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domingo, 10 de julho de 2016

ESTUDO PRELIMINAR DE PROPOSTAS DE INTERVENÇÃO NA LAGOA DO VAPABUÇU E NA LAGOA DAS PIRANHAS.

PERÍMETRO COMPARATIVO DAS LAGOAS

Lagoa da Boa Vista: 1300m
Lagoa do Vapabuçu: 1400m
Lagoa das Piranhas: 2200m

Projeta-se, nitidamente, um elevado custo para a urbanização das Lagoas do Vapabuçu e Piranhas nos mesmos moldes que foi feito na Boa Vista. Devemos ainda levar em consideração o estado do leito das duas lagoas que demandaria supressão extrema de vegetação palustre e destinação do sedimento.


PROPOSTA PARA A LAGOA DO VAPABUÇU

- Determinação da área da lagoa e respectiva APP.
- Arruamento da orla da lagoa com pavimentação com bloquetes.
- Demarcação de áreas no interior e margem da lagoa que serão preservadas ecologicamente como locais cercados para alimentação e reprodução da avifauna e ictiofauna.
- Aprofundamento do leito e remoção de sedimento em partes da Lagoa. Uso dos sedimentos para construção de ilhas ou ampliação de penínsulas.
- Construção dos taludes
   - Em parte com o enrocamento de rochas compactadas.
   - Em parte com estacas de madeira.
   - Em parte com a manutenção de margens naturais.
- Construção de comporta.
- Verificação da necessidade de aporte de água para manutenção do espelho d’água.



PROPOSTA PARA A LAGOA DAS PIRANHAS

- Determinação da área da lagoa e respectiva APP.
- Retirada de todas as fontes de lançamento de esgoto sanitário.
- Demarcação do perímetro da Lagoa e sua APP por meio de cercamento.
- Desassoreamento de parte do leito da lagoa que esteja impactado pela ação antrópica.
- Criação de um Parque Municipal na forma de uma ARIE (Área de Relevante Interesse Ecológico) justificada pela preservação da flora e fauna local, dos processos naturais de sucessão ecológica e possibilidade de pesquisas científicas na área.
- Construção de instalações para observação dos processos naturais, estação meteorológica, “laboratório” para separação de amostras e suporte a pesquisadores, píer e torre de observação.
- Verificação da necessidade de aporte de água para manutenção dos trechos de espelho d’água.
- “A Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) é uma região que possui características naturais extraordinárias ou que abriga exemplares raros da biota regional, preferencialmente declarada - pela União, Estados e Municípios - quando tiver extensão inferior a cinco mil hectares. Fazem parte da categoria III da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), "conservação das características naturais".
- As ARIE têm pouca ou nenhuma ocupação humana, constituída por terras públicas ou privadas. Sua finalidade é a manutenção dos ecossistemas naturais de importância regional ou local. Seu uso deve regular, a cada caso, atividades que possam pôr em risco a conservação dos ecossistemas, a proteção especial das espécies endêmicas ou raras, ou a harmonia da paisagem.”


Ramon Lamar de Oliveira Junior

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Lagoa Paulino: como resolver seus problemas ambientais e de qualidade da água.


Para resolver em definitivo os problemas da Lagoa Paulino precisamos:

1) Esvaziar totalmente a lagoa para que se possa:
- Remover o excesso de nutrientes depositados no sedimento.
- Aprofundar um pouco o leito da mesma.
- Desobstruir os minadouros que se encontram na orla oeste da lagoa (Av. Getúlio Vargas).
- Compactar o leito para impedir perda de água por infiltração após a remoção do sedimento (uso de argila).
- Construir nova comporta que permita que se troque a água do fundo da lagoa durante fortes chuvas e não a água da superfície.
- Mudar o peixamento para um que seja feito com espécies nativas, especialmente lambaris e traíras, e forma a remover as carpas que revolvem o fundo e ainda não deixam desenvolver as algas de fundo que seguram e estabilizam o sedimento.
2) Desobstrução a cada dois anos da galeria de águas pluviais do entorno da lagoa de forma a evitar a entrada de sedimentos durante fortes chuvas.
3) Troca da rede coletora de esgotos da Av. Getúlio Vargas no trecho entre R. Nestor Fóscolo e R. Monsenhor Messias onde ocorre um estreitamento da mesma (conforme informações do SAAE), evitando assim eventos que possam provocar transbordamento de matéria orgânica para a lagoa.
4) Proibição da lavação de carros na orla, pois os detergentes usados contêm fosfatos que pioram a qualidade da água por aumentarem a disponibilidade de nutrientes para proliferação de algas (eutrofização).
5) Reconstrução do talude pois a última reforma feita deixou muitas irregularidades (a construtora que ganhou a licitação desistiu da obra na metade e a prefeitura estava tocando simultaneamente a reforma da Lagoa da Boa Vista... e o tempo de chuvas não espera).
6) Revisão da dimensão da faixa de vegetação da orla da lagoa de forma a permitir um melhor trato daquilo que é plantado e um melhor controle de pragas que lá se estabeleceram (especialmente tiririca e erva-de-touro).
7) Análises periódicas da água para estarmos alertas a qualquer alteração potencialmente preocupante.

Com isso espera-se:

1) Resolver o problema da eutrofização (água verde, morte de peixes por falta de oxigenação, mau cheiro da água).
2) Ter um peixamento com espécies nativas que não provocam alterações adversas na lagoa.
3) Reestabelecer a presença de "vegetação enraizada", notadamente algas carófitas que ajudam a estabilizar o sedimento, mantendo a água limpa.
4) Prevenir novos problemas futuros.
5) Facilitar as ações de paisagismo da orla de forma a torná-lo mais limpo e de fácil manejo.

