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Trecho da Obra "Vila dos Confins"

Aproveitando a postagem anterior, relendo um trecho de Vila dos Confins... VILA DOS CONFINS Mário Palmério “João Soares estava com a razão: política só se ganha com muito dinheiro. A começar pelo alistamento, que é trabalhoso e caro: tem-se de ir atrás de eleitor por eleitor, convencê-los a se alistarem, e ensinar tudo, até a copiar o requerimento. Cabo de enxada engrossa as mãos – e o sedenho das rédeas, o laço de couro cru, machado e foice também. Caneta e lápis são ferramentas muito delicadas. A lida é outra labuta pesada, de sol a sol, nos campos e nos currais. É marcar bezerro, é curar bicheira, é rachar pau de cerca, é esticar arame farpado; roçar invernada, arar chão, capinar, colher... E quem perdeu tempo com leitura e escrita, em menino, acaba logo esquecendo-se do pouco que aprendeu. Ler o quê? Escrever o quê? Mas agora é preciso: a eleição vem aí, e o título de eleitor rende a estima do patrão, a gente vira pessoa. Acontece, também, que Pé-de-Meia não quer saber ...

A parte que nos cabe neste latifúndio...

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Fui apresentado à obra de J oão Cabral de Melo Neto meio que por obrigação. Sua fantástica "Morte e Vida Severina" foi indicada para o Vestibular 1980 da UFMG, que eu ainda no segundo ano do ensino médio, fiz como "treineiro". Confesso que até então nunca fui muito chegado a poemas, talvez pela falta de incentivo para entender essa produção magnífica. "Morte e Vida Severina" mudou minha forma de ver a poesia. Não precisa ser apenas lírica, romântica, utópica e inefável. Poesia pode ser dura, forte, "um tapa na nossa cara". Reli "Morte e Vida" várias vezes.  No ano seguinte, também por obrigação dos vestibulares, fui apresentado a outros ícones, entre eles um tal de Fernando "Encontro Marcado" Sabino , Autran "Sinos da Agonia" Dourado , Mário "Vila dos Confins" Palmério (que inclusive sempre lembro em épocas eleitorais por mostrar como funciona(va) o coronelismo na compra de votos), Afonso "Pelo S...