgotamento da energia armazenada, à rede de assistência técnica especializada para repasse a fabricantes e/ou importadores.
(D) criar nas cidades, especialmente naquelas com mais de 100 mil habitantes, pontos estratégicos de coleta de baterias e pilhas, para posterior repasse a fabricantes e/ou importadores.
(E) exigir que fabricantes invistam em pesquisa para a substituição desses metais tóxicos por substâncias menos nocivas ao homem e ao ambiente, e que não sejam bioacumulativas.
Além de obviamente afirmar que a Resolução do CONAMA não resolve o problema (e que a resolução deveria ser outra - engraçado isso, não?), a questão propõe ao aluno escolher a alternativa que poderia acabar DEFINITIVAMENTE com o problema (grifo no enunciado por minha conta). Aí o gabarito oficial (indicado em vermelho) assume que os pesquisadores TÊM QUE ENCONTRAR A SOLUÇÃO PARA O PROBLEMA, ou seja, DEFINITIVAMENTE a ciência tem como resolver o problema. Afinal de contas nós podemos EXIGIR que a ciência encontre resposta para tudo, não é mesmo?
E aí, Don Claret? Vocês têm obrigação de descobrir um novo planeta habitável e também desenvolver naves espaciais que possam nos levar rapidamente para lá quando as resoluções do CONAMA falharem, ok? Fácil, não?
Ramon Lamar de Oliveira Junior
PS.: Acho mais fácil executar o que ocorre na letra (A) do que a resposta oficial (E).