Situação das águas da Lagoa Paulino na manhã de 11 de julho de 2016. Observem os grandes blocos de algas no primeiro plano.
Ramon Lamar de Oliveira Junior

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Biologia nos desenhos animados.

A biologia, vez ou outra, é muito bem abordada nos desenhos animados voltados para a criançada e, muitas vezes, voltados também para todas as idades. Abaixo, três dos meus preferidos. Claro, sem desmerecer a turma do Níquel Náusea que são tirinhas do veterinário e biólogo Fernando Gonsales e as tirinhas Um Sábado Qualquer, do designer Carlos Ruas, que várias vezes brincam com o tema criação x evolução, tema difícil de brincar e que deve ser lido sempre com uma boa pitada de bom humor para não estragar o clima.


Bob Esponja, calça quadrada! (A partir de 1999)

Bob Esponja tem muita biologia, afinal o criador e animador é o biólogo marinho Stephen Hillenburg. A capacidade de regeneração das esponjas é bastante explorada na série, bem como o sistema nervoso não muito desenvolvido dos personagens centrais (Bob Esponja e Patrick Estrela). As mutações provocadas pela radiação na Fenda do Bikini são a melhor explicação para as coisas muito esquisitas dos habitantes e do próprio local onde vivem (o Atol de Bikini, no Oceano Pacífico, foi usado para diversos testes nucleares). O Plâncton, um copépode planctônico com um olho só é o vilão e eterno perseguidor do Sr. Sirigueijo que tem a melhor receita de hamburguer de siri. As águas-vivas vivendo em colmeias são uma alusão às "Vespas do Mar", águas vivas da espécie Chironex fleckeri, extremamente peçonhentas e comuns no litoral Australiano. O Gary, "animal de estimação" do Bob Esponja é um caramujo com os olhos na extremidade dos tentáculos, característica de muitos desses gastrópodes. O hábito do Patrick Estrela de viver sob pedras é realmente o de algumas estrelas do mar que vivem sob pedras mais soltas. O Lula Molusco e a Cindy (esquilo texano que vive sob o mar respirando com o auxílio de um tipo de escafandro) completam o elenco principal, sendo que o Lula Molusco, coitado, sempre acaba se dando mal com as peripécias dos seus vizinhos, não raro sendo vítima de alguma explosão nuclear.



Vida de Inseto (1998)

"Gente" demais nesse filme. As formigas e a organização do seu formigueiro, sendo que o nome da Princesa "Atta" é o gênero da formiga saúva. A iluminação dos túneis do formigueiro feita por fungos bioluminescentes. Bacana a cidade grande com seu buteco de moscas (às moscas, como convém a um bom buteco copo-sujo) onde os insetos de circo afogam as mágoas após terem destruído seu número e são "descobertos" como grandes guerreiros. A pulga, os vagalumes holofotes, a borboleta que imita os olhos de um predador em suas asas (bem no estilo "O caso da borboleta Atíria"), o louva-a-Deus, o escaravelho, o bicho-pau, a lagarta que come desesperadamente para no final se metamorfosear em borboleta gorda, a joaninha que era um joaninho e os maravilhosos "Deita e Rola", uma dupla de gêmeos de tatuzinho-de-jardim. Sem contar os gafanhotos malvados e o pássaro predador... e até mesmo os voos em "paraquedas" de dente-de-leão. Vida de Inseto é basicamente a história de uma formiga bem-intencionada mas muito atrapalhada que tenta salvar todo o formigueiro de seus problemas que vão desde a cata de alimentos até o enfrentamento de perigosos gafanhotos.



FormiguinhaZ (1998)

1998 foi mesmo o ano das formigas. Neste outro filme a ação é mais centrada na disputa de poder no formigueiro. "Z-4195", personagem principal, é uma formiga com vários problemas existenciais. Não foi por outro motivo que no original a voz é do Woody Allen, não só a voz, mas os questionamentos, o estado depressivo e as expressões do rosto encaixam como uma luva. Apaixonado pela Princesa Bala (as formigas-bala são conhecidas no Brasil como tocandiras). Z acaba se envolvendo numa guerra com cupins e volta como único sobrevivente e vencedor da guerra (sendo que na verdade só se salvou por puro acaso), o que desperta a ira do noivo da Princesa Bala, General Mandíbula, cujo único interesse é casar-se com a princesa, eliminar todo o formigueiro e criar uma nova "colônia" de formigas melhores. A cena anterior à guerra, de Z e seu amigo Weaver no bar, onde Weaver bebe da seiva que sai do ânus de pulgões é  uma ótima tirada biológica, com Z se recusando a beber do ânus de outro animal. A fuga/rapto da princesa, a procura pela lendária Insetopia, a perseguição feita por um garoto com lupa (tentando queimar as formigas com a luz do Sol), o aprisionamento na tensão superficial de uma gota d'água funcionam como um thriller de aventura.  O filme traz também muitas abordagens a respeito da vida em sociedade, da luta pelo poder, do trabalho opressivo a que muitos operários são sujeitos, do papel do indivíduo na sociedade e por aí afora, temáticas não muito infantis.


Ramon Lamar de Oliveira Junior

terça-feira, 5 de julho de 2016

A árvore é um equipamento vivo!!!

