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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

RESPOSTA DA IA: A Norma Geral de Segurança e Saúde no Trabalho no Brasil - Atualização 2024/2025

Com algumas dúvidas sobre o tema, perguntei a várias IAs (Gemini, ChatGPT, Manus e Deepseek) sobre as mudanças na NR1 (A Norma Geral de Segurança e Saúde no Trabalho no Brasil). Confrontando uma com outra, chegaram na seguinte conclusão para mim:


O que é a NR-1?
A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) estabelece as disposições gerais, o campo de aplicação, os termos e definições comuns a todo o sistema de Normas Regulamentadoras de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) no Brasil. Ela serve como base e diretriz para a interpretação e aplicação das demais NRs, definindo responsabilidades, direitos e deveres de empregadores e empregados sob o regime CLT.

A Revolução da Atualização 2024/2025
A Portaria SEPRT Nº 6.734, de 14 de março de 2024, introduziu mudanças significativas na NR-1, com foco especial na obrigatoriedade do gerenciamento dos fatores psicossocais do trabalho.

Conceitos-Chave da NR-1 Atualizada:
  • Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO)
    • Definição: Processo sistemático, contínuo e estruturado de identificação, análise, avaliação e controle de perigos e riscos ocupacionais.
    • Característica: Não é um documento, mas uma atividade de gestão contínua.
  • Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR)
    • Definição: Documento que formaliza a implementação do GRO na empresa.
    • Conteúdo: Detalha as ações, responsabilidades, prazos e metodologias para controle dos riscos identificados.
  • Fatores Psicossocais do Trabalho (A Grande Inovação)
    • Definição: Elementos da organização, gestão e relações no trabalho que podem afetar a saúde psicológica do trabalhador.
    • Exemplos:
      • Organização do tempo (jornadas excessivas, ritmo acelerado)
      • Demandas emocionais e cognitivas
      • Relações interpessoais (assédio moral, violência)
      • Cultura organizacional
Diferenciação Importante: Os fatores (condições do trabalho) podem gerar riscos (potencial de causar danos como estresse, burnout, depressão).

O Que Mudou na Prática?

Obrigatoriedade Explicita: Todos os empregadores devem incluir os fatores psicossocais do trabalho em seu processo de GRO e documentá-los no PGR, passando pelas mesmas etapas:
Identificação dos fatores presentes: Avaliação de sua intensidade e potencial de dano
Estabelecimento de medidas de controle para mitigação
Prazos de Adequação (CRUCIAL): Os prazos são escalonados conforme o grau de risco da atividade (CNAE) e número de empregados:

Data Limite para implantação

Impacto Estratégico para as Empresas
  • Ampliação do Conceito de Saúde: A SST deixa de focar apenas na integridade física para abranger também o bem-estar psicológico do trabalhador.
  • Mudança de Paradigma Preventivo
    • Antes: Foco reativo em acidentes e doenças físicas
    • Agora: Abordagem proativa que previne também danos psicossociais
  •  Exigências Concretas: 
    • Revisão e atualização do PGR existente, Capacitação de profissionais de SST e gestores, Implementação de ferramentas de avaliação psicossocial, Desenvolvimento de indicadores de saúde mental.
Consequências do Não Cumprimento:
  • Multas administrativas (Lei nº 6.514/77)
  • Ações trabalhistas por danos morais e materiais
  • Aumento de afastamentos por transtornos mentais
  • Prejuízo à produtividade e clima organizacional
Conclusão: Um Novo Patamar para a SST Brasileira
A atualização da NR-1 representa um marco histórico na proteção do trabalhador brasileiro. Ao obrigar formalmente o gerenciamento dos fatores psicossocais, o Brasil alinha-se às melhores práticas internacionais da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e reconhece que saúde mental também é saúde ocupacional.
As empresas que se adequarem antecipadamente não apenas evitarão penalidades, mas construirão ambientes de trabalho mais saudáveis, produtivos e competitivos, transformando um requisito legal em uma vantagem estratégica.

Nota: Esta análise baseia-se na legislação vigente em 2025. Recomenda-se sempre consultar o texto oficial da NR-1 e orientações do Ministério do Trabalho para decisões específicas.


P.S.: Resolvi perguntar também sobre o caso específico das empresas em que trabalho (escolas), se há alguma coisa diferente. Segue a resposta:

1. Enquadramento e Prazo
        Classificação pelo CNAE: A maioria das escolas se enquadra em:
            CNAE 8512-1/00: Educação infantil (creches)
            CNAE 8513-9/00: Ensino fundamental
            CNAE 8520-1/00: Ensino médio
            CNAE 8531-7/00: Ensino superior

Essas atividades são classificadas como Grau de Risco 3 (risco alto) devido a:
        Exposição a agentes biológicos (crianças/doenças)
        Ruído (recreio, eventos)
        Riscos ergonômicos (postura dos professores)
        Agora: fatores psicossocais específicos da área educacional.

