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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Parque da Cascata: imagens fortes de um grave problema.

A situação do Parque da Cascata é muito complexa. Durante o período em que estive na prefeitura (pouco mais de um ano), tentamos de toda maneira reverter uma compensação ambiental da IVECO (plantio de 70.000 árvores na região da IVECO) para um valor em dinheiro que seria usado para fazer o Plano de Manejo da APA Serra de Santa Helena, constituir uma Brigada de Incêndio equipada e paga e fazer reformas na estrutura do Parque da Cascata.


Imagens do lago do Parque da Cascata em abril de 2014, quando o mesmo foi fechado para visitação. Fotos: Ramon L. O. Junior
Infelizmente tal ação não teve como ser realizada. Desta forma, o Parque da Cascata que havia sido fechado para reformas, não teve como ser reaberto, uma vez que a prefeitura não dispunha de como arcar com todas essas ações. Para se ter uma ideia, entre salários e equipamentos, a Brigada de Incêndio teria um custo de cerca de R$ 200.000,00 para funcionar no primeiro ano (e menos nos anos seguintes se o equipamento não se deteriorasse). O Plano de Manejo foi estimado, por consulta em algumas empresas especializadas, em cerca de R$ 400.000,00. E as reformas estruturais no restaurante, na barragem, nas trilhas e nas outras construções do parque consumiriam cerca de R$ 200.000,00. Isso fazendo ajustes e economias em função da verba-teórica disponível. 
Acompanhei o processo e posso atestar a idoneidade de todos que participaram da situação, tanto por parte da prefeitura (com destaque para o Secretário de Meio Ambiente - Luiz Adolpho, para a Nathália que é superintendente da secretaria, José Oswaldo que é responsável pelo setor jurídico da Secretaria do Meio Ambiente e para meu amigo Saulo Queiroz, atual Secretário de Desenvolvimento e Turismo) quanto por parte da IVECO e seus representantes que participaram de diversas reuniões. Infelizmente, o Ministério Público (que foi consultado e se mostrou sensível à importância das ações acima), também dentro de suas prerrogativas, entendeu que a tal compensação não poderia ser feita, indicando que a ação mais correta seria a IVECO plantar as tais 70.000 mudas em torno ou próximo de seu empreendimento. 

Local da comporta do lago, mostrando uma diminuição de cerca de um metro no nível vertical da água. Imagem: www.setelagoas.com.br

Vista parcial do lago do Parque da Cascata. Imagem: www.setelagoas.com.br
Bom, esse relato todo é para explicar a situação do Parque da Cascata em si. Quanto à situação atual do lago (visto nas imagens acima, extraídas de vídeo produzido pelo www.setelagoas.com.br), a situação mostra-se crítica. 
No meu entendimento (e admito que outras explicações poderiam ser aventadas), a causa principal do fenômeno encontra-se na baixíssima pluviosidade dos últimos meses. Dados sobre as precipitações no último ano podem ser lidos AQUI e são muito consistentes com a situação encontrada. Mas há também um problema que já vem de muito tempo, relacionado ao assoreamento das nascentes em torno do lago. Também é claro que algumas ações (como a construção de mais barraginhas e projetos de reflorestamento podem ajudar muito - mas não há reflorestamento que funcione com incêndios periódicos). Uma outra questão é que as taxas de evaporação e infiltração no solo devem ser razoavelmente grandes na altitude em que o Parque se encontra. E há ainda o problema da perda necessária de água pela comporta - que não pode ser hermeticamente fechada - sendo responsável pela manutenção de pelo menos um fio de água na Cascata, importante para o ambiente a jusante da represa (lago).
Não acredito que o poço artesiano perfurado próximo ao lago (represa) para abastecimento dos moradores do alto da Serra, que atinge lençóis profundos a mais de 100 metros, esteja relacionado com o evento. Essas águas que mantêm o lago são de origem muito mais superficial (de 2 a 10 metros de profundidade, se tanto), e esses lençóis superficiais são os primeiros a sofrer na estiagem, especialmente em altitudes. E muito menos (conforme algumas pessoas sugeriram), a comporta não foi aberta para esvaziar o lago e fazer reformas em sua volta. Tal irresponsabilidade seria sem sentido (pois não havia verba) e impensável conhecendo-se os interesses ambientais defendidos pela Secretaria do Meio Ambiente.

Ramon Lamar de Oliveira Junior

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