A árvore plantada numa rua ou praça é muito mais do que apenas um objeto colocado ali pela simples obrigação de se colocar. A árvore é um equipamento vivo, um insumo importante para a realização de várias atividades relacionadas à melhoria da qualidade de vida de todos. O único equipamento que aumenta de valor com o passar do tempo pois passa a agregar também outras funções (histórica, cultural e referencial).
A figura abaixo foi montada a partir de todas as funções relatadas para as árvores no levantamento de bibliografia do TCC do meu aluno Filipe Giovani (Engenharia Ambiental e Sanitária - Faculdades Santo Agostinho - Sete Lagoas). O trabalho é sobre a valoração monetária (atribuir valor monetário) das árvores urbanas e, evidentemente, a valoração começa com a valorização (entender a importância) desses seres únicos.


Embasados nesse entendimento, temos proposto alterações no paisagismo da nossa cidade para que o mesmo possa ser dotado de significado mais amplo.

Ramon Lamar de Oliveira Junior

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Desumano...

Fui instado, por amigos do Facebook, a me manifestar em relação ao estupro coletivo ocorrido no Rio de Janeiro no último sábado.
Escrevi: 
"O estupro é uma violação inaceitável, extrema e covarde. Só se pode entender que o indivíduo que o comete não merece ser chamado de humano. E eles, os estupradores existem, estão por aí, em todas as camadas sociais. Às vezes até em cargos públicos ou colunas sociais; entre os neutros, oposição e situação; entre ateus, agnósticos e religiosos. A marca deixada pelo estupro é indelével, especialmente na alma. Que a justiça seja feita em todos os casos, sem nenhuma forma de redução de pena. 30 anos é pouco. Prisão perpétua faz falta no Brasil."
Mas há muito mais a se falar e muito, muito mais a se fazer para que não aconteça mais. 
Relutei em escrever pois numa situação anterior fui criticado por ter defendido direitos femininos. Uma pessoa me disse que não posso "ser protagonista" da defesa dos direitos femininos pois não sou mulher, não sou oprimida e faço parte do grupo de opressores. Fiquei sem ação. Revi alguns conceitos. Procurei entender motivos... deixa pra lá.
Mas precisamos entender que não é só a mulher que foi estuprada. Foram estuprados todos os seus familiares. E também todos aqueles que escutaram o relato dela, especialmente se a abraçaram e sentiram as lágrimas molhando os seus ombros. É muita dor. É muito sofrimento. Foi estuprada toda uma sociedade que se alicerça em valores fugazes (poder, dinheiro, fama...) e também os que nada têm a ver com isso e sofrem as consequências.
Hora de repensar muitas coisas. O planeta merece uma visão ágil sobre todos os aspectos da vida humana. Enquanto nos concentramos num ponto, numa notícia... milhares de outras estão acontecendo e sendo deixadas em segundo plano. Os avisos estão por toda a parte. Temos muito trabalho a fazer...

Ramon Lamar de Oliveira Junior

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Uma sugestão para a Secretaria Municipal do Meio Ambiente...

Fotos: Ramon L. O. Junior
Já tem um bom tempo que venho sugerindo o plantio da grama-amendoim em nossos canteiros e praças, nos locais onde não é possível o trânsito de pessoas. Com muita alegria comecei a ver a mesma ser utilizada em locais como a Praça Alexandre Lanza e no entorno de palmeiras e sibipirunas da Lagoa Paulino. No entanto, em algumas plantas da Lagoa Paulino a outra opção de plantio não deu certo e na maioria das árvores o entorno está em terra quase nua.
Sugiro que na próxima vez que for feita a poda (apara) da grama-amendoim suas aparas sejam plantadas nos locais que estão em terra nua. Claro que tem que "fofar" a terra antes e tem que regar diariamente por pelo menos uns 10 dias (pode ser usando água da lagoa mesmo).
Só sugestão...

domingo, 24 de abril de 2016

GINÁSIO COBERTO MANTIDO!!!

438 pessoas assinaram a petição pública que comecei aqui no blog em maio de 2013 (http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=ginasioc). Muito respeitosamente, solicitávamos ao Prefeito Márcio Reinaldo e ao então secretário de esportes que se mantivesse o ginásio coberto, frente a algumas ideias esdrúxulas e mirabolantes que então se propunha.


Agora, finalmente, temos a confirmação da manutenção e reforma do espaço. Conversei pessoalmente com o prefeito Márcio Reinaldo e agradeci em meu nome e tomei a liberdade também de fazê-lo em nome de todos que assinaram a petição pública. 
Demorou, mas o que vale é a conquista. Áreas anexas foram derrubadas e serão alvo de paisagismo. Nos resta agora aguardar para ter o nosso ginásio boa condição de uso, alento aos nossos atletas, esperança para nossa juventude.
Aproveito ainda para agradecer ao Vereador Dalton Andrade pela realização da audiência pública em 13 de agosto de 2013 sobre o tema, quando tive a oportunidade de entregar a relação de assinaturas colhidas.