Prazo Legal:
      Por ser Grau de Risco 3 e ter mais de 20 funcionários, o prazo para adequação é: 24 de maio de 2025

2. Como Implementar na Prática (Passo a Passo)

Etapa 1: Revisão/Elaboração do PGR
O Programa de Gerenciamento de Riscos da escola deve ser atualizado para incluir os fatores psicossocais:
        Riscos Tradicionais que já deveriam estar mapeados:
        Ergonômicos: mobiliário inadequado, longos períodos em pé
        Acidentes: quedas, escorregões nos corredores/pátios
        Biológicos: contato com secreções, surtos de doenças
        Químicos: produtos de limpeza, materiais de laboratório
        Fatores Psicossocais a serem ADICIONADOS (específicos de escolas):
        Sobrecarga emocional:
            Lidar com conflitos entre alunos
            Pressão por resultados educacionais
            Relação com pais/responsáveis
        Organização do trabalho:
            Jornada fragmentada (aulas em períodos diferentes)
            Trabalho em casa (preparar aulas, corrigir provas)
            Reuniões pedagógicas fora do horário
        Relações interpessoais:
            Assédio moral (de direção, colegas ou até pais)
            Violência verbal de alunos
            Cultura de cobrança excessiva
        Ambiente organizacional:
            Falta de autonomia pedagógica
            Comunicação verticalizada
            Falta de reconhecimento

Etapa 2: Identificação e Avaliação

Métodos sugeridos para escolas:
    Questionários anônimos sobre condições de trabalho
    Rodas de conversa mediadas por profissional qualificado
    Análise de indicadores: absenteísmo, rotatividade, afastamentos por saúde mental
    Observação direta do ambiente escolar

Etapa 3: Medidas de Controle
Exemplos práticos para escolas:
    Fator Psicossocial Identificado: 
    Sobrecarga emocional
    Medidas de Controle Possíveis      
        • Programa de mentoria entre professores
        • Espaços para descompressão
        • Capacitação em gestão emocional
    Assédio de pais/responsáveis
    Medidas de Controle Possíveis       
        • Protocolos claros de comunicação
        • Mediação por coordenação
         Proteção ao professor em situações de conflito
    Jornada fragmentada/excessiva 
    Medidas de Controle Possíveis
        • Revisão da distribuição de aulas
        • Limite claro do trabalho em casa
        • Respeito aos intervalos
    Falta de reconhecimento 
    Medidas de Controle Possíveis
        • Programas de valorização
        • Feedback estruturado
        • Participação nas decisões pedagógicas

3. Responsabilidades da Escola
A) Direção/Matriz (se for rede):
        Fornecer recursos financeiros e humanos
        Designar um responsável técnico (pode ser terceirizado)
        Garantir que o PGR seja implementado
B) Gestor Escolar (Diretor/Coordenador):
        Aplicar as medidas definidas no PGR
        Promover ambiente de diálogo
        Encaminhar situações críticas ao responsável técnico
C) Serviço Especializado (SESMT) ou Engenheiro/Técnico de SST: 
        O SESMT só é obrigatório para escolas com mais de 100 funcionários, mas escolas menores têm                 que ter o Engenheiro/Técnico de SST responsável.
        Deve-se contratar profissional qualificado (engenheiro de segurança ou técnico de SST) para:
            Elaborar/atualizar o PGR
            Realizar as avaliações
            Emitir laudos técnicos
D) Comissão Interna (CIPA):
        Deve ser constituída (obrigatório a partir de 20 funcionários)
        Participará da identificação dos riscos
        Fará a ponte entre funcionários e gestão

4. Documentação Obrigatória
A escola deve manter em seu PGR atualizado:
    Metodologia usada para avaliar fatores psicossocais
    Resultados das avaliações (com confidencialidade)
    Plano de ação com prazos e responsáveis
    Registro das capacitações realizadas
    Evidências da implementação das medidas

5. Custos Estimados e Estratégias
    Custos Diretos:
        Honorários do profissional de SST
        Ferramentas de avaliação: questionários validados
        Capacitações: palestras sobre saúde mental
        Adequações físicas: sala dos professores mais acolhedora
    Estratégias para Redução de Custos:
        Consórcio escolar: várias escolas contratam juntas um profissional
        Parceria com universidades: estudantes de psicologia/engenharia de segurança
        Uso de materiais públicos: o Ministério do Trabalho disponibiliza guias

6. Consequências do Não Cumprimento
Para a escola que não se adequar até maio/2025:
    Multas em caso de fiscalização (podem ultrapassar R$ 8.000 por irregularidade)
    Processos trabalhistas por danos morais
    Afastamentos por saúde mental que poderiam ser evitados
    Dano à reputação da instituição

7. Benefícios além da Conformidade Legal
    Redução do absenteísmo: professores mais saudáveis faltam menos
    Melhoria do ensino: ambiente positivo reflete na qualidade pedagógica
    Retenção de talentos: professores permanecem mais tempo
    Prevenção de conflitos: canais abertos resolvem problemas antes de escalarem

Resumo Executivo para a Escola:
✅ Prazo: 24 de maio de 2025
✅ Primeiro passo: Contratar profissional de SST para atualizar o PGR
✅ Foco principal: Identificar fatores psicossocais específicos do ambiente escolar
✅ Diferencial: Envolver a comunidade escolar (professores, funcionários) no processo
✅ Resultado esperado: Ambiente de trabalho mais saudável e protegido legalmente

Recomendação final: A escola deve começar imediatamente esse processo, pois a adequação requer diagnóstico, planejamento e implementação gradual. A saúde mental dos educadores impacta diretamente a qualidade da educação oferecida.



Caso alguém tenha alguma contribuição, por favor, me envie nos comentários da postagem, seja ela reafirmando os pontos elencados acima ou em discordância.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Lavoisier e sua execução!

O Pai da Química Moderna tem toda uma outra história por detrás.
Vamos conhecê-la?

