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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O Caramujo Africano

Foto de um Caramujo Africano Gigante (Achatina fulica) 
Foto obtida pelo usuário Ahoerstemeier em 07jul2003 (Wikipedia).

A Prefeitura de Sete Lagoas já realizou diversas ações de combate ao Caramujo Africano, como o período atual de chuvas é plenamente favorável à proliferação do molusco, reproduzo abaixo (com algumas adaptações) um texto a respeito do referido molusco. Convém lembrar que existem caramujos transmissores de doenças muito importantes como o Biomphalaria glabrata (transmissor da xistose ou esquistossomose, veja-o AQUI), mas também existem os caramujos benéficos que combatem o Biomphalaria, como é o caso dos caramujos do gênero Pomacea (predadores e competidores do Biomphalaria, veja-o AQUI) e muito comuns em nossas lagoas.
O nome correto do molusco em questão deveria ser Caracol Africano e não caramujo (caramujos são aquáticos e caracóis são terrestres). Mas isso é assunto de menor importância pois, em se tratando de nomes populares, quem manda é o povo.

"Caramujo africano: saiba como evitar
O QUE É O CARAMUJO GIGANTE AFRICANO (Achatina fulica)?
É um molusco grande, terrestre, nativo do leste e nordeste da África. Quando adulto, atinge 15 cm de comprimento, 8 cm de largura e mais de 200 gramas de peso total. Foi introduzido no Brasil em 1988 para ser comercializado como escargot. Comercializar Achatina como escargot é fraude.
Atualmente este molusco é encontrado em 14 estados brasileiros. Vivendo livremente, está se tornando séria praga, em especial nas regiões litorâneas. Ataca e destrói plantações de mandioca, batata-doce, feijão, amendoim, abóbora, mamão, tomate e verduras, flores, frutas e folhas de diversas espécies. Sobe em muros e invade casas.
A cada 2 meses, um caramujo põe 200 ovos e, após 5 meses, os filhotes viram adultos e começam a se reproduzir. Sobrevive o ano todo, se reproduzindo mais rapidamente no inverno. É resistente à seca e ao frio. Sobrevive em terrenos baldios, plantações abandonadas, sobras de construções, pilhas de telhas e de tijolos.
QUE DOENÇAS O CARAMUJO AFRICANO TRANSMITE?
Pode transmitir dois vermes:

  • Angiostrongylos cantonensis – causador da angiostrongilíase meningoencefálica humana, que tem como sintomas dor de cabeça forte e constante, rigidez da nuca e distúrbios do sistema nervoso.
  • Angiostrongytus costaricensis – causador da abgiostrongilíase abdominal, doença grave que pode resultar em morte por perfuração intestinal, peritonite e hemorragia abdominal. Tem como sintomas dor abdominal, febre prolongada, anorexia e vômitos.
A identificação dos vermes é difícil, pois os ovos do mesmos não aparecem nas fezes dos doentes e o próprio verme é desconhecido da maioria dos médicos.
A simples manipulação dos caramujos vivos pode causar contaminação, pois os vermes podem ser encontrados na secreção dos caramujos. Ao se instalar em hortas e pomares, o caramujo pode contaminar verduras, frutas e disseminar doenças.
Não abandone ao ar livre as conchas do caramujo gigante africano sem destruí-las, pois as mesmas servirão como criadouros naturais para o mosquito transmissor da dengue e da febre amarela. 
O QUE FAZER QUANDO ENCONTRAR UM CARAMUJO GIGANTE AFRICANO?
Certifique-se que é mesmo o caramujo gigante africano. Em caso de dúvida, procure a Secretaria Municipal de Saúde ou a Regional de Saúde. Recolha os caramujos manualmente, sempre com luvas descartáveis ou sacos plásticos. Para matá-los, deve-se queima-los dentro de latas ou tonéis. Depois quebrar as conchas e enterrá-las. Também pode-se simplesmente esmagá-los e enterrá-los. Não coloque os caramujos vivos no lixo, pois poderão estar transferindo a infestação.
ATENÇÃO
  • Não use veneno, pois afeta o meio ambiente e não o molusco.
  • Só pegue o molusco se estiver com luvas ou com saco plástico envolvendo as mãos. Assim, o caramujo não transmite doenças.
  • Não deixe em seu terreno telhas, tijolos, sobras de construções ou excesso de plantas. Eles servem de criadouros."
Adaptado de: Secretaria de Estado da Saúde / Superintendência de Vigilância em Saúde / Vigilância Epidemiológica

Outras informações sobre a ocorrência das doenças potencialmente transmitidas pelo caramujo africano no Brasil:
"No Brasil existem registros de angiostrongilose abdominal no Distrito Federal, São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais e principalmente nos estados da região sul.Vale ressaltar que os casos até então registrados de angiostrongilose abdominal identificados no Brasil não tiveram relação com Achatina fulica e que experimentos recentes de laboratório, demonstraram que essa espécie, até o presente, não representa risco significativo para a Saúde Pública, pelo baixo potencial de transmissão que apresenta. Angiostrongilose meningoencefálica humana ou meningite eosinofílica causada por outra espécie do mesmo gênero, Angiostrongylus cantonensis (Chen, 1935): esta doença pode levar a várias complicações neurológicas, inclusive cegueira, e em raros casos ao óbito. É importante frisar que esta zoonose ocorre principalmente no sudeste asiático e que até o presente, NÃO há nenhum registro de sua ocorrência no Brasil.
  • Evitar contato direto com o caramujo, pois a transmissão ao homem se dá pela ingestão de formas infectantes (larvas L3) presentes nos moluscos e no muco deixado por eles ao se deslocarem;
  • Proteger bem as mãos com luvas descartáveis e/ou sacos plásticos, quando houver necessidade de contato com o caramujo.
  • Lavar bem as verduras, legumes e frutas que possam ter estado em contato com esses animais ou muco.
  • Após a lavagem é recomendável que os vegetais sejam mergulhados em uma solução de 1 colher de sopa de água sanitária para 1litro de água por 15 a 30 minutos. Após este tempo, lavá-los em água potável.
  • Em caso de aparecimento dos sintomas citados acima, procure imediatamente o serviço de saúde local."
Fonte: http://www.portalseropedica.com/agricultura/caramujo_gigante_africano.htm
Leia também a ótima entrevista da pesquisadora Silvana Thiengo (FIOCRUZ) no seguinte linkhttp://www.fiocruz.br/ccs/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=770&sid=3



ATENÇÃO: Não confundir o caramujo africano com o nosso aruá-do-mato dessa foto (Megalobulimus ou Strophocheilus), nativo de nossas matas e não relacionado com transmissão de doenças. A característica principal é a espessura e a borda da concha que é mais espessa, como visto acima (Foto: Ramon Lamar de Oliveira Junior).

6 comentários:

  1. Respostas
    1. Obrigado CaracolAfricano.com pela visão diferenciada sobre o tema.

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    2. Mais informações sobre o ponto de vista defendido acima em http://projetocaramujoafricano.blogspot.com.br/

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  2. Olá, mantemos uma página que é resultado de um projeto de pesquisa: www.conexaocaramujo.com.br , está a disposição. Letícia

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  3. Olá, mantemos também uma página resultado de um projeto de pesquisa: www.conexaocaramujo.com.br. Grata

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    1. Valeu, Letícia. O espaço aqui é democrático! Muito interessante o trabalho de vocês.

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