Solicitei mais informações à prefeitura e recebi a mensagem abaixo:
Obras do Ginásio Coberto Dr. Márcio Paulino estão próximas de sua realização
A Prefeitura Municipal de Sete Lagoas, reconhecendo a importância do esporte e da educação na formação de valores sociais e desenvolvimento, tem realizado diversas iniciativas para a comunidade em torno dos setores. Neste sentido, o município será contemplado com a reforma, ampliação e modernização do Ginásio Coberto Dr. Márcio Paulino, que aguarda agora a conclusão de projetos complementares (elétrico, hidráulico e prevenção de incêndios) para início do processo licitatório.
O espaço, inaugurado em 1974, sofreu ao longo dos anos diversos desgastes naturais, decorrentes do tempo e da intensa utilização. Diversas intervenções parciais foram implementadas no período, mas os elementos receberam apenas reparos superficiais e chegaram a seu limite de utilização. Desta forma, foi indicada pelo deputado federal Leonardo Quintão a Emenda Parlamentar de nº 24810002, que prevê o contrato de repasse do Ministério dos Esportes no valor de R$292.500,00 com contrapartida do município no de R$7.500,00 para completa reestruturação do ginásio. O fato foi comemorado pelo prefeito Marcio Reinaldo que ressaltou o quanto estratégias como esta tem mudado a qualidade de vida do sete-lagoano: “Desde que começamos a dar uma atenção especial ao Esporte e o Lazer, foram vistos resultados importantes na autoestima da comunidade, prevenção de doenças, combate ao sedentarismo e afastamento de crianças de jovens das drogas e outros vícios. Acredito que é necessário dar continuidade em projetos deste tipo e oferecer espaços que propiciem a prática de suas atividades”, afirma.
O Ginásio Coberto Dr. Márcio Paulino é, pela sua história, um símbolo do esporte especializado no cenário estadual e nacional, moldado por grandes conquistas esportivas. Sua reforma o tornará novamente um espaço ideal para a prática de diversas modalidade, eventos oficiais do município e de federações desportivas do estado de Minas Gerais, além de mais uma opção para atividades de cultura e lazer. Do ponto de vista social, o ginásio trará grandes benefícios à comunidade, criando uma alternativa que possibilite atividades de formação para a vida, o fortalecimento de práticas comunitárias e o resgate do exercício da cidadania através da prática desportiva.
Comunicação/Prefeitura Municipal de Sete Lagoas

Obras de remoção de prédios anexos que estavam em péssimo estado de conservação. (Foto: Ramon L. O. Junior)
 
Informações sobre a reforma na fachada do Ginásio Coberto. (Foto: Comunicação Prefeitura Sete Lagoas)

sábado, 16 de abril de 2016

1a NIGHT RACE - SETE LAGOAS

Acabou de acontecer a Primeira Night Race Sete Lagoas que promete colocar a cidade no circuito de corridas noturnas. Foi disputada a caminhada de 5 km e corrida de 10 km, com premiação em dinheiro para a corrida, além de shows e brindes.
Estávamos presentes na chegada, representando a Faculdade Santo Agostinho que apoiou o evento juntamente com Petrolub, Supermercados Santo Antônio, Prefeitura Municipal de Sete Lagoas e organização da GARRA TOTAL.
As imagens da chegada foram feitas com celular e não ficaram lá grandes coisas, mas estão aí os frames dos três primeiros colocados e seus tempos extraoficiais!




Fotos: Ramon L. O. Junior

Procurando o fungo Ganoderma para estudos em Sete Lagoas.

Amigos,
estou orientando um trabalho na Faculdade Santo Agostinho sobre a ocorrência e consequências da presença do fungo Ganoderma em Sete Lagoas (e talvez cidades vizinhas). Quem encontrar, por favor, fotografe e mande uma imagem e endereço INBOX no Facebook para que possamos registrar mais dados (ou então como comentário aqui no blog). Abaixo algumas fotos. 

É um fungo grande, parece um orelha-de-pau mas é mais grosso. A borda pode ser esbranquiçada (mais escura nos mais velhos). Registramos ocorrências também em raízes (como se vê nas fotos). Algumas das espécies onde o fungo já foi encontrado aqui em Sete Lagoas: Sibipiruna, Pau-Ferro, Flamboyant e Ameixeira. 

Agradecemos profundamente!

domingo, 3 de abril de 2016

Primeiro de Abril

Excepcionalmente ontem não publiquei nenhuma notícia de "primeiro de abril", como é tradição do blog. Infelizmente o noticiário real está mais para "primeiro de abril" do que as maluquices que podemos inventar por aqui. Vamos esperar o país voltar à normalidade para que possamos retornar à brincadeira tão divertida (como o famoso caso da capivara Lili).





PS.: Todas são notícias reais do site SURREALISTA que é a versão do SENSACIONALISTA com casos estranhos... mas reais! Tá difícil fazer concorrência com a realidade! Ah... e tudo isso sem contar a nossa crise politico-financeira...

quarta-feira, 23 de março de 2016

Lagoa Paulino

Nosso principal cartão postal... bem no centro da cidade!!!

Foto: Ramon L. O. Junior

terça-feira, 22 de março de 2016

Comemoração do Dia Mundial da Água na Câmara Municipal

Ocorreu hoje (21 de março) uma sessão especial na Câmara Municipal a convite dos vereadores Dalton Canabrava e Caramelo. A sessão teve ainda a presença dos vereadores Padre Décio e Renato Gomes. Na oportunidade foram apresentadas mini-palestras a respeito do tema "A cidade e suas lagoas".