Lavoisier era um dos Tesoureiros do Rei da França?
Não exatamente. Lavoisier não era "tesoureiro do rei" no sentido literal. Ele era um fermier-général (coletor de impostos), participante de um sistema chamado Ferme Générale. Este era um sistema de arrecadação de impostos em que particulares ricos adiantavam dinheiro ao Tesouro Real em troca do direito de coletar impostos da população durante seis anos, ficando com os ganhos acima de uma cota estabelecida.
Para participar da Ferme Générale, Lavoisier precisou adiantar 1,5 milhão de libras ao Tesouro Real. Com recursos próprios e emprestados, conseguiu reunir 500 mil libras, adquirindo assim um terço de uma cota nesta associação de coletores.
Além disso, a partir de 1775, Lavoisier foi nomeado régisseur des poudres (diretor de pólvoras), dirigindo o Arsenal de Paris, o maior depósito e fábrica de pólvora da França. Nesta função, transformou a pólvora francesa, que era de péssima qualidade, em uma das melhores do mundo.

Qual Rei?
Durante a vida de Lavoisier, a França foi governada por Luís XVI (1774-1792), o rei que foi executado durante a Revolução Francesa. Lavoisier serviu à monarquia durante o reinado deste monarca.

A Execução: Não Foi Apenas por Ser Tesoureiro
A acusação principal contra Lavoisier durante o Tribunal Revolucionário foi a de ter servido à monarquia como fermier-général (coletor de impostos). Essa ocupação era considerada intolerável para os revolucionários, dado o caráter "literalmente revoltante" dos tributos extorquidos pelo Ancien Régime (o antigo regime monárquico).
No entanto, a execução de Lavoisier não foi consequência direta apenas de sua função como coletor de impostos. Vários fatores contribuíram para sua condenação:
  • Inimigos Políticos: Lavoisier tinha um ferrenho desafeto - um médico charlatão que havia tentado obter aprovação da Academia de Ciências para suas teses sobre magnetismo animal, mas foi impedido por Lavoisier. Este inimigo se converteu no poderoso panfletário Jean-Paul Marat, que atacava Lavoisier publicamente.
  • Incidentes com a Revolução:
    • Em julho de 1789, Lavoisier foi associado às muralhas de Paris (mandadas erguer pelo rei por sugestão dele para combater contrabando), que a multidão atacou durante a Revolução.
    • Houve um incidente em que a multidão ameaçou enforcá-lo em um lampião.
  • Ataques de Marat: Em fevereiro de 1791, Marat escreveu no jornal L'Ami du Peuple que Lavoisier era o "corifeu (líder) dos charlatães" e lamentava que ele não tivesse sido enforcado em um lampião.
  • Dissolução da Ferme Générale: Em maio de 1791, a Assembleia Nacional dissolveu a Ferme Générale e acusou os coletores de desvio de 32 milhões de libras.
  • O Período do Terror: Lavoisier foi preso em novembro de 1793, durante o Tribunal Revolucionário de Robespierre e Saint-Just, no auge do Período do Terror.
O Julgamento e a Execução:
Lavoisier foi julgado junto com 27 outros coletores de impostos. O julgamento foi extremamente rápido e injusto:
  • Os advogados de defesa tiveram apenas 15 minutos para falar com cada acusado antes do julgamento
  • Um dos advogados tentou ler um documento favorável a Lavoisier, mas teve a palavra cassada pelo juiz
  • A sentença foi proferida apenas 4 horas após a abertura da sessão
  • Lavoisier foi condenado à morte
Lavoisier foi guilhotinado na madrugada de 8 de maio de 1794, na praça da Revolução (depois denominada praça da Concórdia), juntamente com os outros coletores de impostos.

Reabilitação Posterior:
Um ano e meio após sua execução, Lavoisier foi completamente absolvido pelo governo francês. Em 1795, foi inaugurado um busto seu com a inscrição "vítima da tirania". Ironicamente, o promotor, o juiz e cinco dos doze jurados que o condenaram também foram posteriormente guilhotinados, assim como o próprio Robespierre.
O matemático Lagrange, amigo de Lavoisier, cunhou a célebre frase ao saber de sua morte: "Num instante cortaram-lhe a cabeça, mas outra igual talvez não surja na França num século".

Ramon L. O. Junior, com informações sobre a biografia de Lavoisier.

P.S1.: A acusação de que Marie-Anne Paulze Lavoisier, esposa de Antoine Lavoisier, teria agido contra o marido não encontra respaldo histórico sólido. Pelo contrário, as evidências indicam que ela foi uma colaboradora científica ativa e uma defensora de Lavoisier até o fim. Marie-Anne traduziu obras fundamentais de química, produziu ilustrações detalhadas dos experimentos, organizou manuscritos e participou intensamente da divulgação das ideias que sustentaram a chamada revolução química. Durante o período revolucionário, ela tentou mobilizar contatos e redigir petições em favor do marido, preso sobretudo por sua ligação com a Ferme Générale, instituição fiscal do Antigo Regime fortemente associada aos abusos do Estado.

Lavoisier e sua esposa Marie-Anne.

A execução de Lavoisier, em 1794, deveu-se essencialmente ao clima político radical da Revolução Francesa, que via antigos coletores de impostos como inimigos do povo, e não a qualquer ação de sua esposa. A imagem de Marie-Anne como traidora surgiu mais tarde, alimentada por leituras superficiais ou por preconceitos de gênero, que minimizaram seu papel científico e distorceram sua atuação histórica. Hoje, a historiografia reconhece que ela foi uma aliada fundamental de Lavoisier e uma figura central na preservação e publicação de sua obra após sua morte. 

