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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Entrevista para o Jornal Sete Dias sobre o problema das garças na orla da Lagoa Paulino

Qual espécie de ave que, normalmente durante a noite, habita palmeiras na orla da Lagoa Paulino?
São várias as espécies que procuram as palmeiras à noite para se abrigarem. As principais são espécies de garças brancas, socós e biguás.

A lagoa é o principal atrativo para estas espécies?
Quando a lagoa encontra-se muito rasa (como está acontecendo agora na Lagoa da Boa Vista), a lagoa passa a ser sim um atrativo para as garças. Os biguás já preferem as águas um pouco mais profundas pois são excelentes mergulhadores e pegam os peixes dessa forma. Socós geralmente são vistos pescando nas margens. Mas a questão ali não é de "atrativo" ou "de alimentação" (apesar dos biguás serem vistos em atividade durante o dia). A questão é mais de abrigo.

Existe uma época do ano onde estas aves “visitam” mais Sete Lagoas?
Não, estas aves são de grande distribuição e não são migradoras típicas. São encontradas na região o ano inteiro.

Algum desequilíbrio ecológico estaria trazendo estas aves para o ambiente urbano?
Sim. Temos assistido uma diminuição das árvores que poderiam servir de abrigo noturno para essas aves ao redor da cidade. Muito desmatamento e muitos em regiões que possuem ambientes propícios para as aves se alimentarem durante o dia. Com esse desmatamento vem também a agressão às aves que é feita de todas as formas... de pedradas a tiros. Com isso, ao que tudo indica, as aves passaram a procurar as árvores e palmeiras do centro da cidade onde estão livres desse tipo de agressão. Todos que têm mais de 40 anos se lembram da "Ilha dos Pássaros", ao lado da Ilha do Milito, onde as garças acabaram matando a grande paineira que lá existia (agora existe uma outra no local).

O mau cheiro é muito forte e quem transita, trabalha ou faz atividades físicas na região convive com esta situação. Existe algum risco de doença caso haja contato com este tipo de excremento?
É sempre bom evitar contato com fezes de animais e isso vale muito para as fezes de aves silvestres. Na verdade, nem sabemos que tipo de contaminação esse contato pode trazer para a saúde humana. É amplamente conhecido o problema da psitacose, grave doença causada por um tipo de clamídia (bactéria) que pode ser transmitida pela poeira de fezes principalmente de papagaios e pombos. Sem ser alarmista, convém lembrar também de outras doenças como a gripe aviária. Portanto, a exposição às fezes é no mínimo um risco. 

Você apontaria alguma solução esta situação no sentido de preservar as aves e o ambiente?
A solução, ou um caminho para esta solução, já havia sido proposta pela Secretaria de Meio Ambiente na gestão passada. Entretanto, por alegadas razões financeiras da secretaria, o trabalho ficou mais na proposição do que na ação. Envolvia basicamente três partes. Primeiramente a redução da copa das árvores e palmeiras frequentadas pelas aves (no caso foi feita uma poda drástica nas árvores ao lado da Escola Arthur Bernardes e surtiu resultado, uma vez que a situação lá se encontrava insustentável para as aulas). Inclusive hoje já dispomos a nível nacional de uma norma técnica da ABNT para a poda de palmeiras que permite a remoção das folhas (fronde) num ângulo abaixo de 45 graus em relação ao plano horizontal. A segunda ação seria incomodar as aves com holofotes que seriam direcionados para as copas das árvores no sentido de forçá-las a mudar para outros locais. E a terceira, em caso extremo, seria o uso de fogos de artifício para provocar o incômodo. Com isso elas se veriam obrigadas a procurar abrigo em pontos mais afastados ou na periferia da cidade. Claro que, para isso funcionar corretamente, temos que aumentar o plantio das árvores que elas preferem em locais mais afastados e propícios, além de trabalhar também a educação ambiental para que não sejam perturbadas nesses outros locais.

A entrevista foi publicada juntamente com outras informações. Pode ser lida clicando AQUI.

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