Infelizmente, por motivos profissionais (pois eu tinha que ministrar uma aula às 21 horas e a reunião começou com aqueles tradicionais 45 minutos de atraso), eu não pude assistir a todas as palestras e ao debate sobre os temas. Assisti apenas a palestra do Vinícius Barreto (Gerente Ambiental da Ambev) e da Daniela Ventura (Coordenadora do Curso de Eng. Ambiental e Sanitária da Faculdade Santo Agostinho). A palestra do Vinícius Vieira (Analista Ambiental da WWF-Brasil) eu só pude acompanhar o início. A palestra dos professores da UFSJ eu não tive como ver nada, infelizmente.
Espero que o Vinícius Vieira, por também estar ligado à Ambev, tenha aprofundado no tema "Lagoa Grande", uma vez que sua palestra era intitulada "Nascimento e Morte das Lagoas Urbanas e Rurais" e o Gerente Ambiental da Ambev nem sequer citou o nome da Lagoa Grande, detendo-se praticamente a mostrar as realizações da Ambev pelo mundo, com pouca alusão a Sete Lagoas. E espero também que as discussões tenham sido úteis em relação a esse tema em particular, que foi apontado na palestra da Daniela.
 
Daniela Ventura, durante sua explanação sobre a situação das nossas lagoas.
Durmo essa noite ansioso em receber notícias sobre o assunto.

Ramon Lamar de Oliveira Junior

domingo, 20 de março de 2016

Sem inveja...

Pelo menos uma invejinha já se foi. Aquela inveja boa que eu tinha dos cidadãos de Vitória que possuíam um grande estímulo para fazer atividades físicas (veja AQUI).
Ao seu modo, Sete Lagoas conseguiu a proeza de puxar seus cidadãos para as praças e outros espaços... aqueles espaços que são do povo mesmo e clama-se pelo seu melhor uso. O programa MEXA-SE colocou a atividade física na pauta com monitores e professores nas academias ao ar livre espalhadas agora por quase toda a cidade.
Muito bom ver isso acontecendo!!!

Encontro dos grupos do MEXA-SE, hoje, na Lagoa Paulino!!! Foto: Ramon L. O. Junior

Focar na Lua ou focar na Serra de Santa Helena?



Fotos: Ramon L. O. Junior
Fotos enquanto assistia ao GP da Austrália, na madrugada deste domingo.

quarta-feira, 16 de março de 2016

CONVERSA TELEFÔNICA ENTRE DILMA E LULA

Conversa telefônica entre Dilma e Lula revelam indícios de ações para atrapalhar as investigações da Operação LavaJato contra o ex-presidente Lula. A intenção parece ser a assinatura do termo de posse antes em caso de alguma tentativa de se prender o ex-presidente "só usa em caso de necessidade".
Essa e outras gravações feitas com autorização da justiça foram divulgadas pelo juiz Sérgio Moro, pouco antes de se confirmar o foro privilegiado de Lula por meio de uma publicação extraordinária de edição do Diário Oficial.
As gravações mostram também como o ex-presidente Lula interpreta o cenário da Câmara Federal, do Senado e do próprio STF, sempre com termos e expressões nada condizentes com o cargo que deve assumir (será?) de Ministro-Chefe da Casa Civil.

DILMA: Alô.
LULA: Alô.
DILMA: LULA, deixa eu te falar uma coisa.
LULA: Fala querida. “Ahn”
DILMA: Seguinte, eu tô mandando o “BESSIAS” junto com o PAPEL pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o TERMO DE POSSE, tá?!
LULA: “Uhum”. Tá bom, tá bom.
DILMA: Só isso, você espera aí que ele tá indo aí.
LULA: Tá bom, eu tô aqui, eu fico aguardando.
DILMA: Tá?!
LULA: Tá bom.
DILMA: Tchau
LULA: Tchau, querida.


Clique aqui: https://www.youtube.com/watch?v=5GWYepL3UFI

segunda-feira, 7 de março de 2016

Plástico: inimigo no controle do Aëdes aegypti

"Não pode ser tão difícil combater um mosquito!", "É o Brasil contra o mosquito!" e "Já conseguimos vencer o mosquito no passado!".
As frases acima escondem problemas difíceis de resolver. Primeiramente não se trata de apenas um mosquito. São bilhões de mosquitos no território nacional, nos lugares mais visíveis mas também nos lugares mais escondidos. A simplificação da comparação de tamanho "nós e o mosquito" simplesmente não faz o menor sentido e é carregada de um antropocentrismo do domínio do homem sobre "a criação" que está muito longe da realidade. Se o mosquito é pequeno, o vírus é menor ainda e estamos perdendo feio a guerra. A outra questão é o problema temporal.

Fonte: www.tvsolcomunidade.com.br
Os tempos agora são outros. Podemos ter tido sucesso contra o mosquito e outras pragas urbanas na década de 1950, mas agora o volume de lixo é impressionante. E no meio do lixo, o plástico! O plástico propicia todo tipo de criadouro que o mosquito necessita. E ninguém vai suspeitar de uma tampinha de refrigerante, até que a veja abarrotada de larvas do mosquito. 

Fonte: www.saocarlosemrede.com.br
É preciso mais que uma força-tarefa militar esporádica para resolver o problema. Que solução é essa que não tem continuidade alguma? É preciso o engajamento permanente, a luta noite e dia para se evitar a instalação dos focos de criação do mosquito.
Não bastasse a dificuldade do problema ainda temos que aturar a velha política governamental de não acreditar nos avisos que os especialistas no assunto nos dão. Muitas vezes ou quase sempre prefere-se afastar o "pessimista" (assim é que o especialista é tratado nesses meios) na típica atitude de avestruz, esperando que o problema passe sem nos incomodar.
Esses mesmos especialistas já nos alertam no sentido de que o tempo para combater o mosquito já está se esgotando (ou já se esgotou). Agora é investir na atenção aos doentes. Melhorar os pontos de atendimento e ampliar o número de médicos para trabalhar forte no tratamento e orientação das pessoas. Na crise que estamos (e tem gente que ainda não acredita), é provável que essa medida também não seja executada... e seja até mesmo ridicularizada.