PS2.: A ampla divulgação e preservação da obra de Lavoisier realizadas por Marie-Anne Paulze Lavoisier foram fundamentais para que seus escritos chegassem às gerações seguintes, incluindo John Dalton, embora não tenha havido contato direto entre eles.
Após a execução de Lavoisier, Marie-Anne empenhou-se em organizar, editar e publicar seus manuscritos, além de preservar edições e traduções de obras centrais como o Traité Élémentaire de Chimie (1789). Esse livro, que já havia circulado amplamente na Europa antes mesmo da morte de Lavoisier, tornou-se uma referência básica para o ensino e a pesquisa em química no final do século XVIII e início do XIX. Foi nesse contexto de consolidação da “nova química” — baseada na conservação da massa, na rejeição do flogisto* e numa nomenclatura racional — que Dalton teve acesso às ideias lavoisieranas.
John Dalton formou sua teoria atômica no início do século XIX (por volta de 1803–1808) apoiando-se em conceitos e dados experimentais herdados da química de Lavoisier, como a definição rigorosa de elemento químico e a abordagem quantitativa das reações. Assim, embora Dalton não tenha conhecido Lavoisier pessoalmente nem dependido exclusivamente da ação de Marie-Anne, o esforço dela em garantir a circulação, a clareza e a continuidade da obra do marido foi decisivo para que essa base teórica permanecesse disponível e influenciasse diretamente o desenvolvimento posterior da química moderna.

*A teoria do flogisto propunha que a combustão e a calcinação aconteciam pela liberação de um princípio material chamado flogisto, supostamente presente nos corpos combustíveis, mas essa explicação foi abandonada quando se demonstrou experimentalmente que esses fenômenos correspondem à reação das substâncias com o oxigênio do ar, frequentemente acompanhada de aumento de massa.

domingo, 28 de dezembro de 2025

NÃO FALTAVA MAIS NADA: A GALINHA AGORA É UM TIPO DE DINOSSAURO!!!

Pode parecer estranho à primeira vista (e realmente é), mas a afirmação de que as aves são um tipo de réptil é um consenso na biologia moderna e representa uma das descobertas mais fascinantes da ciência. Essa mudança de perspectiva não diminui as características únicas das aves, como suas penas e a capacidade de voar, mas enriquece nossa compreensão sobre a história da vida na Terra. Claro que isso também alimentou uma fábrica de memes!


Antigamente, os cientistas classificavam os animais com base em características externas e fisiológicas óbvias: os répteis tinham escamas, eram "de sangue frio" (ectotérmicos) e rastejavam, enquanto as aves tinham penas, eram "de sangue quente" (endotérmicas) e voavam. Essa separação parecia fazer todo o sentido, mas ela não contava a história completa da evolução desses grupos.

A grande virada nessa classificação veio com o avanço da paleontologia e de um método chamado cladística, que organiza os seres vivos com base em suas relações de parentesco evolutivo, ou seja, em sua ancestralidade comum. A cladística busca formar "grupos monofiléticos", que incluem um ancestral e todos os seus descendentes. Foi a descoberta de fósseis espetaculares, principalmente na China, que forneceu a prova definitiva da ligação entre aves e répteis. Fósseis de dinossauros terópodes, o mesmo grupo do famoso Velociraptor e do Tiranossauro Rex, foram encontrados com penas bem preservadas.


Além das penas, esses dinossauros compartilhavam inúmeras outras características com as aves modernas, como ossos ocos, a presença de uma fúrcula (o "osso da sorte") e a estrutura do quadril. Isso demonstrou que as aves não apenas evoluíram a partir dos dinossauros, mas que elas são o único ramo de dinossauros que sobreviveu à extinção em massa há 66 milhões de anos.

Portanto, para que o grupo dos répteis seja considerado um grupo natural e monofilético, ele precisa obrigatoriamente incluir as aves. A análise evolutiva mostra que os crocodilos, por exemplo, são parentes mais próximos das aves do que dos lagartos ou das tartarugas. Excluir as aves do grupo dos répteis seria como dizer que os seres humanos não são um tipo de primata, apenas porque temos características distintas.

Assim, a ciência moderna não vê mais "Répteis" e "Aves" como classes separadas e equivalentes. Em vez disso, vemos as aves como uma linhagem altamente especializada de répteis arcossauros, os dinossauros aviários que conquistaram os céus e continuam a prosperar em nosso planeta.

Ramon L. O. Junior


PS.: Sobre a fúrcula: A fúrcula tem relação com o voo, mas não é uma relação direta de ser essencial para voar. A fúrcula funciona como uma estrutura de suporte e amortecimento para os músculos do voo. Ela atua como uma "mola" que absorve e redistribui as forças geradas durante o batimento das asas, ajudando a estabilizar a caixa torácica e protegendo os órgãos internos durante o voo intenso. Além disso, a fúrcula serve como ponto de ancoragem para alguns músculos peitorais. No entanto, a fúrcula não é exclusiva das aves voadoras: dinossauros terópodes não-aviários, como o Velociraptor, também tinham fúrcula, mas não voavam. Isso sugere que a fúrcula evoluiu originalmente para outras funções (possivelmente relacionadas ao movimento dos membros anteriores) e depois foi "reutilizada" para auxiliar no voo quando as aves evoluíram. Portanto, embora a fúrcula seja uma estrutura importante nas aves modernas voadoras, sua presença não é determinante para o voo, e sua evolução provavelmente precedeu a evolução do voo nos dinossauros.

sábado, 27 de dezembro de 2025

A "quebra" a ligação entre os fosfatos do ATP libera energia? Desmistificando um erro conceitual básico.

