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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Como se formam as nuvens de tempestade

As tempestades estão em geral associadas às nuvens do tipo Cumulus Nimbus, provocando precipitação de água líquida e/ou gelo (granizo). As tempestades podem aparecer isoladas, ou em grupo na forma de agrupamentos convectivos (cluster), de forma mais ou menos desorganizada, ou na forma de linhas de tempestades, chamadas linhas de instabilidade, ou ainda quando uma das tempestades do agrupamento cresce mais que todas as outras e atinge grandes proporções (tipicamente 10 km x 10 km x 12 km em latitudes médias) como uma super-célula.
Tempestades formam-se quando há suficiente liberação de calor latente pela condensação de gotas de nuvem e cristais de gelo (na parte fria da tempestade). Dentro da tempestade coexistem movimentos verticais ascendentes e descendentes intensos, o que gera muita turbulência mistura e entranhamento de ar pelo topo da tempestade a medida que ela cresce. O ar seco que entranha pelo topo é muito seco e evapora as gotas e cristais da nuvem gerando resfriamento das parcelas de ar e sua descida através da nuvem, na forma de correntes descendentes, ao mesmo tempo que correntes ascendentes sobem devido ao aquecimento das parcelas de ar pela liberação de calor latente de condensação.
As tempestades ocorrem quando a atmosfera encontra-se termodinamicamente instável, há energia potencial disponível para ser convertida em movimento de ar ascendente dentro da nuvem e descendente fora da nuvem (na forma de uma célula de circulação), e quando há convergência do vento em superfície, por exemplo, junto a uma frente de rajada de brisa marítima durante o período convectivo.

Tempestade com muitos raios em Sete Lagoas. Foto: Ramon Lamar de Oliveira Junior
É interessante que novas células de tempestade podem se formar do lado em que o ar úmido adentra à tempestade principal (indutora). As células podem se deslocar em uma direção enquanto a tempestade em si ou o sistema de tempestades se desloca em outro. O sistema vai na direção do vento médio da troposfera enquanto as células individuais se propagem em uma direção intermediária entre o vetor médio troposférico e o oposto do vetor médio da baixa troposfera, isto é para uma direção inclinada em relação aquela que o ar úmido e instável entra na nuvem em baixos níveis.

Modificado a partir de informações da Wikipedia

segunda-feira, 10 de junho de 2013

ATLÉTICO 2 X 0 GRÊMIO - ARENA DO JACARÉ - SETE LAGOAS (MG)

Os gols do jogo (o segundo gol foi filmado meio na sorte, bem no comecinho do vídeo):




Vídeos: Ramon Lamar de Oliveira Junior

PS.: Especialmente para os atleticanos: Marina, Serjão, Letícia, Cláudio, Vanessa e Christiano!

domingo, 9 de junho de 2013

Pousada Chão da Serra - Serra do Cipó (MG)

Sou absolutamente fã, como todos já devem ter percebido, da Serra do Cipó. Aqui, pertinho de nós sete-lagoanos e dos belo-horizontinos (apenas 100 km), o local é especial para a recarga de nossas baterias.
E o que é bom consegue ficar melhor ainda quando percebemos a hospitalidade desenvolvida por muitos dos que moram e trabalham na área. Do "Chico Doido" que tem seu ponto de venda com alvará e tudo na subida da Trilha dos Escravos, até os rapazes da barraquinha perto do Monumento do Juquinha. Todos muito solícitos, cheios de informações interessantes que valorizam ainda mais nossa viagem.
Quanto às pousadas, nem se fala. Muitas dão show de organização, limpeza e empenho na arte de bem atender os turistas. Dentre elas, destaca-se a Chão da Serra. Toda a turma da Chão da Serra é especial, cada um à sua maneira. Do chefão Eustáquio, com seu jeito mineiro de simplicidade e uma certa timidez, passando pela alegria dos funcionários da cozinha (né, Marlene?) e pelo profissionalismo e atenção da Jaqueline na recepção, até chegar ao Antonino - seguidor assíduo aqui do blog - mestre na arte do trato com todas as pessoas: de crianças a idosos, dos que procuram aventuras radicais até aqueles que só querem descansar à beira da piscina. Se fosse possível resumir o espírito da Chão da Serra no de uma pessoa, o espírito escolhido seria o do Antonino.
Antonino, receba um abração e distribua para todos aí. Vocês são demais!

Pertinho da Serra, mas em perfeita harmonia com o ambiente.
Mais informações sobre a pousada em http://chaodaserra.com.br/
O amigão Antonino junto à recepção da Pousada Chão da Serra.
Ramon Lamar de Oliveira Junior

PS.: Galeria de fotos da pousada em: http://www.chaodaserra.com.br/galeria-de-fotos/

Jacarés, opiniões e contradições

O site setelagoas.com.br publicou a notícia abaixo que pode ser lida integralmente clicando AQUI.