Texto: Ramon L. O. Junior

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Microcefalia no Brasil em 2015/2016 - Informações do Ministério da Saúde


Os casos suspeitos de microcefalia em investigação pelo Ministério da Saúde e pelos Estados chegam a 4.107 em todo o país. Os números fazem parte do Informe Epidemiológico de Microcefalia, divulgado nesta terça-feira (23 de fevereiro de 2016). O boletim aponta, ainda, que 950 notificações já foram descartadas e 583 confirmadas para microcefalia e outras alterações do sistema nervoso, sugestivos de infecção congênita.
Os 583 casos confirmados ocorreram em 235 municípios, localizados em 16 unidades da federação: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Rondônia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Goiás, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Já os 950 casos foram descartados por apresentarem exames normais, ou apresentarem microcefalias e/ou alterações no sistema nervoso central por causas não infeciosas.
Cabe esclarecer que o Ministério da Saúde está investigando todos os casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso central, informados pelos estados e a possível relação com o vírus Zika e outras infecções congênitas. A microcefalia pode ter como causa diversos agentes infecciosos além do Zika, como Sífilis, Toxoplasmose, Outros Agentes Infecciosos, Rubéola, Citomegalovírus e Herpes Viral.
Os 4.107 casos em investigação representam 72,8% do total acumulado de 5.640 casos notificados desde o início das investigações em 22 de outubro de 2015 até 20 de fevereiro de 2016. O total notificado está distribuído em 1.101 municípios de 25 unidades da federação. Amapá e Amazonas são os únicos estados da federação que não tem nenhum registro de casos.
Ao todo, foram notificados 120 óbitos por microcefalia e/ou alteração do sistema nervoso central após o parto (natimorto) ou durante a gestação (abortamento ou natimorto). Destes, 30 foram confirmados para microcefalia e/ou alteração do sistema nervoso central. Outros 80 continuam em investigação e 10 já foram descartados.
Do total de confirmados, 67 foram notificados por critério laboratorial específico para o vírus Zika. No entanto, o Ministério da Saúde ressalta que esse dado não representa, adequadamente, a totalidade do número de casos relacionados ao vírus. A pasta considera que houve infecção pelo Zika na maior parte das mães que tiveram bebês, cujo diagnóstico final foi de microcefalia.
Até o momento, estão com circulação autóctone do vírus Zika 22 unidades da federação. São elas: Goiás, Minas Gerais, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Roraima, Amazonas, Pará, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Também houve a confirmação de transmissão do vírus em 29 países nas Américas.

ORIENTAÇÃO: O Ministério da Saúde orienta as gestantes adotarem medidas que possam reduzir a presença do mosquito Aedes aegypti, com a eliminação de criadouros, e proteger-se da exposição de mosquitos, como manter portas e janelas fechadas ou teladas, usar calça e camisa de manga comprida e utilizar repelentes permitidos para gestantes.

Distribuição dos casos notificados de microcefalia por UF, até 20 de fevereiro de 2016
Regiões e Unidades Federadas
Casos  de Microcefalia e/ou malformações, sugestivos de infecção congênita
Total acumulado de casos notificados de 2015 a 2016
Em investigação
Confirmados
Descartados
Brasil
4.107
583
950
5.640
Alagoas
102
25
85
212
Bahia
582
120
73
775
Ceará
256
33
46
335
Maranhão
151
14
16
181
Paraíba
440
59
291
790
Pernambuco
1.188
209
204
1.601
Piauí
81
32
14
127
Rio Grande do Norte
275
76
23
374
Sergipe
178
0
10
188
Região Nordeste
3.253
568
762
4.583
Espírito Santo
62
3
8
73
Minas Gerais
27
0
38
65
Rio de Janeiro
250
2
4
256
São Paulo
119
0
30
149
Região Sudeste
458
5
80
543
Acre
26
0
0
26
Amapá
Sem registro
Sem registro
Sem registro

Amazonas
Sem registro
Sem registro
Sem registro

Pará
10
1
0
11
Rondônia
10
1
0
11
Roraima
11
0
0
11
Tocantins
95
0
17
112
Região Norte
152
2
17
171
Distrito Federal
5
0
19
24
Goiás
80
6
2
88
Mato Grosso
123
0
50
173
Mato Grosso do Sul
5
1
5
11
Região Centro-Oeste
213
7
76
296
Paraná
2
0
13
15
Santa Catarina
0
0
1
1
Rio Grande do Sul
29
1
1
31
Região Sul
31
1
15
47

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Por que estou preocupado com o ESTUDO HIDROGEOLÓGICO de Sete Lagoas?

Muitas pessoas leem meus comentários aqui e acolá sobre o ESTUDO HIDROGEOLÓGICO de Sete Lagoas e ficam sem entender o motivo. Basta ler este estudo (está em inglês, se quiser, pule para o último capítulo "CONCLUSÕES", clique AQUI.
Em tons de cinza, a evolução dos limites da área urbanizada. Os pontos amarelos destacam acidentes geológicos (subsidências e colapsos que já ocorreram).

