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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Para se pensar: Resultado dos formandos em medicina do Estado de São Paulo no Exame do CREMESP

O texto seguinte foi publicado no site do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) e serviu de base para várias notícias sobre o assunto. Republico-o aqui para que possamos fazer algumas reflexões. Desde a baixa qualidade de alguns cursos, passando pelo fato do Cremesp expor esses problemas no Estado de São Paulo (gostaria muito de saber dos demais Estados) e ao fato da revalidação de diplomas do exterior e avaliação dos médicos do programa Mais Médicos. Acho que tudo está relacionado e muitas perguntas podem ser feitas sobre o tema... o problema é achar as respostas. Sublinhei alguns pontos que julguei importantes.

Exame do Cremesp

Reprovação chega a 55% dos recém-formados em Medicina no Estado. 
Índice alcança 65% entre escolas privadas.

Com alto índice de reprovação, o Exame do Cremesp de 2014 confirma situação alarmante do ensino em escolas médicas. Os resultados da avaliação de médicos recém-formados foram divulgados em coletiva de imprensa, nesta quinta-feira, 29/01/15.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) promoveu, em outubro de 2014, a décima edição do Exame do Cremesp, que avalia o desempenho dos recém-formados em Medicina. É o terceiro exame realizado depois que se tornou obrigatório para quem deseja obter o registro de médico no Cremesp e atuar no Estado de São Paulo. O registro no CRM não depende do desempenho ou da aprovação nas provas.
Dos 2.891 recém-formados em escolas médicas do Estado de São Paulo que participaram do Exame em 2014, um total de 1.589 – ou 55% deles – não atingiu o critério mínimo definido pelo Cremesp. Ou seja, acertaram menos de 60% do conteúdo da prova. Os outros 45% – ou 1.302 egressos – acertaram mais de 60% do conteúdo. Entre as escolas públicas paulistas, a reprovação foi de 33%. Já entre os cursos de Medicina privados do Estado de São Paulo, 65,1% foram reprovados.
“Esse resultado demonstra a má qualidade do ensino médico no País”, destacou presidente do Cremesp, Bráulio Luna Filho, durante a coletiva de imprensa, que teve também a participação do 1º Secretário, Renato Azevedo Júnior. “Toda vez que um indivíduo despreparado entra para atender no sistema de saúde, propicia o mau uso dos recursos, tais como exames etc, além de representar um risco para os pacientes assistidos”, completou o presidente do Cremesp.
Luna Filho revelou também que a plenária do Cremesp discute, atualmente, o monitoramento dos recém-formados que não conseguiram desempenho mínimo na prova, por meio do acompanhamento de frequência em cursos de atualização, entre outros. 
No ano em que completa dez anos, o Exame do Cremesp teve recorde de participantes das escolas paulistas, com abstenção de apenas 0,9% de 2.916 inscritos. Em 2013, a abstenção foi de 2,8%; em 2012, foi de 2,5%.
A avaliação do Cremesp foi instituida em 2005, mas até 2011 a participação dos recém-formados na prova não estava condicionada à concessão de registro profissional. A partir de 2012, por meio da Resolução do Cremesp nº 239, institui-se a obrigatoriedade de realização do Exame para obtenção de registro de médico no Estado de São Paulo, independentemente do resultado obtido na prova.
A edição 2014 do Exame contou com 120 questões objetivas de múltipla escolha, abrangendo problemas comuns da prática médica em nove áreas básicas: Clínica Médica, Clínica Cirúrgica, Pediatria, Ginecologia, Obstetrícia, Saúde Mental, epidemiologia, Ciências Básicas e Bioética.
Legalmente o Cremesp não pode impedir o médico sem formação adequada de exercer a Medicina. “Estamos tentando mudar essa situação. Temos trabalhado com todas as escolas, por meio de uma Câmara Temática, para discutir a formação e a maneira como o Conselho pode interferir para mudar esse cenário”, revelou Luna Filho. “Como não conseguimos colocar uma ferramenta obrigatória que impeça o aluno com mau desempenho de exercer a profissão, temos tentado acompanhar o a formação dos alunos, por meio de comissões”, concluiu. 
Renato Azevedo alertou para o fato de mais da metade não alcançar a média mínima, o que evidencia problemas graves na formação médica. “A decisão de impedir que indivíduos formados inadequadamente exerçam a Medicina, colocando o cidadão em risco, cabe à sociedade brasileira, com a criação de leis que cerceiem essa prática”, completou Azevedo.

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