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sexta-feira, 10 de março de 2017

Mudanças no ENEM: o INEP/MEC sempre surpreendendo com NADA!

"Você está falando com a pessoa que trouxe para o Brasil uma maneira diferente de olhar para o ensino médio. Não posso achar que as mudanças ocorridas no Enem são positivas. Acho positivos, sim, os inúmeros benefícios concedidos associados ao resultado no Enem: o Prouni, o Fies, o Sisu. Enquanto eu estiver no Inep, qualquer modificação não deve interferir nesses direitos já conquistados. Mas o exame e a maneira como está estruturado eu não aprovo."
Trecho da entrevista da professora Maria Inês Fini ao assumir a presidência do INEP/MEC em 10/08/16 (confira AQUI)
     Foi assim que a presidenta do INEP deu indicativos que o ENEM iria sofrer mudanças radicais em sua estrutura em 2017. As questões estavam caminhando para o vestibular tradicional, o tempo para fazer a prova era exíguo, muitos candidatos sequer chegavam a ler todas as questões. Esperava-se algo que tivesse a ver com a realidade dos alunos e do ensino médio no Brasil (com ou sem reforma). Para que 45 questões de Matemática? Para que 40 questões de Português? Essas perguntas são fundamentais pois é justamente nesse exagero que o candidato se vê numa maratona e não numa avaliação. Três exíguos minutos por questões que, em geral, ocupam um quarto da página de prova, 30 páginas, sem poder usar lápis ou borracha...
     Em entrevista para a Revista Veja, três meses depois de assumir, a presidenta já adiantava que haveria mudanças:
"Revista Veja: Mas o que seriam estas mudanças na prática?
Maria Inês Fini: Da estruturação pedagógica, científica, metodológica e de medida da prova. Ninguém vai inventar a roda. Não existe outra matemática ou outra linguagem. Apenas serão outras características na estrutura da prova."
     Que coisa linda no discurso e pífia na prática. A estruturação pedagógica consistiu em mudar a prova de matemática para junto das ciências da natureza, no lugar da prova de ciências humanas. Pensei que a presidenta iria usar da sua experiência de professora para fazer uma mudança que levasse em consideração como deve ser minimamente uma prova para avaliar a capacidade do aluno do ponto de vista pedagógico. Estou louco para ver as novas e belas questões reestruturadas pedagogicamente. Quero ver a nova estruturação científica. Será que a nova estruturação metodológica e de medida irá acabar com a TRI ou inventar algo mais indecifrável?
      Todos nós sabemos, aliás estamos cansados de saber, que o número de questões é o grande problema dessa prova do ponto de vista pedagógico, metodológico, científico, estrutural, orçamentário e logístico. E nada é falado sobre isso... por que? Porque o INEP está mais preocupado em resolver o problema das pessoas que não podem fazer provas aos sábados por motivos religiosos - que no fundo foi a grande mudança ocorrida!!! E também porque os jornalistas que fazem as entrevistas ou ancoram os telejornais não entendem nadica de nada desse ENEM (só gostam de mostrar candidatos chegando atrasados e repetir releases oficiais).


      Na época da posse da presidenta do INEP muito se falou que seria uma forma do Governo Temer remediar a questão da falta de mulheres no primeiro escalão. Convidar a "criadora" do ENEM seria uma boa maneira de fazer essa correção. Talvez as correções pretendidas sejam desse mesmo nível... na forma... não no conteúdo. 
     Cansei de mandar sugestões para o MEC nas duas consultas virtuais e em e-mails. Já entendi que o INEP/MEC quer apenas realizar uma prova que selecione alunos para as faculdades e para isso qualquer prova serve pois os que chegarem na frente ganharão as vagas. Ponto final. É isso... o resto é conversa para o dia da posse da presidenta... ou coisa que o valha.

Ramon Lamar de Oliveira Junior

PS1.: Gostaria de ver o desempenho da  professora Maria Inês Fini na prova do ENEM. Não digo em relação ao número de acertos pois ela não tem obrigação nenhuma de acertar coisa alguma. Mas gostaria de ver se ela ao menos teria tempo de ler toda a prova e tentar marcar alguma coisa no gabarito. Gostaria muito.

PS2.: É um absurdo que as escolas não recebam, ao menos individualmente, as médias de seus alunos. Esses dados são referenciais importantes para melhorar o ensino. O ranking é um referencial importante para estudantes e famílias escolherem as escolas baseadas em seus resultados, bastaria eliminar as falcatruas das falsas escolas de gênios.

PS3.: Acabo de ler umas pérolas do Ministro da Educação:
O ministro da Educação, Mendonça Filho, considerou que as alterações aprimoram o exame. "Com essas medidas, nós estamos buscando um aperfeiçoamento operacional do exame e deixaremos prontas todas as adequações futuras pelas quais o Enem terá que passar em decorrência da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que nós esperamos que esteja pronta este ano", destacou. Mendonça também garantiu que a opinião pública foi "plenamente contemplada" com as mudanças. "Foi uma atitude corajosa do MEC porque, uma vez feita a consulta, você tem que contemplar a opinião pública. E nós sentimos que ela está plenamente contemplada com as medidas que o ministério tomou."
Senhor Ministro essas medidas são praticamente inócuas para a gigantesca maioria dos candidatos em termos de aperfeiçoamento do exame. E da próxima vez, façam as perguntas corretas na consulta pública para saberem o que os candidatos acham de 90 questões por dia, com textos gigantes e com três minutos apenas para responder a cada uma. Também pergunte se os candidatos confiam nessa medida feita pela TRI. Tenha coragem, ministro!!! 

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