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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Desmate, queimadas e poluição na Amazônia reduzem chuvas no centro-sul do Brasil

Reproduzo aqui, matéria publicada em www.ultimosegundo.ig.com.br (link completo AQUI). Partes em destaque ao meu critério. O objetivo é manter esse dado em arquivo para que outras pessoas possam consultar no futuro, facilitando o entendimento dessa hipótese que, ao meu ver, é bastante provável e de consequências extremamente graves.

Vento úmido que sai da floresta amazônica deveria provocar chuvas no centro-sul, mas ao dar carona à fuligem impede a formação das gotas para a precipitação das nuvens.
A seca registrada este ano no centro-sul do Brasil pode estar intimamente relacionada com a degradação ambiental na floresta amazônica. Estudos indicam que a poluição em Manaus e as queimadas e desmatamentos na mata não afetam apenas as chuvas na região, cujo ciclo já foi comprometido.
O primeiro alerta foi publicado na revista Nature em 2012 pela Universidade de Leeds, na Inglaterra. De acordo com o estudo, mais de 600 mil quilômetros quadrados de floresta foram perdidos desde a década de 1970, e a tendência atual prevê perda de até 40% da floresta até 2050, quando as chuvas poderiam acabar reduzidas em 21% no período de seca.
Além de fornecer água para a produção de energia hidrelétrica no Brasil, a floresta amazônica também funciona como um sumidouro de carbono, função que poderia acabar comprometida pela diminuição das chuvas e aumento das temperaturas. Mas não é só isso. “Nosso estudo sugere que o desmatamento poderia ter consequências catastróficas para as pessoas que vivem a milhares de quilômetros de distância", escreveu Dominick Spracklen, um dos autores da pesquisa. “A floresta mantém chuvas sobre as regiões agrícolas importantes do sul do Brasil, que podem acabar comprometidas.”
Manaus: No inicio deste ano, uma campanha científica formada por pesquisadores brasileiros e norte-americanos, batizada de Green Ocean Amazon (GOAmazon), começou a testar a hipótese publicada na revista Science de que a poluição produzida na cidade de Manaus, capital do Amazonas, está afetando o processo de formação de chuva na floresta.
Membro do GOAmazon e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Luiz Augusto Toledo Machado explica que o aumento de material particulado (como fuligem) na atmosfera reduziria o tamanho das gotas nas nuvens, retardando ou abortando o processo de precipitação. “Em março, nossa aeronave sobrevoou essa região poluída e pudemos detectar a quantidade de material particulado que havia. De uma forma geral, essa poluição tem o potencial para reduzir a quantidade de chuva.”
Rodeada por 2 mil quilômetros de mata, Manaus já concentra dois milhões de habitantes, que fazem uso de 750 mil veículos, de acordo com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Em 2001, esse número não passava de 147 mil. “Os sete Estados da região possuem 260 termoelétricas em funcionamento, emitindo seis milhões de toneladas de CO2 na atmosfera”, contabiliza a bióloga Silvia Regina Gobbo. “Esse número se soma a outros 770 milhões de toneladas de CO2 emitidos pelos desmatamentos e queimadas.”
Com a redução das precipitações, parte dos incêndios não seria contida, alimentando esse ciclo, uma vez que mais fuligem chegaria às nuvens. O problema se intensifica pelo fato de essas partículas acabarem dispersas para o centro-sul do País, o que também pode comprometer o ciclo de chuvas nessas regiões.
Machado explica a existência de um fenômeno chamado Jato de Baixos Níveis, um duto de vento que transporta a umidade da Amazônia para o centro-sul do Brasil, provocando chuvas. De acordo com ele, esses ventos viajariam cada vez mais carregados com as partículas de poluição – especialmente das queimadas – comprometendo as precipitações na região.

A análise dessa possibilidade faz parte de uma pesquisa que vai integrar a tese de doutorado de Gláuber Camponogara no Instituto de Astronomia da USP. Os resultados dos três métodos estatísticos utilizados por ele demonstram que grandes concentrações de aerossól (partículas poluentes) transportadas por esse jato de vento tendem a diminuir as precipitações no centro-sul. "Em geral é assim, mas essa não é a única razão", afirma o estudioso. "É preciso levar em conta as condições atmosféricas de umidade, temperatura e vento, o que pode aumentar ou não a influência do aerossol sobre as chuvas."
Para a bióloga, as secas consecutivas nas passagens dos anos 2012 para 2013 e 2013 para 2014 – cujas consequências afetam os reservatórios de água – são um sinal dessa mudança no regime hídrico. “Se for, teremos secas cada vez mais frequentes, só amenizadas quando for ano de El Niño.” Camponogara não descarta que os aerossóis de queima da floresta possam afetar as chuvas em São Paulo. “É uma possibilidade que só pode ser comprovada por meio de mais estudos.

Outro texto científico, que aconselho para a leitura, sobre o assunto pode ser acessado em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142005000100011&script=sci_arttext. Dele destaco o pequeno trecho, bastante conhecido como início da condensação da água que forma as nuvens: "Por outro lado, partículas de fumaça podem atuar como núcleos de condensação de água formando gotas de chuva que precipitam, sendo então removidos da atmosfera, processo denominado remoção úmida."

3 comentários:

  1. Vejo que o Senhor Ramon Lamar é bem conhecedor da natureza e se preocupa bastante com ela .
    Mais parece que a educação de alguêm com grande naturalismo não veio da mãe.
    Pois a mãe dele corta a árvore na porta de casa sempre que sol está forte pra que ninguêm estacione seu carro .
    Esquecendo ela que a rua é publica, e a sombra é para todos .
    Hora de inverter os papeis Ramon. ( Educação de filho pra mãe já ) rsrsrsrs

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    1. Amiga ou amigo Piruquita, minha mãe tem pavor dos fios da árvore encostarem na rede elétrica. Vivo dizendo a ela para não se preocupar pois os fios mais baixos são da telefonia e a árvore dela (um chorão mexicano) dificilmente chega até lá. Também se preocupa com a escuridão na porta da casa à noite (pois a árvore está muito próxima ao poste). Portanto, a questão nada tem a ver com a poda (que não é nunca do tipo radical, que desaparece com a sombra). Certa vez ocorreu um fato também que foi o uso excessivo de fertilizante que acabou matando a planta, imediatamente substituída por outra da mesma espécie, um acidente imperdoável. Realmente, no quarteirão dela são poucas as árvores plantadas que oferecem sombra. Seria bom também que os demais vizinhos plantassem árvores para melhorar a questão do estacionamento, não é verdade? Não só os vizinhos como a cidade inteira.
      Contudo, vou transmitir suas considerações para ela, quem sabe me ajudam a diminuir o temor da mesma com a rede elétrica?

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    2. Ah, corrigindo, "ramos da árvore" e não "fios da árvore"... claro!!!

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