Uma pessoa (não vou citar nomes, está lá para quem quiser conferir) perguntou nos comentários:
"- Biólogos que é isso ? Cada hora num bairro?"
Respondi-lhe:
"(Nome), a cidade vai crescendo horizontalmente e os bairros resultantes de novos loteamentos cada vez mais se colocam em locais onde antes era ambiente natural. Então, o encontro com animais selvagens não é uma surpresa. Já tivemos eventos com o aparecimento de lobo guará e jaguatirica na perimetral, lobo guará dentro das obras da Arena do Jacaré e esses casos de jacarés aí no Bougainville. Cascavéis também já andaram perturbando o sossego em outros bairros. A questão fundamental é o (des)preparo das pessoas e dos responsáveis (Polícia Ambiental e Bombeiros) para lidar com o problema. Ainda vamos ter muitos eventos do tipo, pois novos loteamentos estão surgindo em áreas semelhantes.
Abraços. (Ramon Lamar, Biólogo)"
Depois de algumas intervenções de outros leitores (alguns mais exaltados que outros), alguém escreveu (não sei se se dirigindo à minha resposta ou de outros que foram mais incisivos (sublinhados por minha conta):
"É isso aí (nome), ele fala isso porque não foi na casa dele que encontraram o bicho. Sabemos de toda esta balela sobre invadir o espaço dos animais, mas fazer o quê, a própria prefeitura e órgãos responsáveis liberam estes loteamentos, então se agora esta acontecendo isto alguém tem que fazer alguma coisa. Ah não já sei, quando alguém ou pior uma criança for até morta por um bicho desses aí sim eles vão tomar providência. Ou se alguém matar um desses bichos aí o Ibama, direitos humanos rsrsrsrs aparece."
Direcionamentos à parte (não interessa se estava se referindo à minha resposta ou outra), detectei um problema interessante de ser discutido: uma espécie de falso referenciamento como justificativa de opiniões formadas incorretamente. 
Observemos os trechos sublinhados.
Primeiro a pessoa diz que a invasão do espaço dos animais é uma balela. E depois justifica sua opinião (de que é uma balela) porque a prefeitura e os órgãos responsáveis liberam os loteamentos. Oras, alguma inconsistência no raciocínio está ocorrendo aqui. 
Se a questão da invasão do espaço dos animais é uma balela, como esses animais surgiram nos referidos locais? A cidade cresce e invade o espaço dos animais. Isso não é balela, é fato! Podemos discutir é "se a cidade precisa crescer" e "em qual direção ela pode crescer". Afinal de contas, estamos aí com um daqueles clássicos problemas de ecologia urbana. A cidade é o ambiente do homem. A cidade precisa crescer. Como crescer?
A outra inconsistência é considerar que se a prefeitura e os órgãos responsáveis (que refletem a mesma política da prefeitura, nesses casos) liberaram, então está tudo bem e há uma espécie de garantia de que os jacarés, cobras e outros bichos não deveriam aparecer. Oras, a prefeitura libera ou não libera loteamentos com base em diversos critérios e posso garantir que nem todos são absolutamente técnicos. E nós biólogos, gestores ambientais e engenheiros ambientais estamos constantemente avisando que tal ou tal situação pode ser problemática. A aprovação de certos loteamentos (dependendo do porte) se dá por votação no CODEMA, onde o número de representantes com formação na área biológica, ambiental ou até mesmo urbanística representa a minoria. A discussão não é completamente técnica e a votação nem sempre leva em conta tais critérios. Assista a uma votação recente com diversas ressalvas e que passou por unanimidade. O critério fundamental é o progresso: a cidade precisa crescer e os bichos e plantas que se virem. Bom, quando os bichos aparecem nas casas das pessoas a coisa é tratada com "incidente" isolado. Claro que não é a expressão da verdade.
Não estou aqui para aconselhar ninguém sobre o quê comprar e onde comprar. Mas na questão de lotes, seria muito interessante analisar a história pregressa do local. Com base nisso, a decisão de comprar e ali residir envolve o entendimento da possibilidade de risco de aparecimento de algum visitante indesejável como os da citada reportagem.
É mais ou menos por aí.

Ramon Lamar de Oliveira Junior

sábado, 8 de junho de 2013

Variação Biológica

Um dos aspectos mais notáveis da biologia é a chamada "variação biológica". Entre plantas da mesma espécie é possível encontrar lado a lado (até mesmo em partes do mesmo organismo) dois ou mais padrões estruturais. 
Costumo falar disso em aula e, particularmente, dou uma importância danada ao assunto. Só acho que os alunos não conseguem compreender bem o significado disso. Devem pensar que é "apenas uma das muitas curiosidades da biologia". 
As imagens abaixo mostram dois exemplos de variações do número de pétalas em plantas da Serra do Cipó:

 Em Lavoisiera subulata (Melastomataceae), o padrão mais comum é o de flores com seis pétalas (esquerda), mas também são encontradas flores com cinco pétalas (direita).

 Nessa espécie de Drosera (planta insetívora, Droseraceae), o padrão mais comum é o de flores com cinco pétalas (esquerda), mas também são encontradas flores com seis pétalas (direita).