Se você já estudou biologia celular, certamente ouviu aquela famosa frase: “o ATP armazena energia em suas ligações e, quando essa ligação é quebrada, a energia é liberada”. Parece simples, não é? Só que… essa explicação está tecnicamente errada – e entender o porquê vai tornar a bioquímica muito mais interessante para você!

Vamos descomplicar isso de uma vez por todas.


1. O ATP e a famosa “ligação de alta energia”

O ATP (adenosina trifosfato) é composto por uma adenosina ligada a três grupos fosfato. A ligação entre o segundo e o terceiro fosfato é frequentemente chamada de “ligação de alta energia”.
Aí surge a ideia intuitiva: se a ligação tem “alta energia”, ao quebrá-la, essa energia deve ser liberada, certo? Errado.
Em química, aprendemos que quebrar qualquer ligação sempre consome energia (é um processo endotérmico). Se fosse só romper a ligação entre os fosfatos, gastaríamos energia, não liberaríamos.

2. Então de onde vem a energia que a célula usa?

Primeiramente é importante entender que não se trata "apenas da quebra de uma ligação química". Toda quebra de ligação química absorve energia! Trata-se de uma reação química, uma reação de hidrólise. A mágica não está na quebra, mas na transformação química completa que é a REAÇÃO DE HIDRÓLISE DO ATP:

ATP + H2O → ADP + Pi + ENERGIA

O que acontece de verdade é que, quando o ATP reage com uma molécula de água (num processo chamado hidrólise), os produtos formados – ADP (adenosina difosfato) e fosfato inorgânico – são muito mais estáveis do que o ATP original, ou seja, têm menos energia. 

 Trata-se de uma reação exotérmica!
Como todas as reações exotérmicas que você conhece, os reagentes (ATP e H2O)
têm mais energia que os produtos formados (ADP e Pi). 
Pi é o chamado "fosfato inorgânico".

Essa maior estabilidade dos produtos é que libera energia – e é essa energia que a célula aproveita.

3. A analogia da mola (mas consertada!)

A comparação clássica é que o ATP é como uma mola comprimida. A “quebra” seria como soltar a mola.
O problema é que pensar só na “mola” esconde o essencial. 
Imagine assim: Você tem uma mola presa por um gancho (o ATP em sua forma normal). Para soltar a mola, você precisa gastar um pouquinho de força para tirar o gancho (quebrar a ligação)… mas, ao fazer isso, a mola salta e ainda se encaixa em um novo suporte muito mais firme e confortável (formação de ADP e fosfato). É esse encaixe final, muito mais estável, que libera a energia aproveitável.
Ou seja: a energia não vem do ato de tirar o gancho, mas do sistema todo encontrar uma configuração muito mais estável no final.

4. Por que o ATP é tão especial?

Os três fosfatos do ATP possuem cargas negativas, que se repelem – deixar o ATP inteiro é como segurar ímãs com polos iguais juntos; dá trabalho! Quando o ATP vira ADP + fosfato, o fosfato solto consegue espalhar sua carga negativa de forma muito mais eficiente, ficando super estável.
Essa passagem para um estado de maior estabilidade é a fonte real da energia liberada.

5. Por que então os livros dizem “quebra da ligação libera energia”?

É uma simplificação didática. Falar em “quebra que libera energia” é mais rápido e visual do que explicar estabilidade por ressonância e hidrólise para quem está vendo o assunto pela primeira vez.


Mas agora você já sabe a verdade: Não é a quebra da ligação que libera energia – é toda a reação química de hidrólise com formação de produtos muito mais estáveis.

Conclusão: Da próxima vez que você pensar no ATP, lembre-se:
Ele não é uma “pilha química” que se quebra e solta energia. Ele é uma molécula que, ao ser transformada, leva o sistema a um estado de muito menor energia, e essa diferença é o que move a célula. Entender isso não é só “ser mais correto” – é enxergar a bioquímica como ela realmente é: uma dança de moléculas buscando estabilidade, e não um depósito de energia pronto para explodir.


Gostou do tema? Compartilhe e comente aí embaixo o que mais
gera dúvidas na bioquímica do ensino médio!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

O Modelo Visionário de Jean Perrin: A Semente do Átomo Nuclear

No alvorecer do século XX, enquanto a comunidade física ainda se debatia para entender a natureza íntima da matéria, o francês Jean Perrin apresentou uma ideia audaciosa. Em 1901, em seu "Traité de Chimie Physique: Les Principes", ele propôs um modelo atômico que rompia radicalmente com as concepções vigentes. Longe da imagem de uma esfera homogênea ou do "pudim de passas" de J. J. Thomson, Perrin vislumbrou um átomo planetário: um pequeno núcleo central carregado positivamente, rodeado por elétrons em órbitas circulares, mantidos pela atração eletrostática. Era um sistema solar em escala infinitesimal.


Este modelo era notavelmente profético. Perrin sugeria que a maior parte da massa do átomo residia em seu núcleo e especulava que a luz poderia ser emitida pelas oscilações desses elétrons orbitais. Ele oferecia, portanto, uma arquitetura que explicava de forma elegante a neutralidade elétrica do átomo e apontava para uma explicação de seus espectros de emissão.

