Os dois buritis da Lagoa Paulino iluminados pelo sol de fim de tarde. (Fotografados da Rua Paulo Frontin) BURITI PERDIDO Afonso Arinos Velha palmeira solitária, testemunha sobrevivente do drama da conquista, que de majestade e de tristura não exprimes, venerável epônimo dos campos! No meio da campina verde, de um verde esmaiado e merencório, onde tremeluzem às vezes as florinhas douradas do alecrim do campo, tu te ergues altaneira, levantando ao céu as palmas tesas, - velho guerreiro petrificado em meio da peleja! Tu me apareces como o poema vivo de uma raça quase extinta, como canção dolorosa dos sofrimentos das tribos, como o hino glorioso de seus feitos, a narração comovida das pugnas contra os homens de além! Por que ficaste de pé, quando teus coevos já tombaram? Nem os rapsodistas antigos, nem a lenda cheia de poesia do cantor cego da ilíada comovem mais do que tu, vegetal ancião, cantor mudo da vida primitiva dos sertões! Atalaia grandioso dos campos e das matas - ...