Obviamente, o primeiro problema que o biólogo ou estudante de biologia pode pensar é na dificuldade de classificar uma planta desconhecida a partir de um único exemplar. Ou seja, imagine uma espécie que seja caracterizada nas chaves de identificação como sendo pentâmera (cinco pétalas) e a pessoa que vai classificá-la só dispõe de um exemplar com seis pétalas. É evidente que haverá grande dificuldade na classificação. Portanto, ao coletar material (ou fotografar) é importante que sejam observadas todas as variações que podem estar presentes no organismo a ser classificado.
Entretanto, no "submundo da bioquímica", a questão pode ser mais complexa e ter implicações ainda mais sérias. As enzimas que catalisam as reações em uma pessoa não são necessariamente idênticas às enzimas de outra pessoa. Os receptores de membrana também podem apresentar variação biológica. Daí se conclui uma regra básica da medicina e da farmacologia: medicamento que funciona bem para fulano pode não funcionar em beltrano. Ou ainda mais sério, medicamento que dá uma resposta em fulano pode dar uma resposta contrária (idiossincrasia) em beltrano. Mais sério porque as respostas idiossincrásicas podem até ser fatais.
Também não é difícil perceber a variação biológica durante uma aula de anatomia, particularmente quando se pratica a dissecação. Os livros-texto fazem referência a isso em letras às vezes minúsculas. "A artéria tal passa em tal lugar. Contudo, em 10% das pessoas a mesma artéria passa em outro tal lugar. Fulano de tal já encontrou a artéria passando em local totalmente diferente."
- Oras, então como é que fazemos no mundo da biologia ou da medicina já que não existem regras fixas e definitivas?
Pois é, aí se encontra a diferença da área biológica ou biomédica em relação às áreas exatas do conhecimento. Aqui está em jogo no nível macroscópico e perceptível (e não apenas no nível atômico) um certo "Princípio da Incerteza". É a casualidade das mutações e das recombinações, aliada ao enorme tamanho da nossa informação genética. Juntamos tudo isso e podemos entender que a imprevisibilidade é uma das características dos seres vivos.
Resta então, a quem deseja conhecê-los ou trabalhar com eles, a consciência da existência dessas variações. Ou como diz a sabedoria popular: "nenhuma pessoa é igual a outra".

Ramon Lamar de Oliveira Junior
Biólogo

quarta-feira, 5 de junho de 2013

DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE (IV): Palestra do Professor Ângelo Machado

Ângelo Machado

(Palestra, in Dois Pontos, v.2 n. 11 - Out/91)

