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domingo, 28 de outubro de 2012

Antioxidantes: heróis ou vilões?

Não é raro, dependendo do horário que assistimos televisão, sermos bombardeados nos comerciais por uma ação orquestrada para estimular o consumo de antioxidantes. Afinal é uma indústria de bilhões de dólares anuais. Em certas emissoras tal prática chega a consumir quase todo o intervalo comercial, com propagandas de 1 minuto de duração e ainda inserções durante os próprios programas, os famosos "merchans"
Desde 1983, quando em conjunto com os então colegas do Curso de Medicina comecei a ler sobre o assunto para escrever e apresentar um trabalho da disciplina "Química Fisiológica" intitulado "Megadoses de Vitaminas e Outros Compostos", que me interessei pelo assunto. Salta aos olhos o baixo nível de informação que é passado aos "consumidores". Já ouvi entrevista em que um médico afirmou que o lipídeos "trans" têm esse nome porque são facilmente "trans"portados para a parede dos vasos sanguíneos. O conceito de isomeria "cis"/"trans", verdadeira origem do termo, pelo visto é desconhecido pelo médico.
E assim são os telespectadores, ouvintes e leitores convencidos a ingerir doses maciças de medicamentos, quando na verdade o que importa é uma boa e bem dosada alimentação.


Uma dúvida que me persegue há um bom tempo é a respeito da ação dos antioxidantes sobre as células que participam do nosso processo de defesa do organismo. Alguns dos processos de defesa, como o ataque contra alguns causadores de doenças ou contra células tumorais, são baseados na produção de radicais livres (agentes oxidantes, espécies reativas de oxigênio) contra tais alvos. Aí vem a dúvida, suportada por alguns trabalhos científicos pouco divulgados: o EXCESSO de antioxidantes não poderia prejudicar tais mecanismos de defesa e aumentar a incidência de determinados tipos de cânceres?
Selecionei alguns links sobre o assunto e sugiro a leitura. Alguns são de Portugal (daí o termo câncer ser substituído por cancro).

Clique nos links seguintes:

Antioxidants, programmed cell death, and cancer (Antioxidantes, morte celular programada e câncer). Resumo abaixo:
Understanding the role of reactive oxygen species (ROS) in apoptosis opens new approaches for controlling cancer growth, and suggests that patients with cancer may not always want to ingest extra antioxidants. Many epidemiological studies suggest that increased intake of fruits and vegetables, and of other foods that contain antioxidants can protect against the DNA damage that can initiate carcinogenesis. However, recent data indicates that cells use reactive oxygen species as part of the signaling process responsible for activating an important mechanism for eliminating cancer cells, programmed cell death (also called apoptosis). Many anti-cancer agents depend on this form of cell death for their efficacy. In this review we present an overview of the role of ROS in carcinogenesis and in apoptosis, and we raise questions about the proper dietary recommendations for individuals with cancer.
Tradução: A compreensão do papel das espécies reativas de oxigênio (ROS) na morte celular programada abre novas abordagens para controlar o crescimento do câncer, e sugere que os pacientes com câncer nem sempre devem ingerir quantidades extra de antioxidantes. Muitos estudos epidemiológicos sugerem que o aumento da ingestão de frutas e legumes, e de outros alimentos que contêm antioxidantes, podem proteger contra danos ao DNA que podem ser iniciadores da formação do câncer (carcinogênese). No entanto, dados recentes indicam que as células utilizam espécies reativas de oxigênio, como parte do processo de sinalização responsável ​​pela ativação de um mecanismo importante para a eliminação de células cancerosas, a morte programada de células (também chamada apoptose). Muitos agentes anticâncer dependem desta forma de morte celular para a sua eficácia. Nesta revisão, apresentamos uma visão geral do papel das ROS na carcinogênese e na apoptose, e levantamos questões sobre as recomendações dietéticas adequadas para indivíduos com câncer.
A questão fundamental parece estar, como sempre, relacionada a dose: a velha questão da diferença entre remédio e veneno. Gostaria de ouvir a opinião de meus ex-alunos sobre o assunto.

Ramon Lamar de Oliveira Junior

2 comentários:

  1. Muito boa essa matéria, sempre entendo que a melhor forma de se proteger é com alimentação natural e saudável.

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    Respostas
    1. Valeu, Stefano. Também acredito que não precisamos dessa dose mega-hiper-extra que tentam nos impor...

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