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quarta-feira, 6 de julho de 2016

Biologia nos desenhos animados.

A biologia, vez ou outra, é muito bem abordada nos desenhos animados voltados para a criançada e, muitas vezes, voltados também para todas as idades. Abaixo, três dos meus preferidos. Claro, sem desmerecer a turma do Níquel Náusea que são tirinhas do veterinário e biólogo Fernando Gonsales e as tirinhas Um Sábado Qualquer, do designer Carlos Ruas, que várias vezes brincam com o tema criação x evolução, tema difícil de brincar e que deve ser lido sempre com uma boa pitada de bom humor para não estragar o clima.


Bob Esponja, calça quadrada! (A partir de 1999)

Bob Esponja tem muita biologia, afinal o criador e animador é o biólogo marinho Stephen Hillenburg. A capacidade de regeneração das esponjas é bastante explorada na série, bem como o sistema nervoso não muito desenvolvido dos personagens centrais (Bob Esponja e Patrick Estrela). As mutações provocadas pela radiação na Fenda do Bikini são a melhor explicação para as coisas muito esquisitas dos habitantes e do próprio local onde vivem (o Atol de Bikini, no Oceano Pacífico, foi usado para diversos testes nucleares). O Plâncton, um copépode planctônico com um olho só é o vilão e eterno perseguidor do Sr. Sirigueijo que tem a melhor receita de hamburguer de siri. As águas-vivas vivendo em colmeias são uma alusão às "Vespas do Mar", águas vivas da espécie Chironex fleckeri, extremamente peçonhentas e comuns no litoral Australiano. O Gary, "animal de estimação" do Bob Esponja é um caramujo com os olhos na extremidade dos tentáculos, característica de muitos desses gastrópodes. O hábito do Patrick Estrela de viver sob pedras é realmente o de algumas estrelas do mar que vivem sob pedras mais soltas. O Lula Molusco e a Cindy (esquilo texano que vive sob o mar respirando com o auxílio de um tipo de escafandro) completam o elenco principal, sendo que o Lula Molusco, coitado, sempre acaba se dando mal com as peripécias dos seus vizinhos, não raro sendo vítima de alguma explosão nuclear.



Vida de Inseto (1998)

"Gente" demais nesse filme. As formigas e a organização do seu formigueiro, sendo que o nome da Princesa "Atta" é o gênero da formiga saúva. A iluminação dos túneis do formigueiro feita por fungos bioluminescentes. Bacana a cidade grande com seu buteco de moscas (às moscas, como convém a um bom buteco copo-sujo) onde os insetos de circo afogam as mágoas após terem destruído seu número e são "descobertos" como grandes guerreiros. A pulga, os vagalumes holofotes, a borboleta que imita os olhos de um predador em suas asas (bem no estilo "O caso da borboleta Atíria"), o louva-a-Deus, o escaravelho, o bicho-pau, a lagarta que come desesperadamente para no final se metamorfosear em borboleta gorda, a joaninha que era um joaninho e os maravilhosos "Deita e Rola", uma dupla de gêmeos de tatuzinho-de-jardim. Sem contar os gafanhotos malvados e o pássaro predador... e até mesmo os voos em "paraquedas" de dente-de-leão. Vida de Inseto é basicamente a história de uma formiga bem-intencionada mas muito atrapalhada que tenta salvar todo o formigueiro de seus problemas que vão desde a cata de alimentos até o enfrentamento de perigosos gafanhotos.



FormiguinhaZ (1998)

1998 foi mesmo o ano das formigas. Neste outro filme a ação é mais centrada na disputa de poder no formigueiro. "Z-4195", personagem principal, é uma formiga com vários problemas existenciais. Não foi por outro motivo que no original a voz é do Woody Allen, não só a voz, mas os questionamentos, o estado depressivo e as expressões do rosto encaixam como uma luva. Apaixonado pela Princesa Bala (as formigas-bala são conhecidas no Brasil como tocandiras). Z acaba se envolvendo numa guerra com cupins e volta como único sobrevivente e vencedor da guerra (sendo que na verdade só se salvou por puro acaso), o que desperta a ira do noivo da Princesa Bala, General Mandíbula, cujo único interesse é casar-se com a princesa, eliminar todo o formigueiro e criar uma nova "colônia" de formigas melhores. A cena anterior à guerra, de Z e seu amigo Weaver no bar, onde Weaver bebe da seiva que sai do ânus de pulgões é  uma ótima tirada biológica, com Z se recusando a beber do ânus de outro animal. A fuga/rapto da princesa, a procura pela lendária Insetopia, a perseguição feita por um garoto com lupa (tentando queimar as formigas com a luz do Sol), o aprisionamento na tensão superficial de uma gota d'água funcionam como um thriller de aventura.  O filme traz também muitas abordagens a respeito da vida em sociedade, da luta pelo poder, do trabalho opressivo a que muitos operários são sujeitos, do papel do indivíduo na sociedade e por aí afora, temáticas não muito infantis.


Ramon Lamar de Oliveira Junior

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