O tema da minha palestra é educação ambiental. Este é um tema de grande importância na atualidade, pois, como se sabe, a educação ambiental é hoje obrigatória em todos os níveis de escolaridade. Isso tem criado uma grande perplexidade entre os educadores e ambientalistas sobre o que ensinar e como ensinar. Eu não pretendo responder a essas perguntas, mas, sim fazer algumas reflexões que poderão ajudá-los a respondê-las, mesmo porque, a meu ver, não existe uma solução única, aplicável a todas as situações.
Na verdade, vou falar apenas sobre um dos aspectos da educação ambiental, ou seja, aquele voltado para a conservação de ecossistemas naturais e que recebe o nome de educação conservacionista. Meu enfoque será na fauna e na flora, e, dessa forma, não falarei de problemas de educação ambiental urbana, ligada à poluição e à reciclagem de lixo, que são também problemas muito importantes. Eu gostaria de enfatizar que minha palestra não vai ser científica e, nesse sentido, peço permissão para usar uma linguagem mais simples.
A educação conservacionista tem como objetivo ministrar conhecimentos, desenvolver atitudes e valores que levem as pessoas que levem as pessoas a conservar e a não destruir a natureza. É na educação conservacionista que reside toda a esperança de se evitar a total destruição da natureza, por isso ela é mais eficiente quando voltada para as crianças. Os psicólogos sabem que o comportamento dos alunos depende, em grande parte, da vivência que tiveram quando crianças. Assim, educar significa preparar pessoas que terão poder de decisão no futuro e que, no presente, influenciam as atitudes dos pais. A isso eu chamo "poder infantil".
Quando comecei a me preocupar com educação ambiental, eu me perguntei por que algumas pessoas conservam a natureza e concluí que só poderia ser por amor ou por temor. Na educação conservacionista, devemos incentivar essas duas coisas, pois a natureza revida quando agimos intempestivamente contra ela. É preciso incentivar também um relacionamento amistoso entre a criança e a natureza, e, para isso, devemos ensinar ecologia aplicada à conservação da natureza. Aí surge um termo que está cada vez mais difícil de ser definido, uma vez que o conceito de ecologia como a ciência que relaciona os seres vivos entre si e o meio ambiente já está bastante ampliado.
No popular, ecologia é, hoje, sinônimo de planta, bicho, natureza. Outro dia, uma amiga minha estava plantando um vaso de flor e disse que estava plantando ecologia. Eu até brinquei que gostaria que a ecologia dela crescesse bastante e desse muitos frutos. É lindo quando uma ciência passa a ficar na boca de todo mundo, mesmo que isso mude um pouco aquela definição precisa do início.
Na medida em que ecologia significa toda a natureza, a responsabilidade do professor aumenta muito, pois, se ele é chato e ensina mal, o aluno não vai gostar da natureza. Parece-me o defeito principal desse ensino as pessoas não ajustarem o conhecimento ao nível das crianças. Um mesmo conceito pode ser ensinado a uma criança de 4 anos ou a um aluno da pós-graduação.
Por exemplo, meu filho, então com 4 anos, um dia me perguntou por que o sapo ficava debaixo da luz. Eu disse que não sabia, e fomos observar o sapo. Nisso o sapo comeu um gafanhoto e meu filho concluiu: "Ah, o sapo gosta de comer o bichinho que fica na luz, por isso ele fica debaixo dela." Aí eu lhe perguntei o que o gafanhoto comia, e ele respondeu que o gafanhoto comia plantinhas. Dessa forma, ensinei a uma criança de 4 anos como funciona a cadeia alimentar, e ele entendeu que, se matasse o sapo, iria aumentar o número de gafanhotos que comem plantinhas, e estas, então, iriam diminuir. Quando a criança dessa idade chegar a um nível mais alto, vamos ensiná-la a mesma coisa, mas em termos de produtor e consumidor de primeira ordem, segunda etc. 
Não adianta ensinar a uma criança que o sapo é importante no equilíbrio ecológico se ela tem medo e nojo do sapo. Por isso, temos de ensinar a criança a gostar da natureza. Mas, para gostar, é preciso conhecer, e a maioria das crianças não conhece a fauna e a flora silvestres porque estão isoladas nas grandes cidades. Isso traz sérias distorções na imagem da natureza, o que é um grande problema, já que o destino da natureza é decidido nas cidades, onde se concentram os poderes político e econômico.
Para uma criança da cidade grande, por exemplo, galinha é algo gelado, empacotado e produzido no supermercado. A consequência de raciocínios como este é o que chamo de "falsa independência da natureza". As crianças das grandes cidades acham que ali tem tudo e, portanto, não precisam da natureza para nada. Realmente o supermercado tem toda a natureza picada e enlatada. A única coisa inteira que tem lá é peixe. Assim, mostrar que somos dependentes da natureza é, a meu ver, o papel fundamental da educação ambiental.
Uma criança que mora no décimo andar de um prédio pode ter uma imagem negativa da natureza se a fauna que ela conhece se resume em barata, rato mosca e pernilongo. Realmente não é uma fauna muito bonita, e as crianças tendem, então, a generalizar para toda a fauna as características desagradáveis desses animais. Numa ocasião, andei perguntando a crianças exemplos de insetos. A ideia era que respondessem rápido o que estivesse mais vivo em suas cabeças. Responderam, então, piolho, barata, mosquito, sujeira e até rato, mas nenhuma delas se lembrou de libélula ou borboleta, por exemplo. A conotação era do sujo, do ruim, e não do zoológico. Na verdade, essa ideia negativa convém aos vendedores de inseticidas e é um arraso para a conservação da natureza.
Essa generalização ocorre também para outros conceitos ligados à deterioração das cidades. Eu ia muito ao colégio conversar com as crianças e, numa dessas palestras, um menino de 7 anos me perguntou por que todos os rios eram sujos. Eu fui conversar com ele e descobri que o único rio que ele conhecia era o rio Arrudas, que é um esgoto a céu aberto em Belo Horizonte. Na época havia um comercial da Copasa dizendo o quanto ela gastava para limpar as águas dos rios. Por isso, na cabeça daquela criança, os rios eram naturalmente sujos, e os homens, através da Copasa, os limpavam. O que eu recomendo, então, como uma boa educação ambiental para aquele menino? Tirem-no rapidamente da sala de aula e levem-no para tomar um banho de cachoeira na Serra do Cipó. Nadando na cachoeira, ele vai perceber que os rios são limpos e que os homens é quem os sujam.
A sala de aula deve ser, acima de tudo, um agente motivador de atividades e pesquisas feitas pelos alunos fora dela, porque o problema ambiental está lá fora. É importante que a criança mesma faça suas descobertas. É muito importante que a criança veja tanto a natureza degradada, poluída, quanto a natureza bem equilibrada, pois a partir desse contraste, ela percebe a vantagem de conservar a natureza equilibrada. As populações que vivem em ambientes degradados e sujos se acostumam com isso e passam a achar que essa situação é normal. Dessa forma, não lutam pelo direito constitucional de terem um meio ambiente equilibrado. 
Um problema sério para a educação conservacionista é o próprio ensino de Ciências, que tende a ser chato e desinteressante. Um mau professor de Ciências pode formar um destruidor da natureza, já que o aluno pode passar a odiar o objeto de estudo das ciências, no caso, as plantas e animais. O professor de Ciências precisa se conscientizar de que ele e seus alunos, ao lidarem com a natureza, tratam da própria concepção de vida.
Eu sempre chamo a atenção para as diferenças entre o ensino tradicional de Ciências e o ensino orientado para a conservação da natureza. A primeira diferença é que o ensino tradicional é centrado na sala de aula e o voltado para a conservação tem de ter, necessariamente, um componente externo, como excursões, por exemplo. Outra diferença é que o ensino tradicional enfatiza exageradamente o animal "picado", enquanto o ensino de conservação enfatiza o animal "inteiro".
Outro dia entrevistei alunos que iam prestar vestibular para Medicina e um deles sabia as fórmulas do DNA, mas achava que havia leão na floresta brasileira.
O ensino tradicional costuma enfatizar também o estudo de animais que transmitem doenças e que são venenosos. Isso é importante, mas eu tenho exemplos de crianças que ficam assustadas com caramujo de jardim porque acham que ele transmite esquistossomose. Não temos o direito de ensinar nada a uma criança que a deixe angustiada no jardim de sua casa. A educação ambiental que advogo tem de ser libertadora.
Um dos objetivos da educação conservacionista é ajustar o medo à realidade do perigo, e isso exige conhecimento, já que a grande causa do medo é a ignorância. O medo de cobras, por exemplo, é muito exagerado, apesar de existirem mesmo muitas cobras venenosas. Na verdade, qualquer ambiente oferece riscos, portanto cabe a cada um avaliar se o risco é aceitável, mas sem exageros.
Um medo interessante é o medo de floresta. Eu descobri que o conceito de floresta surge na criança aos 2, 3 anos e não tem nada a ver com árvore, mas sim com bicho amedrontador. É notória a influência das histórias infantis nesses conceitos. Se dependesse da decisão de crianças até 4 anos, as florestas seriam todas destruídas por causa do lobo. Já na faixa dos 7, 8 anos, o grande perigo da floresta são os animais que nem existem na nossa fauna, como o rinoceronte e as pumas. Tudo o que dá medo numa criança, ela imagina que está na floresta, e esse medo fica em seu inconsciente até a idade adulta. Dessa forma, é preciso formar nas crianças uma imagem positiva da natureza através do contato direto. Andando na floresta, o menino vai descobrir que o lobo não é mau e que as cobras não vão atacá-lo. É fundamental que a criança goste da natureza, pois quem gosta protege.

DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE (III): Preservar é preciso!

12 imagens colhidas na Serra do Cipó no último final de semana:













Fotos: Ramon Lamar de Oliveira Junior / maio-junho de 2013

Dia Mundial do Meio Ambiente (II)

O texto seguinte, do magistral Carlos Drummond de Andrade, é direcionado a todos os "defensores do meio ambiente" que só enxergam os seres vivos como tendo o propósito de "servir ao homem". A visão capitalista dos seres vivos é percebida toda vez que nós biólogos escutamos a seguinte pergunta: "- Pra que serve a barata?". A resposta é simples: "- A barata serve para viver, igualzinho a você!".

Da Utilidade dos Animais
Carlos Drummond de Andrade

Terceiro dia de aula. A professora é um amor. Na sala, estampas coloridas mostram animais de todos os feitios. É preciso querer bem a eles, diz a professora, com um sorriso que envolve toda a fauna, protegendo-a. Eles têm direito à vida, como nós, e além disso são muito úteis. Quem não sabe que o cachorro é o maior amigo da gente? Cachorro faz muita falta. Mas não é só ele não. A galinha, o peixe, a vaca...
Todos ajudam.
- Aquele cabeludo ali, professora, também ajuda?
- Aquele? É o iaque, um boi da Ásia Central. Aquele serve de montaria e de burro de carga. Do pelo se fazem perucas bacaninhas. E a carne, dizem que é gostosa.
- Mas se serve de montaria, como é que a gente vai comer ele?
- Bem, primeiro serve para uma coisa, depois para outra. Vamos adiante. Este é o texugo. Se vocês quiserem pintar a parede do quarto, escolham pincel de texugo. Parece que é ótimo.
- Ele faz pincel, professora?
- Quem, o texugo? Não, só fornece o pelo. Para pincel de barba também, que o Arturzinho vai usar quando crescer. Arturzinho objetou que pretende usar barbeador elétrico. Além do mais, não gostaria de pelar o texugo, uma vez que devemos gostar dele, mas a professora já explicava a utilidade do canguru:
- Bolsas, malas, maletas, tudo isso o couro do canguru dá pra gente. Não falando na carne. Canguru é utilíssimo.
- Vivo, fessora? - A vicunha, que vocês estão vendo aí, produz... produz é maneira de dizer, ela fornece, ou por outra, com o pelo dela nós preparamos ponchos, mantas, cobertores, etc.
- Depois a gente come a vicunha, né, fessora?
- Daniel, não é preciso comer todos os animais. Basta retirar a lã da vicunha, que torna a crescer...
- E a gente torna a cortar? Ela não tem sossego, tadinha.
- Vejam agora como a zebra é camarada. Trabalha no circo, e seu couro listrado serve para forro de cadeira, de almofada e para tapete. Também se aproveita a carne, sabem?
- A carne também é listrada? - pergunta que desencadeia riso geral.
- Não riam da Betty, ela é uma garota que quer saber direito as coisas. Querida, eu nunca vi carne de zebra no açougue, mas posso garantir que não é listrada. Se fosse, não deixaria de ser comestível por causa disto. Ah, o pinguim? Este vocês já conhecem da praia do Leblon, onde costuma aparecer, trazido pela correnteza. Pensam que só serve para brincar? Estão enganados. Vocês devem respeitar o bichinho. O excremento - não sabem o que é? O cocô do pingüim é um adubo maravilhoso: guano, rico em nitrato. O óleo feito com a gordura do pinguim...
- A senhora disse que a gente deve respeitar. - Claro. Mas o óleo é bom.
- Do javali, professora, duvido que a gente lucre alguma coisa.
- Pois lucra. O pelo dá escovas de ótima qualidade.
- E o castor? - Pois quando voltar a moda do chapéu para homens, o castor vai prestar muito serviço. Aliás, já presta, com a pele usada para agasalhos. É o que se pode chamar um bom exemplo.
- Eu, hem?
- Dos chifres do rinoceronte, Belá, você pode encomendar um vaso raro para o living de sua casa. Do couro da girafa, Luís Gabriel pode tirar um escudo de verdade, deixando os pelos da cauda para Teresa fazer um bracelete genial. A tartaruga-marinha, meu Deus, é de uma utilidade que vocês não calculam. Comem-se os ovos e toma-se a sopa: uma de-lí-cia. O casco serve para fabricar pentes, cigarreiras, tanta coisa... O biguá é engraçado.
- Engraçado, como?
- Apanha peixe pra gente.
- Apanha e entrega, professora?
- Não é bem assim. Você bota um anel no pescoço dele, e o biguá pega o peixe mas não pode engolir. Então você tira o peixe da goela do biguá.
- Bobo que ele é.
- Não. É útil. Ai de nós se não fossem os animais que nos ajudam de todas as maneiras. Por isso que eu digo: devemos amar os animais, e não maltratá-los de jeito nenhum. Entendeu, Ricardo?
- Entendi. A gente deve amar, respeitar, pelar e comer os animais, e aproveitar bem o pelo, o couro e os ossos. 

