Dor, irritação e "coceira" nos olhos? Pode ser blefarite. Entenda o que pode ser feito!

Pode parecer estranho falar em lavar os cílios com shampoo, mas a higiene das pálpebras é uma das medidas frequentemente utilizadas no controle de alguns tipos de blefarite, uma inflamação bastante comum que afeta principalmente as margens das pálpebras.
Quem apresenta o problema pode perceber vermelhidão, ardência, coceira, sensação de areia nos olhos e pequenas escamas ou crostas acumuladas junto à base dos cílios. Em alguns casos, os cílios parecem estar cobertos por uma espécie de “caspa”. Também podem ocorrer lacrimejamento, sensibilidade à luz e sensação de olho seco.

ALERTA: SEMPRE PROCURE UM MÉDICO PARA DIAGNÓSTICO CORRETO DO PROBLEMA E INDICAÇÃO DE MEDIDAS PARA TRATAMENTO.

Mas de onde vêm essas escamas?
A margem das pálpebras é uma região biologicamente bastante ativa. Nela encontramos os folículos dos cílios e diferentes glândulas, entre elas as glândulas de Meibômio, responsáveis pela produção de componentes lipídicos importantes para o filme lacrimal. Células descamadas, secreções, oleosidade e microrganismos podem se acumular nessa região e participar do processo inflamatório.
A blefarite, entretanto, não possui uma única causa. Ela pode estar associada, por exemplo, a alterações das glândulas de Meibômio, dermatite seborreica, proliferação bacteriana e, em determinadas situações, à presença excessiva de ácaros do gênero Demodex. Por isso, tratamentos que funcionam muito bem para uma pessoa podem não ser os mais indicados para outra.

BLEFARITE E IRRITAÇÃO OCULAR

Onde entra a lavagem dos cílios?
A limpeza cuidadosa da margem das pálpebras ajuda a retirar crostas, escamas, excesso de oleosidade e secreções acumuladas na base dos cílios. Com isso, pode contribuir para diminuir a irritação e controlar a inflamação.
Não se trata apenas de impedir que pequenas escamas entrem em contato com a conjuntiva. A blefarite envolve um conjunto mais complexo de fenômenos, incluindo inflamação local, alterações das secreções palpebrais, ação de microrganismos e modificações do filme lacrimal que recobre e protege a superfície do olho.
Tradicionalmente, a higiene palpebral pode ser realizada com shampoo infantil neutro, geralmente utilizado de maneira orientada e cuidadosa. Existem também produtos desenvolvidos especificamente para a higiene das pálpebras e dos cílios, encontrados na forma de soluções, espumas e lenços próprios para essa finalidade. Em determinadas situações, compressas mornas também são utilizadas, especialmente quando existe comprometimento das glândulas de Meibômio.

É importante, porém, não transformar uma medida simples de higiene em uma receita universal. Olhos vermelhos, ardência, coceira ou formação de crostas nos cílios não significam necessariamente blefarite. Conjuntivites, alergias, olho seco e outras alterações oculares podem produzir sintomas semelhantes.

Além disso, alguns casos de blefarite necessitam de tratamentos adicionais, que podem incluir medicamentos ou produtos específicos. Mesmo substâncias consideradas suaves podem provocar irritação quando utilizadas inadequadamente ou em pessoas mais sensíveis.
Por isso, antes de começar qualquer tratamento, o ideal é consultar um oftalmologista. É ele quem poderá confirmar se realmente se trata de blefarite, identificar suas possíveis causas e orientar corretamente como deve ser feita a higiene palpebral e quais produtos podem ser utilizados.
Uma medida aparentemente tão simples quanto lavar cuidadosamente a região dos cílios pode trazer grande alívio para algumas pessoas. Mas, como ocorre tantas vezes em saúde, entender primeiro qual é o problema é tão importante quanto escolher o tratamento.

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