A Fatal Falta de Comprovação Experimental

Apesar de sua elegância e lógica, o modelo de Perrin permaneceu como uma brilhante especulação teórica. Esta foi sua principal e decisiva limitação. Perrin não possuía, naquele momento, dados experimentais capazes de invalidar o modelo dominante de Thomson ou de provar de forma inequívoca a existência de um núcleo compacto. A física da época carecia de um experimento crucial que pudesse "enxergar" dentro do átomo.


A situação mudaria radicalmente uma década depois, com o famoso experimento de Geiger-Marsden (1909-1911), orientado por Ernest Rutherford. Ao bombardear uma finíssima folha de ouro com partículas alfa (positivas), a maioria das partículas atravessava sem desvio, mas uma pequena fração – cerca de 1 em 8.000 – era repelida em ângulos grandes, algumas até mesmo refletidas de volta. Como Rutherford mesmo disse, foi "tão surpreendente como se você atirasse uma bala de canhão em um lenço de papel e ela voltasse para você."

Esses resultados eram incompatíveis com o modelo de Thomson. Uma esfera difusa de carga positiva não teria a densidade ou a força concentrada necessária para causar tais desvios dramáticos. O caminho estava aberto para uma nova interpretação.

A Conexão Perrin-Rutherford: Inspiração ou Confirmação Independente?

Aqui surge uma questão histórica fascinante: o modelo de Perrin serviu de inspiração direta para Rutherford?

É improvável que Rutherford, um físico experimental de primeira linha inserido nas discussões científicas da época, desconhecesse a proposta teórica de Perrin. A ideia de um centro positivo não era exclusiva do francês (Lord Kelvin também tinha ideias similares), mas foi Perrin quem a estruturou de forma mais clara como um modelo planetário.

A relação mais provável não é de cópia, mas de sinergia entre teoria e experimento. A ideia de Perrin fornecia um quadro conceitual alternativo pronto – uma possibilidade teória que aguardava comprovação. Quando os dados experimentais de seu próprio laboratório destruíram o paradigma de Thomson, Rutherford não precisou começar do zero. Ele tinha à mão uma hipótese alternativa que se encaixava perfeitamente nas observações: a única maneira de explicar os grandes desvios das partículas alfa era postular a existência de um núcleo minúsculo, denso e positivamente carregado, exatamente como Perrin havia imaginado.

A genialidade de Rutherford residiu em reconhecer a implicação dos dados e sintetizá-los em um modelo físico robusto. Ele deu à ideia de Perrin o que ela mais necessitava: comprovação experimental quantitativa. O modelo de Rutherford (1911) era, em sua essência arquitetônica, o modelo de Perrin, agora respaldado por evidências irrefutáveis.

Um Legado de Duas Metades

A história, portanto, atribui a Rutherford a descoberta do núcleo atômico, e com justiça, pois foi ele quem a demonstrou ao mundo. No entanto, cabe a Jean Perrin o crédito de ter previsto sua existência.

O episódio ilustra magistralmente o diálogo entre teoria e experimento. Perrin, com sua intuição teórica, plantou a semente. Rutherford, com seu rigor experimental, fez-na brotar e florescer. O modelo de Perrin permanece como um testemunho do poder da imaginação científica, que, mesmo quando não pode ser imediatamente provada, ilumina o caminho para aqueles que, munidos de novos instrumentos e métodos, podem um dia transformar visão em realidade. Ele foi a ponte necessária entre o átomo indivisível do século XIX e o átomo nuclear do século XX.

A relação entre Perrin e Rutherford

Após a publicação do artigo seminal de Rutherford em 1911 ("The Scattering of α and β Particles by Matter and the Structure of the Atom"), o modelo nuclear não foi imediatamente aceito pela comunidade científica. Muitos físicos, especialmente os de formação mais clássica ou aqueles ligados ao modelo de Thomson, eram céticos.

Nesse cenário, Perrin, que já havia concebido uma ideia similar, reconheceu imediatamente a importância e a veracidade do trabalho de Rutherford. Ele utilizou sua posição e influência como um físico renomado na França para promover e explicar o novo modelo.

A Divulgação e Defesa no Livro "Les Atomes" (1913)

A contribuição mais significativa de Perrin para a divulgação do modelo de Rutherford foi seu livro "Les Atomes" (Os Átomos), publicado em 1913.

  • Síntese da Evidência: Nesta obra, Perrin realizou um tour de force. Ele compilou e apresentou de forma clara e convincente todas as linhas de evidência independentes que apontavam para a realidade dos átomos e das moléculas: a teoria cinética dos gases, o movimento browniano (no qual ele era o maior especialista mundial), os fenômenos eletrolíticos, a dispersão da luz (teoria de Einstein-Smoluchowski) e, de forma crucial, os resultados experimentais de Rutherford sobre o espalhamento de partículas alfa.

  • Legitimação do Modelo Nuclear: Ao colocar o trabalho de Rutherford ao lado de outras evidências convergentes e sólidas, Perrin legitimou o modelo nuclear não como uma mera hipótese, mas como a conclusão lógica de um vasto corpo de dados experimentais. "Les Atomes" foi um best-seller científico e um texto extremamente influente, sendo traduzido para várias línguas. Ele foi fundamental para educar uma geração de cientistas e o público culto sobre a nova visão da matéria.