Dia Mundial do Meio Ambiente (I)

O dia 5 de junho foi determinado pela ONU como o Dia Mundial do Meio Ambiente. Nesse dia, em 1972, ocorreu na cidade de Estocolmo (Suécia) a primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente. As preocupações sobre o futuro do planeta estavam em evidência devido aos estudos feitos pelo "Clube de Roma".
O "Clube de Roma" foi criado em 1968, reunindo um pequeno grupo de pessoas relacionadas às áreas de diplomacia, indústria, universidades e sociedade civil com o objetivo de partilhar e discutir as suas preocupações com relação ao crescimento econômico e a disponibilidade de recursos ambientais necessários ao ritmo de desenvolvimento. A primeira reunião foi conduzida pelo italiano empresário e presidente honorário da Fiat, Aurelio Peccei, e o cientista escocês Alexander King (ambos já falecidos).
As conclusões do grupo geraram o relatório “Os Limites do Crescimento”, publicado em 1972, com o aval de pesquisadores do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). O relatório traçava situações possíveis em relação ao futuro do planeta em caso da manutenção do ritmo de consumo de matérias primas e degradação ambiental. O trabalho enfatizava, ainda, a necessidade de medidas efetivas e cooperação internacional como forma de reduzir os impactos futuros. 
As conclusões de "Os Limites do Crescimento" foram embasadas no ritmo de crescimento da população mundial, industrialização, poluição, produção de alimentos e esgotamento de recursos. Algumas de suas previsões não se concretizaram em curto prazo. Contudo, em 2008, Graham Turner da Organização de Pesquisa da Comunidade Científica e Industrial (CSIRO), publicou um artigo intitulado "Uma comparação de 'Os Limites do Crescimento' com trinta anos de realidade", concluindo que as mudanças na industrialização, produção de alimentos e poluição estão todas coerentes com as previsões do livro de um colapso econômico e social no século 21.
Em 1992, realizou-se no Rio de Janeiro a segunda Conferência (ECO-92) e, em 2012, a Rio+20, sempre começando na mesma data. Infelizmente, todas as reuniões (em especial as duas últimas) foram contaminadas com a questão das crises econômicas e a importância do crescimento industrial, gerando entraves para a proteção do meio ambiente. Medidas que poderiam ter surtido efeito importante, como a Convenção do Clima e seu derivado mais famoso, o Protocolo de Quioto, não foram ratificadas por países importantes em termos de produção industrial e poluição ambiental como os Estados Unidos e a Austrália (que assinou em 2007).
Importante lembrar também da dimensão política da defesa do meio ambiente. O surgimento do Partido Verde nas Alemanhas (década de 80) e seu relativo sucesso na defesa do meio ambiente, posicionamento contra a energia nuclear e nas urnas (tanto que o acidente de Fukushima impulsionou mais uma vez "os verdes" no cenário político europeu) alertou o mundo da política sobre uma nova força e uma nova perspectiva da visão dos cidadãos. Vários partidos introduziram em seus programas e em seus discursos (infelizmente só no papel e nas palavras) as questões ambientais. Exemplo recente foi o da última eleição presidencial onde o Partido Verde (PV) recebeu quase 20 milhões de votos, forçando a ocorrência de um segundo turno. Tal votação recebida pela candidata Marina Silva configura-se mais como um efeito da cena política do que uma real conscientização ambiental. A presença do PV na disputa eleitoral, não como mero coadjuvante, forçou a inclusão do tema "meio ambiente" nos debates e programas eleitorais. Na prática, terminadas as eleições e iniciado novo mandato, pouco ou nenhum avanço a comemorar. Estão aí a construção polêmica da Usina de Belo Monte, a Transposição do Rio São Francisco (misturando águas, bacias, faunas e problemas) e o Novo Código Florestal, que representa um atraso em relação ao código de 1965.

Ramon Lamar de Oliveira Junior

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Serra do Cipó, MG: Orquídeas (maio de 2013)

Orquídeas encontradas na Serra do Cipó, MG (Município de Santana do Riacho) na segunda quinzena do mês de maio de 2013:













Fotos: Ramon Lamar de Oliveira Junior

Eu, a pinguela e o Rio Cipó

No último sábado, eu e a patroa estávamos fazendo uma caminhada pelo Parque Nacional da Serra do Cipó. Resolvemos fazer uma caminhada curta, apenas até o Córrego das Pedras (4 quilômetros de ida e outros tantos de volta). Mas resolvemos conhecer também o Circuito das Lagoas, o que rendeu boas fotos em paisagens belíssimas. E foi lá, no Mirante do Circuito das Lagoas que decidimos chegar até o Rio Cipó. Seguimos uma trilha e saímos no começo do rio, logo abaixo do ponto onde o Mascates e o Bocaina se encontram para formá-lo. Água límpida e cristalina. A Dona Andreia não se aguenta e resolve entrar na água só para molhar os pés. Daí pra frente começa a história do desastre.
De repente, aponta um casal do outro lado do rio com duas bicicletas. A alternativa de travessia era por uma pinguela feita de bambu. O rapaz percebeu que não daria para atravessar com as bicicletas e veio trazendo as duas por dentro do rio raso. A moça resolveu cruzar a pinguela. Logo depois que os dois passaram, eu também resolvi entrar no rio. Eu estava precavido, com um short por baixo da calça jeans. Mas o fundo de pedras estava machucando os pés, então coloquei o chinelo de Dona Andreia. Um par de chinelos cor-de-rosa número 37 nos meus pés tamanho 44. A cena estava se complicando. Em minhas mãos a máquina fotográfica à prova d'água.
Andreia resolve atravessar o rio mas havia uma parte mais funda e ela iria molhar o short jeans dela. Então fui lá carregá-la até passar a parte funda (uns 60 centímetros, pouca coisa). Em certo ponto ela disse: "- Pronto... aqui está bom!". Desci-a cuidadosamente... mas não estava bom. Ainda estava fundo para ela e acabou molhando parte do short. Aí ela me xingou um pouco, fez cara de brava e tal... então veio nela a ideia de atravessar a pinguela. Acho que ela já estava com a ideia antes, ao ver a moça atravessar o rascunho de ponte.
Acompanhei-a até o começo da ponte e como estava demorando para começar a travessia, eu resolvi atravessar a pinguela primeiro. Isso mesmo! Eu, desse tamanho, com um short preto e chinelos cor-de-rosa e, felizmente, com a máquina fotográfica na mão (o que evitou que eu fosse filmado em cena tão bizarra).

