Árvores não deveriam cair com tanta facilidade nas ruas e praças das cidades. Vamos abordar neste tópico e em outros quais as possíveis causas de tais incidentes.
Hoje iremos nos concentrar na questão das raízes, um aspecto muito negligenciado na explicação sobre tais quedas. Primeiro um pouco de biologia das raízes para depois entendermos a realidade do plantio de árvores.
A maior parte da arborização urbana é feita com dicotiledôneas (árvores com tronco que sustenta uma copa). As monocotiledôneas usadas quase que exclusivamente restringem-se às palmeiras de diversas espécies. Dicotiledôneas e monocotiledôneas distinguem-se por vários aspectos, sendo um deles a estrutura de suas raízes. Dicotiledôneas possuem uma raiz principal (pivô ou pião) que pode aprofundar-se muito no solo (às vezes com uma profundidade semelhante à altura da árvore, ou pelo menos até encontrar o lençol freático), tal tipo de raiz é chamada de axial ou pivotante e fornece excelente fixação da planta no solo. Monocotiledôneas não possuem raiz principal e formam, na verdade, uma espécie de "touceira" de raízes mais superficiais (raízes fasciculadas ou "em cabeleira") o que explica o tombamento de coqueiros e palmeiras que atingem grande altura e sofrem forte ação de ventos (em especial se se encontrarem próximas a barrancou ou taludes, onde a fixação ao solo é menor ainda).
O plantio de árvores em cidades, já há algumas décadas, entra em colisão com a depredação das mudas feita, em geral, por atos de puro e simples vandalismo. Para minimizar a perda de mudas, sugere-se sempre que as mesmas sejam plantadas já com 2 metros de altura ou mais. A consequência disso é que as mudas, normalmente encerradas em sacos plásticos de no máximo 30 centímetros de profundidade, sofrem desbaste em suas raízes perdendo grande parte da raiz principal e das raízes de segunda ordem. Não tendo mais a raiz principal, ocorre uma tendência ao crescimento lateral de raízes... e uma raiz originalmente pivotante (com grande poder de fixação ao solo) transforma-se em raiz fasciculada.
Junte-se a isso o fato das covas para plantio não serem feitas - na maioria das vezes - com o tamanho adequado. Sugere-se, no mínimo, uma cova em forma de cubo com 60 centímetros de arestas (60 x 60 x 60). Assim as raízes têm mais chance de crescer para os lados e para baixo, garantindo uma melhor fixação ao solo. Em geral as covas são feitas apenas para acolher a muda, ou seja, com as mesmas dimensões do saco da muda, o que agrava ainda mais a condição de saúde das raízes.
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| Mudas para plantio (observem o exíguo espaço para as raízes) e "fascicularização" das raízes de uma dicotiledônea que perdeu a raiz principal: sustentação comprometida. [Imagens modificadas a partir de: www.portalsaofrancisco.com.br e http://iemais.com.br] |
Observem algumas imagens de quedas de árvores e tirem suas próprias conclusões:
Futuramente abordaremos outros fatores que podem provocar a queda das árvores.
Ramon Lamar de Oliveira Junior