Enquanto eu estava na praça da prefeitura procurando fotografar a sapucaia que existe em frente à Secretaria de Planejamento (e acompanhando a evolução dos seus frutos, já prestes a liberar as sementes), encontrei o Caramelo e começamos a conversar sobre diversos assuntos relacionados à iluminação de Sete Lagoas, em especial sobre os LEDs para as praças e as questões relacionadas à iluminação e postes perigosos (ou sob perigo?) da Avenida Castelo Branco.
De repente, aponta o Dr. Afrânio vindo para uma caminhada matinal. Que prazer encontrá-lo! Tenho profunda admiração pelo ex-prefeito de dois mandatos, político honesto e sempre preocupado com a população de sua cidade. São pessoas como ele, o Chico Labbate e o Tim Campolina que aprendi a admirar desde cedo e que presto sempre as minhas homenagens. Infelizmente, ao Chico só posso fazê-lo agora na forma dessas palavras e de orações.
Aproveito então para homenageá-lo com uma coluna (O que ele anda fazendo) escrita na década de 1990 pelo também saudoso Fernando Alves. O querido Fernando Alves enviou-me, certa vez, uma coletânea de seus textos que eram publicados. Segue o texto sobre o Dr. Afrânio:
Se num toque de magia, obra dos deuses, tivéssemos à nossa frente o livro da história de Sete Lagoas, certamente, várias seriam as páginas dedicadas à família Marques de Avelar. Com que orgulho, nós nos lembramos da veneranda e querida Dona Chiquinha Avelar, como árvore frondosa e que tantos e tantos frutos deu a esta nossa Sete Lagoas. As sementes que foram lançadas nesta terra dadivosa também produziram uma descendência de igual qualidade. Afrânio de Avelar Marques Ferreira faz parte desta estirpe, desta maravilhosa família. Passou toda a sua infância em Sete Lagoas, juntamente com mais quatro irmãos. Com a morte de seu pai (Benjamim Franklin Marques), foram residir com a avó, onde foram criados e educados, já que a mãe (Matilde de Avelar Marques), ficara viúva com apenas vinte e sete anos. O casarão da Rua Monsenhor Messias, antiga Silva Jardim, era sempre cheio, num ambiente de muita alegria. Foram dias inesquecíveis, apesar da luta gigantesca enfrentada pela extremosa mãe, Dona Matilde. Fez o curso primário na Escola Sagrado Coração de Jesus, o curso secundário no Dom Silvério. Inteligente, capaz, fez, com muito sucesso, o curso de Engenharia e Agronomia em Viçosa, concluindo o curso em 1941. Seu primeiro trabalho foi ainda em Viçosa, como topógrafo, na divisão de terras dos herdeiros de Silvio Magalhães. Exerceu as funções de perito judicial da Comarca de Sete Lagoas. Iniciou um trabalho pioneiro, na produção de sementes e milho híbrido na Fazenda da Lapa em nossa cidade. Como engenheiro agrônomo colaborou nos trabalhos de implantação da CAMIG. Fundador da Associação dos Produtores de Sementes do Estado de Minas Gerais, com sede em Belo Horizonte, sendo presidente da mesma durante sete anos, e, ainda hoje, é o seu presidente de honra. Realizou trabalhos de topografia, atuando em mais de 25 processos de divisão de terra. Fez trabalhos de avaliação das áreas inundadas pelo reservatório de Três Marias. Usou critérios próprios de avaliação, com base na capacidade de uso da terra, critérios que foram transcritos no manual brasileiro de conservação de solos. Posteriormente ingressou no serviço público federal, nos quadros do Ministério da Agricultura, em 1972 foi designado, pelo secretário geral do Ministério da Agricultura, como chefe de assessoria técnica da coordenação estadual do grupo de apoio, visando a implantação da “AGIPLAN”. Teve participação ativa em vários setores do IPEACO. Por concurso, foi designado engenheiro agrônomo pesquisador em Brasília. Foi de 1983 a 1985 secretário adjunto da Secretaria da Agricultura de Minas Gerais. Membro da COPAM, da CONECITT, da COAGRO. Sempre presente em várias atividades ( uma longa lista de trabalhos efetuados), sempre com perfeição. Publicou vários trabalhos técnicos e científicos. Foi vereador, prefeito municipal, tendo ainda participado da Fundação da TELESETE, Iporanga, Fundação Educacional Monsenhor Messias (membro instituidor), presidiu a APAE, e durante muitos anos participou do Coral Santa Cecília, da Irmandade Nossa Senhora das Graças, FUMEP (fundador), EPAMIG. Foi agraciado com vários títulos, medalhas, diplomas, os mais diversos possíveis. Sempre encontrava tempo para participar de toda a vida desta Sete Lagoas. Foi (e ainda é), um grande seresteiro dono de uma bela voz, juntamente com Wilson Tanure, Marcilio Martins da Costa, Roberto Fonseca, Ulisses Campolina, Claudionor, Tonho, Adonais (para citar alguns), faziam a poesia e o encantamento das noites enluaradas. Aposentado voltou às suas origens de homem do campo, é fazendeiro. Sente-se feliz e realizado ao lado da esposa Vera e dos filhos (Letícia, bacharel em letras; Benjamim, engenheiro civil; Maria Eunice, curso de arquitetura; Patrícia, publicidade; Rodolfo, informática; Paulo, engenheiro civil; Adriana que é psicóloga). Para ele os sonhos nunca acabam na nossa mente, às vezes conseguimos realizá-los, outras não. O mundo atual é extremamente dinâmico. A economia, a sociedade, a política, o saber, tudo transforma o mundo numa gigantesca e veloz máquina, a máquina do tempo. O amigo Afrânio, o Dr. Afrânio, deixa a indagação: - mas como Ter felicidade completa ao lado de tanto sofrimento que nos cerca? Um exemplo de dedicação à causa pública, um exemplo do quem quer ver o melhor para o seu semelhante. Conserve o amor que você recebeu. Ele é um grande bem para a sua vida. (Por Fernando Alves)
Ramon Lamar de Oliveira Junior
PS.: Leia "A unanimidade nos deixou..." sobre o falecimento de Dr. Afrânio. Clique
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