Eleições 2026: Segundo Turno explicado. De onde veio o aumento de votos na eleição presidencial?

A comparação entre os dois turnos da eleição presidencial de 2026 mostra duas mudanças importantes: mais eleitores compareceram às urnas e menos votos foram registrados como brancos ou nulos. No segundo turno, realizado em 25 de outubro, o país contabilizou 4.781.485 votos válidos a mais do que no primeiro. 

MAPA RESULTADO ELEIÇÃO 2026

Lula ampliou sua votação em 10.376.694 votos, enquanto Flávio Bolsonaro acrescentou 3.721.538. Para compreender esses números, porém, é necessário distinguir o crescimento do eleitorado que efetivamente votou, a redução dos votos inválidos e os votos recebidos pelos candidatos eliminados na primeira etapa.

Segundo os resultados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o comparecimento passou de 125.275.835 para 128.236.074 eleitores, um aumento líquido de 2.960.239 votantes. A abstenção caiu de 21,08% para 19,22%. Simultaneamente, os votos brancos diminuíram em 870.302 e os nulos, em 950.944. Somadas, essas duas modalidades apresentaram uma redução de 1.821.246 votos.

Indicador    Primeiro turno    Segundo turno    Variação
Comparecimento    125.275.835    128.236.074    +2.960.239
Votos brancos    2.300.798    1.430.496        −870.302
Votos nulos    3.674.249    2.723.305    −950.944
Brancos e nulos somados    5.975.047    4.153.801    −1.821.246
Votos válidos    119.300.788    124.082.273    +4.781.485

Fonte: TSE. Variações calculadas pela diferença entre os resultados dos dois turnos. Os totais nacionais incluem os votos no exterior.

A conta permite explicar o crescimento dos votos válidos: os 2.960.239 comparecimentos adicionais, somados à redução de 1.821.246 votos brancos e nulos, resultaram em 4.781.485 votos válidos a mais. É preciso, contudo, cuidado com a interpretação. O aumento líquido do comparecimento não informa exatamente quantas pessoas faltaram ao primeiro turno e compareceram ao segundo, pois também pode ter havido eleitores que fizeram o caminho inverso. Da mesma maneira, a diminuição dos votos brancos e nulos não permite identificar individualmente quem passou a escolher um candidato.

Lula passou de 53.879.538 votos no primeiro turno para 64.256.232 no segundo, enquanto Flávio Bolsonaro avançou de 56.104.503 para 59.826.041. Assim, o crescimento da votação de Lula superou o de Flávio em 6.655.156 votos. Essa diferença entre os acréscimos explica a inversão do resultado: Flávio havia terminado o primeiro turno com uma vantagem de 2.224.965 votos; no segundo, Lula venceu por 4.430.191.

Candidato    Primeiro turno    Segundo turno    Acréscimo de votos
Lula    53.879.538    64.256.232    10.376.694
Flávio Bolsonaro    56.104.503    59.826.041    3.721.538

O crescimento ocorreu de maneira desigual pelo território brasileiro. O Sudeste foi a região em que ambos os candidatos mais acrescentaram votos em números absolutos: Lula ganhou 4.800.333 e Flávio, 1.944.892. Para Lula, o segundo maior acréscimo veio do Nordeste, com 2.955.848 votos; para Flávio, veio do Sul, com 866.745. Lula apresentou um aumento absoluto maior que o do adversário nas cinco regiões.

Região    Votos a mais de Lula    Votos a mais de Flávio Bolsonaro
Norte    474.024    14.110
Nordeste    2.955.848    397.763
Centro-Oeste    770.876    470.431
Sudeste    4.800.333    1.944.892
Sul    1.332.846    866.745
Exterior    42.767    27.597
Total, incluindo o exterior    10.376.694    3.721.538

Fonte: cálculos a partir dos arquivos oficiais do TSE, somando as unidades da Federação de cada região. O exterior aparece separadamente e integra o total nacional.

Os acréscimos dos dois finalistas somam 14.098.232 votos, um número maior que o aumento dos votos válidos entre os turnos. Isso ocorre porque os demais candidatos haviam recebido, juntos, 9.316.747 votos no primeiro turno. Somando esse contingente aos 4.781.485 votos válidos adicionais, chega-se exatamente ao crescimento conjunto de Lula e Flávio. Essa correspondência fecha a conta nacional, mas não revela os caminhos individuais dos eleitores: somente os resultados agregados não permitem determinar quantos antigos abstencionistas, eleitores de outros candidatos ou pessoas que haviam votado em branco ou nulo passaram a apoiar cada finalista.

Um dado complementar diz respeito à prorrogação da votação: segundo levantamento divulgado pela CNN, baseado nos arquivos do TSE, foram registrados 34.330 votos após as 17h, aproximadamente 0,027% do comparecimento no segundo turno. Desse total, 29.001 foram registrados nos primeiros cinco minutos após o horário habitual de encerramento. Não se pode atribuir todos esses votos à prorrogação, pois os eleitores que já estavam na fila às 17h teriam direito a votar mesmo sem a extensão. Ainda que todos fossem considerados votos adicionais decorrentes da medida, representariam apenas 0,77% da vantagem de 4.430.191 votos de Lula, quantidade insuficiente para alterar o vencedor da eleição. 

Fontes: resultado oficial do primeiro turno, resultado oficial do segundo turno e arquivos por unidade da Federação do Portal de Resultados do TSE. Dados com a totalização concluída.

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