A pinguela de engenharia primitiva.
Momentos antes de começar a desastrada travessia...
As fotos acima dão ideia da fragilidade da pinguela. A engenharia da pinguela era bem rudimentar: quatro trechos de bambus amarrados com arame farpado! E um ou dois bambus laterais para se segurar. O primeiro trecho foi fácil. O segundo trecho era mais complicado... mas passei. Porém o terceiro trecho era terrível! Observem, na foto, que o terceiro trecho (bem no meio da primeira imagem) é formado por dois bambus no piso, um deles muito fino para suportar o meu peso. Para segurar havia dois bambus finos também, um ainda verde. Eu não havia reparado nessa arquitetura antes. Mas não havia como recuar pois a Andreia já se encontrava no meio do segundo trecho. Era o teste definitivo para a minha labirintite. 
Respirei fundo e comecei. Um passo, dois passos e eu já havia percebido que não ia ser fácil. O bambu começou a oscilar e eu oscilando junto. Veio um riso de nervoso... a certeza da queda na água gelada. Andreia falava comigo: "- Você está fazendo graça, né?". Fazendo graça? Eu estava praticamente cavalgando um touro bravo! As pernas iam pra frente e o corpo era jogado para trás... no instante seguinte era o inverso, até que os bambus de segurar as mãos se soltaram da porcaria de amarração que os mantinha "fixos". Os bambus desceram até a altura dos meus joelhos e eu quase passo por cima deles e caio do outro lado. As pernas estavam igual um pêndulo. Puxei os bambus para cima e fiz uma última tentativa de mais um ou dois passos. Olhei para a água atrás de mim e me preparei para o pior. Não havia nada que pudesse me machucar se eu caísse de costas (mas se eu caísse de frente iria dar de cara num monte de galhos no leito do rio). Tentei evitar o tombo a todo custo. Mais um passo, dois, a pinguela vibrando toda! Eis que os dois bambus de segurar quebraram ao mesmo tempo. Como diria Fernando Sabino, "o inevitável aconteceu"! Por sorte, consegui jogar o corpo para trás e caí de costas no rio gelado. A onda que se formou deve ter sido um tsunami. Tirando uma pancada no dedo indicador da mão esquerda, nada de mais grave. Ah... o ego feriu-se bastante! Ainda demorei um ou dois minutos na água para me certificar que não tinha quebrado algum osso.
Agora era ajudar a patroa a atravessar a ponte, dando-lhe a mão no trecho semi-destruído. Ela chegou inteira do outro lado.
Eu acabava de ganhar ali o meu "Prêmio do Ano" de intrépido aventureiro.

Ramon Lamar de Oliveira Junior

domingo, 2 de junho de 2013

Nephilengys, no PARNACIPÓ.

Nephilengys cruentata (?). Com essa coloração eu nunca tinha visto (a cor azul deve-se ao reflexo do céu azulíssimo no exoesqueleto da aranha). Só lá na Serra do Cipó mesmo para encontrar uma peça dessas... [Foto: Ramon L. O. Junior]

terça-feira, 28 de maio de 2013

Obras, peixes iliófagos, "buracos" nas lagoas e eutrofização.

As carpas são peixes que possuem alimentação variada. Comem os pequenos organismos que vivem na massa de água durante toda a vida (o famoso plancton), mas também se alimentam dos materiais do fundo, em especial do fundo lodoso. Nesse aspecto, todas as carpas têm algo de iliófagas (comedoras de lodo). Alguns autores preferem chamar de iliófagas-detritívoras (comem os detritos presentes no lodo) ou "de alimentação bentônica" (dos materiais presentes no fundo).
As carpas não são nativas do Brasil, são originárias da China. Portanto, são animais exóticos, ou seja, não são da nossa fauna.
Em Sete Lagoas, as carpas foram introduzidas na Lagoa Paulino na década de 1980 para alimentar os botos trazidos do Araguaia. Os botos foram embora, mas as carpas ficaram. Na época, disseram que seriam introduzidas carpas-capim (que se alimentam de capim). Portanto tais carpas não iriam se alimentar do lodo, não alterando a turbidez da água. Só não disseram qual capim as carpas comeriam, pois na Lagoa Paulino não há capim disponível para isso. Então as carpas recorreram à alimentação a partir do material do fundo, cavando bacias arredondadas e lançando nutrientes na água. O excesso de nutrientes na água provoca eutrofização (proliferação excessiva de algas, que conduz à coloração esverdeada da água, morte de outros organismos aquáticos - inclusive peixes - e mau cheiro).
Quando a Lagoa Paulino foi esvaziada pela última vez para a captura do boto remanescente, tais bacias eram facilmente visíveis no fundo. Em uma foto que tirei mais recentemente, uma leve mudança no contraste revelou as tais bacias.