Museu do Ferroviário - Sete Lagoas - MG



Fotos: Ramon L. O. Junior

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Muita confusão sobre as consequências do "acidente" da SAMARCO/VALE/BHP BILLITON.

Metal pesado é um termo sobre o qual não existe um acordo ou definição química exata. Diversos elementos são encontrados em listas de metais pesados (incluindo alguns metaloides). Entre os mais comuns podemos citar Mercúrio, Chumbo, Cádmio, Cobre, Estanho, Níquel, Tálio, Cromo, Antimônio, Arsênio, Selênio e Telúrio. Outros como o Manganês, Zinco, Vanádio, Molibdênio, Cobalto e Estrôncio também costumam ser incluídos no grupo. Até mesmo o Ferro e o Alumínio podem ser citados como tal.
Essa confusão é um prato cheio para a SAMARCO/VALE/BHP BILLITON bater com força no peito e nos microfones e dizer: "em nossa barragem não há metais pesados!" Basta lembrar que, como não há um conceito exato, podemos adotar qualquer um que nos convenha.
Metais pesados como o Chumbo, Mercúrio e o Cádmio são extremamente danosos por não terem função alguma em nosso organismo e se concentrarem ao longo das cadeias alimentares (bioacumulação ou magnificação trófica) atingindo teores que provocam uma série de problemas que vão de neuropatias a disfunção renal e câncer.
Mas não são só metais pesados que são perigosos! Isso é fundamental que se saiba. Ferro e Manganês, sabidamente presentes nos rejeitos da SAMARCO/VALE/BHP BILLITON são nocivos ao nosso organismo. Ferro em excesso pode provocar hemocromatose (que envolve dor abdominal crônica, diabetes, manifestações cardíacas e dores articulares) e distúrbios no fígado que podem conduzir a uma forma de cirrose. Manganês em excesso provoca sintomas como rigidez muscular, tremores das mãos e fraqueza. Alumínio, outro elemento sabidamente presente na lama do "acidente" tem sido apontado como potencial causador de alterações do sistema nervoso.
Agora, lembremos dos outros organismos. Ferro, manganês e alumínio (dependendo da forma como se apresentam) são extremamente tóxicos para plantas quando em concentrações elevadas. Isso, claro, contraria a afirmação de Vania Somavilla (Diretora Executiva de Saúde e Sustentabilidade da VALE) que afirmou a potencial vantagem da lama do minério como adubo de reflorestamento, sugerindo que o "acidente" pode fazer bem para a recuperação das matas ciliares.
"A diretora da Vale que garante que os laudos analisados pela companhia não apontam quaisquer indícios de que há a presença de metais pesados: “pelo contrário, eventualmente o que é usado é uma espécie de fécula, que no momento de recuperação do rio Doce ainda servirá como adubo para o reflorestamento”." (www.eshoje.jor.br/)
Já o professor de Engenharia Costeira da COPPE/UFRJ, Paulo Rosman, autor de estudo encomendado pelo Ministério do Meio Ambiente para avaliar os impactos e a extensão da chegada da lama ao mar, é bastante otimista. Para ele o Rio Doce "ressuscitará" em 5 meses, especialmente após o período de chuvas. Rosman afirma que os efeitos no mar serão "desprezíveis", que o material se espalhará por no máximo 9 km e que em poucos dias a coloração barrenta deve se dissipar. Infelizmente ele parece não estar levando em conta. Certas comparações feitas são inaceitáveis como a explosão do monte Santa Helena (1980, nos EUA) "você vai lá hoje e vê que os animais voltaram e a mata voltou" (esquecendo-se da diferença de biodiversidade das duas regiões - lá é basicamente uma floresta de pinheiros onde somados mamíferos de médio e grande porte e aves não dá mais do que 20 espécies) e a mortandade de peixes anual na Lagoa Rodrigo de Freitas - aliás uma lagoa extremamente contaminada - onde a diversidade dos peixes que resistem é baixíssima e os animais mortos têm todos praticamente um ano de vida e são quase todos da mesma espécie (basta olhar imagens, como abaixo).
Mortandade de peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas em abril de 2015. Biodiversidade? Não há como comparar com o Rio Doce com cerca de 70 espécies endêmicas (que só existem ou existiam lá).
Prefiro ficar com a opinião do biólogo, ecólogo e meu ex-professor do Laboratório de Gestão Ambiental de Reservatórios da UFMG, Ricardo Motta Pinto Coelho. De acordo com ele “se nada for feito para recuperar o meio ambiente, a recomposição da vegetação (só da vegetação) poderá demorar de 20 a 30 anos. Os efeitos, no entanto, são imprevisíveis para a natureza. Há necessidade de estudos continuados por alguns anos para que todos os impactos causados pelo desastre possam ser mais bem avaliados e medidas de mitigação ou de remediação tomadas com o tempo”, afirma.
E continuemos aguardando análises exatas da lama, do rio, do mar, dos animais mortos...
Ramon Lamar de Oliveira Junior

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Meçam as palavras ao comparar tragédias!

A razão do título desta postagem encontra-se abaixo, destacada em vermelho.
"Como é de costume, proliferou o exagero na internet - houve quem apontasse o desastre ambiental como o maior de toda a história. Bobagem. Trata-se, isto sim, do pior desastre do gênero em Minas Gerais e do mais grave do mundo tendo por causa o despejo de rejeitos minerais no ambiente - no caso da mineradora de Bento Rodrigues, três vezes maior que o da segunda colocada, a mina canadense Mount Polley, protagonista de episódio semelhante no ano passado."
Raquel Beer, in Lama Exterminadora, Revista Veja, edição 2453, pag. 64-65.

