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segunda-feira, 18 de julho de 2016

Entorno da Lagoa do Mucury: cálculos foram feitos?

Realmente não entendi o motivo da retirada da calçada em redor da Lagoa do Mucury. O pessoal não vai respeitar "retirada de trajeto". Isso não existe! Novos trajetos podem ser traçados numa praça, mas retirada de trajeto já usado faz anos não dá certo. Sábado o pessoal estava andando tranquilamente em cima do gramado que foi colocado na orla da lagoa e não há como criticá-los. A "rua" central estava lotada e aquele caminho é mais do que natural. 


E ainda há um agravante: quando chover, a "rua" central ficou sem o escoamento de área para a parte baixa (da lagoa do Mucury), assim teremos mais uma lagoa... na rua. 
No trecho central, existem seis bueiros com manilhas de 30 cm de diâmetro para uma área impermeável de 3000 metros quadrados (incluindo as áreas laterais a montante)... mas lançam a água em uma coletora que não sei o diâmetro, o que pode restringir ainda mais a drenagem (por exemplo, se a coletora tiver 50 cm de diâmetro o efeito dos seis bueiros cai para 50%. Provavelmente veremos tal fato na virada do ano (quase sempre chove) ou no Carnaval (outra época rotineira de chuvas)... aí vai ser um amassa-barro só! 
Uma chuva de uma hora de duração, com 10 mm de precipitação total (chuva boa... nem muito fraca, nem tempestade) geraria um volume de 30.000 litros de água para ser drenado em uma hora. Se os seis bueiros tiverem a eficiência máxima, tal vazão deveria ser de pouco mais de 80 litros por minuto por bueiro. Mas se a coletora reduzir a eficiência (mesmo com diâmetro de 50 cm), sua vazão seria de 500 litros por minuto ou 8 litros por segundo. Bom, até aí parece estar tudo bem. Em fevereiro último, Belo Horizonte recebeu uma chuva de 40 mm em uma hora. Então, multiplique a necessidade de vazão calculada anteriormente por 4. Vamos ver como fica, né?
Sinceridade, acho que está faltando na prefeitura o contraditório. Alguém para sistematicamente dizer NÃO e estimular que se pensem outras alternativas. Isso é feito em algumas empresas e não é tão difícil assim. Mas tal "contraditor" precisa ter argumentos que devem ser ouvidos antes de serem rejeitados ou não.
Ah, e não venham com "isso é de agora", porque não é. Sete Lagoas sempre cometeu deslizes iguais ou piores que esses. Não tem essa história de "no tempo do prefeito tal era assim... ou era assado"... sempre houve erros similares. Alguns com mais impacto, outros com menos...
Quanto ao argumento de aumentar a permeabilidade, sim, temos que aumentar áreas permeáveis, mas desse jeito é bobagem (ou poderiam ter usado uma pavimentação permeável como bloquetes, por exemplo). Há vários locais da cidade que poderiam virar área de recarga com remoção do asfalto, inclusive diversas "rotatórias" desenhadas com trator!
Ah... para finalizar... vamos plantar árvores nas praças, pelo amor de Deus. Estou vendo praças e mais praças sendo inauguradas sem nem uma palmeira licuri.

Fotos e Texto: Ramon L. O. Junior

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