O Ironicamente Forte Suporte Experimental de Perrin

Aqui reside uma das maiores ironias e belezas desta história. Enquanto o modelo teórico de Perrin (1901) carecia de comprovação experimental direta, seu trabalho experimental posterior (pelo qual ele ganharia o Prêmio Nobel de Física em 1926) foi um dos pilares que sustentou todo o edifício da teoria atômica, incluindo o modelo de Rutherford.

  • Movimento Browniano e o Número de Avogadro: As experiências meticulosas de Perrin com o movimento browniano (publicadas principalmente entre 1908-1911) forneceram a primeira determinação precisa e convincente do Número de Avogadro por múltiplos métodos independentes. Ao provar, de forma irrefutável, que a teoria de Einstein para o movimento browniano estava correta, ele demonstrou a realidade física dos átomos e das moléculas. Ele mostrou que o Número de Avogadro era uma constante real, não um artifício teórico.

  • Como Isso Apoiava Rutherford: Provar a existência dos átomos e determinar seu tamanho e número era a base necessária para que o modelo de Rutherford fizesse sentido. Sem a certeza da estrutura atômica da matéria, discutir a estrutura interna do átomo seria colocar o carro à frente dos bois. O trabalho experimental de Perrin forneceu o alicerce sobre o qual Rutherford pôde construir sua teoria da estrutura nuclear.

Conclusão: Uma Relação de Mão Dupla

Portanto, a relação entre Perrin e o modelo de Rutherford foi simbiótica e de mão dupla:

  1. Perrin → Rutherford (Antes de 1911): A ideia teórica de Perrin de um núcleo central serviu como um precursor conceitual que pode ter inspirado ou preparado o terreno para Rutherford.

  2. Rutherford → Perrin (Depois de 1911): A comprovação experimental de Rutherford deu validade à intuição teórica de Perrin.

  3. Perrin → Rutherford (Após 1911): O trabalho experimental de Perrin (sobre átomos) e sua divulgação vigorosa (em "Les Atomes") forneceram a base e a plataforma de aceitação que o modelo de Rutherford precisava para triunfar.

Em resumo, Jean Perrin foi um dos principais arquitetos intelectuais e divulgadores do paradigma atômico moderno, atuando tanto no campo teórico (previsão do núcleo) quanto no experimental (prova da existência dos átomos) e no pedagógico (defesa e explicação do modelo de Rutherford). Escrever sobre Rutherford foi, para ele, uma forma de validar e completar sua própria visão do mundo físico.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

A Evolução do Modelo Atômico de Thomson: Uma Visão para o Ensino Médio

No ensino médio, aprendemos que o modelo atômico de J. J. Thomson, proposto em 1897, é conhecido como o “modelo do pudim de passas”. Essa analogia é útil, mas simplifica uma ideia que evoluiu e foi importante para seu tempo. Vamos ver como isso aconteceu.

1. A descoberta fundamental: o elétron
Antes de Thomson, imaginava-se que o átomo era indivisível. Seu grande feito foi descobrir o elétron, uma partícula com carga negativa, muito menor que o átomo. Isso mostrou que o átomo tinha estrutura interna – era “quebrável”.

2. O primeiro modelo (versão inicial)
Thomson precisava explicar como o átomo, sendo eletricamente neutro, continha elétrons negativos. Ele propôs:

  • O átomo seria uma esfera positiva contínua (como uma massa de pudim).
  • Os elétrons estariam incrustados nessa esfera (como as passas no pudim).
  • A carga positiva e negativa se equilibravam, tornando o átomo neutro.

3. O modelo se sofistica (versão de 1904)
Thomson não parou. Ele percebeu que os elétrons, por se repelirem, não ficariam aleatoriamente distribuídos. Então, propôs que se organizavam em anéis ou camadas concêntricas, girando em órbitas dentro da esfera positiva. Essa foi uma tentativa de explicar propriedades químicas e a periodicidade dos elementos.

4. Por que o modelo de Thomson foi superado?
O modelo de Thomson era coerente com o conhecimento da época, mas tinha um problema grave: não explicava os resultados do experimento de Rutherford (1911), em que partículas alfa (positivas) eram desviadas fortemente ao atravessar uma fina lâmina de ouro. Se o átomo fosse apenas uma “nuvem” difusa de carga positiva, essas partículas passariam quase sem desvio. Os grandes desvios observados indicavam a existência de um núcleo pequeno, denso e positivo – algo que o modelo do pudim de passas não previa.

Como entender no ensino médio?

  • Não era um “erro”, mas um passo necessário. A ciência avança por tentativas e correções.
  • Thomson mostrou que o átomo não era maciço e indivisível – havia partículas subatômicas (elétrons).
  • Sua ideia de que cargas positivas e negativas coexistem no átomo estava correta, mas a distribuição que propôs era imprecisa.
  • O modelo foi importante porque estimulou novos experimentos – inclusive os de Rutherford, que o refutaram.

Em resumo: O modelo de Thomson representou a transição entre o átomo indivisível da Antiguidade e o átomo com estrutura interna. Sua evolução – da simples “esfera com elétrons presos” para uma tentativa de organização em anéis – mostra como um cientista ajusta suas ideias frente a novas descobertas. No ensino médio, estudá-lo nos ensina que a ciência é um processo dinâmico, em que cada modelo, mesmo superado, abre caminho para o próximo.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Pessoas que ganharam mais de um Prêmio Nobel

Ganhar um Prêmio Nobel já é um feito extremamente raro. Ao longo de mais de um século de premiações, apenas cinco pessoas conseguiram ganhar o Nobel duas vezes, o que as coloca em um grupo absolutamente excepcional da história da ciência e da cultura mundial.