Título e trecho da matéria em questão.

Que comparação mais medíocre foi feita pela articulista da revista, na tentativa de minimizar os acontecimentos de Minas Gerais. Analise bem, os trechos seguintes, sobre os dois acidentes anteriores que foram comparados com a recente tragédia da SAMARCO/VALE/BHP BILLITON: 
“Em 18 de janeiro de 2000, um vazamento de 1300 metros cúbicos de óleo foi o responsável por mudar o cenário da Baía de Guanabara e contaminar grande parte do ecossistema de mangues no entorno. Um duto da Petrobrás que ligava a Refinaria Duque de Caxias (Reduc) ao terminal Ilha d'Água, na Ilha do Governador, rompeu-se antes do raiar do dia, provocando um vazamento do óleo combustível nas águas da baía. A mancha se espalhou por 40 km². O episódio entrou para a a história como um dos maiores acidentes ambientais ocorridos no Brasil. O vazamento afetou milhares de famílias que viviam da pesca e de atividades ligadas ao pescado. Na época, a Petrobras pagou uma multa de R$ 35 milhões ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e destinou outros R$ 15 milhões para a revitalização da baía.” 
(Baseado em informações de www.oeco.org.br)
“No Brasil, em março de 1975, um acidente rompeu o casco do navio-tanque iraquiano Tarik Ibn Ziyad no canal central de navegação da baía de Guanabara liberando cerca 6000 metros cúbicos de óleo. Várias praias foram atingidas nas cidades do Rio de Janeiro e de Niterói, tanto no interior da baía quanto na costa oceânica. O óleo provocou incêndios em áreas de manguezal, em torno da baía, e a contaminação afetou seriamente as comunidades animais da zona entremarés.” 
(Baseado em informações de www.cienciahoje.org.br)
Comparemos os eventos acima com o vazamento ocorrido na SAMARCO/VALE/BHP BILLITON, que, de acordo com o IBAMA, chegou a 50 milhões de metros cúbicos de lama de rejeitos e a matemática nos mostrará a dimensão do acontecido nas terras e águas mineiras e, por extensão, capixabas. Talvez pudéssemos citar outros eventos internacionais para comparação, aí de forma muito mais sensata, para afirmar que o acidente mineiro está abaixo da escala de outros acidentes mundiais de outra natureza. O vazamento do poço da British Petroleum (BP) no Golfo do México (2010) atingiu o volume de 700 milhões de metros cúbicos de petróleo e gerou uma multa de 80 bilhões de reais. Perto desses acidentes, os dois derramamentos de óleo citados na matéria são filhotes. Isso sem contar os 2 bilhões de metros cúbicos de petróleo lançados no Golfo Pérsico em 1991 por ordem de Saddam Hussein para atrapalhar a invasão americana na primeira guerra do golfo.
O acidente causado pelas atividades um tanto inconsequentes da SAMARCO/VALE/BHP BILLITON e suas circunstâncias pode merecer uma série de terminologias. Mas "bobagem", termo usado pela articulista, merece no mínimo um pedido de desculpas. Se não for pelo estrago ambiental, que seja muito justa e irreparavelmente pelas vidas perdidas e pelos sonhos enterrados na lama ao longo de todo o trajeto dos rios contaminados e até na foz, no Espírito Santo.
Mas façamos um breve review de alguns fatos: 879 quilômetros de rios, com uma largura média de 200 metros (apesar de já em Governador Valadares a largura ultrapassar 300 metros, e na foz ter aproximadamente 1000 metros)... o que computa quase 176 quilômetros quadrados de área de grande biodiversidade (passando inclusive dentro do Parque Estadual do Rio Doce, unidade de proteção integral) cobertos pela lama de composição até agora incerta (mas que é muito eficiente em eliminar a fauna aquática). Por enquanto uma contaminação de cerca de 100 quilômetros quadrados na foz do Rio Doce, em área de mangue, com reprodução de crustáceos, peixes, aves e desova de tartaruga marinha nas praias. Ameaça real sobre no mínimo 11 espécies do Rio Doce que já estavam ameaçadas de extinção e outras 70 espécies que não estavam em extinção mas são endêmicas das regiões afetadas, ou seja, foram colocadas em situação de risco ou já estão extintas (em outras palavras, podemos até ter o rio de volta em 10 ou 20 anos, mas essas espécies nunca mais). Todo o comprometimento do modo de vida de uma tribo indígena de grande riqueza cultural, os Krenak, umbilicalmente ligados ao Rio Doce em todas as suas tradições. Multas e penalizações (citadas inclusive no próprio artigo em torno de 1,5 BILHÃO de reais) que podem chegar a 20 BILHÕES DE REAIS, tanto para a indenização das populações humanas afetadas, como para trabalhar a recuperação ambiental. Acho que esses bilhões citados acima estão bem acima da multa paga pela Petrobrás no valor de 50 milhões, citada anteriormente, o que pode ajudar a nossa articulista a ter uma melhor visão do que chamou de bobagem.
Até por elegância, o pedido de desculpas pelo uso inapropriado de tal palavra é o que podemos esperar. Aliás, pedido de desculpas que o diretor-presidente da SAMARCO/VALE/BHP BILLITON disse que não cabia no caso do acidente e dezessete dias depois do rompimento da barragem foi obrigado a pronunciar.

Ramon Lamar de Oliveira Junior