Bacias escavadas pelas carpas no leito da Lagoa Paulino.
Agora, vendo a situação da Lagoa da Boa Vista, encontro lá as mesmas bacias. Foram colocadas carpas lá também ou algum outro peixe iliófago (curimbatá, por exemplo)? Vejam as imagens abaixo... (Com a palavra os pescadores, já que provavelmente ninguém mais tem certeza da variedade de peixes que ali foram colocadas.) Ah, importante lembrar que os iliófagos concentram em seus organismos uma grande quantidade de organismos patogênicos. Portanto, vale o aviso para não comer os peixes da lagoa.




Espero que as obras não fiquem apenas nos especialistas de engenharia, especialmente na construção de gabiões como os da imagem (necessários para a contenção das encostas). Espero que também sejam consultados os especialistas na parte biológica das lagoas. A qualidade das águas das lagoas depende de muitos fatores, fiquemos atentos a isso.
Precisamos refazer o peixamento de nossas lagoas com espécies nativas. Se queremos que as lagoas sejam de mais fácil manejo e de águas mais bonitas, precisamos voltar com as espécies nativas: basicamente lambaris (piabas) e traíras. A minha sugestão é a introdução de lambaris no primeiro ano e de traíras no segundo, garantindo a reprodução de um modelo de sucessão ecológica. Outras espécies como o Lebistes ("barrigudinho" ou "guppy"), mesmo sendo exóticas, poderiam ser introduzidas pois exercem um papel importante no controle de larvas de mosquitos e não causam danos ambientais importantes.

Ramon Lamar de Oliveira Junior

PS.: Obviamente as mesmas bacias aparecerão no leito da Lagoa Paulino quando a mesma for esvaziada para sua reforma.

domingo, 26 de maio de 2013

Jegue Motorzinho

Na minha opinião, uma das melhores fotos que já tirei. E não tive muita chance de ficar fazendo testes, pois havia gente na praia e o momento do disparo foi especial. 
O vendedor de abacaxis e seu "jegue ecológico", reparem nos detalhes.

Litoral da Bahia, próximo a Trancoso. [Foto: Ramon Lamar de Oliveira Junior]

Conheça Sete Lagoas: 50 fotos de nossa cidade!

Conheça nossa cidade! 
Para acessar as 50 fotos de Sete Lagoas, use o link www.nucleodeaprendizagem.com.br/01.jpg e vá substituindo o número final por 02, 03... até 50.jpg. Prometo que vou tentar dar uma melhorada na seleção, mas só quando sobrar um tempinho.


Fotos: Ramon Lamar de Oliveira Junior


PS.: Postagem reformulada para divulgação de Sete Lagoas no Dia Mundial do Desafio

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Quando pensar no "milagre da vida"...

Quando pensar no "milagre da vida", lembre-se da imagem abaixo:

Serra do Cipó, MG a 1340 metros de altitude. [Foto: Ramon L. O. Junior]
Considere a dificuldade de sobreviver num ambiente hostil, onde o sol castiga durante o dia e o frio congela durante a noite. Um local onde a água não brota da terra e nem cai em constantes chuvas, mas que aquele mesmo frio da noite a faz condensar sobre as rochas, tornando-a um bem precioso e acessível a cada madrugada. Essa mesma água arrasta consigo os nutrientes, e aquela desconfortável luz forte do sol propicia a produção do alimento. No mesmo local há um vento que varre forte durante todo o tempo, mas em seu ar puro e em sua força são espalhados os elementos reprodutivos que se encarregam de contaminar tudo com novas vidas. 
Não há como não lembrar da velha história de "fazer do limão uma limonada". A luta da vida também nos faz rememorar os nossos momentos atribulados, onde em meio às dificuldades podemos perceber que temos força e coragem interior, e que podemos enxergar as mãos dos amigos verdadeiros que se estendem para nós. Nossos amigos são nossa luz, nossa água, nosso alimento e nossa continuidade.
O milagre da vida é a própria vida: o simples fato da vida ter surgido no mar já a faz maravilhosa, o fato dela conseguir progredir na adversidade da rocha nua a faz espetacular. Enxergar e compreender tudo isso nos coloca em condições de saber respeitar a natureza do todo, aí inclusa a nossa própria natureza humana. Caminhamos lentamente na direção desse entendimento. O importante é que caminhemos sempre em frente. E ninguém disse que o caminho seria fácil... 
 Ramon Lamar de Oliveira Junior

VESTIBULAR DA FACULDADE SANTO AGOSTINHO DE SETE LAGOAS

Estão abertas as inscrições para o Vestibular da Faculdade Santo Agostinho de Sete Lagoas (FASASETE), até o dia 22/06/2013.

A inscrição presencial poderá ser feita até 22/06/2013 no Campus Sete Lagoas - Av. Villa Lobos, 730 - Bairro Mangabeiras, de segunda a sexta-feira, das 14 às 22 horas e aos sábados, das 8 às 12 horas. Inscrições em Paraopeba, até 21/06/2013 no Colégio Nossa Senhora do Carmo, Rua 1º de junho, número 46, de segunda a sexta-feira, das 7 às 16 horas.

Por meio da internet, a inscrição poderá ser feita até o dia 20/06 acessando o sitehttp://inscricao.santoagostinho.edu.br/

Mais informações pelo telefone (31) 3771-8178. Após o prazo, peçam informações sobre o Vestibular Agendado.


Eu estou lá, aguardando os alunos do curso de Engenharia Ambiental!

Ramon Lamar de Oliveira Junior