Madame Curie

A mais conhecida é Marie Skłodowska-Curie, que recebeu o Nobel de Física em 1903, por suas pesquisas sobre radiação, e o Nobel de Química em 1911, pela descoberta de novos elementos químicos, como o polônio e o rádio. Outro caso notável é o de Linus Pauling, vencedor do Nobel de Química em 1954, por seus estudos sobre ligações químicas e sua relação com a estrutura das proteínas, e do Nobel da Paz em 1962, por sua atuação contra testes nucleares e em defesa do desarmamento. Pauling é único por ter recebido dois Nobels individuais, sem divisão com outros laureados.

Também merece destaque John Bardeen, o único a ganhar duas vezes o Nobel de Física: em 1956, pela invenção do transistor, e em 1972, por suas contribuições à teoria da supercondutividade. Na área da Química, Frederick Sanger recebeu o Nobel em 1958, pelo sequenciamento de proteínas, e novamente em 1980, pelo desenvolvimento de métodos de sequenciamento do DNA. Mais recentemente, Karl Barry Sharpless entrou para esse seleto grupo ao conquistar o Nobel de Química em 2001 e em 2022, por contribuições à síntese assimétrica e à chamada click chemistry (estratégia química para unir moléculas de forma rápida, limpa, previsível e eficiente).

Além das pessoas, algumas organizações também receberam o prêmio mais de uma vez. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha ganhou o Nobel da Paz três vezes, enquanto o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) foi premiado duas vezes, ambos pelo trabalho humanitário em contextos de guerra e crises globais.

Esses casos mostram que, em situações raríssimas, o impacto de uma trajetória intelectual ou humanitária pode ser tão profundo que acaba sendo reconhecido mais de uma vez pela mais prestigiosa premiação do mundo.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

PROVAS DO SERIADO UFMG E LINK PARA PROVAS ANTERIORES DO VESTIBULAR UFMG

A exemplo da nossa postagem mais famosa (TODAS AS PROVAS DO ENEM), vamos colocar aqui as provas do Seriado UFMG, sem enrolação!!!

Vista aérea de parte do Campus Pampulha da UFMG

*** ETAPAS DO PERÍODO 2025-2027

        PROVA SERIADO ETAPA 1 DO PERÍODO 2025-2027: CLIQUE AQUI


*** VESTIBULAR UFMG TRADICIONAL

        COLETÂNEA DE PROVAS ANTERIORES DO VESTIBULAR UFMG: CLIQUE AQUI


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CURSO PARA O SERIADO UFMG 2025 - QUESTÕES ABORDADAS NO CURSO E RELACIONADAS COM A PROVA DO SERIADO UFMG

Seguem algumas das questões abordados no curso e que estão relacionadas com as que caíram na Prova do Seriado 2025 UFMG. Claro que, além das questões, há todo o comentário relativo à resolução das mesmas que fez com que a assertividade do curso fosse ainda maior!




 

 

 




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segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

SERIADO UFMG 2025 - GABARITO COMENTADO - SUJEITO A ALTERAÇÕES

A COPEVE/UFMG divulgou as provas da primeira etapa do Seriado 2025 e a sugestão inicial de gabarito (sujeito a recursos). Seguem-se alguns comentários sobre as questões de Biologia e Química.

BIOLOGIA





Analisando o "conjunto da obra" fica a impressão que a prova foi feita por pessoas que não estão acostumadas a lecionar para o Primeiro Ano do Ensino Médio. A presença dos Domínios e a questão sobre conceituação de espécie e população não são típicas do ensino nessa etapa escolar.

Fica a impressão também que a prova foi feita mais para enganar os professores que prepararam seus alunos para essa prova (ou para favorecer os alunos de escolas públicas que têm poucas aulas por semana e não conseguem, às vezes, ver todo o programa). Agora... que falta de criatividade na questão dos polissacarídeos, hein?

A ausência de questões sobre Proteínas e Ácidos Nucléicos, Organelas Celulares, Metabolismo Energético e Divisão Celular - temas dos mais estudados e importantes dessa etapa do ensino - fez com que a prova não avaliasse realmente o aprendizado do Primeiro Ano do Ensino Médio. Mas quem assistiu, ou só teve, o primeiro mês de aulas... acertaria metade da prova.

Três questões classificadas como fáceis ou médias e uma questão (a do ligre) claramente fora dos objetivos do primeiro ano médio. 

QUÍMICA





Três questões entre fáceis e médias... e uma questão muito difícil. 
Contudo, a prova de química mostra-se mais bem elaborada que a prova de biologia.
Infelizmente, para o bem do ensino da química e da estequiometria, poderiam ter colocado uma questão mais acessível do tema. Passa a impressão que estequiometria é difícil mesmo... e que não adianta estudar que você vai errar. Lamentável só nesse aspecto. O resto, tranquilo e dentro do esperado.

Ramon Lamar de Oliveira Junior

PS.: Ainda estou procurando a tal INTERDISCIPLINARIDADE tão falada no Documento Norteador. Houve uma mistura de fermentação (biologia/química) na questão do bolo... mas nada muito criativo. A questão discursiva (ou seria melhor chamar de "Proposta de Redação") perdeu uma boa oportunidade de ser realmente interdisciplinar. Colocar a palavra ecossistema numa pergunta, não a transforma em interdisciplinar. Espero que as questões discursivas da Terceira Etapa realmente consigam medir o aprendizado necessário para o curso superior nas áreas específicas.